Os irlandeses contam-se entre os povos mais relaxados, laid-back na sua própria autodefinição. Mas também, como todos os outros, têm a sua contradição. Neste caso, traços de uma extrema seriedade. A protecção da família, constitucionalmente garantida, é uma característica interessante que os tipos levam muito a sério. Talvez até demasiado a sério, lá está. Parece que, até aos trinta anos, os irlandeses não querem saber de casamentos. Aliás, quem casa antes dessa idade marcante, casa nitidamente cedo. E isto acontece porque quem casa é para de imediato desatar a ter uma família e, muito mais grave do que isso, literalmente fazer um corte drástico com a anterior vida de solteiro. Há uma demarcação enorme entre os comportamentos associados aos dois estados civis, do dia para a noite.
Ora segundo consegui apurar, curiosamente, o álcool tem um papel preponderante naquela transição. Dada a habitual e tradicional timidez daquelas gentes, o líquido precioso cumpre o desígnio de soltar a língua, propriedade terapêutica sobejamente conhecida e reconhecida – pese embora o discurso eventualmente pouco eloquente e a fala meio entaramelada. Ou seja, se antes de casar precisam dos pubs para que, de facto, cheguem a casados, depois de casados precisam dos pubs para sobreviver à base de recordações. É caso para dizer que os pints são a alegria e a desgraça dos irlandeses.
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