domingo, 30 de agosto de 2020

Rubrica descubra a inconsistência

Em entrevista ao Expresso, o Primeiro-ministro é questionado se será necessário o Governo apoie directamente algumas empresas. O Primeiro-ministro inicia a sua resposta mencionando que tal já foi feito nos casos da TAP e Efacec. Explica que, para o efeito, tem à disposição o Banco de Fomento, bem como instrumentos de capitalização "que permitem acorrer a empresas viáveis, social e economicamente (...) e que estejam a enfrentar situações conjunturais que exijam essa intervenção.".

E depois acrescenta a seguinte questão: "Se quero pôr dinheiro em empresas que estavam a falir?" à qual, de imediato, responde enfaticamente que não, acrescentando "Não faz sentindo estar a consumir recursos dos contribuintes para alimentar artificialmente quem estava falido."

E lucevan le stelle


 

sábado, 22 de agosto de 2020

Ainda sobre a escolha de Kamala

Joe Biden tinha feito o compromisso de escolher uma vice-presidente. Em si, embora relativamente refrescante, não é totalmente inédito: Sarah Palin foi a escolhida por John McCain para o segundo posto. O que seria verdadeiramente novo seria a escolha de alguém da ala mais esquerda do Partido Democrata, como Elisabeth Warren. Alguém com um discurso mais progressista, que defende, entre outros, o acesso universal a cuidados médicos e educação, o combate à desigualdade, a taxação de grandes fortunas, e tem um discurso bastante duro em relação ao sector financeiro, aos bancos e a Wall Street. 

Ora Biden não é nada disto: o ex-vice de Obama tem, normalmente, um posicionamento muito próximo do centro da distribuição do Partido Democrata. Desse ponto de vista, um second-in-command com as características de Warren daria uma grande complementaridade e, concorde-se ou não, uma lufada de ar fresco. 

Em contraste, o posicionamento político de Kamala está seguramente mais próximo do de Biden. Por outras palavras, ao escolher uma mulher afro-americana, tenho dúvidas que Biden esteja a fazer mais história do que se tivesse escolhido a caucasiana Elisabeth Warren. Conquistar os votos afro-americano e latino não é o principal objectivo desta escolha: estes são grupos que tipicamente votam democrata. É, ao invés, uma escolha cautelosa, que evita o risco de potencialmente alienar parte dos votos democratas, que não receberiam Warren de braços abertos. Por alguma razão os mercados reagiram bem à nomeação de Kamala.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Zona

 O DVD ficou repleto de erupções cutâneas e bolhas e foi diagnosticado com um grave problema de zona.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Ainda sobre a escolha da Kamala

Um dos comentários que Obama fez quando escolheu Biden para o seu "ticket" foi a diferença de opiniões entre ambos. O antigo presidente frisou os aspectos positivos de ter, ao seu lado, alguém com opiniões distintas em vários assuntos para o aconselhar. Não preciso de ninguém que concorde comigo. É uma postura refrescante, característica de quem aprecia a discussão e o confronto de opiniões. E, sobretudo, de quem tem a confiança e a coragem para não se rodear de yes men e women, que se limitam difundir o discurso que emana do lugar cimeiro, ao mesmo tempo que abanam a cauda, numa subserviência calculada. Uma lição neste país onde, como referiu António Barreto na entrevista à RTP de há algumas semanas atrás, existe o resvaladiço conceito de "confiança política".   

Biden aposta na mesma complementaridade: Kamala deve ter sido quem mais o atacou durante a campanha democrata e alguns desses ataques, durante os debates, tornaram-se soundbytes. Derrotada nessa circunstância, é agora repescada para uma possível vice-presidência, que pode vir a ter uma preponderância maior que o cargo normalmente implica, por razões estritamente naturais: Biden tem quase 80 anos. Mesmo que o resultado das eleições seja diferente e Trump permaneça um segundo mandato na Casa Branca, este convite tem o potencial para cimentar a hipótese de Kamala vir a ter sucesso numa futura candidatura à eleição democrata. 


quinta-feira, 13 de agosto de 2020

That little girl was me

O antigo vice-presidente escolheu, para vice-presidente na sua candidatura a presidente, a mulher que tinha dito que ele poderia ser o seu vice-presidente, quando ela própria estava na corrida para a eleição do candidato democrata à presidência. 

  


segunda-feira, 10 de agosto de 2020

All in

Mais do que skin in the in the game, os actores porno têm foreskin in the game (excepto circuncidados, claro). 

sábado, 8 de agosto de 2020

Os apelidos não eram o problema.

Porque os apelidos decorrem de uma regra, o resultado de um processo social ou cultural, que estabeleceu a importação de, pelo menos, o último apelido da mãe e o do pai, bem como a ordem pela qual devem aparecer na designação da geração seguinte. A questão residia com o nome próprio que é, única e exclusivamente, decorrente de uma escolha (dentro da lista de nomes próprios admissíveis, bem entendido). Mais e pior: uma escolha alheia. E não própria, para usar o mesmo termo do próprio nome próprio. 

Por isso, ao entrar na Conservatória do Registo Civil, com o intuito de submeter um requerimento para alterar o nome próprio, só tinha uma coisa na cabeça: reclamar um quinhão de liberdade ao aniquilar uma parte da liberdade alheia. Não havia outra forma senão através deste jogo de soma nula. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Beber para recordar

O homem sentado no banco, simetricamente de frente para o realizador/protagonista, diz-lhe que os palestinianos são diferentes: enquanto os outros bebem para esquecer, os palestinianos bebem para recordar.

domingo, 2 de agosto de 2020

Gesundheit

Felizmente a vontade de espirrar surgiu quando estava parado no semáforo: espirrar enquanto se conduz é sempre uma aflição, uma momentânea falta de controlo e necessidade de fechar os olhos. Para o interior do braço, como (agora) manda a lei - quando era pequenino, ensinavam que se devia tapar a boca com as mãos. Vindo do meu lado esquerdo (estava na faixa da direita) oiço gritar
Salute!
Viro-me para gritar 
Grazie! 
Mesmo a tempo de ver o vidro da esquerda do tipo parado ao meu lado no semáforo a subir. 

sábado, 1 de agosto de 2020

Ta tãã ta tããã pa pã pãã

O 9º episódio da série Philip K. Dick's Electric Dreams mal tinha começado e o swing rápido surge. O protagonista chama a atenção para o saxofone, cujo solo irá começar segundos depois. Na cabeça fica-me o tema
Ta tãã ta tããã pa pã pãã
ao qual estupidamente não consigo associar o nome. O episódio continua sem conseguir captar grande coisa da minha atenção, a engrenagem da minha cabeça continua a dar voltas, 
Ta tãã ta tããã pa pã pãã
sem conseguir resolver este esquecimento, que me consome e irrita. Para piorar um pouco mais, passados uns minutos, o tema volta novamente a ouvir-se
Ta tãã ta tããã pa pã pãã
e não vai ser a última vez até ao final: quando, a certa altura, o protagonista entra no café, onde já tinha ido e comido uma fatia de bolo e, desta vez, a música ambiente é essa mesmo, que não me sai da cabeça e de cujo nome não me consigo lembrar.

Sento-me com este teclado na mão e deixo o google resolver o meu drama. A solução era relativamente óbvia (ainda há pouco aqui pus uma versão do Pat Martino), o executante bastante menos.