domingo, 28 de dezembro de 2014
sábado, 27 de dezembro de 2014
A TSF é curiosa
É uma rádio essencialmente de publicidade e anúncios polvilhada, aqui e ali, por programas noticiosos. E, às vezes, passa música, que normalmente é da melhor que se ouve em qualquer frequência.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
Up to a point
O teu lugar. A tua cadeira. O teu lugar que já não é teu. Ainda não vi
(não quero ver)
mas sei que já não estás
Naquele lugar, naquela cadeira.
Já não é teu. Como é natural
(perfeitamente normal, lógico até)
que o deixe de ser. Nada disto é teu, deixou de ser, como tinha que ser, assim como o meu lugar há muito tempo que deixou de ser meu. Outra pessoa no meu lugar, na minha cadeira. Estranho como nada disso me incomoda: alguém no meu lugar e isso parece-me perfeitamente natural, normal. Lógico. Mas o teu
Lugar, cadeira.
E pior do que vazio, pior do que não estares lá tu é estar outra pessoa. Outra pessoa onde costumavas estar, onde devias estar, onde me lembro de te ver
(ainda não vi)
onde me lembro de me ter habituado a ver-te. E eu sei que é normal, natural, lógico que já não estejas - como eu, que há muito tempo deixei tudo
(outra pessoa no meu lugar, e isso não me incomoda).
Mas outra pessoa no
Teu lugar, tua cadeira
Não me é natural, lógico, normal. E incomoda-me.
(não quero ver)
mas sei que já não estás
Naquele lugar, naquela cadeira.
Já não é teu. Como é natural
(perfeitamente normal, lógico até)
que o deixe de ser. Nada disto é teu, deixou de ser, como tinha que ser, assim como o meu lugar há muito tempo que deixou de ser meu. Outra pessoa no meu lugar, na minha cadeira. Estranho como nada disso me incomoda: alguém no meu lugar e isso parece-me perfeitamente natural, normal. Lógico. Mas o teu
Lugar, cadeira.
E pior do que vazio, pior do que não estares lá tu é estar outra pessoa. Outra pessoa onde costumavas estar, onde devias estar, onde me lembro de te ver
(ainda não vi)
onde me lembro de me ter habituado a ver-te. E eu sei que é normal, natural, lógico que já não estejas - como eu, que há muito tempo deixei tudo
(outra pessoa no meu lugar, e isso não me incomoda).
Mas outra pessoa no
Teu lugar, tua cadeira
Não me é natural, lógico, normal. E incomoda-me.
O diabo está nos detalhes. Ou no maxilar inferior.
As pessoas falam do céu da boca mas nunca do inferno. Será a parte de baixo?
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Atestado da velhice de uma viatura
Não obstante a recente quebra da cotação do Brent e subsequente ajustamento dos preços dos combustíveis, o valor residual do meu carro aumenta substancialmente sempre que atesto o depósito.
domingo, 21 de dezembro de 2014
You name it
Gozamos (criticamos?) com os americanos pela falta de originalidade nos nomes das cidades. Que os EUA repetiram a fórmula de Paris já o sabemos, culpa de Wim Wenders. Embora tenha avisado apenas em relação ao Texas, deixou de fora as restantes Paris do Kentucky, o Tennessee e o Illinois. E tantas outras fórmulas repetidas, como London e até a nossa Lisboa versão Lisbon.
Mas tentemos colocar-nos no lugar dos responsáveis por este estado das coisas. Há uns quantos séculos atrás, depois de uma viagem transatlântica num barco – que deveria conseguir a proeza de ser bastante mais desconfortável que voar em turística durante umas oito horas – os descobridores e/ou colonos chegavam a um sítio totalmente desconhecido e tinham que desencantar um nome para o local.
É claro que nem todos conseguiram grandes feitos: tirar coelhos da cartola não é suficiente para descrever este processo. Há algumas técnicas para lidar com o assunto. A primeira, e eventualmente preferível, seria conseguir inventar qualquer coisa completamente nova. Mas é tramado conseguir tal façanha e não podemos mandar a primeira pedra ao colono que falhe a tentar.
Outro refúgio é emprestar uma designação dos nativos americanos. Esta prática foi posta em prática com algum sucesso aqui e ali: Massachusetts, que tanta inspiração acabou por dar aos Bee Gees, mas também Manhattan ou o Hawai, ou ainda Malibu e o rio Potomac. Outro ainda é associar o local a uma determinada data: a Ilha da Páscoa e o Rio de Janeiro.
Quando nada disto funciona, lá está, temos que recorrer à pátria mãe e, de repente, entramos nos casos que referia há pouco. Claro que podemos fazer ligeiras adaptações, como Nova Iorque, Nova Jérsia e Nova Orleães, é só acrescentar o adjectivo no início.
Importante é que tudo isto não é específico dos EUA: veja-se a quantidade de Córdobas que existem por essa América Latina fora ou a Austrália de New South Wales e Newcastle. E quando nem a pátria mãe nos salva (ou então apenas porque temos um ego), nada como designar o local com o nosso próprio nome. Do rio Hudson ao estreito de Magalhães, quiçá o exemplo máximo de todos – e útil para fechar o círculo – seja a própria América.
Mas tentemos colocar-nos no lugar dos responsáveis por este estado das coisas. Há uns quantos séculos atrás, depois de uma viagem transatlântica num barco – que deveria conseguir a proeza de ser bastante mais desconfortável que voar em turística durante umas oito horas – os descobridores e/ou colonos chegavam a um sítio totalmente desconhecido e tinham que desencantar um nome para o local.
É claro que nem todos conseguiram grandes feitos: tirar coelhos da cartola não é suficiente para descrever este processo. Há algumas técnicas para lidar com o assunto. A primeira, e eventualmente preferível, seria conseguir inventar qualquer coisa completamente nova. Mas é tramado conseguir tal façanha e não podemos mandar a primeira pedra ao colono que falhe a tentar.
Outro refúgio é emprestar uma designação dos nativos americanos. Esta prática foi posta em prática com algum sucesso aqui e ali: Massachusetts, que tanta inspiração acabou por dar aos Bee Gees, mas também Manhattan ou o Hawai, ou ainda Malibu e o rio Potomac. Outro ainda é associar o local a uma determinada data: a Ilha da Páscoa e o Rio de Janeiro.
Quando nada disto funciona, lá está, temos que recorrer à pátria mãe e, de repente, entramos nos casos que referia há pouco. Claro que podemos fazer ligeiras adaptações, como Nova Iorque, Nova Jérsia e Nova Orleães, é só acrescentar o adjectivo no início.
Importante é que tudo isto não é específico dos EUA: veja-se a quantidade de Córdobas que existem por essa América Latina fora ou a Austrália de New South Wales e Newcastle. E quando nem a pátria mãe nos salva (ou então apenas porque temos um ego), nada como designar o local com o nosso próprio nome. Do rio Hudson ao estreito de Magalhães, quiçá o exemplo máximo de todos – e útil para fechar o círculo – seja a própria América.
sábado, 20 de dezembro de 2014
Um almoço forçado.
Para encher um vazio de calendário ou de programa. Que discutir com meia dúzia de turcos aos quais apenas fui apresentado há uma hora atrás?
Há uma espécie de check-list para estas coisas que, no mínimo, pode ajudar a quebrar a gelo e, no máximo, pode consumir grande parte da conversa da chacha. Quando chegaram, onde estiveram. E depois o que acharam da cidade. E aqui normalmente a impressão está, como não podia deixar de ser, sempre muito agarrada à origem de cada um. Gostaram da vista do castelo. Da baixa. E da vastidão do rio.
E aqui entro eu, esta é a minha deixa para deitar mais achas para a fogueira e dizer-lhe como nesse aspecto particular Lisboa é tão diferente da maioria das outras cidades europeias com os seus rios fininhos e cravejados de pontes. E que, por vezes, quando recebo pessoas doutros sítios, tenho que lhes explicar que aquilo que vêem ainda não é o mar, é o rio. O mar é só mais lá à frente.
E digo-lhes mais, digo-lhes que entendo, que quando estive em Istambul e me vi virado para o Bósforo senti isso, aquela água toda à minha frente. Uma espécie de liberdade, a juntar ao vento e ao sol na cara, no convés de um barco que levava turistas papalvos como eu para cima e para baixo durante uma hora. Os pescadores na ponte, o peixe grelhado num restaurante.
Levo-os depois a São Francisco, onde a mesma sensação de vastidão também é inescapável – curioso como no meio dessa água fosse possível existir uma fortaleza donde, ao que dizem, ninguém saía. Neste caso, em relação a Lisboa, potenciado pelas pontes iguais, aquela coisa vermelha que – e aproveito para a piada – resolvemos copiar-lhes. A piada corre bem, riem-se. E sinto que a empatia se instalou quando progressivamente os sinto pegar nas rédeas do resto da conversa.
Há uma espécie de check-list para estas coisas que, no mínimo, pode ajudar a quebrar a gelo e, no máximo, pode consumir grande parte da conversa da chacha. Quando chegaram, onde estiveram. E depois o que acharam da cidade. E aqui normalmente a impressão está, como não podia deixar de ser, sempre muito agarrada à origem de cada um. Gostaram da vista do castelo. Da baixa. E da vastidão do rio.
E aqui entro eu, esta é a minha deixa para deitar mais achas para a fogueira e dizer-lhe como nesse aspecto particular Lisboa é tão diferente da maioria das outras cidades europeias com os seus rios fininhos e cravejados de pontes. E que, por vezes, quando recebo pessoas doutros sítios, tenho que lhes explicar que aquilo que vêem ainda não é o mar, é o rio. O mar é só mais lá à frente.
E digo-lhes mais, digo-lhes que entendo, que quando estive em Istambul e me vi virado para o Bósforo senti isso, aquela água toda à minha frente. Uma espécie de liberdade, a juntar ao vento e ao sol na cara, no convés de um barco que levava turistas papalvos como eu para cima e para baixo durante uma hora. Os pescadores na ponte, o peixe grelhado num restaurante.
Levo-os depois a São Francisco, onde a mesma sensação de vastidão também é inescapável – curioso como no meio dessa água fosse possível existir uma fortaleza donde, ao que dizem, ninguém saía. Neste caso, em relação a Lisboa, potenciado pelas pontes iguais, aquela coisa vermelha que – e aproveito para a piada – resolvemos copiar-lhes. A piada corre bem, riem-se. E sinto que a empatia se instalou quando progressivamente os sinto pegar nas rédeas do resto da conversa.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
I got your back, baby
É difícil de identificar quem faz de wing(wo)man em pares de Testemunhas de Jeová.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Sem rei mas com roque
Há muitos anos, um convidado de um programa de televisão, abertamente monárquico, foi questionado sobre a razão da sua preferência política. Respondeu à pergunta com outra pergunta que alguém, uma referência sua, lhe teria colocado: já reparaste que os países europeus mais desenvolvidos são monarquias? Estava a referir-se aos países escandinavos, ao Reino Unido, à Holanda, à Bélgica que, efectivamente, têm níveis de desenvolvimento dos mais elevados do mundo.
Esta história é particularmente interessante para explicar a típica confusão que por vezes existe entre correlação e causalidade. Mas antes disso, em primeiro lugar, há um importante ponto em relação à delimitação do perímetro elegível para analisar monarquias. A escolha da Europa (ocidental) não é inocente uma vez que é uma das zonas do mundo onde existe simultaneamente um grande número de monarquias e países com elevado desenvolvimento. No entanto, mesmo assim há os casos da Alemanha e da França que não têm monarquias mas têm elevado nível de desenvolvimento e, por outro lado, a Espanha que tem uma monarquia e que, no quadro da Europa Ocidental, não sendo terceiro-mundista, também não é propriamente escandinava.
Para ter uma abordagem mais exaustiva, resolvi consultar a Wikipedia, essa fonte de elevado gabarito. De acordo com a enciclopédia virtual, há uma série de outras monarquias no mundo para além das dos países europeus, e mesmo sem contar com os países da Commonwealth. Comecemos no que está mais longe de nós, a Oceânia, onde só temos um exemplar: Tonga. Daí passemos à Ásia onde temos o Brunei, a Malásia, o Cambodja e a Tailândia e, mais ao norte, o Butão. Continuando para oeste, Arábia Saudita, Bahrain, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Oman e Qatar no Médio Oriente. Em África, o Lesotho e a Swazilândia e, no norte, no Magrebe, temos Marrocos.
De repente, a coincidência entre elevado desenvolvimento humano e a existência de um regime monárquico deixar de ser tão óbvia. Claro que poderia ser argumentado que as monarquias coincidem com os países mais desenvolvidos dentro de um grupo com características comuns, ou seja, uma análise por clusters. Ainda assim, por exemplo, o Cambodja é um dos países com um Índice de Desenvolvimento Humano mais baixos do mundo em qualquer grupo que possa ser considerado.
De uma forma mais geral, a confusão entre correlação e causalidade é algo abundante. Lidamos mal com aquilo que não sabemos ou entendemos e estamos programados para tentar construir relações de causa/consequência. Por vezes, isso faz-nos interpretar erradamente aquilo que vemos: uma relação de correlação sem causalidade. Ou que não vemos: uma terceira variável que não observamos e que, essa sim, tem uma relação de causalidade sobre outras duas (correlacionadas entre si) que observamos.
Um exemplo mais palpável. Tenho cada vez mais rugas e cabelos brancos mas dificilmente poderia argumentar convincentemente que os cabelos brancos são a causa das rugas ou vice-versa. Em princípio, a minha idade, genética ou hábitos de vida terão uma responsabilidade maior na evolução desses dois “indicadores”.
O facto de que (alguns) países com elevado nível de desenvolvimento terem monarquias não significa que uma das variáveis cause a outra. Há seguramente um conjunto de variáveis históricas, sociais, económicas e culturais que conduziram tanto a esse sistema político (ou à ausência de mudança para outro) e a esse nível de desenvolvimento. Ter uma monarquia não é uma condição necessária – e muito menos suficiente – para um país subir no ranking do desenvolvimento. A questão verdadeiramente relevante é se instaurar uma monarquia conduz a um melhor funcionamento do país tudo o resto igual. E este “tudo o resto igual” faz toda a diferença: a nossa vida seria muito mais fácil se tornar o nosso país numa nação mais próspera fosse tão elementar como construir um trono e designar alguém para nele se sentar.
Esta história é particularmente interessante para explicar a típica confusão que por vezes existe entre correlação e causalidade. Mas antes disso, em primeiro lugar, há um importante ponto em relação à delimitação do perímetro elegível para analisar monarquias. A escolha da Europa (ocidental) não é inocente uma vez que é uma das zonas do mundo onde existe simultaneamente um grande número de monarquias e países com elevado desenvolvimento. No entanto, mesmo assim há os casos da Alemanha e da França que não têm monarquias mas têm elevado nível de desenvolvimento e, por outro lado, a Espanha que tem uma monarquia e que, no quadro da Europa Ocidental, não sendo terceiro-mundista, também não é propriamente escandinava.
Para ter uma abordagem mais exaustiva, resolvi consultar a Wikipedia, essa fonte de elevado gabarito. De acordo com a enciclopédia virtual, há uma série de outras monarquias no mundo para além das dos países europeus, e mesmo sem contar com os países da Commonwealth. Comecemos no que está mais longe de nós, a Oceânia, onde só temos um exemplar: Tonga. Daí passemos à Ásia onde temos o Brunei, a Malásia, o Cambodja e a Tailândia e, mais ao norte, o Butão. Continuando para oeste, Arábia Saudita, Bahrain, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Oman e Qatar no Médio Oriente. Em África, o Lesotho e a Swazilândia e, no norte, no Magrebe, temos Marrocos.
De repente, a coincidência entre elevado desenvolvimento humano e a existência de um regime monárquico deixar de ser tão óbvia. Claro que poderia ser argumentado que as monarquias coincidem com os países mais desenvolvidos dentro de um grupo com características comuns, ou seja, uma análise por clusters. Ainda assim, por exemplo, o Cambodja é um dos países com um Índice de Desenvolvimento Humano mais baixos do mundo em qualquer grupo que possa ser considerado.
De uma forma mais geral, a confusão entre correlação e causalidade é algo abundante. Lidamos mal com aquilo que não sabemos ou entendemos e estamos programados para tentar construir relações de causa/consequência. Por vezes, isso faz-nos interpretar erradamente aquilo que vemos: uma relação de correlação sem causalidade. Ou que não vemos: uma terceira variável que não observamos e que, essa sim, tem uma relação de causalidade sobre outras duas (correlacionadas entre si) que observamos.
Um exemplo mais palpável. Tenho cada vez mais rugas e cabelos brancos mas dificilmente poderia argumentar convincentemente que os cabelos brancos são a causa das rugas ou vice-versa. Em princípio, a minha idade, genética ou hábitos de vida terão uma responsabilidade maior na evolução desses dois “indicadores”.
O facto de que (alguns) países com elevado nível de desenvolvimento terem monarquias não significa que uma das variáveis cause a outra. Há seguramente um conjunto de variáveis históricas, sociais, económicas e culturais que conduziram tanto a esse sistema político (ou à ausência de mudança para outro) e a esse nível de desenvolvimento. Ter uma monarquia não é uma condição necessária – e muito menos suficiente – para um país subir no ranking do desenvolvimento. A questão verdadeiramente relevante é se instaurar uma monarquia conduz a um melhor funcionamento do país tudo o resto igual. E este “tudo o resto igual” faz toda a diferença: a nossa vida seria muito mais fácil se tornar o nosso país numa nação mais próspera fosse tão elementar como construir um trono e designar alguém para nele se sentar.
domingo, 14 de dezembro de 2014
Loucura
«Duas formas de loucura, portanto: alguém que perdeu o real e alguém que perdeu o irreal, o imaginário.
Mas é evidente que há dois tipos de punição: alguém que perdeu a ligação com o real é punido socialmente, pelo conjunto dos homens e das suas relações, e é ainda punido materialmente, isto é: punido pela matéria: porque perceber minimamente o real é saber lidar com ele perceber coisas simples, como a provável queda de uma pedra que se encontra num ponto alto e está desequilibrada. (Apanhar na cabeça com uma pedra é um exemplo de uma punição do real.) Perder a função do real é assim perder os homens e o mundo, ou mais propriamente, é perder o mundo e a cidade, perder a natureza, as suas regras, previsibilidades e repetições e ainda a ligação com os homens, com os seus modos de viver.
Perder a função do irreal, perder o imaginário é, de facto, menos grave, temos de o reconhecer. Quem perdeu o imaginário privado pode ainda viver tranquilamente no mundo, defendendo-se dos homens por via dos bons negócios e defendendo-se da natureza por via dos sensato comportamento do corpo. No entanto, esse homem perde algo de substancial pois o imaginário individual é isto mesmo: a marca de um indivíduo, a marca privada que separa um homem do outro, que os distingue, que os faz merecer uma morte individual.»
Atlas do corpo e da imaginação, Gonçalo M. Tavares
Mas é evidente que há dois tipos de punição: alguém que perdeu a ligação com o real é punido socialmente, pelo conjunto dos homens e das suas relações, e é ainda punido materialmente, isto é: punido pela matéria: porque perceber minimamente o real é saber lidar com ele perceber coisas simples, como a provável queda de uma pedra que se encontra num ponto alto e está desequilibrada. (Apanhar na cabeça com uma pedra é um exemplo de uma punição do real.) Perder a função do real é assim perder os homens e o mundo, ou mais propriamente, é perder o mundo e a cidade, perder a natureza, as suas regras, previsibilidades e repetições e ainda a ligação com os homens, com os seus modos de viver.
Perder a função do irreal, perder o imaginário é, de facto, menos grave, temos de o reconhecer. Quem perdeu o imaginário privado pode ainda viver tranquilamente no mundo, defendendo-se dos homens por via dos bons negócios e defendendo-se da natureza por via dos sensato comportamento do corpo. No entanto, esse homem perde algo de substancial pois o imaginário individual é isto mesmo: a marca de um indivíduo, a marca privada que separa um homem do outro, que os distingue, que os faz merecer uma morte individual.»
Atlas do corpo e da imaginação, Gonçalo M. Tavares
sábado, 13 de dezembro de 2014
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Homem que ladra
As pessoas dizem de cães especialmente interactivos que só lhes falta falar. Já eu tenho dias em que só me falta mesmo ladrar. Ou ganir.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Auto-imunidade
O orgulho é exigente, não se contenta com pouco, precisa de cuidados meticulosos. É absorvente, obriga a uma atenção constante. E, aos poucos, vai cegando, tirando os olhos do que é verdadeiramente importante. Porque o orgulho é exactamente aquilo que é: orgulhoso. Como alternativa, um sucedâneo, uma espécie de parente pobre: o contentamento. Mais plácido, mais contido. Introvertido e fechado. E, por isso, permite o essencial: manter a perspectiva adequada.
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Roubini e tanto dá até que fura
É a enésima vez que o Dr. Doom faz previsões do género. A certa altura vai mesmo acertar. Quando acertar, curiosamente, vai parecer uma coisa do outro mundo - a memória é uma senhora muito selectiva.
domingo, 7 de dezembro de 2014
Perder a auto-censura.
Deixar-se ir, vencer o filtro que, no limite, está lá por uma questão sobrevivência. É uma luta interna, uma luta contra o instinto de auto-preservação. Fechar os olhos, respirar fundo. Aceitar. E, com isso, crescer e amadurecer.
sábado, 6 de dezembro de 2014
Numa única olhadela, de rajada
1 - A polícia de Nova Iorque matou mais um cidadão negro
2 - A equipa contra a qual ninguém quer jogar
3 - Jornal japonês Sankei Shimbun pede desculpas por publicidade anti-semita
4 - E se o seu vizinho tivesse uma piscina com uma suástica no fundo?
2 - A equipa contra a qual ninguém quer jogar
3 - Jornal japonês Sankei Shimbun pede desculpas por publicidade anti-semita
4 - E se o seu vizinho tivesse uma piscina com uma suástica no fundo?
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
sábado, 29 de novembro de 2014
Nunca daria para político
Nem que quisesse. Por uma questão física. Não tenho projecção de voz suficiente para falar "congresso style".
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Mola
Tudo em suspenso. Parece que pára tudo. À espera. Como uma máquina que não é bem uma máquina no tempo. Uma máquina que congela o tempo, que congela os movimentos, a acção. Fecha a porta, prende à cadeira. E, pior que isso, traz uma certa inércia que é difícil de contrariar, de enxotar. Até aí se nota a inacção, na incapacidade de sacudir a causa.
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Métier
«O facto é que me interessa muito mais um padeiro que um economista. Ou um gestor. Criaturas que, não sei porquê, me dão pena: economistas, gestores, administradores, directores, banqueiros. Deve ser triste ganhar dinheiro assim. O que sonhará um economista, a que brincava um gestor em criança? Ou nasceram já crescidos? Imagino-os debaixo do chuveiro, de gravata, a falar ao telemóvel. E sabe-se que são velhos não pelo aspecto mas porque quando contam que arranjaram uma secretaria boa se referem a um móvel. O que sonhará um economista posso imaginar mais ou menos, agora o que sonha a mulher de um economista é que me preocupa. Se eu fosse mulher de um economista sonhava com canalizadores ou mecânicos de automóvel, homens que usam as mãos e não lêem revistas de golfe nos domingos de chuva. Estou a brincar. Não conheço nenhum economista, aliás. Se conhecesse abria-lhe logo a tampa a fim de espiar o que traz na barriga: cartões de crédito, canetas caras, camisas por medida?»
Quarto livro de crónicas, António Lobo Antunes
Quarto livro de crónicas, António Lobo Antunes
terça-feira, 25 de novembro de 2014
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Força
«Um livro é um acto de vontade. Faço-o porque resolvi fazê-lo. Porque o que leio dos outros muito raramente me satisfaz, cada vez menos me satisfaz. Sendo totalmente sincero não me satisfaz. De maneiro que redijo o que gostaria de ler. O problema é que não leio, isto é não estou de fora e portanto não leio. Limito-me a fabricar e isso não é ler. A tentar aproximar-me do que imagino as ocasiões que forem necessárias até que as páginas se tornem o que pretendo. Não é, não sei como dizer, não é um trabalho de inspiração
(qual trabalho de inspiração)
é um trabalho de oficina. Fico todo dentro da coisa, a mexer nela. Acordo com ela, deito-me com ela, passo o dia inteiro com ela, ela e eu
(é difícil exprimir isto)
somos o mesmo organismo, não parte de outro, o mesmo organismo.»
Quarto livro de crónicas, António Lobo Antunes
(qual trabalho de inspiração)
é um trabalho de oficina. Fico todo dentro da coisa, a mexer nela. Acordo com ela, deito-me com ela, passo o dia inteiro com ela, ela e eu
(é difícil exprimir isto)
somos o mesmo organismo, não parte de outro, o mesmo organismo.»
Quarto livro de crónicas, António Lobo Antunes
domingo, 23 de novembro de 2014
sábado, 22 de novembro de 2014
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Aceno
A senhora vai a descer a rua e, de repente, pára à sua frente. Ele está sentado na entrada de um prédio, na pedra. Diz-lhe qualquer coisa que não consigo perceber mas depois
Quer comer
E o homem diz-lhe veementemente que sim, acena com a cabeça. E ela faz-lhe sinal para que a acompanhe. Ele levanta-se, ajeita-se - mete a camisa para dentro das calças, passa a mão pelo cabelo - e atravessam os dois a rua em direcção ao café.
Quer comer
E o homem diz-lhe veementemente que sim, acena com a cabeça. E ela faz-lhe sinal para que a acompanhe. Ele levanta-se, ajeita-se - mete a camisa para dentro das calças, passa a mão pelo cabelo - e atravessam os dois a rua em direcção ao café.
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Comovement
Há quem seja anti-social. E há quem seja anti-rede-social. É possível que a correlação entre as duas características não seja positiva. Pelo contrário, até é possível que seja bem negativa.
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
O título vice-primeiro-ministro é intrigante.
(com estes hífens todos)
Por que não, pura e simplesmente, segundo ministro?
Por que não, pura e simplesmente, segundo ministro?
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
terça-feira, 11 de novembro de 2014
Até o amanhã é ontem às vezes
«O professor
- Estás a olhar para ontem, idiota?
E é verdade, estou a olhar para ontem, sempre olhei para ontem. Até o amanhã é ontem às vezes. Charlie Parker interrompeu uma vez uma gravação atirando com o saxofone, aos gritos
- Já toquei isto amanhã
e ninguém foi capaz de convencê-lo a continuar. Como eu o compreendo, como às vezes sinto
- Já escrevi isto amanhã
e rasgo tudo.»
Quarto livro de crónicas, António Lobo Antunes
- Estás a olhar para ontem, idiota?
E é verdade, estou a olhar para ontem, sempre olhei para ontem. Até o amanhã é ontem às vezes. Charlie Parker interrompeu uma vez uma gravação atirando com o saxofone, aos gritos
- Já toquei isto amanhã
e ninguém foi capaz de convencê-lo a continuar. Como eu o compreendo, como às vezes sinto
- Já escrevi isto amanhã
e rasgo tudo.»
Quarto livro de crónicas, António Lobo Antunes
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Nossa
Entra na carruagem do metro, um acordeão nas mãos. Um amplificador num suporte com umas rodinhas, parecido aos carrinhos que as senhoras de idade usam para ir às compras. Roupa velha e suja. E começa a tocar, a caixa de ritmos a acompanhar com um swing metálico. Uma escolha óbvia. Um clássico, o standard dos franceses (uma vez tive uma discussão com a minha professora de francês por causa deste tema), o autumun leaves (feuilles mortes, neste caso) - prolonga excessivamente a primeira nota, adultera um pouco o sentido da música. Poucos minutos depois, sem acabar, passa a outro tema. Percorre algumas coisas óbvias - My way, Sinatra nunca desaponta. Somewhere over the rainbow. Acaba com outro tema óbvio. Não toca, põe a caixa de ritmos a cuspir o Champs Elisées do Joe Dassin, enquanto percorre a carruagem, interpelando as pessoas com o copo para as moedas na mão. Tem pouco sucesso, sai da carruagem. Poucas estações depois entra outro. Faz um gig em tudo semelhante - um ou outro standard, Frank Sinatra, música ligeira francesa. A mesma reacção fria do público do metro da linha seis e, no final, pouco tilintar de moedas. Interessante foi o terceiro artista de metropolitano. As primeiras componentes do espectáculo foram essencialmente iguais. A terceira foi surpreendente. A música da volta triunfal foi o Ai se eu te pego. Começado a tocar antes do início da volta a recolher moedas: as pessoas a trautear a música, a bater o pé, meneios. E neste caso, sim, a recolha de moedas teve sucesso e finalmente houve moedas a entrar para o copo.
domingo, 9 de novembro de 2014
The longer you listen, the sweeter the pitch
Em português ficamo-nos por confiar e confiança. Ao invés, há alguma diferença na forma como as palavras inglesas trust e confidence são usadas, assim como os respectivos verbos. Confidence é algo mais intrínseco e contido. É intra-pessoal. Trust, por seu lado, é interpessoal, atravessa a esfera de um indivíduo para outro. Posso ser self-confident ou não, mas trust someone.
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Espelho meu
De pé, parado, a olhar para o telefone. Mas não na posição típica e mais confortável: braço perto dos noventa graus, cabeça a olhar para baixo para o visor. Não, no caso dele tem o braço esticado à altura da cabeça e olha fixamente. Aliás, vira ligeiramente a cabeça lateralmente sempre com os olhos fixos no visor. Só quando leva a outra mão à cabeça, ajeitando o cabelo, é que percebo o que está a fazer: a aproveitar a funcionalidade do aparelho para tirar fotografias - neste caso selfies, com a câmara apontada para si próprio - para se pentear. De facto, não me tinha ocorrido. Que se cuidem os pequenos espelhos de maquilhagem das senhoras, e mesmo os espelhos da pala dos carros do lado do pendura.
terça-feira, 4 de novembro de 2014
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
É muito difícil não ter perguntas.
Não há muitas coisas que não as suscitem, quase todos os assuntos desencadeiam pontos de interrogação a certa altura. Mas é um certo limite ao que é adequado - a ausência de respostas satisfatórias (ou a proliferação de respostas insuficientes) gera desconforto. Felizmente, é muito menos difícil não fazer perguntas do que efectivamente as ter.
domingo, 2 de novembro de 2014
Joaquin Phoenix fala com a Scarlett Johansson em versão sistema operativo
“Sometimes I think I’ve felt everything I’m ever gonna feel. And from here on now I’m not gonna feel anything new, just lesser versions of what I’ve already felt.”
sábado, 1 de novembro de 2014
A divisão quase às escuras, apenas uma luz muito ténue.
Mais ténue do que as mudanças de luz do televisor. Abruptas, brilhantes. Coloridas. Só sabia que estavaspelas diferentes luminosidades. Espelhadas pela parede nua, como uma tela branca borrifada de cores aleatórias. O volume no mínimo. Nada te interessava naquilo que ouvias. Nem sequer no que vias – o que interessam aquelas pessoas ruidosas e vazias que passam a vida dentro dos televisores? Deixavas-te ficar, enfeitiçada pelo encanto daquelas cores, luzes, que se sucediam em cascata.
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
Lisboa by morning
Um homem, meia-idade, casaco de cabedal de quem anda de mota, de pé à porta de um prédio, a cortar as unhas virado para o passeio.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Ain't it fun when you know that you're gonna die young
Rock-and-pop superstardom is one requirement for entry into the so-called 27 Club. The other, much less enviable qualification is premature death. The theory, popularized in music journals, is that 27 is the age at which rock musicians are most at risk of an untimely death.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
domingo, 26 de outubro de 2014
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Não parece aquilo que é.
Quem é o vê a passar na rua não sabe que vive na rua. Mas vive. Na ombreira de uma porta, sempre a mesma. Uma coisa que nem metro e meio deve ter. Um amontoado de roupas, cobertor. Deita-se em posição bastante fetal, para conseguir caber naquele espaço exíguo para um homem de estatura média. Às vezes, para conseguir estar de barriga para cima, põe as pernas ao alto, levantadas contra a parede.
Se nunca o tivesse visto ali deitado, não saberia que passa ali as noites. Tem um aspecto normal. À conversa com as pessoas enquanto fuma um cigarro, sentado na mesa do café. No limite, é como se já morasse ali, como se aquela ombreira onde passa as noites – encolhida numa posição do mais fetal possível – fosse a sua morada.
Se nunca o tivesse visto ali deitado, não saberia que passa ali as noites. Tem um aspecto normal. À conversa com as pessoas enquanto fuma um cigarro, sentado na mesa do café. No limite, é como se já morasse ali, como se aquela ombreira onde passa as noites – encolhida numa posição do mais fetal possível – fosse a sua morada.
Alinhamento
A notícia de abertura do Expresso é a operação plástica (falhada?) da Renée.
terça-feira, 21 de outubro de 2014
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Um jardim e no entanto não o sinto como um pequeno espaço verde.
É exactamente o oposto. O Torel faz-me lembrar, leva-me até São Paulo: a toda a volta, tirando uma tira de Tejo, só so vê construção, prédios. Por um momento, parece que Lisboa não tem limites para lá do betão e que se espraia continuamente pelo horizonte fora.
domingo, 19 de outubro de 2014
If it's alright by you
Dizia que não tinha quaisquer arrependimentos. Em relação a seja o que for. Que, se lhe fosse dada a hipótese de voltar atrás, faria tudo exactamente da mesma forma, tomaria exactamente as mesmas decisões. O cliché. E tudo sem pensar duas vezes. Mas tinha um medo: o de se vir a arrepender de não se ter arrependido antes.
sábado, 18 de outubro de 2014
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
Easy come easy go
Há formas de dizer as coisas. A forma certa. A única forma certa. Mas tudo é passível de ser dito. Sem reservas. Sem subterfúgios. Sem que nada fique por dizer, guardado, abafado. Tudo o que é preciso é encontrar a forma certa.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Essência
But above all I am a man. A hopelessly inquisitive man.
The Master
The Master
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Embriaguez
«- Amok?... Creio recordar-me… é uma espécie de embriaguez... entre os malaios.
- É mais do que uma embriaguez... é a loucura, uma espécie de raiva humana, literariamente falando... uma crise de monomania assassina e insensata, à qual a intoxicação alcoólica não se pode comparar. (...) A causa é, sem dúvida, o clima, esta atmosfera densa e asfixiante que oprime os nervos, como uma trovoada, até que eles acabam por descarregar...»
Amok, Stefan Zweig
- É mais do que uma embriaguez... é a loucura, uma espécie de raiva humana, literariamente falando... uma crise de monomania assassina e insensata, à qual a intoxicação alcoólica não se pode comparar. (...) A causa é, sem dúvida, o clima, esta atmosfera densa e asfixiante que oprime os nervos, como uma trovoada, até que eles acabam por descarregar...»
Amok, Stefan Zweig
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
domingo, 12 de outubro de 2014
sábado, 11 de outubro de 2014
Sinusoidal
A dificuldade, o peso. Olhos a arder. Tudo isso volta, contrariando o desta vez é diferente. Regressa, quase como se tivesse uma data marcada de antemão. Um encontro estipulado algures no passado, daqueles a que se diz que sim e que só quando confrontados com a iminente realização nos apercebemos. Tudo isso volta. Toda essa dificuldade. Todo esse peso. Pesado, por sinal, que obriga a caminhar mais devagar. Desta vez não é diferente. Assim como nenhum das outras vezes foi.
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Ausência de simetria
De uma pessoa gorda diz-se que é forte mas uma pessoa magra não se diz que é fraca.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
terça-feira, 7 de outubro de 2014
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
domingo, 5 de outubro de 2014
Ponto focal
Com alguém que lhe era semelhante passava o tempo a ver as poucas diferenças entre ambos. Com alguém diferente só pensava naquilo que tinham em comum.
sábado, 4 de outubro de 2014
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Sinestesia
Diz-se que uma pessoa está visivelmente irritada mesmo quando, na prática, está sobretudo auditivamente irritada.
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
O discurso contra a violência na televisão é algo que já vimos e ouvimos inúmeras vezes.
Pessoalmente, ouvi-o muitas vezes vindo da minha avó. Que a violência nos meios de comunicação é prejudicial e estimula a violência na vida real, especialmente no caso das crianças. Estamos a dar sugestões sobre como se mata e rouba.
Por estas e por outras temos a célebre “bolinha” vermelha, que nos avisa (e aos pais das crianças) quando a emissão que aí vem é particularmente violenta e não indicada aos mais sensíveis – tecnicamente, o símbolo também alerta para cenas de sexo, mas isso não suscitava grande preocupação por parte da minha avó. Ao alerta circular vermelho soma-se o horário fora de horas deste tipo de filmes ou programas, que normalmente só são emitidos já a noite deixou de ser uma criança.
Mas, ainda assim, há tanta oferta de conteúdos que retrata situações de violência nos horários mais normais, a roçar a adolescência da noite. E, nesses casos, sem “bolinha”. Basta ver a grelha de programação. Do “CSI” que procura criminosos olhando para borrifos de sangue e células epiteliais, ao “Criminal Minds”, uma equipa de elite especializada em casos de assassinos em série. Também há outras mais leves como o “Castle”, um escritor que segue polícias de Nova Iorque nas suas investigações criminais para obter ideias literárias e que acaba por dar sempre uma mão a resolver os mistérios.
Algumas destas séries têm requintes de malvadez. Por exemplo, Dexter, que dá o nome a uma série, trabalha como investigador forense de locais de crime e é, simultaneamente, um assassino em série. Captura as vítimas, imobiliza-as num local próprio para a execução, preparado de forma meticulosa para iludir as técnicas de investigação forense – há que admitir que a combinação de actividades deste personagem é invulgarmente conveniente. E depois espera pacientemente (e com notória excitação) que a substância que administra às vítimas para as atordoar no momento da captura deixe de fazer efeito. Só então desfere o golpe mortal, quando tem certeza que estão acordadas. E bem acordadas, depois de se aperceberem do sarilho em que estão metidas. Não as mata no conforto da anestesia; para além do castigo da morte, Dexter quer impor-lhes o castigo da percepção da sua morte (brutal) eminente. Há contudo uma atenuante que nos ajuda a criar uma certa empatia por este personagem: acontece que os seus alvos são outros assassinos – algo que nos ajuda a catalogá-lo como uma espécie de herói e aceitar o facto de que mata pessoas cruelmente a torto e a direito.
Como não gostar de uma série deste género? Macabra, é certo, mas particularmente original. Ao fascínio típico pelo crime que a maior parte de nós tem, sobretudo quando mete pessoas mortas – basta pensar nos género policial e na Agatha Christie – soma-se ainda uma certa dose de grotesco. É então que o cocktail se torna explosivo. Ainda outro exemplo: o Seven. Um filme perturbador e, a espaços, bastante grotesco. Mas, também, um filme fascinante, de culto.
Limite? A maior parte de nós assiste a este tipo de programação e não é violenta. Não andamos aos tiros e às facadas em pessoas só porque vemos imagens de violência na televisão, mesmo que seja em canais de alta definição. E depois, como estabelecer critérios para o que deve e não deve ser transmitido? Mesmo os mais acérrimos defensores de uma qualquer imposição de limites normalmente não consegue atacar filmes que pertencem à categoria de “sérios”, sobretudo se retratarem episódios sangrentos da História da Humanidade (aprender com os erros é importante, memória colectiva, etc.). Esta linha de argumentação suporta um filme como o Schindler’s List; já a violência gratuita do Kill Bill de Tarantino cai por terra. Mas não é à prova de bala. O problema é que também é possível argumentar o reverso da medalha, que a violência de Tarantino não é credível, que ninguém leva aquilo a sério de tão hollywoodesco que é – logo, não faz sequer sentido censurar o que, no fundo, não passa de uma gozação. De repente ocorre-me o Christ’s Passion que, confesso, é um filme que não agrada ao meu estômago (ocorre-me também que, no limite, poderíamos afirmar que um crucifixo é uma alusão a um acto de violência extrema).
Contradições? Há dias vi um episódio do “The Bridge” em que o chefe de cartel mexicano Fausto Galván, ao visitar o túmulo do filho, mostra a cabeça do assassino, aos pés da estrutura que suporta a urna, num frasco de vidro. Explica ao detective Marco Ruiz – que também procura vingança para o seu filho assassinado – como forçou a vítima a assistir à sua própria decapitação. Vi este episódio perto da altura em que circularam as notícias das mortes dos homens decapitados por membros do Estado Islâmico. A decapitação ou as imagens das cabeças decapitadas não foram, penso eu, veiculadas pelos meios de comunicação. Houve até alguma discussão deontológica entre os jornalistas sobre essa questão, em relação aos limites da sua profissão e se, no fundo, não estariam a propagandear ainda mais a causa terrorista mostrando essas imagens. E isto é ainda mais interessante tendo em conta que não me parece ter havido grande pudor em mostrar a cena da cabeça decapitada dentro de um frasco com um liquido. Ou, aliás, o episódio desta mesma série onde um miúdo é manietado dentro de um recipiente fechado de plástico que lentamente se vai enchendo de água até o planeado afogamento ser inevitável. Ou ainda, aliás, onde o autor da morte do miúdo é atacado na prisão e lhe tiram um olho com uma colher. A mesma série que, aliás, tenho seguido regularmente desde o ano passado. E a mesma série que, aliás, julgo, não tem “bolinha” vermelha e, tenho a certeza, não é transmitida fora de horas.
Por estas e por outras temos a célebre “bolinha” vermelha, que nos avisa (e aos pais das crianças) quando a emissão que aí vem é particularmente violenta e não indicada aos mais sensíveis – tecnicamente, o símbolo também alerta para cenas de sexo, mas isso não suscitava grande preocupação por parte da minha avó. Ao alerta circular vermelho soma-se o horário fora de horas deste tipo de filmes ou programas, que normalmente só são emitidos já a noite deixou de ser uma criança.
Mas, ainda assim, há tanta oferta de conteúdos que retrata situações de violência nos horários mais normais, a roçar a adolescência da noite. E, nesses casos, sem “bolinha”. Basta ver a grelha de programação. Do “CSI” que procura criminosos olhando para borrifos de sangue e células epiteliais, ao “Criminal Minds”, uma equipa de elite especializada em casos de assassinos em série. Também há outras mais leves como o “Castle”, um escritor que segue polícias de Nova Iorque nas suas investigações criminais para obter ideias literárias e que acaba por dar sempre uma mão a resolver os mistérios.
Algumas destas séries têm requintes de malvadez. Por exemplo, Dexter, que dá o nome a uma série, trabalha como investigador forense de locais de crime e é, simultaneamente, um assassino em série. Captura as vítimas, imobiliza-as num local próprio para a execução, preparado de forma meticulosa para iludir as técnicas de investigação forense – há que admitir que a combinação de actividades deste personagem é invulgarmente conveniente. E depois espera pacientemente (e com notória excitação) que a substância que administra às vítimas para as atordoar no momento da captura deixe de fazer efeito. Só então desfere o golpe mortal, quando tem certeza que estão acordadas. E bem acordadas, depois de se aperceberem do sarilho em que estão metidas. Não as mata no conforto da anestesia; para além do castigo da morte, Dexter quer impor-lhes o castigo da percepção da sua morte (brutal) eminente. Há contudo uma atenuante que nos ajuda a criar uma certa empatia por este personagem: acontece que os seus alvos são outros assassinos – algo que nos ajuda a catalogá-lo como uma espécie de herói e aceitar o facto de que mata pessoas cruelmente a torto e a direito.
Como não gostar de uma série deste género? Macabra, é certo, mas particularmente original. Ao fascínio típico pelo crime que a maior parte de nós tem, sobretudo quando mete pessoas mortas – basta pensar nos género policial e na Agatha Christie – soma-se ainda uma certa dose de grotesco. É então que o cocktail se torna explosivo. Ainda outro exemplo: o Seven. Um filme perturbador e, a espaços, bastante grotesco. Mas, também, um filme fascinante, de culto.
Limite? A maior parte de nós assiste a este tipo de programação e não é violenta. Não andamos aos tiros e às facadas em pessoas só porque vemos imagens de violência na televisão, mesmo que seja em canais de alta definição. E depois, como estabelecer critérios para o que deve e não deve ser transmitido? Mesmo os mais acérrimos defensores de uma qualquer imposição de limites normalmente não consegue atacar filmes que pertencem à categoria de “sérios”, sobretudo se retratarem episódios sangrentos da História da Humanidade (aprender com os erros é importante, memória colectiva, etc.). Esta linha de argumentação suporta um filme como o Schindler’s List; já a violência gratuita do Kill Bill de Tarantino cai por terra. Mas não é à prova de bala. O problema é que também é possível argumentar o reverso da medalha, que a violência de Tarantino não é credível, que ninguém leva aquilo a sério de tão hollywoodesco que é – logo, não faz sequer sentido censurar o que, no fundo, não passa de uma gozação. De repente ocorre-me o Christ’s Passion que, confesso, é um filme que não agrada ao meu estômago (ocorre-me também que, no limite, poderíamos afirmar que um crucifixo é uma alusão a um acto de violência extrema).
Contradições? Há dias vi um episódio do “The Bridge” em que o chefe de cartel mexicano Fausto Galván, ao visitar o túmulo do filho, mostra a cabeça do assassino, aos pés da estrutura que suporta a urna, num frasco de vidro. Explica ao detective Marco Ruiz – que também procura vingança para o seu filho assassinado – como forçou a vítima a assistir à sua própria decapitação. Vi este episódio perto da altura em que circularam as notícias das mortes dos homens decapitados por membros do Estado Islâmico. A decapitação ou as imagens das cabeças decapitadas não foram, penso eu, veiculadas pelos meios de comunicação. Houve até alguma discussão deontológica entre os jornalistas sobre essa questão, em relação aos limites da sua profissão e se, no fundo, não estariam a propagandear ainda mais a causa terrorista mostrando essas imagens. E isto é ainda mais interessante tendo em conta que não me parece ter havido grande pudor em mostrar a cena da cabeça decapitada dentro de um frasco com um liquido. Ou, aliás, o episódio desta mesma série onde um miúdo é manietado dentro de um recipiente fechado de plástico que lentamente se vai enchendo de água até o planeado afogamento ser inevitável. Ou ainda, aliás, onde o autor da morte do miúdo é atacado na prisão e lhe tiram um olho com uma colher. A mesma série que, aliás, tenho seguido regularmente desde o ano passado. E a mesma série que, aliás, julgo, não tem “bolinha” vermelha e, tenho a certeza, não é transmitida fora de horas.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
Encaixotar
O mundo está dividido em dois tipos de pessoas: os que dividem o mundo em dois tipos de pessoas e os outros.
terça-feira, 30 de setembro de 2014
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Vaisselle
O micro-ondas - tal como gira-discos - tem uma vida simples porque só tem um prato a girar.
domingo, 28 de setembro de 2014
Diamantes polidos
«Schools were said to construct character by chipping off the edges. His edges had been chipped, but the result had not, he thought, been character - only shapelessness, like an exhibit in the Museum of Modern Art.»
Our man in Havana, Grant Green
Our man in Havana, Grant Green
sábado, 27 de setembro de 2014
Daniel 1, formigas 1
Um carreiro delas na minha cozinha. Entraram sorrateiramente pela janela e surpreenderam-me um destes dias de manhã. Foram organizadamente pelo chão, treparam a parede, seguiram bancada fora, até entrar no armário onde está o caixote do lixo. Lá dentro não havia nada de particularmente interessante - cascas de fruta? - mas ainda assim foi o suficiente. Ripostei. Apanhei uma série delas para que não voltassem ao ninho e informar as amigas acerca da localização interessante. E borrifei as que sobraram com um produto indicado para o efeito.
Ganhei esta batalha. Esperemos que tenha ganho a guerra.
Ganhei esta batalha. Esperemos que tenha ganho a guerra.
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Paris bobo
Paris sem (quase) ver a Torre. Paris sem (quase) pôr o pé nos Campos Elíseos. Paris sem (literalmente) ver o Arco. Paris sem sequer pensar nos museus. Paris das esplanadas e dos parques. Paris dos miradouros. Paris de metro e autocarro. Paris a pé e de bicicleta. Paris das tartares e do Bordeaux. Paris dos croissants e do pain au chocolat. Na minha definição: Paris bonbon. Que é como quem diz bom bom.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Mais sobre o debate
Tenho dúvidas acerca da forma como o tempo está a ser cronometrado. Aliás, tenho muito respeito (quase pena) de quem tem que fazer a contagem. É que nestes últimos minutos os Antónios estiveram praticamente quase sempre a falar ao mesmo tempo.
"É por causa que não há (...)"
António José Seguro
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Blink of an eye
Não cumpri a minha promessa. Disse-te
Venho ver-te amanhã.
Mas no dia seguinte já não havia amanhã.
Venho ver-te amanhã.
Mas no dia seguinte já não havia amanhã.
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Circunstância
Quando lhe perguntaram se gostava de uma determinada pessoa, respondeu simplesmente
Na maior parte das vezes, sim.
Como se amizade fosse um sentimento circunstancial.
Na maior parte das vezes, sim.
Como se amizade fosse um sentimento circunstancial.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Círculo
As prendas em géneros que o Fernando Mendes recebe no Preço Certo são um claro exemplo de selecção adversa.
domingo, 14 de setembro de 2014
Para lá do stress
«Os profissionais de gestão de risco analisam o passado com o objectivo de obter informações sobre o suposto pior cenário imaginável e utilizam-nas para avaliar riscos futuros – este método é designado «teste de esforço». Abordam a pior recessão da história, a pior guerra, a maior oscilação das taxas de juro ou a pior taxa de desemprego como referências para uma estimativa precisa dos piores resultados futuros. Mas nunca reparam nesta inconsistência: este suposto pior cenário, quando aconteceu, ultrapassou o pior cenário da altura.»
Antifrágil, Nassim Nicholas Taleb
Antifrágil, Nassim Nicholas Taleb
sábado, 13 de setembro de 2014
Don't hang pictures on the wall
Ricky Gervais diz ao David Letterman que não se deveria reformar. Dá-lhe um conjunto de razões pelas quais é uma dá decisão. Por exemplo, não vai arranjar nada para fazer, não vai acabar por passar mais tempo com as pessoas que gosta, etc. E depois dá-lhe a melhor de todas: não vai poder usar o trabalho para se desculpar perante convites que não lhe interessam. O Letterman concorda, é difícil argumentar que I won't make it because I won't be working.
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Nojo
Há alguns cargos para os quais, após o fim ou interrupção do mandato, mais do que um período de nojo até ocupar outro cargo relevant, deveria existir um período de nojeira. Ou mesmo de badalhoquice.
terça-feira, 9 de setembro de 2014
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
A mãe de todos os vícios
Arranjar espaço para a preguiça. Deixá-la crescer, progredir, desenvolver-se lentamente. Como uma flor nas mãos de um jardineiro. Um cozinhado elaborado nas mãos de um chef conceituado. Um filho que se educa. A preguiça como arte. Um conceito que se elabora e constrói, que se põe em prática numa obra para deleite próprio e alheio. E, sobretudo, que custa horas (muitas) e dedicação (muita). Nisso a preguiça pode enganar à primeira vista (e à segunda, e à terceira) - precisa de trabalho (sim, trabalho). Precisa de esforço aturado (um contra-senso). E até nisso é como a sua bête noire, o trabalho: sabe bem, tanto melhor na medida do que nela se investe.
domingo, 7 de setembro de 2014
Chamar os bois pelos nomes
Para além das secções típicas como "país", "internacional", "economia" ou "política", a maioria dos jornais deveriam ter também uma outra designada, por exemplo, "imbecilidades" ou "parvoíces pegadas". A classificação não seria muito complicada; o risco é que a última esgote o material das primeiras.
sábado, 6 de setembro de 2014
Entretanto em Queens
Os deuses do ténis relembram-nos que tudo pode - e na volta até deve - acontecer.
Pretensão e água benta
Estipular um caminho partindo do princípio que é exactamente o que os outros querem trilhar. Assumir o pré-conhecimento de vontades e motivações alheias. Barreiras pelo caminho, como as provas de equitação. Tudo com o intuito de induzir um determinado comportamento, arrancar uma resposta. Prémios, recompensas à medida que as barreiras são transpostas. Ou torrões de açúcar, como os que se dão aos cavalos pelas exibições deles pretendidas. E, como é do conhecimento geral, todos os cavalos gostam de açúcar.
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Biggest Loser, how did I let myself go like this ou o mal que as férias me fazem
As reduções de peso em absoluto das três equipas no concurso são medidas, concorrente a concorrente. A equipa cuja redução for menor perde um dos seus membros como penalização. O sacrificado é aquele que tiver perdido menos peso, desta vez em proporção do respectivo peso inicial. É um momento tenso (ou de tensão artificialmente gerada): cada equipa tem o seu treinador ou preparador físico e são eles que introduzem o elemento de competitividade ao programa. Uma versão física da meritocracia americana: exercito e tenho cuidado com o que como, logo tenho direito a ser saudável e ter este aspecto.
A equipa branca perdeu. No monitor começam a aparecer, por ordem decrescente, os elementos e a percentagem de peso que perderam em relação ao peso inicial. Um tipo latino gordo (pleonasmo neste contexto) é o sacrificado. Fica pior que estragado. Chora. Os outros choram também, tanto da equipa dele como das adversárias. Logo agora que tinha conseguido tantos resultados positivos, que estava a progredir, voltar para casa é o pior que lhe podia acontecer. O discurso típico de um loser do Biggest Loser.
A equipa branca perdeu. No monitor começam a aparecer, por ordem decrescente, os elementos e a percentagem de peso que perderam em relação ao peso inicial. Um tipo latino gordo (pleonasmo neste contexto) é o sacrificado. Fica pior que estragado. Chora. Os outros choram também, tanto da equipa dele como das adversárias. Logo agora que tinha conseguido tantos resultados positivos, que estava a progredir, voltar para casa é o pior que lhe podia acontecer. O discurso típico de um loser do Biggest Loser.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
There are many like it but this one is mine
Um dos problemas de máquinas fotográficas mais elaboradas é o tempo que é necessário para preparar o apetrecho, desde escolher a lente e acoplá-la, até à definição dos parâmetros certos da velocidade e abertura do obturador, etc.. Claro que, por vezes (muitas vezes), este tempo de preparação sai caro em matéria de fotografias perdidas. De tal forma que os cursos de fotografia deveriam contemplar esta questão. Acho até que deveriam ser parecidos com as técnicas que os militares aprendem para montar rapidamente as armas. Vem-me à cabeça o gordo Pyle no Full Metal Jacket, o recruta que não consegue transpor os obstáculos e é vítima de bullying dos demais companheiros de caserna, e que ganha o respeito do Sargento Hartman com a perícia a montar a espingarda. Tanta fotografia que seria salva.
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