"Oh meninas do Meco, as bolas do Manel são boas como o caneco"
"Que casal tão amoroso, qual deles será mais guloso"
Claro que depois de passar um artista destes, os típicos vendedores que se limitam a dizer "olha a bola de Berlim" não sobressaem.
sábado, 17 de agosto de 2013
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Tinto e branco
Vinho branco com peixe, vinho tinto com carne e bacalhau. E os vegetarianos, como fazem? Qual é a regra para acompanhar soja, tofu?
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Bartoli
O Nadal deu uma entrevista quando se preparava para regressar ao circuito depois da paragem forçada em 2009. Foi no seguimento da (única) derrota em Roland Garros que teve e abdicou de ir defender o título de Wimbledon que tinha conquistado o ano anterior. Nessa entrevista - ao lado da piscina e com uns sapatinhos duvidosos - fala abertamente sobre o processo de recuperação e, a certa altura, refere a importância de saber desfrutar da dor. Não estou a dizer que a Marion a devesse ter visto com mais atenção (“Senti que esgotei toda a energia que restava no meu corpo”) - cada um sabe de si. Mas atesta bem a determinação (masoquismo?) do rapazinho.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Angst
Mark tem uma compulsão, um fascínio pelo medo. Do you know what the most frightnening thing in the world is? It’s fear. Gosta de explorar e documentar com a máquina de filmar. A Helen diz-lhe que não lhe mostre que está assustada. Don’t let me see you’re frightened. Não conseguirá conter-se caso veja os traços na cara dela, a mesma cara que prometeu nem sequer fotografar. Whatever I photograph I always lose. Se até aqui o fascínio é apenas com o medo alheio, no fim percebemos que é também pelo próprio.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Rasgão
No domingo, a bandeira no topo do Parque Eduardo VII estava rota: um rasgão enorme entre a costura da esfera armilar com o rectângulo vermelho, aquele que nos explicam na escola primária que simboliza o sangue. Hoje já está novamente remendada.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Verdade e métodos
«As tuas verdades e as tuas conclusões científicas encontram-se directamente ligadas às tuas metodologias.
No absoluto nada é verdade. Cada coisa é verdade de acordo com uma certa metodologia.
Todas as hipóteses podem ser verdade pois podemos encontrar uma metodologia que as faça verdadeiras.
– Dá-me uma mentira e eu encontrarei a metolodogia capaz de a transformar em verdade.
O oposto é ainda mais fácil:
– Dá-me uma verdade e eu encontrarei a metodologia capaz de a transformar numa mentira (num erro).»
«Uma verdade (uma lei) não exterioriza o consenso da comunidade científica sobre uma conclusão. Exterioriza, sim, o consenso da comunidade científica sobre uma metodologia.
Esta diferença é importante.»
Breves notas sobre a ciência, Gonçalo M. Tavares
No absoluto nada é verdade. Cada coisa é verdade de acordo com uma certa metodologia.
Todas as hipóteses podem ser verdade pois podemos encontrar uma metodologia que as faça verdadeiras.
– Dá-me uma mentira e eu encontrarei a metolodogia capaz de a transformar em verdade.
O oposto é ainda mais fácil:
– Dá-me uma verdade e eu encontrarei a metodologia capaz de a transformar numa mentira (num erro).»
«Uma verdade (uma lei) não exterioriza o consenso da comunidade científica sobre uma conclusão. Exterioriza, sim, o consenso da comunidade científica sobre uma metodologia.
Esta diferença é importante.»
Breves notas sobre a ciência, Gonçalo M. Tavares
domingo, 11 de agosto de 2013
sábado, 10 de agosto de 2013
Raquetada na atmosfera
Andam para aí umas raquetes que não servem para jogar ténis – ou qualquer outro tipo de actividade desportivo-lúdica que consista em acertar numa bola. Fui alertado há dias para a sua existência: são, ao que parece, uma invenção chinesa com o intuito de matar mosquitos. Só há dias pude comprovar que não se trata de um mito urbano. Sentado à mesa de um restaurante sino-japonês – buffet de sushi e comida chinesa, chá verde e gorjeta superior a dez por cento do montante pela módica quantia de dez euros – quando vejo uma das senhoras orientais e de pronúncia impossível a dar raquetadas no ar. A primeira sensação é de que se trata de um musculado e viril jogo de wii. Movimentos repentinos, acutilantes, rápidos. E aparentemente também certeiros. Acontece que, sempre que o alvo é abatido, um som crocante anuncia a morte do insecto urbi et orbi. Foi esse mesmo som que me fez relembrar o relato da existência das ditas raquetes e afastou da minha mente a possibilidade da consola de jogos. (Teria sido giro no entanto observar aquela actividade sem que me tivesse sido transmitida anteriormente a existência do objecto.)
Não sei se a raquetes estão na moda mas é provável. Há dias, numa rua onde uma horda de funcionários de um call-centre costuma estacionar a fumar como se não houvesse amanhã, dois deles entretinham-se a jogar com raquetes de praia no passeio. O desafio (ou compromisso como dizem na Eurosport) decorria para júbilo e gáudio de alguns dos demais colegas e para irritação e indignação (onde é que já se viu, disse a senhora que ia à minha frente) de transeuntes que, como eu, viram a sua migração pendular não-motorizada dificultada e, porque não dizê-lo, a própria existência ameaçada por uma bola de borracha escura em manifesto excesso de velocidade.
Ainda bem que sobrevivi porque tudo isto me leva a pensar noutra possibilidade de combinar todos estes elementos – jogar com as raquetes de matar moscas na praia. No actual contexto, mais do que um divertimento estival, parece um desígnio nacional.
Não sei se a raquetes estão na moda mas é provável. Há dias, numa rua onde uma horda de funcionários de um call-centre costuma estacionar a fumar como se não houvesse amanhã, dois deles entretinham-se a jogar com raquetes de praia no passeio. O desafio (ou compromisso como dizem na Eurosport) decorria para júbilo e gáudio de alguns dos demais colegas e para irritação e indignação (onde é que já se viu, disse a senhora que ia à minha frente) de transeuntes que, como eu, viram a sua migração pendular não-motorizada dificultada e, porque não dizê-lo, a própria existência ameaçada por uma bola de borracha escura em manifesto excesso de velocidade.
Ainda bem que sobrevivi porque tudo isto me leva a pensar noutra possibilidade de combinar todos estes elementos – jogar com as raquetes de matar moscas na praia. No actual contexto, mais do que um divertimento estival, parece um desígnio nacional.
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
I wish things were different
Olha bem para o que estás a dizer. Olha bem. Pensa bem. Pára um pouco para pensar naquilo que estás a dizer.
Já olhaste bem para o que estás a dizer?
Já perdeste um bocado de tempo para parar e olhar? Se calhar devias mesmo parar um bocado, pensar um bocado, reflectir um bocado naquilo que acabaste de dizer. As pessoas esquecem-se que as palavras têm muita força
Já paraste para pensar naquilo que estás a dizer?
Já viste bem o que tu disseste? Acho que devias parar um bocadinho para pensar. Pensa lá bem um bocadinho se era mesmo isso que querias dizer, que me querias dizer. Pensa lá bem se não te vais arrepender, se é que não te arrependeste já
Já estás arrependido?
Pensa bem. Pára. Olha bem.
Já olhaste bem para o que estás a dizer?
Já perdeste um bocado de tempo para parar e olhar? Se calhar devias mesmo parar um bocado, pensar um bocado, reflectir um bocado naquilo que acabaste de dizer. As pessoas esquecem-se que as palavras têm muita força
Já paraste para pensar naquilo que estás a dizer?
Já viste bem o que tu disseste? Acho que devias parar um bocadinho para pensar. Pensa lá bem um bocadinho se era mesmo isso que querias dizer, que me querias dizer. Pensa lá bem se não te vais arrepender, se é que não te arrependeste já
Já estás arrependido?
Pensa bem. Pára. Olha bem.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Appreciation
Cabelos loiros, encaracolados, o vento a bater nas árvores, a agitar os ramos, o som das folhas a arrastadas
Vermelho, azul, amarelo
Um avião lá em cima, o som do avião que passa por cima das cabeças, o fumo de um cigarro fumado a algumas cadeiras de distância, o fumo a dispersar-se no ar, o cheiro
O vento a agitar os cabelos loiros, encaracolados
Lá menor
Reverberação, um vibrato, um crescendo de volume, de som, de intensidade
Um pé a bater no chão, a marcar a pulsação, as cadeiras de pedra, as árvores lá ao fundo, o gato que desce as escadas com o corrimão de madeira
Vermelho, amarelo, azul
Vermelho, azul, amarelo
Um avião lá em cima, o som do avião que passa por cima das cabeças, o fumo de um cigarro fumado a algumas cadeiras de distância, o fumo a dispersar-se no ar, o cheiro
O vento a agitar os cabelos loiros, encaracolados
Lá menor
Reverberação, um vibrato, um crescendo de volume, de som, de intensidade
Um pé a bater no chão, a marcar a pulsação, as cadeiras de pedra, as árvores lá ao fundo, o gato que desce as escadas com o corrimão de madeira
Vermelho, amarelo, azul
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Hush little baby
Disse-lhe que nem sequer era pela dor, a angústia, as lágrimas – é uma questão de tempo até o coração partido voltar a refazer-se. Era, pura e simplesmente, uma pena, um desperdício.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Boredom
«- Escreve como escreve porque essa é a maneira mais fácil para si, ou porque obras tão difíceis de ler são igualmente difíceis de criar?
- Bom, como tentei deixar claro, se o trabalho não me fosse difícil o certo é que morreria de tédio.»
Chet Baker pensa na sua arte, Enrique Vila-Matas
- Bom, como tentei deixar claro, se o trabalho não me fosse difícil o certo é que morreria de tédio.»
Chet Baker pensa na sua arte, Enrique Vila-Matas
domingo, 4 de agosto de 2013
sábado, 3 de agosto de 2013
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
A tua cara.
Como se esperasses mais qualquer coisa. Como se tudo não fosse mais do que uma negociação, um constante subir de paradas, um eterno jogo do gato e do rato. Não percebeste que não há licitações: não se trata de querer vender seja o que for. Nem sequer de convencer seja o que for. E por isso pensas que é bluff. Infelizmente. Mas não é, nunca foi. E nem sequer isso – a única coisa de que efectivamente te tento convencer – te consigo vender.
terça-feira, 30 de julho de 2013
You're addicted to love (might as well face it)
Dizia-se uma autêntica viciada no amor, uma eterna apaixonada. E por isso mudava periodicamente de objecto não fosse essa paixão esmorecer.
sábado, 27 de julho de 2013
Não me faças perguntas que eu te saiba responder.
Faz-me perguntas para as quais não há resposta.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Pomada
Estava um calor imenso, como sempre naquela terra no Verão. Lembro-me de ter entrado na cozinha vindo da rua, morto de sede. Vi um copo escuro, translúcido em cima da mesa, enchi-o de água e levei à boca com sofreguidão. De imediato, um sabor horrível ficou-me na boca e cuspi o conteúdo. Demorei um pouco a perceber que o copo estava sujo de vinho – o meu avô tinha estado na cozinha, tinha bebido e deixado o copo ali.
Esta foi a primeira vez que – embora inadvertidamente e numa muita pequena quantidade altamente diluída em água – provei vinho.
Esta foi a primeira vez que – embora inadvertidamente e numa muita pequena quantidade altamente diluída em água – provei vinho.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Petit doigt
Criticava acerrimamente o quanto as pessoas valorizam – conscientemente e não – as suas impressões para tomar decisões. Perguntei-lhe em que baseava a sua certeza de que a intuição é assim tão mau instrumento de previsão.
Tenho um dedo que adivinha.
Tenho um dedo que adivinha.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
terça-feira, 23 de julho de 2013
Às vezes lembro-te de ti.
Lembro-me que existes. De raspão, nas situações mais insólitas e invulgares. A forma que a memória tem de nos pregar partidas. Pergunto-me onde andarás, que será feito, como estarás. E depois percebo a indiferença. A minha indiferença. És-me totalmente indiferente. Ou passaste a sê-lo. E é uma indiferença que me espanta – não contava com ela, juro que não a esperava, pelo menos com esta intensidade gélida. Se, por um lado, confesso que me sabe muito bem – uma quase liberdade – por outro quase me sinto mal: é quase como se estivesse a fazer-te algo desagradável, a desrespeitar-te, percebes? Não me deverias ser indiferente, tudo em ti deveria mexer-me. E, talvez por isso, não consiga ser (totalmente) indiferente a essa indiferença. Por uma questão de educação. Não, nem sequer é bem isso. É porque às vezes preocupo-me comigo próprio. Juro.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Desjejum
As paletes com pacotes de leite eram distribuídas normalmente na primeira aula da manhã. A professora recebia das mãos da contínua e distribuía pela turma toda. Lembro-me de não perceber todo o alcance, o propósito e de não dizer que não queria um daqueles pacotes castanhos. Depois percebi e então passei a pedir sempre: custa menos a quem precisa se não se destacar dos que não precisam. Isto foi há cerca de vinte anos. É triste que isto ainda seja notícia.
domingo, 21 de julho de 2013
Um sintoma da nossa pequenez
Noticiar sempre que somos notícia – por boas e más razões – nos meios de comunicação estrangeiros.
sábado, 20 de julho de 2013
sexta-feira, 19 de julho de 2013
quinta-feira, 18 de julho de 2013
quarta-feira, 17 de julho de 2013
terça-feira, 16 de julho de 2013
Estender a mão
Na esquina, na zona curva do passeio, perto dos semáforos e onde desagua quem atravessa a passadeira. Perto da entrada de um prédio. De joelhos, os braços estendidos em frente com um recipiente nas mãos, a cabeça curvada e os olhos fechados. Totalmente oposto a tantos outros que pedem – fazendo jus à designação de pedintes. Este não. Não diz uma palavra e limita-se a ficar naquela posição.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Forward guidance
«I’m not going to tell you that money doesn’t matter, because you wouldn’t believe me anyway. In fact, for too many people around the world, money is literally a life-or-death proposition. But if you are part of the lucky minority with the ability to choose, remember that money is a means, not an end. A career decision based only on money and not on love of the work or a desire to make a difference is a recipe for unhappiness. »
Ben Bernanke
Ben Bernanke
domingo, 14 de julho de 2013
Quelque
Quando almoçava sozinho, no fim, costumava perguntar-me
Quer algum cafezinho?
Eu respondia-lhe sempre que sim e ela punha a cafeteira pequena que dava para apenas uma chávena ao lume. Eu achava-lhe graça, não usava aquela forma com mais nada, por exemplo
Quer algum pão, quer alguma fruta, quer algum guardanapo, quer algum prato, copo
Nada disto. Só mesmo com o café. Alentejana, talvez seja um regionalismo, pensei a certa altura.
Há dias entrei numa mercearia em Lisboa para fazer uma pequena compra. Dirijo-me à caixa, pago, estou a enfiar na carteira o troco quando a senhora olha para mim e me pergunta
Quer algum saco?
Respondi-lhe que sim.
Quer algum cafezinho?
Eu respondia-lhe sempre que sim e ela punha a cafeteira pequena que dava para apenas uma chávena ao lume. Eu achava-lhe graça, não usava aquela forma com mais nada, por exemplo
Quer algum pão, quer alguma fruta, quer algum guardanapo, quer algum prato, copo
Nada disto. Só mesmo com o café. Alentejana, talvez seja um regionalismo, pensei a certa altura.
Há dias entrei numa mercearia em Lisboa para fazer uma pequena compra. Dirijo-me à caixa, pago, estou a enfiar na carteira o troco quando a senhora olha para mim e me pergunta
Quer algum saco?
Respondi-lhe que sim.
sábado, 13 de julho de 2013
Sobem a rua os dois, todas as manhãs.
Ele é alto e cheiinho, a ficar careca, dentes de fumador. Tem um andar um pouco desengonçado, como se o fato o estivesse a incomodar e a dificultar a deslocação. Ela tem um cabelo castanho ondulado, uns olhos claros e uma cara suave sem grandes traços, daquelas que facilmente se podem encaixar em diferentes mulheres.
Não os conheço de lado nenhum excepto nesta circunstância e, ainda assim, é como se já os conhecesse. Às vezes conversam, rua acima, como velhos amigos que se encontram após uma longa ausência. Outras vezes, a maior parte das vezes, rendem-se à falta de tema que ocupe aqueles instantes e caminham mecanicamente, olhos na calçada.
Mesmo nesse silêncio que me parece incómodo, sinto-os cómodos um com o outro. Ele é calmo, a calma dele é a solidez que ela vê nele – ela sabe que pode contar com ele. E ele tem tudo o que quer, que é saber que no dia seguinte ela vai voltar a subir a rua ao lado dele.
É esse conforto que os une nessa incómoda caminhada silenciosa.
Não os conheço de lado nenhum excepto nesta circunstância e, ainda assim, é como se já os conhecesse. Às vezes conversam, rua acima, como velhos amigos que se encontram após uma longa ausência. Outras vezes, a maior parte das vezes, rendem-se à falta de tema que ocupe aqueles instantes e caminham mecanicamente, olhos na calçada.
Mesmo nesse silêncio que me parece incómodo, sinto-os cómodos um com o outro. Ele é calmo, a calma dele é a solidez que ela vê nele – ela sabe que pode contar com ele. E ele tem tudo o que quer, que é saber que no dia seguinte ela vai voltar a subir a rua ao lado dele.
É esse conforto que os une nessa incómoda caminhada silenciosa.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Tuner
Chegámos à porta do apartamento com um molho de chaves e instruções sobre qual utilizar. A partir da porta nascia um corredor donde brotavam as divisões à esquerda. A primeira, a cozinha, tinha a janela virada para o pátio donde tínhamos saído. Ouvia-se um rádio. Lembro-te de ter achado curioso porque não estava ninguém no apartamento naquele momento, seria mais lógico que o rádio estivesse desligado. Mas pouco depois reparo que, em cada divisão, sem excepção, havia um aparelho do género ligado. Até na casa-de-banho. E então ocorre-me que lá em baixo no pátio do prédio, onde tinha estado até àquele momento, no relvado com árvores, entre as cadeiras de lona, as geleiras e os grelhadores, também havia um rádio a tocar. Que só agora valorizava porque só agora tinha visitado o apartamento. Não havia um único sítio onde não houvesse constantemente música a acompanhá-los, mesmo onde não estavam.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Cabeçudos
O conjunto de estátuas – são catorze no total – é da autoria de um escultor chinês e foi colocado perto da Baía dos Ingleses, em Vancouver. Na minha cabeça tinha ficado o nome “Laughter Therapy” mas, aparentemente, segundo as minhas pesquisas na Internet, chama-se “A-maze-ing Laughter”. As mesmas pesquisas indicam que as estátuas chegaram ali por empréstimo para uma exposição temporária a propósito dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2010. Ora o período de empréstimo terminou no Verão de 2012 e a população afeiçoou-se tanto à obra que as autoridades da cidade desenvolveram esforços para ficar definitivamente com ela. O problema é que o escultor tinha estabelecido a módica quantia de 5 milhões de dólares (e dos EUA, não do Canadá) como preço para os catorze cabeçudos. Felizmente a quantia não era uma condição irrevogável – um multimilionário da cidade conseguiu convencer o artista a deixar ficar as estátuas onde estão por apenas milhão e meio.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
domingo, 7 de julho de 2013
sábado, 6 de julho de 2013
"Se é para apanhar uma insolação então que seja com uma cerveja em cada mão"
Ouvido na praia do Meco. Entre muitos outros igualmente sugestivos.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Trabalho de laboratório
Experimentei várias combinações e cheguei à conclusão que o melhor Apfelsaftschorle é obtido com Compal Fresh e Água Castello.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
My way
Há duas chávenas de café vazias em cima da mesa metálica na esplanada de calçada mas ela está sozinha. Olha fixamente em frente. Para lá da árvore, para lá do passeio e da estrada, do prédio do outro lado da rua. A cara muito pálida. Branca, macilenta. O lenço na cabeça esconde a ausência de cabelo e, ao tentar escondê-la, acaba por evidenciá-la, expô-la ainda mais. E, na mão direita – só reparo depois porque estava escondida pelo tampo da mesa – um cigarro.
terça-feira, 2 de julho de 2013
The hand that rocks the cradle
«- Afinal, você é canhoto? - pergunta o escritor, aproximando-se.
- Sim. Mas, para disparar, sou dextro.
A mão esquerda, explico com súbita inspiração, é a que segura as crianças ao colo. Não pode ser a mão que mata.»
A confissão da Leoa, Mia Couto
- Sim. Mas, para disparar, sou dextro.
A mão esquerda, explico com súbita inspiração, é a que segura as crianças ao colo. Não pode ser a mão que mata.»
A confissão da Leoa, Mia Couto
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Assino por baixo
“Literacia – Dizem-me uma e outra vez «não percebi o teu texto». Apetece-me sempre responder: «e o problema é meu?»”
“Ética bloguista – Escrever como se ninguém lesse. Escrever sabendo que alguém sempre lê.”
“Não uses isto – Já não é a primeira vez. Alguém conta uma história e depois olha para mim e pede seriamente: «não uses isto». Fico sempre um bocado perplexo, porque nunca divulguei segredos ou conversas alheios de cunho provado. Nem no blogue nem em lado nenhum.
Mas admito que encaro tudo o que me chega como «material» em potência. O mundo é um manancial inexaurível de frases e episódios. Mas existem regras claras: nomeadamente que as pessoas mencionadas nunca sejam identificáveis. Depois, recupero histórias que me contaram há anos e anos, mudo o sexo das personagens, pego em bocados e detalhes que me interessam, corto e colo a meu interesse. E uso aspas sempre que possível, mas umas aspas abstractas, que servem apenas para não me locupletar com achados alheios.
Nesse sentido é verdade, uso tudo. Mas não revelo nada.”
“Confessionalismos – recebo comentários preocupados ou incomodados com os meus posts «confessionais». Já escrevi várias vezes sobre esta violenta incomodidade face ao registo pessoal, uma incomodidade que não cessa de me espantar. E já expliquei que os meus textos assumidamente pessoais e mesmo intimistas quase nunca são confessionais. Um texto confessional é um texto que fornece informações de facto, enquanto os meus posts só transmitem estados de espírito (meus ou alheios).
Julgo que algumas pessoas que se incomodam com o suposto conteúdo confessional dos posts gostavam que o conteúdo fosse confessional (não é). Quando eu escrevo sobre «estar apaixonado», as pessoas supõem que eu estou apaixonado, o que é uma suposição sem provas nenhumas.
O chamado confessionalismo é, muitas vezes, apenas wishful thinking dos leitores.”
Prova de vida, Pedro Mexia
“Ética bloguista – Escrever como se ninguém lesse. Escrever sabendo que alguém sempre lê.”
“Não uses isto – Já não é a primeira vez. Alguém conta uma história e depois olha para mim e pede seriamente: «não uses isto». Fico sempre um bocado perplexo, porque nunca divulguei segredos ou conversas alheios de cunho provado. Nem no blogue nem em lado nenhum.
Mas admito que encaro tudo o que me chega como «material» em potência. O mundo é um manancial inexaurível de frases e episódios. Mas existem regras claras: nomeadamente que as pessoas mencionadas nunca sejam identificáveis. Depois, recupero histórias que me contaram há anos e anos, mudo o sexo das personagens, pego em bocados e detalhes que me interessam, corto e colo a meu interesse. E uso aspas sempre que possível, mas umas aspas abstractas, que servem apenas para não me locupletar com achados alheios.
Nesse sentido é verdade, uso tudo. Mas não revelo nada.”
“Confessionalismos – recebo comentários preocupados ou incomodados com os meus posts «confessionais». Já escrevi várias vezes sobre esta violenta incomodidade face ao registo pessoal, uma incomodidade que não cessa de me espantar. E já expliquei que os meus textos assumidamente pessoais e mesmo intimistas quase nunca são confessionais. Um texto confessional é um texto que fornece informações de facto, enquanto os meus posts só transmitem estados de espírito (meus ou alheios).
Julgo que algumas pessoas que se incomodam com o suposto conteúdo confessional dos posts gostavam que o conteúdo fosse confessional (não é). Quando eu escrevo sobre «estar apaixonado», as pessoas supõem que eu estou apaixonado, o que é uma suposição sem provas nenhumas.
O chamado confessionalismo é, muitas vezes, apenas wishful thinking dos leitores.”
Prova de vida, Pedro Mexia
domingo, 30 de junho de 2013
Luft
Só quando me pergunta se quero almoçar ao ar livre é que percebo que passo os dias ao ar preso.
sábado, 29 de junho de 2013
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Jersey
É possível que a senhora do hotel tenha evitado que perdêssemos o ferry. Pergunta-nos se vamos querer pequeno-almoço e, enquanto estamos a fazer contas à hora do bilhete e, por arrasto, à hora a que temos de sair, avisa-nos que temos que estar uma hora antes. Ficamos a olhar para ela: uma hora antes para entrar num raio dum barco? Pior que nos aeroportos, nunca nos teria passado pela cabeça.
Estacionamos o carro, seguimos em direcção ao terminal, dirigimo-nos ao balcão para fazer check-in. Ao que isto chegou, check-in num barco. Não muito tempo depois, o café e o crossaint são interrompidos pela indicação de que vai iniciar o embarque.
Cerca de uma hora e vinte minutos de mar agitado e temos o porto de Saint Helier à nossa frente.
Nove por cinco. Milhas, claro, ou não fosse Jersey é uma das ilhas anglo-normandas. Um paraíso fiscal e – de acordo com a fidedigna fonte chamada Wikipedia – o sexto PIB per capita mais elevado do mundo. Alugamos duas bicicletas na loja ao lado da estação de autocarros. As ciclovias estão indicadas no mapa, fazemos a baía à saída da cidade principal e pedalamos até ao outro lado, até Saint Aubain. Daí, o alcatrão passa a terra e entramos num arvoredo a fazer lembrar Sintra. Leva-nos até à ponta sudoeste onde se encontra o farol.
No regresso para a cidade, paramos para comer. Um tipo alto atende-nos. Hi guys. Fazemos o pedido e vamos a falar um com o outro em português até à mesa. Vocês são portugueses? A surpresa não devia ser tão grande, afinal estão (estamos) por todo o lado. Este já tinha estado nos quatro cantos do mundo – quase sempre a seguir miúdas, como nos explica. Também já tinha feito de tudo, até jogar à bola. E agora tem um bar de madeira num caminho no meio do parque.
Depois de comer, despedimo-nos e seguimos a pedalar. À medida que a tarde avança, começamos a fazer o caminho de regresso à baía. Entregamos as bicicletas, arranjamos mantimentos e esperamos pelo barco. Outra hora e tal até pisar novamente terras francesas. Quando chegamos, está uma gaivota em cima do carro, como se o tivesse estado a guardar o tempo todo.
Estacionamos o carro, seguimos em direcção ao terminal, dirigimo-nos ao balcão para fazer check-in. Ao que isto chegou, check-in num barco. Não muito tempo depois, o café e o crossaint são interrompidos pela indicação de que vai iniciar o embarque.
Cerca de uma hora e vinte minutos de mar agitado e temos o porto de Saint Helier à nossa frente.
Nove por cinco. Milhas, claro, ou não fosse Jersey é uma das ilhas anglo-normandas. Um paraíso fiscal e – de acordo com a fidedigna fonte chamada Wikipedia – o sexto PIB per capita mais elevado do mundo. Alugamos duas bicicletas na loja ao lado da estação de autocarros. As ciclovias estão indicadas no mapa, fazemos a baía à saída da cidade principal e pedalamos até ao outro lado, até Saint Aubain. Daí, o alcatrão passa a terra e entramos num arvoredo a fazer lembrar Sintra. Leva-nos até à ponta sudoeste onde se encontra o farol.
No regresso para a cidade, paramos para comer. Um tipo alto atende-nos. Hi guys. Fazemos o pedido e vamos a falar um com o outro em português até à mesa. Vocês são portugueses? A surpresa não devia ser tão grande, afinal estão (estamos) por todo o lado. Este já tinha estado nos quatro cantos do mundo – quase sempre a seguir miúdas, como nos explica. Também já tinha feito de tudo, até jogar à bola. E agora tem um bar de madeira num caminho no meio do parque.
Depois de comer, despedimo-nos e seguimos a pedalar. À medida que a tarde avança, começamos a fazer o caminho de regresso à baía. Entregamos as bicicletas, arranjamos mantimentos e esperamos pelo barco. Outra hora e tal até pisar novamente terras francesas. Quando chegamos, está uma gaivota em cima do carro, como se o tivesse estado a guardar o tempo todo.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
terça-feira, 25 de junho de 2013
«Money isn't everything, there's also credit cards»
Na máquina registradora duma pastelaria muito jeitosa ao lado da minha casa.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
domingo, 23 de junho de 2013
sábado, 22 de junho de 2013
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Acontece aos melhores
Antes do cargo que actualmente ocupa, o São Pedro trabalhava nas Chaves do Areeiro. Ou isso ou era porteiro de discoteca.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Invicta
Há quem diga que o Porto é uma nação por si só. Estou tentado a concordar: sinto que é quase como ir a outro país. Abri o Google maps e percebi que não percebo nada da disposição da cidade. A culpa é toda minha, as duas (curtas) viagens que fiz ao Porto foram já há muito tempo.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Auto
Quando chegamos aos dezoito anos e podemos tirar a carta e começar a conduzir, o carro é nitidamente um símbolo de liberdade. Acaba-se a dependência em relação a transportes ou boleias. Podemos ir de férias ou fazer uma road trip.
Depois muitas vezes o carro passa a estar associado às rotinas de deslocações diárias e de muitas horas passadas no trânsito. E a uma dependência que torna aqueles dias em que resolve não andar num pesadelo. E então transforma-se em sinónimo de prisão.
Há já alguns anos que tenho o privilégio de maioritariamente me socorrer das minhas pernas e andar de um lado para o outro no dia-a-dia. Pego no carro normalmente apenas ao fim-de-semana. E nesta condição de novo-domingueiro voltei a sentir uma liberdade parecida à dos dezoito anos.
Depois muitas vezes o carro passa a estar associado às rotinas de deslocações diárias e de muitas horas passadas no trânsito. E a uma dependência que torna aqueles dias em que resolve não andar num pesadelo. E então transforma-se em sinónimo de prisão.
Há já alguns anos que tenho o privilégio de maioritariamente me socorrer das minhas pernas e andar de um lado para o outro no dia-a-dia. Pego no carro normalmente apenas ao fim-de-semana. E nesta condição de novo-domingueiro voltei a sentir uma liberdade parecida à dos dezoito anos.
domingo, 16 de junho de 2013
sábado, 15 de junho de 2013
sexta-feira, 14 de junho de 2013
É tudo uma questão de controlo.
Cede-lhe o controlo. Deixa-o fugir-te, deixa-o escapar-te por entre os dedos das mãos como grãos de areia fina. Não é fácil, é contraintuitivo. Ficar fora da zona de conforto, entregar o conforto, pô-lo em mãos alheias. Pior: mãos alheias que têm um interesse nesse conforto.
Fá-lo sentir que está totalmente a conduzir o rumo dos acontecimentos. E depois deixa-te ficar à espera. Não faças mais nada, rigorosamente nada. Limita-te a esperar. Eventualmente perceberá que o controlo não passa de uma ilusão.
Fá-lo sentir que está totalmente a conduzir o rumo dos acontecimentos. E depois deixa-te ficar à espera. Não faças mais nada, rigorosamente nada. Limita-te a esperar. Eventualmente perceberá que o controlo não passa de uma ilusão.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Telebasura
Estaciono uma meia-hora ou coisa que o valha na RTP2 a ver na diagonal um documentário sobre política, empresas petrolíferas, Médio Oriente e guerras enquanto vou trabalhando. Quando acaba, mudo de canal à procura de outra coisa. Mudo e na SIC está o Toy vestido de super-homem – mas com um “t” ao peito em vez de um “s” – molhado a ser entrevistado pela Júlia Pinheiro e a ser avaliado por um júri. Avanço mais um canal e na TVI está a dar um Big Brother qualquer.
terça-feira, 11 de junho de 2013
segunda-feira, 10 de junho de 2013
A Mercedes tem dificuldade em perceber o conceito de “travão de mão”.
Ou os alemães têm uma mão onde as pessoas normais têm um pé esquerdo ou então aquele pedal pequenito à esquerda da embraiagem – um bocado mais afastado, mais perto da porta para evitar desastres por confusão dos dois – é, no fim de contas, um travão de pé.
Logo à partida, a técnica, óptima para nabos como eu, de fazer ponto de embraiagem com o travão de mão fica excluída: é impossível ter um pé na embraiagem e controlar o travão de pé. Daqui se conclui que conduzir um Mercedes não é para nabos (como eu).
E depois há outra. Há um conjunto de gestos associados a parar um carro que me foi incutido pelo meu instrutor de condução que mecanizei e executo na perfeição sem para tal mobilizar um neurónio que seja. Por esta ordem: engatar o carro, puxar o travão de mão, rodar a chave e desligar o motor, tirar o pé da embraiagem e, finalmente, tirar o pé do travão. Ora, face ao acima exposto, num Mercedes, esta sequência cai por terra logo no segundo ponto da lista com o carro a ir abaixo. Donde se conclui que o meu instrutor devia ter definido uma sequência alternativa para condutores desta marca alemã.
Logo à partida, a técnica, óptima para nabos como eu, de fazer ponto de embraiagem com o travão de mão fica excluída: é impossível ter um pé na embraiagem e controlar o travão de pé. Daqui se conclui que conduzir um Mercedes não é para nabos (como eu).
E depois há outra. Há um conjunto de gestos associados a parar um carro que me foi incutido pelo meu instrutor de condução que mecanizei e executo na perfeição sem para tal mobilizar um neurónio que seja. Por esta ordem: engatar o carro, puxar o travão de mão, rodar a chave e desligar o motor, tirar o pé da embraiagem e, finalmente, tirar o pé do travão. Ora, face ao acima exposto, num Mercedes, esta sequência cai por terra logo no segundo ponto da lista com o carro a ir abaixo. Donde se conclui que o meu instrutor devia ter definido uma sequência alternativa para condutores desta marca alemã.
domingo, 9 de junho de 2013
Sobre atingir a idade adulta
Olhar para a cama desfeita e achar que precisa de ser feita. Perder cinco minutos a fazê-la.
sábado, 8 de junho de 2013
sexta-feira, 7 de junho de 2013
quinta-feira, 6 de junho de 2013
References
Adoro que me digam que não posso, que isso não dá, que nunca vou conseguir. É que normalmente é esse o empurrão que me falta para que efectivamente consiga.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
terça-feira, 4 de junho de 2013
segunda-feira, 3 de junho de 2013
domingo, 2 de junho de 2013
Gosto de pensar que essa coisa da inspiração existe.
Sobretudo, quando, de um momento para o outro, interrompo um período prolongado de menor produtividade com uma bolsa enorme de posts para ir colocando. E depois páro um bocado para pensar – às vezes acontece. Da mesma forma que recomecei a ler (à bruta) recomecei a escrever – (cor)relacionado? Por outro lado, o reflexo de Pavlov: estar novamente num determinado sítio faz-me repegar hábitos que a ele associo. Não sei porquê mas sempre li mais em Portugal. Por muito pouco romântico que possa ser – e logo eu que gostaria tanto de acreditar que há um lado romântico nestas coisas – estou mais inclinado em aceitar a segunda explicação – coadjuvada pela primeira, nem que seja apenas porque alguns posts são citações.
sábado, 1 de junho de 2013
Realeza
Sempre que oiço falar em palitinhos de la reine penso que o rei andou a fazer coisas que não devia.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
PDI
A única vez que fui ao Sudoeste foi à edição de há dez anos atrás e conhecia praticamente todas as bandas do cartaz. Hoje vi o cartaz do Sudoeste deste ano num outdoor duma paragem de autocarro e não reconheci nenhum dos nomes.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
quarta-feira, 29 de maio de 2013
terça-feira, 28 de maio de 2013
Transcend
Peguei no telefone, marquei o número e comecei a andar em direcção à cozinha: lembrei-me que tinha deixado a máquina de lavar roupa a trabalhar e que ainda não tinha tirado a roupa e posto a estender. A luz azul no botão que de imediato giro para que se apague e abro o tambor. À minha frente está a roupa e, sobre o plástico cinzento da abertura da máquina, uma coisa preta. Estico de imediato a mão em direcção ao objecto molhado e, no preciso momento em que o reconheço, atendem-me do outro lado da linha. O primeiro som que sai da minha boca é um “eeeehhh” profundo e longo e é assim que começo a conversa telefónica.
Esqueci-me de tirar a flash disk do bolso das calças e enfiei-as na máquina. Está aqui na minha mão, encharcado.
Caminho – sempre de telefone na mão – passo uma toalha sobre o pequeno disco. Penso em secar um pouco com o secador de cabelo. Desisto da ideia e vou directo à prova dos nove, a entrada USB do meu computador. Uma curta longa espera, o computador na está a reconhecer o objecto ligado à porta USB. Fecho o explorer, volto a abrir e desta vez surge qualquer coisa na drive G. Porém, a designação que costumava aparecer – “transcend”, vá-se lá saber porquê – não surge desta vez. Clico no icon da drive, não surge nada. Mas a barra azul em cima está avançar, alguma coisa está a acontecer e, uns momentos depois, o conteúdo da drive está à minha frente. Como seria de esperar – embora nunca o esperamos quando pensamos que tudo está perdido – não estava ali nada cuja perda fosse irrecuperável. Copio tudo para o disco do computador por descargo de consciência. E deito-me.
Hoje ligo a drive noutro computador. O Windows avisa que houve um problema com a drive e pergunta-me se quer que ele repare, o processo que recomenda. E eu, feito parvo, digo que sim. Passados uns minutos avisa-me que o processo de recuperação está feito e, quando o explorer abre, não há rigorosamente nada na memória. A pen está totalmente vazia. Mais, não consigo gravar nada nela.
Esqueci-me de tirar a flash disk do bolso das calças e enfiei-as na máquina. Está aqui na minha mão, encharcado.
Caminho – sempre de telefone na mão – passo uma toalha sobre o pequeno disco. Penso em secar um pouco com o secador de cabelo. Desisto da ideia e vou directo à prova dos nove, a entrada USB do meu computador. Uma curta longa espera, o computador na está a reconhecer o objecto ligado à porta USB. Fecho o explorer, volto a abrir e desta vez surge qualquer coisa na drive G. Porém, a designação que costumava aparecer – “transcend”, vá-se lá saber porquê – não surge desta vez. Clico no icon da drive, não surge nada. Mas a barra azul em cima está avançar, alguma coisa está a acontecer e, uns momentos depois, o conteúdo da drive está à minha frente. Como seria de esperar – embora nunca o esperamos quando pensamos que tudo está perdido – não estava ali nada cuja perda fosse irrecuperável. Copio tudo para o disco do computador por descargo de consciência. E deito-me.
Hoje ligo a drive noutro computador. O Windows avisa que houve um problema com a drive e pergunta-me se quer que ele repare, o processo que recomenda. E eu, feito parvo, digo que sim. Passados uns minutos avisa-me que o processo de recuperação está feito e, quando o explorer abre, não há rigorosamente nada na memória. A pen está totalmente vazia. Mais, não consigo gravar nada nela.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Liebe meines Lebens
Quando pensamos em línguas românticas, o alemão não é de todo a primeira opção que nos vem à cabeça. No entanto, ocorreu-me no outro dia que “leben” (“viver” ou “vida” com maiúscula) e “lieben” (“amar”) são tão parecidos. Quase como se não houvesse uma distinção, como se fossem a mesma coisa.
domingo, 26 de maio de 2013
C'est parti!
O Chatrier este ano está um bocado diferente. O verde dos placards de publicidade é diferente, mais escuro. Este ano começaram a jogar ao domingo. Pese embora estas diferenças, honestamente não espero um fecho que não aquele a que nos habituámos nos últimos tempos. A única questão que se poderá colocar aqui é se, na hipotética meia-final que poderá ter lugar entre o Djokovic e o Nadal, o sérvio pode fazer uma surpresa. Mas lá está, será uma surpresa porque o resultado expectável é que não o faça. Não consigo evitar uma certa tristeza quando associo previsibilidade ao Roland Garros: se havia Grand Slam onde há 10, 15 anos tudo poderia acontecer era este. Mas aceito, enquanto me sento mais um ano em frente ao televisor a torcer pelos underdogs.
"I like a woman built for confort, not for speed"
Num filme qualquer - daqueles que se vão vendo enquanto se faz outra coisa qualquer - com o Richard Gere, a J Lo e a Susan Sarandon.
sábado, 25 de maio de 2013
Diferencas entre a Europa e os Estados Unidos.
As relacões entre o centro e periferia e o Leste e o Oeste estão invertidas.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
O dicionário do word do meu computador foi actualizado para a nova ortografia.
Dou por mim a escrever e a ver uma série de linhas onduladas vermelhas por debaixo das palavras. O word a dizer-me que não sei escrever irrita-me um bocadito. Eu sei que ele está só a fazer o papel dele, mas é ridículo que me diga que o “actualizado” que escrevi lá em cima não está correcto. Assim como este “correcto”, aparentemente, também está errado.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Cartão Continente
Apercebi-me que tenho duas reacções ao uso de descontos do meu cartão do Continente que não fazem muito sentido. Uma é sentir que não vale a pena descontar o dinheiro do cartão quando não tenho muito acumulado; qual é a diferença entre esta estratégia ou descontar menos vezes mas um valor mais elevado? A outra é quando faço uma compra pequena: também me dá para achar que não vale a pena descontar nada porque não vou pagar muito de qualquer das formas.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Tac
Lembro-me de ter lido uma entrevista feita pelo MEC já há uns quantos anos atrás. Ao Ricardo Araújo Pereira se não me falha a memória. A certa altura, a pergunta do MEC foi “já percebeste que não vais ter tempo para fazer tudo?”. Bateu-me forte, talvez ainda não tivesse percebido isso.
terça-feira, 21 de maio de 2013
Ir pro maneta
«President Truman famously asked for a “one-armed economist” who would take a clear stand; he was sick and tired of economists who kept saying “on the other hand…”»
Thinking fast and slow, Daniel Kahneman
Thinking fast and slow, Daniel Kahneman
segunda-feira, 20 de maio de 2013
domingo, 19 de maio de 2013
Com "p"
«Optimism is normal, but some fortunate people are more optimistic than the rest of us. If you are genetically endowed with an optimistic bias, you hardly need to be told that you are a lucky person – you already feel fortunate. An optimistic attitude is largely inherited, and it is part of a general disposition for well-being, which may also include a preference for seeing the bright side of everything. If you were allowed one wish for your child, seriously consider wishing him or her optimism. Optimists are normally cheerful and happy, and therefore popular; they are resilient in adapting to failures and hardships, their chances of clinical depression are reduced, their immune system is stronger, they take better care of their health, they feel healthier than others and are in fact likely to live longer.»
Thinking fast and slow, Daniel Kahneman
Thinking fast and slow, Daniel Kahneman
sábado, 18 de maio de 2013
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Eleven
Não é um tic tac
É mais tac
Apenas tac tac
Os ponteiros de plástico do relógio preto.
Tac tac
A noite toda a passar-me em frente aos olhos, o som metronómico dos ponteiros de plástico não me deixa dormir, não me sai da cabeça dos ouvidos. Não é uma questão de volume – sou capaz de dormir com ruídos mais elevados. É a cadência, o facto de ser um som tão disciplinado, tão arrumado
Tac tac
Sem parar, sem atrasar, sem perder a cadência. Um avanço inexorável que torna o retrocesso impossível. Um avanço inquebrável, totalmente fora do controlo.
Curiosamente, o relógio digital não me incomoda. Não tem barulho, é certo, mas projecta as horas no tecto branco do quarto. Ou seja, a mesma marcha obcecada a passar em frente aos meus olhos. Mas sem me tirar o sono.
É mais tac
Apenas tac tac
Os ponteiros de plástico do relógio preto.
Tac tac
A noite toda a passar-me em frente aos olhos, o som metronómico dos ponteiros de plástico não me deixa dormir, não me sai da cabeça dos ouvidos. Não é uma questão de volume – sou capaz de dormir com ruídos mais elevados. É a cadência, o facto de ser um som tão disciplinado, tão arrumado
Tac tac
Sem parar, sem atrasar, sem perder a cadência. Um avanço inexorável que torna o retrocesso impossível. Um avanço inquebrável, totalmente fora do controlo.
Curiosamente, o relógio digital não me incomoda. Não tem barulho, é certo, mas projecta as horas no tecto branco do quarto. Ou seja, a mesma marcha obcecada a passar em frente aos meus olhos. Mas sem me tirar o sono.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Gelatina
Os alemães usam o trema, um acento que nós já deixámos cair há muito tempo. Mas, muitas vezes, para facilitar – e como o trema prolonga a vogal que acentua – escrevem à frente um “e”. Por exemplo, o nome “Jörg” surge muitas vezes na forma simplificada “Joerg”. Agora o que não faz sentido é aquilo que vi num rodapé da SIC há dias: “Jöerg Asmussen”.
terça-feira, 14 de maio de 2013
Beacon of light
O Presidente da República partilhou partilhou hoje a solução para crise proposta pela sua esposa: uma intervenção da Nossa Senhora de Fátima. Divina, claro.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
domingo, 12 de maio de 2013
sábado, 11 de maio de 2013
"Aquilo não é um cabelo, aquilo é um cavelo"
Uma amiga partilha a sua definição do cabelo (cavelo) do Jorge Jesus.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Look back
Deste-me as costas. Não te apercebeste mas deste-me as costas. E eu queria voltar a pôr-nos naquela lugar, naquela situação, naquele momento e explicar-te. Mostrar-te. Não te apercebeste. Mas não posso. Não posso voltar atrás e mostrar-te onde, quando, como o fizeste.
Estaria a dar-te as costas.
Estaria a dar-te as costas.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
My first
Pela primeira vez na minha vida deixei meia dúzia de cervejas passarem o respectivo prazo de validade.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Mayday
Era piloto. Sentava-se atrás dos comandos de um Airbus e sentia-se confortável. Nascera para aquilo. Nada o intimidava no meio daqueles botões e indicadores. Tudo nos aviões o fascinava. Mas depois, nas folgas, era incapaz de conduzir um carro.
terça-feira, 7 de maio de 2013
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Carapauzinhos com açorda
Um pedaço de terra a meio da rua da Estefânia. Umas plantas, umas coisas a fingir de jardim. Bancos, caminhos. E muitos tubos de rega, toda uma rede de tubagem castanho escura. Mais tubagem castanho escura que vegetação verde. Não há um metro quadrado daquele terreno que não esteja cortado pelos canos. Jardim é que nem vê-lo.
domingo, 5 de maio de 2013
"Pode-se dizer que o Governo está com problemas de balneário?"
Perguntou Carlos Vaz Marques ao João Miguel Tavares no Governo Sombra. Já agora, a resposta foi afirmativa.
sábado, 4 de maio de 2013
(Cúmulo da) senilidade
Ver um CD clássico à venda a um preço promocional. Comprar de imediato. Chegar a casa, abrir o armário para guardar. Constatar que já existia um igual na prateleira.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Erfrischend
Ronnie O'Sullivan admite que o regresso à competição foi motivado pela carteira. Precisava de dinheiro. Uma excelente causa, ainda assim, devo dizer: pagar as propinas dos filhos. Aqui.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
quarta-feira, 1 de maio de 2013
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