A oportunidade faz o negócio mas a ocasião faz o ladrão.
quarta-feira, 7 de abril de 2021
terça-feira, 30 de março de 2021
Suportabilidade
A utilização do verbo "suportar", à semelhança do inglês, como sinónimo de "apoiar", "consubstanciar" ou "dar assistência a" é um bocado insuportável.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2021
Dispensam-se comentários mas é parvo
Pessoas que dizem de outrem que dispensa apresentações e, ainda assim, os apresentam.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2021
Nem na tomada de posse
Sonia Sotomayor: "Repeat after me: I, Kamála David Harris, do solemnly swear..."
Kamala Harris: "I, Kámala David Harris, do solemnly swear..."
quinta-feira, 14 de janeiro de 2021
Shotgun blues IV
No especial da Netflix, Dave Chapelle fala sobre os "shooting drills" que, segundo conta com algum espanto, começam a existir nas escolas americanas para treinar os alunos e professores, à semelhança de incêndios ou tremores de terra, a reagir e evacuar as instalações, mas numa situação de tiroteio.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2021
Shotgun blues III
Só num país com a cultura de armas dos EUA existem expressões como "shotgun wedding", para designar um casamento forçado devido a uma gravidez não-planeada.
terça-feira, 12 de janeiro de 2021
Shotgun blues II
Só num país com a cultura de armas dos EUA existem expressões como "riding shotgun". Usada para designar quem ocupa o lugar do pendura, na génese referia-se ao guarda-costas do condutor de carruagens, que o protegia de potenciais ataques por parte de bandidos ou nativos-americanos. Tem a variante "call shotgun", para invocar a prerrogativa de ir no lugar da frente.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2021
Shotgun blues I
Só num país com a cultura de armas dos EUA existem expressões como "shotgun houses". Tratam-se de casas nas quais a porta da frente dá para directamente para a porta de trás, através de um corredor, ao longo do qual as divisões se situam lateralmente.
terça-feira, 29 de dezembro de 2020
Des
segunda-feira, 14 de dezembro de 2020
terça-feira, 27 de outubro de 2020
Tânia e Cátia são nomes próprios como tantos outros.
No entanto, na génese, nas línguas eslavas, Tânia é o diminutivo de Tatiana, Cátia o de Catarina. Ou seja, são diminutivos que foram importados e assimilados por outras línguas que, ao longo do tempo, os promoveram a nomes próprios por si só, distintos dos nomes que lhes deram origem.
terça-feira, 13 de outubro de 2020
quinta-feira, 30 de julho de 2020
De "hábil" a "habilidoso" não vai uma distância muito grande.
quarta-feira, 8 de julho de 2020
terça-feira, 16 de junho de 2020
Os paus já cá cantam, venham os contos
sexta-feira, 12 de junho de 2020
Euros com cêntimos.
sábado, 23 de maio de 2020
Embaixada da língua
domingo, 26 de abril de 2020
Narrativa
Há uns tempos, um amigo chamou-me a atenção para o emprego que, hoje em dia, se faz, amiúde, da palavra "narrativa". Da mesma forma que, neste exemplo, o governo chinês tem uma narrativa (que pode ser mais abrangente do que o episódio de combate ao Covid-19), há tantas outras narrativas. A esquerda e a direita têm as suas narrativas, as religiões têm as suas narrativas. Outro exemplo: a narrativa (ou uma das) deste governo PS é que pôs fim à austeridade, algo que é contestado por outros partidos e sensibilidades políticas. Até as pessoas que acreditam que a Terra é plana tem a narrativa delas: acreditam que a Terra é plana.
O termo "narrativa" remete-me, de forma quase automática, para uma carteira de sala de aula, que eu ocupava na pré-adolescência. A disciplina é, naturalmente, português, na altura em que abordámos as particularidades deste tipo de texto, os seus elementos - acção, tempo, personagens, narrador, etc.. Lembro-me (surpreendentemente) relativamente bem da professora desta disciplina: costumava insistir, com alguma veemência, na forma como avaliávamos se o narrador era participante ou não-participante: "entra na história...? Mas bate à bota e pergunta "posso entrar?", é isso?".
Em si, narrar é contar, descrever, relatar algo e esse algo pode ser a realidade. Intuitivamente, reservo o verbo "narrar" para aquelas histórias que os anglo-falantes definem como "stories", para distinguir de History, e que tem um equivalente (horripilante) no novo acordo da língua portuguesa sob a forma de "estórias". Ou seja, associo "narrativa" a ficção. Por isso, parece-me inadequado quando se pretende narrar a realidade: é tratá-la como se fosse uma história (estória).
Há o espaço para a subjectividade da interpretação daquilo que é: será um sucesso ter apenas o número de vítimas mortais registado oficialmente, ou será um desastre termos todos estes falecidos contabilizados? Seguramente haverá uma narrativamente para as posições, assim como inúmeras outras para outras posições intermédias ou mais extremadas. Mas o ponto é esse: mesmo em face do mesmo, é uma posição sobre o que significa.
Donde, como sugestão de resolução deste profundo dilema: se fizer sentido, basta substituir a palavra "narrativa" por "opinião", "teoria" ou "hipótese". Porque, normalmente, não é mais do que isso: é uma forma de ver e interpretar a realidade. Certo que, em alguns casos, estamos claramente no campo daquela ficção das história (estórias): por exemplo, no que concerne à hipótese/teoria/opinião que defende que a Terra é plana. Excluindo esses casos da mais obtusa negação da realidade, a troca parece funcionar bem.
sexta-feira, 17 de abril de 2020
Infinitivar
Realçar que não é o único, é uma prática que se verifica em diferentes contextos,
Acrescentar que é bastante recorrente notório na televisão, nos telejornais, especialmente nos casos de jornalistas que fazem directos.
Indicar que não dei conta quando quando começou.
Agradecer ao Ricardo Araújo Pereira, que foi quem me despertou para o fenómeno, referindo-se às pessoas que dizem frases que podem, genericamente, começar com a expressão "grande chefe índio"
Expressar, nesta fase, alguma incompreensão: a que se deve esta renitência em conjugar verbos? Tratar-se-á de uma moda que ninguém sabe de onde brotou? Será, pura e simplesmente, preguiça?
Enfatizar que é um hábito um bocado ridículo.
Pedir que parem com esta parvoíce e voltem a conjugar.
