segunda-feira, 29 de junho de 2020

domingo, 28 de junho de 2020

Cão que ladra

«L'amour? avait-elle répondu une fois à une dame prétentieuse qui lui avait demandé: "Que pensez-vous de l'amour? L'amour? je le fais souvent mais je n'en parle jamais.»

Le côté de Guermantes, Marcel Proust

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Arricar-se

De acordo do com o critério etário, a Guerra da Coreia passou a ser um grupo de risco do Covid.

Off with their heads

É possível que a introdução de quotas para determinados cargos, como forma de combater a desigualdade de género, possa conduzir a um aumento das operações de mudança de sexo. 

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Tosse

Há umas décadas atrás, os assaltos com agulhas, presumivelmente infectadas com sida, surgiram e passaram a ser a alternativa à mão armada de arma convencional. Hoje, parece que tossir pareceu a ser uma arma que explora o medo do Covid.

terça-feira, 23 de junho de 2020

domingo, 21 de junho de 2020

Prisão domiciliária - 103º dia

Desconfinamento em solo nacional com o receio, em pano de fundo, de um possível futuro confinamento.  

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Prisão domiciliária - 101º dia

Sinto-me como os prisioneiros que são transferidos de uma prisão de alta segurança para outra. Continuo encarcerado mas tenho muito mais comodidades.  

terça-feira, 16 de junho de 2020

Os paus já cá cantam, venham os contos

Quando muitos lamentavam a entrada em cena dos euros e o adeus dos escudos, com razões certamente bastante certeiras, a mim ocorria-me a grande perda que seria não voltar a ouvir as denominações de "paus" e "contos", cuja utilização estava submetida a regras muito estritas. Senão veja-se: 500 paus mas nunca meio conto; 1000 paus, raramente um conto (só se fosse dito por uma pessoa de mais idade, seguido de "de reis"); 1500 paus, nunca um conto e meio; 2 contos, nunca 2000 paus, 2 contos e quinhentos, e etc. 

Recentemente, voltei a ouvir a expressão "paus". 20 paus são, nos tempos que correm, 20 euros. Assim como também ouvi 50 paus e 100 paus e por aí fora. Foi toda uma nostalgia que me invadiu, o regresso de uma expressão que não ouvia há décadas, senão quando dito por brasileiros a falar de reais. Há uma certa fase de ajustamento - 20 paus equivalem (nominalmente) aos 4 contos de antigamente, ou seja, não dá para pensar muito nos valores, não vá uma pessoa baralhar-se. Mas depois é aceitar e seguir em frente. 

Aguardo agora pelos contos. 

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Prisão domiciliária - 96º dia

Ao 15º dia de confinamento veio-me à cabeça a música dos Xutos. Ao 96º também, embora com uma perspectiva diametralmente oposta.  

Euros com cêntimos.

O sotaque nortenho saltou logo à vista (ou ouvido, neste caso). Não era daqueles muito carregados e incisivos mas mais do que suficiente para ter uma ideia muito precisa da latitude de origem. O mais interessante surgiu na altura do pagamento, quando me disse que tinha de pagar X euros com Y. Isso mesmo que ouviram (ou leram, neste caso). Não foi X euros e Y cêntimos, a formulação típica e standard. Foi X euros com Y (sem cêntimos a acompanhar), à boa maneira espanhola, algo que eu não tinha visto (nem ouvido) dizer a um compatriota. E depois o murcon sou eu. 

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Do the right thing

Finalmente, passados estes anos todos, sentei-me a ver um dos mais aclamados filmes do Spike Lee. Estranhamente, o que mais gostei no filme foi o crescendo de irritação que ele consegue gerar. É possível que, em tempo de confinamento, esteja mais susceptível à irritação. Ainda assim, a constante tensão e fricção entre os personagens é desgastante. A certa altura era já eu próprio que queria saltar para o meio da película e (tentar) fazer com que se calassem. Conclusão: fui para a cama irritado. 

 Dito isto: ainda a meio, cheguei à conclusão de que não iria gostar. Não me enganei: confirmou-se e, quando cheguei ao fim, cheguei à conclusão de que não gostei. Não porque ache que o filme seja mau per se: não é. Ou que faça um mau retrato da realidade: acho que é um retrato fidedigno. E continua a ter uma actualidade arrepiante: vejam-se os recentes acontecimentos nos EUA. 

 O que não me agrada é a nítida intenção de dar uma lição, a carga de didatismo ou proselitismo, que instintivamente me repele. Neste particular, estou com o Ricardo Araújo Pereira, que, segundo o próprio, não faz humor para mudar o mundo, mas para fazer as pessoas rir (um objectivo totalmente inesperado). O Spike Lee tem uma posição diametralmente oposta: a arte serve para mudar o mundo. 

 Não que ache impossível ou errado que a arte faça mudar o mundo: pode ser uma consequência natural. O que irrita é que o ponto de partida seja exactamente esse: mudar o mundo. Parece uma quase presunção ou sobre-autoestima moral. Para senhora sabichona, de dedo em riste, com uma propensão inata para dar sermões aos outros, já me bastou a minha avó.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

To give the floor

A expressão to give the floor já é engraçada de se ouvir aquando da passagem de testemunho em apresentações, seminários ou palestras com componente física. Agora, no ambiente virtual em que estas coisas se fazem via webinar, a expressão toda uma nova força.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Apron strings

Apenas no contexto da maçonaria a não atribuição de um avental a uma senhora pode ser visto como discriminação de género.

sábado, 6 de junho de 2020

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Prisão domiciliária - 85º dia

Sinto o espirro a aproximar-se pouco tempo depois da comichão no nariz e na garganta começar. Nesta altura do ano, o mundo vegetal gosta de me pregar partidas e tem o condão de interferir com o meu bem estar. Viro-me para o lado da estrada, com a boca tapada a tempo do primeiro e, logo a seguir, do segundo. Quando volto os olhos novamente para o passeio, lá à frente, a uns bons 20 metros de mim, duas senhoras, que caminham no passeio na minha direcção, tiram rapidamente as máscaras da respectiva mala e ajustam-na à cara, mesmo a tempo de se cruzarem comigo em perfeitas condições de segurança.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Pêle-mêle

Quando o médico lhe disse que tinha um problema de higiene de sono, não conseguiu evitar insurgiu-se perante as acusações de, digamos, badalhoquice e perguntou-lhe se tomar banho antes de ir para a cama resolveria o problema.