quinta-feira, 16 de junho de 2016

Scan

A primeira vez que o disse, disse-o sem se aperceber do que tinha dito. Como se fosse uma qualquer banalidade. Nem a alteração de expressão da pessoa à sua frente lhe levantou qualquer tipo de suspeita. Para além de não ter sabido perceber o que tinha dito, de não ter sabido interpretar-se, também não soube interpretar aquilo que outros interpretaram. Só mais tarde se lhe tornou claro, depois de ter parado para se ouvir. Olhou-se no espelho, quis perceber donde aquelas palavras tinham vindo. E só então se reconheceu.

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