sexta-feira, 8 de junho de 2018

As mesas são normalmente para quatro pessoas e têm uma grelha a meio.

A maioria destes apetrechos é a gás, que é fornecido através de um tubo de plástico fino que percorre a parte de baixo do tampo. Aqui, num estabelecimento com vista para o corredor sujo e escuro do mercado que nos foi recomendado para jantar, o método foi mais tradicional: uma senhora trouxe um recipiente de metal cheio de brasas e colocou debaixo da grelha, a fazer lembrar a braseira que a minha avó usava no inverno para aquecer os pés em torno da mesa. Na maior parte dos casos, existe também um exaustor cilíndrico, pendurado do tecto, que não consegue evitar que fiquemos com as roupas impregnadas de cheiro a comida.

A receita é relativamente simples, basta escolher a carne. Ou, melhor dito, deveria ser simples, porque o processo de escolha e comunicação dessa escolha nem sempre é linear, dadas as barreiras de linguagem. Aliás, é, frequentemente, algo sinuoso. Mas uma vez ultrapassado, basta ir preparando os pedaços aos poucos, pegando com a ajuda de uma tenaz para os colocar sob a grelha quente e cortando-os com uma tesoura. É, de certa forma, uma espécie de fondue, com uma grelha em vez de um recipiente com óleo.

Os grelhados talvez sejam a maior imagem gastronómica da Coreia mas há também um conjunto de outros pratos típicos, como o bibimbap. Atrevo-me a dizer que as panquecas com vegetais ou frutos do mar foram a maior surpresa positiva. Seja qual for a escolha, uma coisa é certa: à mesa estarão também pequenas taças e pratos com acompanhamentos diversos, com o sabor picante e fermentado de Kimchi. Estes podem ser repetidos à vontade, há normalmente um balcão com grandes recipientes de plástico onde podemos ir servir-nos, tal como um buffet de saladas.

As refeições são acompanhadas com a cerveja leve local ou com Soju, a bebida típica, descrita por um local como uma espécie de whisky mas mais fraco. Trata-se de licor que pode ser feito de arroz ou de outros cereais e vem numas garrafas de vidro pequenas que mais parecem de água. É servida em pequenos copos típicos de bebidas brancas, e é possível que seja necessário ser autóctone para saber apreciar: a única vez que pedimos uma revelou-se também a última e a pequena garrafa ficou longe de ser despejada.

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