sábado, 7 de agosto de 2021

Casa de biológo

Em entrevista ao Expresso, um dos fundadores da biofarmacêutica Moderna - entretanto afastado da gestão da mesma há anos - afirma que recebeu a vacina da Pfizer. Apenas por uma questão de conveniência, porque uma entidade com a qual colaborou o contactou para ser vacinado e, à chegada, era essa a vacina disponível. Ainda assim, uma afirmação interessante - e respeitável, pela candura - para alguém que ainda tem uma posição accionista na Moderna.

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Desde miúdo que fico em polvorosa com viagens.

Faço contagens decrescentes até ao dia da partida. Na véspera durmo mal, muito mal, tal não é a excitação. Desta vez é diferente o que sinto: não é tanto excitação, é mais ansiedade. Ou seja, tem um cariz mais negativo do que positivo. E acho que nunca estive assim ansioso porque é a primeira vez que a realização de uma viagem está dependente do resultado de um teste PCR. Eu não acho que o resultado do teste venha a ser positivo: porque estou de saúde, porque não tive contactos de risco, porque me protejo. Mas mas não vou conseguir descansar enquanto não receber uma mensagem com a palavra "negativo" lá pelo meio. E nem sequer pude ir a correr tratar do assunto para acabar com a minha miséria mais cedo, porque o dito teste tem que ser, no máximo, uns dias antes de partir. Talvez lá para o início da tarde de amanhã - altura em que espero já ter recebido o tão aguardado resultado - possa transformar a ansiedade na mais simpática excitação. E, a partir de um resultado negativo, passe para uma emoção positiva. 

domingo, 4 de julho de 2021

Donde é difícil dizer qual o saldo líquido.

Costuma dizer-se que, com a idade, aprendemos a preocupar-nos apenas com aquilo que interessa. E, em certa medida, é verdade. Aprende-se a relativizar: determinadas coisas que poderiam parecer bichos de sete cabeças em décadas idas são agora meros pormenores, relegados à insignificância. Mas também se aprende a identificar chatices e reconhecer perigos onde dantes, em idade mais tenra, não se vislumbrava nada. A despreocupação da ignorância é substituída pela preocupação de quem está mesmo a ver o filme. 

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Pessoas de armas

Gendarme é daquelas palavras que têm uma lógica auto-explicativa bastante vincada. Lembro-me quando, em miúdo, me explicaram o que me deveria ser óbvio mas não era. A palavra foi-me pronunciada devagar, separando o "gens" de "d'armes", de forma quase teatral. A associação destas pessoas com armas a uma força policial, por seu turno, foi imediata. 

O modelo de força militar com responsabilidades policiais e de assegurar o cumprimento da lei foi exportado para vários países, incluindo para a portuguesa Guarda Nacional Republicana. Nem todos conservaram a piada da palavra (uma vez mais, como a GNR); já os italianos desenrascaram-se lindamente com os carabinieri. 

Ocorreu-me que, pela força da razão do significado da palavra, a solução francesa não funcionaria em todo o lado: por exemplo, nos EUA falar em pessoas com armas não permite distinguir forças policiais de qualquer outro cidadão. 

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Porsches e cozinhas

Não, até porque o foco está muito na pequena fraude com os fundos, estão a recuperar-se as histórias que ocorreram nos anos de 1980, 1990, do empresário que recebeu o dinheiro dos fundos europeus e que em vez de o investir foi comprar um Porsche. Essas fraudes, neste momento, estão muito mais controladas, diria que já não se fazem, mas que permitem ao discurso político vir dizer: ‘Como viram, isto correu tudo bem porque já ninguém comprou Porsches ou renovou a cozinha’. E é verdade que está tudo mais informatizado e é mais difícil fazer uma fraude desse género neste momento. Mas com o foco neste tipo de fraudes, esquece-se todo o resto, que é o que acontece a montante, e isto de duas formas: a primeira, é com a escolha dos projetos que são financiados, há vários tipos de financiamentos europeus, diversas formas de fazer o financiamento, que podem ir, por exemplo, para aquelas linhas de financiamento das empresas, e quando se fala de fraude, e é aí que devemos ter agora alguma da atenção. Mas há outras coisas. As grandes obras públicas têm sido financiadas por fundos europeus, e aí a questão não é tanto quem é que ficou com o dinheiro. Imagine-se que se volta a fazer um TGV, a escolha do TGV ou a opção por fazer um novo aeroporto, temos que pode ser desnecessária a obra em si, ou desnecessário o tamanho da obra, mas que se decide fazer porque se sabe que isso vai favorecer determinados grupos económicos, ou até a localização das obras. Fazendo-se uma grande obra no município x em vez de se fazer no município y, porque o município x é governado pelo partido do poder ou porque é necessário, também por razões políticas, que ali haja um determinado benefício.

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Fome

«The assiduous food-habit of a lifetime had trained the English body to the pitch of producing a punctual nervous excitation in the upper belly at the fixed hour of each meal: and we sometimes gave the honoured name of hunger to this sign that our gut had cubic space for more stuff. Arab hunger was the cry of a long-empty labouring body fainting with weakness. They lived on a fraction of our bulk-food and their systems made exhaustive use of what they got.»

Seven pillars of wisdom, T. E. Lawrence

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Chips

Quando oiço falar em semi-condutores, penso em pessoas que só fizeram metade das aulas de condução. Isso ou anões a conduzir carros. 

terça-feira, 8 de junho de 2021

A anatomia da procrastinação

De magro que era, tinha dificuldade em procrastinar: não tinha barriga para poder empurrar as tarefas. 

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Parque de estacionamento

Pouca gente consideraria interessante a hipótese de ir a um restaurante ou beber um copo com vista para um parque de estacionamento. No entanto, é perfeitamente fazerem-no num parque de estacionamento de barcos, vulgarmente conhecido como marina.

terça-feira, 1 de junho de 2021

Bot

Há quase 10 anos, no filme Her, um Joaquin Phoenix contemplativo apaixona-se por uma Scarlett Johansson assistente virtual de computador. Com este enredo, o realizador Spike Jonze testou-nos ao confrontar-nos com o nascimento e desenvolvimento de uma relação que, por gritantemente heterodoxa que seja, acaba por ter traços verdadeiramente humanos em terreno onde não parecia ser possível vê-los nascer. 

Hoje leio esta notícia sobre o recurso a bots para sessões terapêuticas. 

segunda-feira, 31 de maio de 2021

A pergunta

Vivia mesmo ao pé da paragem de autocarro onde eu costuma esperar pelo 413 ou 423 para ir para a escola. Magro, alto, cabelo loiro. Conhecia-o de vista e até sabia o seu nome e calculo que também me conhecesse a mim. Não só porque morávamos perto mas também porque andávamos na mesma escola, temos sensivelmente a mesma idade. E, no entanto, nunca tínhamos falado um com o outro. 

Naquele dia, esperava o tal 413 ou 423 como em tantos outros, sozinho na paragem. Apareceu e meteu conversa comigo, não me lembro exactamente a que propósito. Mas lembro-me que, a certa altura, me perguntou se podia ser meu amigo, uma pergunta que parece algo inusitada, como se a amizade pudesse ser decretada com base num pedido e numa anuência (ao contrário do namoro: esse sim, pode ser solicitado). Respondi-lhe que sim, embora nunca tivéssemos verdadeiramente ficado amigos - lá está, é uma relação que precisa de um crescimento orgânico, não pode ser determinada por uma resposta afirmativa a uma simples pergunta. E a verdade é que não tínhamos grande contacto para que pudesse verdadeiramente existir.  

A excepção são as amizades virtualmente solicitadas dos dias de hoje. Aquelas que nascem de um click num botão, que desencadeia uma notificação ao solicitado.  

terça-feira, 25 de maio de 2021

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Irrealismo prodigioso

«Se a História, no sentido restrito do «conhecimento do historiável», é o horizonte próprio onde melhor se apercebe o que é ou não é a realidade nacional, a mais sumária autópsia da nossa historiografia revela o irrealismo prodigioso da imagem que os Portugueses se fazem de si mesmos.»

O labirinto da saudade, Eduardo Lourenço

segunda-feira, 26 de abril de 2021

A quanto obrigas

Palácio das Necessidades parece uma designação eufemística para casa-de-banho. 

sexta-feira, 23 de abril de 2021

terça-feira, 13 de abril de 2021

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Direito

«O direito não é aquilo que eu desejo muito ou que sinto fortemente que me é devido. O direito é aquilo que os outros reconhecem como sendo o meu direito. Se os outros não reconhecem o meu direito, ou se só uma parte reconhece, ou ainda se reconhecem apenas em parte, nesse caso o que tenho não é um direito mas uma exigência.» 

Caros fanáticos, Amos Oz 

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Pluricórnio

Para além das agruras típicas de casos análogos de traição, o(a) unicórnio(a) traído(a) ainda tem a complicação adicional de ficar com a designação desactualizada.    

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Coisas que me ralam

Quando, após um suspiro, digo que só tenho coisas que me ralem, normalmente não estou a pensar literalmente. Por isso, fico bastante surpreendido quando me distraio e corto um bocado do polegar a ralar cenoura.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

terça-feira, 6 de abril de 2021

Tudo começou porque, no meio das músicas que estava a ouvir, surgiu o Band on the Run.

Fui, de imediato transportado para a minha infância, para uma versão da música que julgo não ouvia desde essa altura. A única coisa que sabia é que fazia parte de um álbum ao vivo do Paul McCartney, duas cassetes que ouvia furiosamente num rádio amarelão dos meus pais. Não me restava outra coisa senão fazer aquilo que hoje em dia temos a possibilidade de fazer. Não foi à primeira pesquisa informática que descobri, mas foi à segunda. O álbum chama-se Tripping the Life Fantastic e tem uma foto algo desfocada, como se estivesse em movimento, do mítico baixo Höfner, imagem de marca.

Entretanto já (re)ouvi umas boas dezenas de vezes, desta feita na Apple Music, que dispensa mudar de lado da cassete. Uma série de clássicos dos Beatles e da carreira a solo do próprio McCartney, gravados em diversos concertos, um pouco por todo o mundo, no final dos anos 80 e início dos 90. Por exemplo, o Fool on the Hill, que Sir Paul dedica a "three mates of mine". Assim como o Eleanor Rigby, que quanto mais ouço mais gosto; ao contrário do Ebony and Ivory que, quanto mais ouço, mais pindérico me parece. O Can't Buy Me Love, banda sonora dos tempos em que o Patrick Dempsey se passeava em cima de um cortador de relva. Hey Jude, Back in the U.S.S.R., Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band. É assim com os aqueles quatro moços de Liverpool: são umas atrás das outras.  

sábado, 3 de abril de 2021

Virtude

«Céus não existem, não existe Inferno:
O prémio da virtude é a virtude, 
É castigo do vício o próprio vício»

Bocage

UNKNOWN

Pede-me ajuda para preencher um formulário online em inglês. Sentamo-nos os dois à frente do computador. Eu vou explicando o que é solicitado e pedindo os dados à medida que as perguntas vão surgindo. Ao terceiro ou quarto separador, pedem a filiação e eu pergunto-lhe qual o nome do pai. Responde-me

Não sei

uma resposta que, no primeiro momento, me desarma até, uma fracção de segundo depois, perceber o que está em causa. Ela procura o cartão de cidadão, vira-o e mostra-me: naquele campo onde a (esmagadora?) maioria de nós tem dois nomes, ela tem apenas um, o da mãe. 

Carrego no ponto de interrogação, encaixado dentro de uma bolinha, à direita deste campo de preenchimento obrigatório. Na janela que se abre, pedem para, nestes casos, escrever

UNKNOWN

assim, em letras garrafais. Escrevo duas vezes: uma no nome próprio, outra no apelido. 

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Totalitário

«To be an unbeliever is not to be merely "open-minded". It is, rather, a decisive admission of uncertainty that is dialectically connected to the repudiation of the totalitarian principle, in the mind as well as in politics.»

Hitch-22, Christopher Hitchens


terça-feira, 30 de março de 2021

Suportabilidade

A utilização do verbo "suportar", à semelhança do inglês, como sinónimo de "apoiar", "consubstanciar" ou "dar assistência a" é um bocado insuportável. 

domingo, 28 de março de 2021

Distinto

«I distinguish remorse from regret in that remorse is sorrow for what one did do whereas regret is misery for what one did not do.»

Hitch-22, Christopher Hitchens

quinta-feira, 25 de março de 2021

Enviesado

"O meu viés..." diz-me quando inicia a explicação daquilo que consideraria ser, simplesmente, a sua opinião. A expressão aterra-me na cabeça de tal forma que me abstraio das palavras seguintes. Como se não fosse possível ter uma opinião que não seja, por definição, enviesada. Assim como solicitar uma opinião isenta, a alguém que consideremos imparcial.   

segunda-feira, 22 de março de 2021

Sotaque

Na sua autobiografia - intitulada Hitch-22 -, Christopher Hitchens fala da experiência de ser um britânico nos EUA, assim um pouco à semelhança do célebre tema de Sting. Um dos aspectos que realça são as diferenças na utilização da língua inglesa. Refere, inclusivamente - e este é um fenómeno que, segundo consta, abrange outros anglo-falantes não-americanos em terras do tio Sam - que a sua sonoridade britânica teria sido, em algumas circunstâncias, uma boa alavanca para conquistas junto do sexo oposto. Neste contexto, relata o episódio de uma jovem, que se terá referido ao seu "sotaque"; Hitchens respondeu-lhe, de imediato, que seguramente ele não tinha sotaque, mas sim o contrário: ela é que tinha.  

Este episódio, por sua vez, fez-me recordar um outro muito semelhante, protagonizado por José Saramago: no decurso de uma entrevista, uma jornalista brasileira disse-lhe que tinha dificuldade em perceber o seu "sotaque", ao que Saramago de imediato retorquiu, com o tom seco e austero que o caracterizava, que "sotaque tem a senhora". O escritor português não avançou, contudo, se, na sua experiência, o sotaque, perdão, o português de Portugal granjeia qualquer tipo de vantagem junto do sexo feminino luso-falante doutras latitudes. 

A noção da ausência de sotaque no país de origem da língua, para além de soar um certo toque de sobranceria, acarreta, em si, algumas inconsistências. Desde logo porque não permite categorizar os diferentes sotaques dentro do próprio país de origem. Das duas uma: ou nenhum é sotaque - o que é chato porque eu ia jurar que já ouvi o sotaque do Porto, açoreano, madeirense, alentejano, algarvio, das Beiras, de Setúbal, de Viseu, etc.; ou são todos excepto um, que é o não-sotaque, e em cujo caso é necessário definir qual é exactamente este último. 

Costuma dizer-se que o português falado na região de Coimbra é o mais correcto ou mais aproximado do padrão da língua. Mas, acaso este fosse o não-sotaque, teríamos outro problema: do ponto de vista da origem - a lógica aparentemente subjacente aos comentários de Hitchens e Saramago - Coimbra não fará sentido. Certamente teríamos que rumar mais a norte.

A minha sugestão simplificadora é aceitar que todos temos sotaque. Embora um(ns) coincida(m) com a forma como a língua se fala numa parte do território onde originariamente se formou.  

domingo, 21 de março de 2021

Chumbo

Olhando para as pontuações que atribuem aos filmes, por vezes desconfio que os críticos de cinema, pura e simplesmente, não gostam de cinema. 

quarta-feira, 17 de março de 2021

Equivalência

À pergunta do jornalista sobre a ausência de processo anterior na política, Nuno Graciano retorque que tal não é correcto: o candidato do Chega à Câmara Municipal de Lisboa foi presidente (ou coisa que o valha) da associação de estudantes (ou coisa que o valha) no liceu e na universidade (ou coisa que o valha).

terça-feira, 16 de março de 2021

O Fidesz, partido de extrema-direita de Vitor Orbán, saiu do Partido Popular Europeu.

Em bom rigor, Orbán apenas se antecipou a uma provável expulsão, espoletada por alterações às regras do partido recentemente aprovadas. Ainda assim, o registo do governo húngaro não é mau: só agora saem do partido de centro-direita. E este parece um desenlace pouco dramático, já que, pelo menos em tese, o regime autocrático da Hungria - assim como dos restantes países do grupo de Visegrado - colide frontalmente com os valores democráticos da União Europeia.  

A única vez que a porta de saída da UE foi mostrada a um país foi à Grécia do Syriza. É certo que também havia umas pequeníssimas questões pecuniárias envolvidas e, ao que parece, o dinheiro tem o dom de se imiscuir em muitas decisões. Ainda assim, parece haver maior tolerância europeia para países com regimes irritantes mas de direita, do que outros com regimes igualmente irritantes mas de esquerda. 

sábado, 13 de março de 2021

Colado nas costas

«Somos cães a correr atrás da própria cauda, sempre à procura, longe de nós, de algo que temos a abanar nas costas. O sentido da vida é como aquela brincadeira perpetuada pelos cretinos que existem em todos os empregos e que consiste em colar um papel nas costas de um colega, com algum insulto escrito. É isso a vida, um papel colado nas costas. Andamos a fazer figuras, a perguntar-nos a que se deve a felicidade dos outros, e o segredo está colado nas nossas costas.»

Para onde vão os guarda-chuvas, Afonso Cruz

terça-feira, 9 de março de 2021

quinta-feira, 4 de março de 2021

Sequência

Na Índia, as pessoas fazem filas paquistanesas.

(Para evitar estragar a piada, vamos esquecer que, na génese da expressão não estão, aparentemente, os indianos, mas sim os índios americanos, que caminhavam uns atrás dos outros para ocultar as pegadas)

quarta-feira, 3 de março de 2021

Arbitrariedade

«The conventional word that is employed to describe tyranny is "systematic". The true essence of a dictatorship is in fact not its regularity but its unpredictability and caprice; those who live under it must never be able to relax, must never be quite sure if they have followed the rules correctly or not. (The only rule of thumb was: whatever is not compulsory is forbidden.) Thus, the ruled can always be found to be in the wrong.»

Hitch-22, Christopher Hitchens

domingo, 28 de fevereiro de 2021

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Macht

«Power, let us not forget, is not just about being able to buy whatever you want; that is mere wealth. Power is about being able to get whatever you want at below the market price. It is about being able to get people to perform services or part with goods that they would not ordinarily offer to sell at any price.»

Colossus, Niall Ferguson

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Em círculos

Leio um artigo sobre um livro que aborda o papel de domínio da Amazon. Resolvo procurar o livro online e vou dar à Amazon. 

sábado, 6 de fevereiro de 2021

O filme é do final da década de 80 e chama-se Blind Date.

Walter - um Bruce Willis novo e com mais cabelo do que agora nos lembramos que alguma vez teve - algo reticente deixa-se, ainda assim convencer, por um amigo, a ir a um encontro às cegas. She is a really nice girl. Do outro lado do encontro está Nadia, uma Kim Basinger estonteantemente vestida de vermelho, de cima a baixo, incluindo a mala e o verniz das unhas.  

O encontro corre bem e Walter resolve arriscar e levar Nadia a um estúdio de música, munido de uma garrafa de champagne, comprada numa loja de conveniência. Lá dentro, a gravar enquanto bebem champagne com copos de plástico e trocam o primeiro beijo, está Stanley Jordan a fazer um cameo.



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Longing

«There is plainly much more longing than can be realised legitimately in the age of freedom and entrepreneurship; more desires for objects of consumption than can be fulfilled by actual income; more dreams than can be fused with stable society by redistribution an greater opportunity; more discontents than can be allayed by politics or traditional therapies; more demand for status symbols and brand names than can be met by non-criminal means; more claims made on celebrity than can be met by increasingly divided attention spans; more stimulus from the news media than can be converted into action; and more outrage than can be expressed by social media.

Simply defined, the energy and ambition released by the individual will to power far exceed the capacity of existing political, social and economic institutions. Thus, the trolls of Twitter as much as the dupes of ISIS lurch between feelings of impotence and fantasies of violent revenge.»


Age of Anger, Pankaj Mishra 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

A pluviosidade tem destas coisas.

As recentes notícias relativas à apropriação indevida de vacinas para a Covid-19 têm um certo travo a inevitabilidade, a estava-se-mesmo-a-ver que tem tanto de indignação como de resignação. Pior: permitem fazer uma extrapolação - já tão vastamente badalada como, rapidamente, rebatida - da possibilidade de um comportamento análogo aquando da recepção de fundos europeus, que choverão fortemente nos próximos tempos.     

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

sábado, 23 de janeiro de 2021

Retrocesso

A realização de testes de antigénio em escolas vai piorar o resultado das avaliações às competências dos alunos. 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Arranjava sempre forma de levar a melhor sobre quem se atravessava na sua frente.

Qual craque, adorava driblar, fintar os seus adversários, fazer slalom com os argumentos que esgrimia como ninguém. Dava-lhes autênticos nós-cegos, verdadeiros golpes de rim, manobras acrobáticas e pontapés de bicicleta, que os deixavam feitos num oito, sem combustível, a precisar de ir à box.

Até que, um dia, encontrou alguém à sua altura. Entraram em ringue e começaram a bater bolas. Primeiro com alguma suavidade, estudando-se mutuamente. Aos poucos, depois de algumas piscinas a intensidade foi aumentando. Taco-a-taco, muito equilibrado, fazia antever uma maratona com um final em sprint e com recurso ao photo-finish.

Até que, confiante, sentiu que tinha surgido uma oportunidade para um ataque que o faria cruzar a meta em primeiro. E, então, sem cerimónia, já a antever a bandeira axadrezada, fez uma verdadeira entrada a pés juntos, de é em riste. “Bem jogado!”, pensou.

Para sua surpresa, no entanto, foi apanhado em contra-pé: o adversário desencadeou um contra-ataque feroz. Como se tivesse recebido uma assistência para uma desmarcação perfeita, tirou um verdadeiro ás na manga, que acertou, em cheio, na mouche. Um autêntico afundanço.

Tentou, sem sucesso, ripostar, virar o marcador: chutar para canto, cortar as vazas. O estrago estava feito, estava destrunfado. Antecipava o KO. Teria que pedalar muito, em contra-relógio, se quisesse ter qualquer hipótese de inverter o resultado até ao apito final. Sentiu-se fora-de-jogo, posto em xeque. Nunca havia sido vítima de uma tal placagem, um verdadeiro ensaio de porrada. O mundo todo desabava à sua volta.

Então, resignado, limitou-se a passar o testemunho.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Nem na tomada de posse

Sonia Sotomayor: "Repeat after me: I, Kamála David Harris, do solemnly swear..."

Kamala Harris: "I, Kámala David Harris, do solemnly swear..."

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Little 6655321

«It may not be nice to be good, little 6655321. It may be horrible to be good. And when I say that to you I realise how self-contradictory that sounds. I know I shall have many sleepless nights about this. What does God want? Does God want goodness or the choice of goodness? Is a man who chooses the bad perhaps in some way better than a man who has the good imposed upon him?»


A clockwork orange, Anthony Burgess

domingo, 17 de janeiro de 2021

Slooshying

«I don't mind about the ultra-violence and all that cal. I can put up with that. But it's not fair on the music. It's not fair I should feel ill when I'm slooshying lovely Ludwig van and G. F. Handel and others. All that shows you're and evil lot of bastards and I shall never forgive you, sods.»

A clockwork orange, Anthony Burgess

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Shotgun blues IV

No especial da Netflix, Dave Chapelle fala sobre os "shooting drills" que, segundo conta com algum espanto, começam a existir nas escolas americanas para treinar os alunos e professores, à semelhança de incêndios ou tremores de terra, a reagir e evacuar as instalações, mas numa situação de tiroteio.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Shotgun blues III

Só num país com a cultura de armas dos EUA existem expressões como "shotgun wedding", para designar um casamento forçado devido a uma gravidez não-planeada.   

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Carlos Daniel em modo paternalista:

ventila a possibilidade de cortar o som dos microfones caso os candidatos falem por cima ou interrompam os outros. 

Shotgun blues II

Só num país com a cultura de armas dos EUA existem expressões como "riding shotgun". Usada para designar quem ocupa o lugar do pendura, na génese referia-se ao guarda-costas do condutor de carruagens, que o protegia de potenciais ataques por parte de bandidos ou nativos-americanos. Tem a variante "call shotgun", para invocar a prerrogativa de ir no lugar da frente.  

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Shotgun blues I

Só num país com a cultura de armas dos EUA existem expressões como "shotgun houses". Tratam-se de casas nas quais a porta da frente dá para directamente para a porta de trás, através de um corredor, ao longo do qual as divisões se situam lateralmente.

domingo, 10 de janeiro de 2021

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Claramente uma tentativa de varrer a totalidade do espectro político.

Mayan Gonçalves tem (no mínimo) um tique: assim que acaba de dar uma resposta mais aguerrida (de acordo com o seu standard, claro), olhando para a sua direita, onde está a pivot da TVI, vira a cara rapidamente para a esquerda, antes de voltar a recentrar o olhar no oponente à sua frente. 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Acção reacção

O dia (europeu) começa com a Georgia a dar maioria democrata no Senado e termina com uma invasão do Capitólio.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Fila

A fila à porta do Instituto do Emprego e Formação Profissional, na 5 de Outubro, prolonga-se até à Rua de Picoas.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

A ingratidão de ser argumentista

Assumi que não chegaria a ver. Enganei-me. Num processo de zapping catatónico, o pequeno ícone apareceu-me à frente e resolvi espreitar. O menor número de episódios desta última temporada também fez o seu papel: afinal, o investimento seria menor. Convicto da pouca convicção, carreguei no play. 

A minha conjectura era que a ausência de Kevin Spacey, por força pelas razões conhecidas, tiraria muita da força de House of Cards. Não me enganei. O vácuo criado pelo desaparecimento do casal presidencial não chega nunca a ser preenchido, pese embora a tentativa de introduzir conflitos e intrigas palacianas com outras personagens, assim como, e sobretudo, pela dupla de irmãos protagonizada por Diane Lane e Greg Kinnear. O resultado é uma amálgama, uma tentativa falhada de terminar uma história, de lhe dar um final sem, no entanto, ter todos os recursos e instrumentos à disposição. 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Quando me apercebi já só havia bilhetes para a data extra, adicionada ao calendário da Culturgest para tentar acomodar a avalanche de interesse.

IV. "Psalm" E às 11h, qual missa matinal, para tentar acomodar as restrições sanitárias. O habitual quarteto entra em palco em forma alargada: há um segundo baterista, assim como um saxofonista barítono e um trompetista. 

III "Pursuance" O formato é tão simples como, naturalmente, arriscado: pegar no Love Supreme e tocá-lo de fio a pavio. Os títulos dos andamentos (chamemos-lhes andamentos, como nas peças clássicas) são projectados no início de cada, com a respectiva numeração romana. 

II "Resolution" A duração é algo alargada face ao original, com a introdução em solo de baterias (interessante chamar solo à performance de dois instrumentistas) e outras artimanhas usadas como uma espécie de cola entre os diversos momentos. De resto, Toscano mergulha de cabeça no som, na voz, no saxofone de Coltrane. Sem medo. Eventualmente também sem olhar para trás e sem pensar duas vezes. 

I. Acknowledgement O resultado está à vista: com uma maturidade musical pouco característica e natural na idade, Toscano é, merecidamente, um dos nomes mais relevantes da actualidade.  

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Des

Não faz sentido que «desfalecer» signifique perder as forças ou desmaiar; como o próprio nome indica, deveria ser algo como ressuscitar.

domingo, 27 de dezembro de 2020

Sentir e pensar

«Seremos criaturas pensantes que também sentem ou criaturas dotadas de sentimento que também conseguem pensar? A resposta é clara. Vivemos a vida a sentir, ou a raciocinar, ou ambas as coisas, dependendo daquilo que nos é exigido pelas circunstâncias. A natureza humana serve-se de toda esta gama de tipos de inteligência, explícita e não-explícita, bem como do uso do sentimento e da razão, quer sozinhos, quer a par.» 

Sentir & saber, António Damásio

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Platonismo

A impossibilidade de transposição para o plano físico custava-lhe menos no amor do que no ódio platónico. 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Durante semanas, as portadas abriam, de par em par, para o amarelo outonal das folhas.

Uma invasão de cor em dias de céu maioritariamente cinzento que, aos poucos, foi desaparecendo. Começou na manhã em os "sopradores" de folhas acordaram toda a vizinhança: de aparelhos barulhentos em riste, amontoaram as folhas caídas a um canto para depois as varrer do chão. Nesse período, casais de namorados aproveitaram a o mesmo amarelo outonal, agora no passeio, para tirar retratos, daqueles que acabam nas redes sociais, com esse pano de fundo. O processo de queda das folhas pareceu obedecer a uma coreografia ensaiada, começando numa das árvores e só passando para as seguintes depois de totalmente terminado na anterior. Consequentemente, árvores completamente nuas coabitaram com árvores ainda completamente vestidas. Neste momento, apenas uma ainda tem folhas, todas as outras têm os ramos magros totalmente expostos. E, praticamente, não se vê uma folha no chão.  

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Senti

Disse-lhe que ouvia religiosamente tudo o que lhe dizia. O problema é que tinha tendência para, em seguida, se esquecer. 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

domingo, 13 de dezembro de 2020

Superior à média

Na conferência de imprensa em que falou do plano de restruturação da TAP, o ministro Pedro Nuno Santos despejou alguns números que comparam a empresa negativamente com as congéneres europeias e que, na sua perspectiva, justificam as medidas de redução de pessoal. Não fixei as percentagens mas, segundo o que referiu, a empresa portuguesa terá rácios de pilotos e pessoal de cabine por avião da frota superiores aos da concorrência. 

Ficou-me na tímpano (expressão que me apetece cunhar, em analogia com ficar na retina): a única vez que me aconteceu receber, na manga no decurso do embarque, um saco de papel pardo com uma sandes mal-amanhada e uma garrafa de água, foi num voo da TAP. A razão para esta solução de recurso, tal como nos foi explicado, foi a falta de um número mínimo de membros da tripulação de cabine para que a "refeição" pudesse ser servida, de forma normal, durante o voo.

sábado, 5 de dezembro de 2020

Confiança

«Trust obviates the need for money, and money without trust has no value. Perhaps it is trust that makes the world go round.»

The end of alchemy, Mervyn King

sábado, 28 de novembro de 2020

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Last dance

Não são as jogadas, os cestos, os afundanços, os passes, as assistências, as vitórias, o sucesso. Nem sequer as tricas, as intrigas, as jogadas de bastidores, os conflitos. O que mais me chamou a atenção no documentário da Netflix foi mesmo a quantidade incrível de charutos que os jogadores dos Chicago Bulls fumavam, a começar pelo Michael Jordan

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

terça-feira, 10 de novembro de 2020

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Fartar-se

«O carpinteiro exala impassível o seu fumo:«Simplesmente: que seja pobre quem tiver gosto nisso. Ah, sim, cá por mim os outros que sejam pobres à vontade. Agora eu cá é que precisamente não tenho gosto nenhum nisso. É que realmente co'o tempo um tipo acaba por se fartar.»»

Berlim Alexander-Platz, Alfred Doeblin  

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Brisa do mar

O mapa eleitoral dos EUA mostra o quão importante são os ares do mar para a saúde das pessoas.  

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Azedou

Alguns jornalistas ainda se referem à Covid como o "novo corona vírus". Aí está um adjectivo cujo prazo de validade parece ter expirado. Ou, dito de outra forma, o novo já está velho.