terça-feira, 20 de maio de 2014

Não vi nada desta temporada de terra batida até agora mas, mesmo assim, comento.

Nem que seja para dizer que, em matéria de resultados, esta é a pior temporada dos últimos 7, 8 anos do Nadal. Conseguiu apenas ganhar em Madrid, torneio ao qual faltaram uns quantos nomes, e contra um Nishikori aleijado na final. Pelo que me contaram – lá está, não vi – em condições normais nem essa taça teria levantado.

A somar à má temporada (para os seus próprios padrões) do Nadal, o Djokovic está às escuras este ano, não ganhou na Austrália onde parecia ter um lugar cativo no pódio. A vontade de ganhar em Paris – que já existia porque é o Slam que lhe falta, pese embora o discurso da não obcecação – fica ainda mais espicaçada. E com o maior rival abaixo de par, Nole já deve ter feito todas as contas de cabeça possíveis e imaginárias e deve ter percebido que esta parece ser uma excelente oportunidade – a melhor dos últimos 7, 8 anos – para finalmente levar para casa a Taça dos Mosqueteiros.

Esta pode ser uma mudança de ciclo, um virar de página. Pode também ser uma das edições do Roland Garros mais interessantes dos últimos anos porque parece mais aberta, sem vencedores quasi-pré-determinados.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Molas ou espuma?

Mostro à funcionária qual é a cama em que estou interessado. Discutimos dimensões, preços, condições de entrega e desconto de pronto pagamento. Escreve-me num papel as informações todas, inclui também as relativas à pequena mesa-de-cabeceira ao lado. E depois pergunta-me
E colchões?
ao que eu respondo que sim, também quero saber sobre colchões e quero levar comigo os elementos para depois tomar uma decisão. E é aqui que diz pela primeira vez
Vamos então ver colchões para esta situação.
Há-de repetir esta frase
(ou parecida, por exemplo)
(Temos também este colchão para esta situação.)
umas duas, três vezes mais no decurso da nossa conversa e, em todas elas, consegui - não sem algum esforço - reprimir a minha vontade de explorar o assunto em detalhe. Por exemplo
Olhe que eu ia jurar que não se trata de uma situação, mas sim de uma cama
Ou
Esta situação é complicada/bicuda
A ciência foi a grande prejudicada.

domingo, 18 de maio de 2014

sábado, 17 de maio de 2014

Febo Moniz editada

Ainda estou à espera que chegue à minha caixa de correio

«O significado político, mas também ético, sociológico e filosófico, da ideia principal do livro de Piketty é, por conseguinte, óbvio: se o capitalismo tende a ser patrimonial e a gerar uma sociedade de herdeiros extremamente desigual, então o capitalismo tende a ser tudo menos uma meritocracia, o capitalismo tende a distribuir a riqueza e o rendimento de uma forma que é intrinsecamente (ou sistemicamente) injusta, toda a sociedade capitalista tende a ser uma plutocracia e a tornar-se materialmente incompatível com a democracia (mesmo que, formalmente, não se verifique tal incompatibilidade).

Portanto, o problema, da perspectiva de Piketty, é muito claro: (1) não há uma alternativa credível ao capitalismo, (2) o capitalismo é, na verdade, um factor de desenvolvimento e criação de riqueza, mas (3) só proporciona taxas elevadas de crescimento económico em períodos de recuperação (“catching up”, “rattrapage”) e/ ou de grande crescimento populacional e inovação tecnológica — por isso, (4) no momento actual está plenamente instalada a dinâmica patrimonial do r > g e (5), se nada de radical for feito nos próximos anos, é só uma questão de tempo até voltarmos a ter, nos países mais desenvolvidos, níveis de desigualdade tão grotescos, injustos, anti-democráticos e auto-destrutivos como os da Belle Époque.»

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Frame

A quantidade de vezes que dei por mim a olhar para algo que me apetecia imenso fotografar e não tinha como é ridícula. E, ainda assim, nunca me consegui convencer a andar constantemente acompanhado de uma máquina fotográfica, como as pessoas que tiram fotos a sério. As máquina reflex são pesadas, desconfortáveis, chatas de transportar.

O mais estranho é nunca me ter ocorrido que um smartphone pudesse, em larga medida, solucionar esta lacuna. Talvez por ter um dumbphone, não tinha noção de como um telefone decente ajuda imenso nessas circunstâncias. Os recursos e as possibilidades não serão tantos como os de uma máquina a sério, a qualidade não é a mesma. Mas o sentido de oportunidade é irreprimível: o telefone está sempre connosco, quase nunca nos larga. E, por isso, deu-me (incutiu-me?) a disciplina que não tinha.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Don't talk shop

«One of the major difficulties Trillian experienced in her relationship with Zaphod was learning to distinguish between him pretending to be stupid just to get people off their guar, pretending to be stupid because he couldn’t be bothered to think and wanted someone else to do it for him, pretending to be outrageously stupid to hide the fact that he actually didn’t understand what was going on, and really being genuinely stupid. He was renowned for being amazingly clever and quite clearly so – but not all the time, which obviously worried him, hence the act. He preferred people to be puzzled rather than contemptuous. This above all appeared to Trillian to be genuinely stupid, but she could no longer be bothered to argue about it.»

The hitchhikers’ guide to the galaxy, Douglas Adams

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Tenho uma dificuldade enorme em interpretar números de telefone quando estão arrumados em grupos de três.

Não que não faça sentido: é lógico agrupar em três, fica perfeitinho porque são nove no total. O problema, como na maior dos traumas, vem de infância. Ainda antes de os números necessitarem do 21 inicial (e similares de rede fixa), ou o 91, 96 ou 93, os três primeiros algarismos tinham um significado para mim. Na zona do Estoril – Estoril Estoril, São João e São Pedro – havia os 466, 467 ou 468. Os meus pais ainda hoje têm um 468. Uma namorada do liceu – ou melhor, os pais dela – tinha um 466. E havia uma daquelas brincadeirinhas de recreio prontas a ser ditas quando alguém dizia que o seu número começava por 467: 467 tira tira mete mete. Já os 486, por exemplo, eram números de Cascais. Os 476 eram da Parede. A minha avó, que morava em Lisboa, tinha um número que começava por 849. Era como se os três primeiros algarismos parcialmente apresentassem ou dissessem qualquer coisa sobre a pessoa com quem íamos falar.

De maneiras que me habituei a estar forma. A minha cabeça ficou formatada assim. Quando hoje em dia me dizem 218 XXX XXX, confesso que ainda fico um pouco baralhado: fico instintivamente à espera dos dois primeiros algarismos do segundo bloco para os juntar ao último do primeiro bloco e tentar tirar algum significado da sua junção. Normalmente em vão.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Blooper

Disse-lhe que esquecesse tudo. Pediu-lhe que esquecesse tudo. Que não pensasse mais no assunto, ignorasse tudo, apagasse tudo, como se nada fosse, como se nunca tivesse existido.
Não podia: só se pode esquecer o que se conhece.

terça-feira, 6 de maio de 2014

domingo, 4 de maio de 2014

Lachate mi ballare

As expressões baby steps, giant steps, step by step e stepwise approach atingem o seu expoente no contexto da dança.

sábado, 3 de maio de 2014

Dumbster

«One of the major difficulties Trillian experienced in her relationship with Zaphod was learning to distinguish between him pretending to be stupid just to get people off their guar, pretending to be stupid because he couldn’t be bothered to think and wanted someone else to do it for him, pretending to be outrageously stupid to hide the fact that he actually didn’t understand what was going on, and really being genuinely stupid. He was renowned for being amazingly clever and quite clearly so – but not all the time, which obviously worried him, hence the act. He preferred people to be puzzled rather than contemptuous. This above all appeared to Trillian to be genuinely stupid, but she could no longer be bothered to argue about it.»

The hitchhikers’ guide to the galaxy, Douglas Adams

sexta-feira, 2 de maio de 2014

I have days

Põe-me o computador à frente da cara, a homepage do facebook aberta e antes que me desse tempo para terminar o que estava a fazer, começa a falar, a dizer qualquer coisa sobre uma frase e sobre “gostos”. Demoro uns instantes a processar até que
Ah, precisas que te façam likes, é isso?
Responde-me um sim, tímido, com um sorriso a aparecer. Acedo e dá-me duas hipóteses: ou faço login no computador dele ou ele envia-me uma mensagem com o link. Escolho a segunda opção e enquanto me procura pela lista enorme de pessoas com o nome igual ou parecido ao meu, pergunto-lhe qual o objectivo.
É para ser apanha-bolas na final da Liga dos Campeões.
Fico com ainda mais vontade de ajudar o miúdo que entretanto já me encontrou e já está a preparar a mensagem. Mas quantos likes é que precisas? Cerca de quatrocentos responde-me ele.
Então mas os teus amigos não chegam para isso?
Aparentemente não, ainda não tem os que precisa e daí esta abordagem. Necessidade a quanto obrigas. Agradece-me enquanto se afasta. Daí a alguns minutos, quando pego no telefone para responder ao pedido, verifico que não tenho nenhuma mensagem.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

A partir de agora e de vez em quando

também aqui.

É fazer as contas

Não somos os únicos a ter problemas com a matemática. Os italianos também não aparentam ser uns barras. Senão veja-se a política de preços da Panini para a colecção do mundial do Brasil. Uma caderneta nova é vendida juntamente com dez saquetas de cinco cromos por 4 euros e 90 cêntimos. As mesmas dez saquetas sem a caderneta saem a 60 cêntimos cada.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Canarinho

Um francês de meia-idade apaixonou-se e casou-se com uma jovem chinesa. E então dizia aos amigos que a mulher dele era uma jaune fille.

sábado, 26 de abril de 2014

By all means

O que é que eu te digo?
Não sei, a sério que não sei. Não tenho palavras. Ter até tenho mas não são as que procuro, não são as que quero, não são as que vão funcionar fazer a diferença. Não sou capaz de dizer aquilo que não é. Por muito perto que possa estar daquilo que é, a uma distância curta, mesmo lá ao lado, marginal. Mas se não é, não te o posso dizer e
A sério, o que é que eu te digo?
Nada de isto me ajuda. Nada de isto me esclarece. Nada de isto vai dar qualquer resultado que seja, que se veja, que se sinta. Que se queira. No final, depois de tudo esgotado, depois da falta de alternativas, da poeira assentada, o vazio. E, no meio desse nada todo
Afinal, o que é que eu te digo?

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Em frente à Alfredo da Costa, bastante apropriado.

Enquanto espero em frente ao semáforo, o movimento à minha direita faz-me despertar o olhar. Uma mãe passeia com o filho. Com uma particularidade: segura na mão a ponta de uma trela. A fita amarelada vai da mão dela até às costas do miúdo, presa a uma estrutura que lhe cobre o torso, passando por debaixo dos braços. Como as trelas dos cães, daqueles de maior porte ou mais irrequietos, para os quais não chega apenas uma coleira à volta do pescoço, não vá o animal estrafegar-se.

Melhor: a mãe não passeia com o filho, a mãe passeia o filho.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Posição

Ao contrário de outras áreas, dizer que se é um zero à esquerda em política é uma afirmação de posicionamento.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Lais de guia

Os parceiros ideais para praticantes de bondage são marinheiros, seguidos de muito perto por escoteiros.

domingo, 20 de abril de 2014

Construção fantasma

Sou fã do Top Gear, o programa de automóveis da BBC. Gosto particularmente do sentido de humor e da irreverência: o programa é bastante divertido e os veículos são apenas um elemento ao serviço da paródia. Entre outras rubricas, os episódios têm normalmente uma reportagem num qualquer lugar do mundo. Do Vietname ao deserto do Kalahari, do Japão ao Pólo Norte, meio mundo já foi palco das inúmeras aventuras e desventuras.

Uma destas reportagens mais curiosas tem lugar relativamente perto de nós, já aqui ao lado em Espanha: munidos de brutos carrões, os três apresentadores partem de Gibraltar com o objectivo de chegar a Madrid. Muito do que se passa neste percurso é um retrato interessante dos anos de construção desenfreada e da febre do imobiliário em Espanha.

O primeiro contacto com essa realidade acontece quando resolvem entrar numa povoação à procura de um café para fazer uma pausa. O que vislumbram deixa-os de boca aberta: a povoação está completamente deserta. Blocos de apartamentos novos sucedem-se, casas umas atrás das outras e não se vê vivalma. As infraestruturas públicas necessárias – ruas, iluminação, passadeiras – estão todas preparadas e, no entanto, não há rigorosamente ninguém nas ruas. Um dos apresentadores siderado diz: «quando ouvimos falar destas cidades fantasma pensamos que não existem realmente».

A viagem prossegue numa auto-estrada praticamente deserta. Mais perto de Madrid, surge uma indicação de um aeroporto e seguem-na. Novamente são confrontados com uma imagem desoladora. Os parques de estacionamento, os terminais, tudo vazio. Entram no edifício, brincam com os monitores dos balcões de check-in, com as casinhotas dos seguranças, fazem corridas com cadeiras de rodas. E depois fazem-se à pista, em pulgas, como miúdos de volta das prendas na véspera de Natal. O objectivo é atingir a velocidade máxima dos seus carros na longa faixa de alcatrão em linha recta que têm à sua total disposição.

Com vontade de saber mais qualquer coisa por detrás deste verdadeiro elefante branco fiz uma busca na internet. O aeroporto em causa fica em Ciudad Real, localizada a cerca de 160 quilómetros de Madrid e com uma população a rondar os 70 mil habitantes. Foi nesta localidade que foi decidido construir um aeroporto projectado para dez milhões de passageiros por ano. Tem uma pista de quatro quilómetros, comprimento suficiente para aterrar o enorme Airbus A380. Abriu em 2009 e fechou em 2011. Está neste momento a ser leiloado por cerca de 100 milhões de euro. A construção rondou os 1000 milhões. Pior: este não é o único aeroporto espanhol em condições semelhantes.

Ao acabar o dia, com os três apresentadores de volta aos respectivos carros, surge a maior caricatura de todas: um deles sugere que, ao invés de procurar um hotel onde passar a noite, porque não pura e simplesmente usar uma das casas vazias? A sugestão é aceite. Percorrem novamente as ruas completamente desertas em busca daquela que gostam mais. A reportagem termina com uma paella ao lume num fogão improvisado e uma discussão acesa sobre qual dos carros é o melhor.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Ihre Meinung ist uns wichtig

«E a angústia que se palpava por baixo da alegria. Isto, de criar, palavra de honra que é muito difícil, mas é a única forma de as dores secretas abrandarem. E então fingimos que não há nada e continua-se. O que custa um livro, o que deve custar um desenho, um simples traço até. Porém é um tormento que equilibra e igualmente, em certas alturas, um júbilo indizível. Felizmente que ando com um livro, numa altura em que a minha relação comigo me tem feito sofrer, por razões que não interessam aos outros. A minha mãe era eu pequeno
- Nasceste com tudo e nunca estás satisfeito
e tem razão senhora: a minha sede é inextinguível. Pergunto-me se alguma vez descobri, dentro de mim, um oásis de paz. Acho que sim e todavia a inquietação.
(sei lá definir o que é)
esporeia-me sempre. Não se preocupem
(quem não se preocuparia, de resto?)
cá vou.»

Quinto livro de crónicas, António Lobo Antunes

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Spring joy

Pode-se avisar alguém mas não se pode sobreavisar. No entanto, é possível ficar de sobreaviso, mesmo sem ter sido sobreavisado. Já ficar de subaviso é, aparentemente, impossível.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Balouço

Pede-nos para tocar de uma forma mais solta, com menos apoios, menos referências. Arriscando mais. A probabilidade de correr mal é maior: é preciso muito controle, noção de tempo, estrutura. E comunicação. Perceber quando não estamos todos no mesmo sítio, perceber qual a melhor forma de nos voltarmos a encontrar. Não podemos concentrar-nos apenas no que estamos a fazer, é um exemplo de como ser um bom ouvinte é importante. E depois chama a isto tudo que acabou de nos explicar swing aberto. Olhamos uns para os outros com um sorriso nos lábios: como será o swing fechado?

domingo, 13 de abril de 2014

Acima da linha

Considerava-se mais inteligente que os demais mas também modesto. E então não achava que os outros eram atrasados mentais: ele é que era um avançado mental.

sábado, 12 de abril de 2014

Escafedeu

Há Vila Nova e Vila Velha. Há Vila Pouca mas não há Vila Muita. Também há Vila Seca mas Molhada não.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Bengala

Explico-lhe a diferença das cordas flat wound nos sons graves, fica mais cheio, o feel é diferente, com menos ataque das cordas normais, fica mais cool. Parece quase um baixo. Isso deve ser bom para o walking bass. O único problema é que o meu é mais limping bass.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Auto-inflingido

Digo-lhe que não durmo sestas: acordo sempre enresinado de uma sesta. Fico chato. Chato como a potassa. Tão chato que não chateio só os outros, chateio-me a mim mesmo.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Overshoot

É interessante como um pequeno acréscimo de religiosidade (ou entrega à vida espiritual) numa pessoa pode fazer a diferença entre ter uma data de filhos ou não ter rigorosamente nenhum. Aliás, nem sequer praticar actos conducentes a vir a ter um (pelo menos de forma assumida).

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Jumping base

O abraço é, em latitutes mais elevadas, a forma de cumprimento banal quando um membro do sexo feminino está envolvido; ao contrário, um, dois, três ou qualquer outra combinação de beijos menos usual. Para nós é ao contrário - dois beijinhos é standard e o abraço reservado para significados maiores. Parece-me sempre estranho quando sou abraçado (e aguardo sempre a iniciativa alheia para não meter a pata na poça) de forma não-significativa (pelo menos para mim) e o protocolo estipula que não há beijinhos pelo meio: é como se houvesse um saltar de etapas.

domingo, 6 de abril de 2014

Omo

«Uma biografia autêntica tem que ter as páginas em branco. Muitas páginas em branco. Todas as páginas em branco. Depois a gente lê o branco muito devagarinho e com muito cuidado e tudo quanto lá está, percebemos então, é verdade.»

Quinto livro de crónicas, António Lobo Antunes

sábado, 5 de abril de 2014

Choque frontal

Hoje em dia publicam-se essencialmente dois tipos de livros totalmente antagónicos: de receitas e de dietas.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Smithwick's pale ale

É só quando vejo o início
no fim?
num dos extremos da O’Connell que percebo onde estou. As ruas de casas pequenas, escuras e com portas coloridas sucedem-se, umas atrás das outras, dificultam a minha tarefa de localização. O autocarro desce a avenida cheia de gente, passa pelo Spire, segue até
ao fim, início?
e atravessa a ponte sobre o Liffey onde punha os olhos todos os dias de manhã ao acordar e à noite antes de ir para a cama. Segue até não poder mais, segue até ter que virar à direita no Doyle’s e começar a ladear o muro, em direcção à Dame Street.
O portão, a entrada principal ficam nas minhas costas, a loja da
Abercrombie and Fitch?
onde costumavam estar os miúdos feitos modelos com as miúdas histéricas à porta. Vira à esquerda no Mercantile. E depois é sempre a ir na direcção sul. Até entrar na Camden Road
Street?
Nunca sei qual delas é, nunca sei se é rua se é estrada, e tinha tido o mesmo problema ao comprar o bilhete, disse um deles ao motorista e ele ficou a olhar para mim sem reconhecer
Ou a não querer reconhecer
a encolher os ombros como se lhe tivesse dito Rua de Benfica em vez de Estrada de Benfica ou Rua Fontes Pereira de Melo em vez de dizer Avenida Fontes Pereira de Melo. Corrijo para a outra única hipótese possível e de imediato reconhece
Three euro five cents please
Passamos o Wheelan's e pouco depois estamos a entrar na Harcourt Road, o autocarro não desce mais a Camden
Road, Street?
Dá a volta e cruza novamente e é aqui que tenho de sair.

segunda-feira, 31 de março de 2014

L'hiver c'est les autres

Inverno e inferno confundem-se. Especialmente para quem tenha nascido numa língua germânica, onde o som do “v” é o do “f” – tive um professor que, mesmo depois de se esforçar para não cometer o erro, pedia vacas quando faltavam talheres nas mesas de restaurantes. Para quem tenha nascido numa língua latina é só mesmo porque a chuva já irrita.

domingo, 30 de março de 2014

Rules of engagement

Foi quando se apercebeu que até para quebrar regras é preciso regras que percebeu que não existe quebrar regras.

sábado, 29 de março de 2014

Já escrevi isto amanhã

Estou a ler o quinto livro de crónicas do António Lobo Antunes antes de ler o quarto (vá-se lá saber). Mas já ouvi o quarto livro pela voz do próprio escritor - traz um CD oferta com algumas crónicas lidas por ele. Dez faixas de cinco, seis, sete minutos. É uma sensação estranha ter o "senhor" António a ler-me e a ler-se ao mesmo tempo (ler-me-se? ler-se-me?).

sexta-feira, 28 de março de 2014

Hexagonal

«O Júlio começa sempre os telefonemas da mesma maneira
- Como estás tu?
ou seja, a pergunta mais difícil de responder que conheço. Nunca sei como estou. Estou hexagonal. Estou cor de laranja. Estou chato como a potassa para mim mesmo. Faz-me uma pergunta menos complicada, Júlio.»

Quinto livro de crónicas, António Lobo Antunes

quarta-feira, 26 de março de 2014

terça-feira, 25 de março de 2014

Rien ne va plus

Era extremamente educado e delicado com toda a gente. Demasiado até, de uma forma quase pegajosa. Não era obviamente porque respeitasse os outros a esse ponto. Nada disso. Tinha uma visão pragmática das boas maneiras, via-as como uma ferramenta, um instrumento – afinal, a cordialidade facilita a vida, o dia-a-dia. E, nesse sentido, essa educação e essa delicadeza eram, no fundo, um profundo desrespeito.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Perguntam-me se me dói o dente e a verdade é que não sei dar uma resposta decente.

Em rigor, o dente não me dói. Em rigor, o dente não me pode doer porque ele já não existe. E, no entanto, doer doer, até me dói. Qualquer coisa. Pareço aquelas pessoas que, depois de amputadas, continuam a sentir – e a ter dores – no zona onde estava o membro que perderam. Dores do membro fantasma. É isso, tenho um dente fantasma. E anos de terapia pela frente.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Ou está sentado à secretária ou à entrada a fumar um cigarro logo de manhã.

Tem sempre uma cara carregada. Passo por ele – sou sempre eu que passo por ele, está sempre antes de mim – e cumprimento-o. Às vezes demora um pouco mas responde sempre com um bom dia longo, com os i’s arrastados pela voz de fumador
Bom diiiiiia
que soa tremendamente forçado. Às vezes apetece-me não lhe dizer nada – acho que gostaria não ter que responder a mais outra pessoa, deve passar a manhã toda a dizer
Bom diiiiiia
Percebo que não tenha vontade de dizer mais uma vez. Mas se não o fizesse seria eu o mal-educado que não fala às pessoas. Depois imagino se, não situação contrária, me pouparia de ter que lhe responder, assumindo o ónus da má-criação. E acabo a pensar na forma como digo bom dia.

terça-feira, 18 de março de 2014

sábado, 15 de março de 2014

Voice leading

Escreve cor com acento circunflexo
Côr
Em maiúsculas
CÔR
Escreve sempre em maiúsculas, uma caneta velha e suja, um bocado de papel que improvisou. Escreve de uma forma esquemática, com muitas alíneas e pontos e setas. Fala de notas estáveis e das extensões
Daí a cor
E de repente só consigo pensar naquele acento circunflexo que serve para distinguir duas palavras, dois significados diferentes, aquela em que ele estava a pensar – cor de cromático – e a que vem de coração, por exemplo
Saber de cor
Que no fundo pronunciamos
Cór
Mas também se escreve sem este acento. E de repente estou a pensar se também escreverá este acento, deveria usar se usa o circunflexo no outro caso. E imagino-o a escrever também essa palavra, também em maiúsculas com uma caneta velha e suja num bocado de papel improvisado.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Bula

Pode ser papal ou vir dentro das caixas dos medicamentos. Das duas uma: ou tomar os medicamentos implica fé ou a fé tem uma componente terapêutica.

terça-feira, 11 de março de 2014

C'est qu'ils sont fous, ces romains

É difícil de perceber como é que os italianos conseguem comunicar entre si usando um telefone – con le mani, já dizia o outro. Videochamada, facetime, tudo invenções de enorme valor acrescentado.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Anleitungen

Explica a um amigo comum como costuma escrever textos. Tem o método perfeitamente estruturado, escalpelizado na cabeça, um processo de quatro fases (acho que eram quatro). Acrescenta
O Daniel também deve saber
E eu quase não digo nada senão
Depende
mas não preciso concretizar porque de seguida começa a descrevê-los sucintamente e a conversa segue para outro rumo.
E eu fico a pensar como não tenho processo. Ou melhor, tenho mas são tão distintos.

Há uns que começam só por ter a primeira frase. E depois vão prosseguindo, ganhando estrutura à medida que são escritos, ganhando vida à medida que me explicam qual é a estrutura que devem ter. Há outros que começam pela punchline e aí é preciso andar para trás, é preciso mostrar ao texto qual a estrutura que ele deve ter, como é que deve crescer. É quase como reverse engineering, por forma a chegar ao início que dá origem àquele final que queremos.

Há uns que saem bem, perfeitos, em cinco minutos e que quanto mais tempo se perde com eles pior é: quanto menos intervenção, melhor. E outros que levam anos (décadas!) a ser escritos: de cada vez que se abre o ficheiro acrescenta-se qualquer coisa, por muito pequena que seja, e mesmo assim não chega, e mesmo assim não é ainda aquilo.
Método? Não, métodos. Por exemplo, este texto é daqueles que tinha início e não tinha fim e que não saiu bem à primeira, precisou de alguns dias.

domingo, 9 de março de 2014

The whole nine yards

O aspirador sentia-se muito abaixo na hierarquia electrodoméstica. Achava que a sua função – sugar pó e porcaria e guardar tudo dentro de um saco – estava aquém do seu potencial. O aspirador aspirava a mais, tinha grandes aspirações.

quinta-feira, 6 de março de 2014

quarta-feira, 5 de março de 2014

Macacada

Não tenho nada contra a participação de pequenos países da Europa (ou qualquer outro continente) em competições desportivas. Já estamos habituados, por exemplo, a ver Andorra alinhar com professores e carteiros, São Marino também não é estreia e até o Liechtenstein devia estar na nossa memória pelas piores razões. Mas confesso que não consigo deixar de achar rebuscado ver Gibraltar no grupo D de apuramento para Europeu de 2016 em França. É claro que me podem responder que não é muito diferente das Ilhas Faroé que também por lá andam – e eu já tinha dado por isso em competições anteriores. O rochedo nunca tinha visto. Vai jogar com a Alemanha. Pena não ter calhado num grupo com a Espanha e a Inglaterra.

terça-feira, 4 de março de 2014

Não sabia que guardava isso tudo.

Não sabia que estava tudo dentro dele, algures, numa gaveta, num buraco. Sem dar por isso. Por isso no momento inicial em que, de repente, tudo começou a saltar cá para fora incontrolavelmente, ficou atónito. Uma surpresa. Primeiro não teve reacção. Depois reagiu tentado acabar rapidamente, bruscamente. Ficou incomodado, ficou quase chateado por não conseguir pôr um fim àquilo, por não conseguir fechar novamente a porta e pôr as coisas no lugar devido, na tal gaveta, no tal buraco e regressar ao normal. Como se quisesse varrer todo o lixo novamente para debaixo do tapete de onde tinha saído. Deu por si envergonhado: viu-se exposto, aberto, retalhado. Translúcido. Imaginava os outros a olhar para si – a olhar através de si – a verem tudo e, ao mesmo tempo fingindo, à sua frente, não ver nada. E depois comentando uns com os outros nas suas costas. E então já não valia a pena, deixou a frustração instalar-se progressivamente. A irritação essa ganhou uma forma diferente: uma irritação surda e rancorosa. Uma irritação que guardou só para si – numa gaveta num buraco. Sem dar por isso.

segunda-feira, 3 de março de 2014

O comer e o coçar está no começar

Agassi tem um sorriso enorme estampado na cara. Não esconde.
I’m so excited I’m winning!
Sampras sorri desarmado, inclinado para a frente na posição de receber o serviço. O púbico ri. O comentador engana-se, jogaram em 2001 no US Open mas pela última vez num grande Grand Slam foi a final do ano seguinte que o Sampras ganhou – que forma de arrumar a raquete! O Agassi acrescenta
15 years too late
Está a arredondar.

Print screen

O mundo está dividido entre quem diz “de vez e quando” e “de quando em vez”.

sábado, 1 de março de 2014

Em seara alheia

O mais difícil de admitir não são as nossas mentiras. São as nossas verdades.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Our man in Havana

A minha proposta de palavra nova: “jão”. Significa “já não” e nasceu fortuitamente de um typo. De onde se pode concluir que um “typo” é uma espécie de sexo desprotegido da dactilografia.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

21 anos

Aprendi com o meu avô a gostar de alguns dos grandes campeões do atletismo. Lembro-me de ver com ele o Sotomayor saltar. Lembro-me da final de salto em comprimento mítica que terminou com o Carl Lewis a perder para o recorde do mundo do Mike Powell. E lembro-me do Sergey Bubka quase bocejar enquanto esperava que toda a concorrência fosse eliminada e depois pedir para subir a fasquia uns bons centímetros. Era então que finalmente começava o verdadeiro campeonato que contava só com ele e o recorde do mundo, que várias vezes foi seu – superava-se a ele próprio sucessiva e constantemente.

Há dias, em Donetsk na Ucrânia, um francês chamado Renaud Lavillenie finalmente bateu os 6m15 (indoor) de Bubka por um centímetro. Vinte e um anos durou o recorde do ucraniano que estava na bancada a assistir à prova e desceu à pista para cumprimentar e tirar uma fotografia com o novo recordista.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Row the boat ashore

Uma reportagem na televisão fala sobre o desaparecimento do deposto presidente ucraniano Yanukovich. Segundo o que apuraram, terá saído de Kiev numa coluna militar com destino à cidade de Sevastopol na península da Crimeia, local onde se encontra um grande contingente da marinha russa. Daí terá seguido a bordo de um navio russo para parte incerta (Rússia).

É caso para dizer que foi de barco.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Begrenzend

Há dias vi uma Ted talk sobre amor, paixão, traição, etc. A oradora relacionou a paixão com droga – aparentemente as mesmas regiões cerebrais são activadas quando estamos apaixonados e quando consumimos substâncias que causam dependência e há uma qualquer reacção química da qual eu obviamente não me lembro suficientemente bem para a reproduzir aqui novamente (assumindo que alguma vez a entendi). Being in love is addictive. Esta semana a capa da revista do Expresso é sobre dependência do açúcar: “o consumo excessivo está a tornar-se um caso de saúde pública.”. Quando não há inventa-se, pensei enquanto dei mais uma garfada num bolo brigadeiro. Por momentos apeteceu-me acender um cigarro, nem que fosse só para chatear.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

À minha frente estão duas senhoras de alguma idade.

Daquelas que vão às compras com carrinhos de rodas pequeninas para transportarem as coisas mais facilmente para casa. A primeira já acabou de arrumar tudo, já pagou. Passa por detrás da estrutura para onde escorregam as coisas que compramos antes de as enfiarmos nos sacos e vai cumprimentar a rapariguinha que se senta de frente para a caixa e para o tapete rolante preto. Deseja-lhe as maiores felicidades, que corra tudo bem. A menina sorri o que pode – seja o que for, não está manifestamente contente.
Recomeça o processo, as compras da senhora que está imediatamente antes de mim na caixa começam a ser processadas, vasculhadas em busca dos códigos e de barras que apitam quando passam em frente à menina da caixa, escorregam para aquela estrutura onde ela espera com o saco de tecido que trouxe de casa – esta não tem carrinho de duas rodas pequeninas. Quando chega ao fim, depois de anunciado o preço total, depois de pago o preço total, a menina volta a despedir-se.
A partir de amanhã não estou aqui.
A senhora faz um ar um pouco espantado, a menina explica que vai para outro sítio, que a colocaram noutra loja.
Eles também agora passam a vida a fazer-vos mudar de um lado para o outro.
E a menina diz-lhe que já estava nesta loja há quatro anos.
Entretanto as minhas compras começam a avançar, começam a apitar e ela diz-me o bom dia que diz a toda a gente, pergunta-me
Vai desejar saco?
o saco que oferece a toda a gente e
Tem poupa mais?
que deve ser um daqueles cartões que todos supermercados têm e eu, calculando que seja isso, digo que não, não tenho, e a senhora ainda está na estrutura onde se arrumam as compras, ainda não processou tudo, ainda tem coisas para lhe dizer, que corra bem e sobretudo que tenha saúde
O mais importante é a saúde.
A menina agradece com o mesmo sorriso forçado, dorido porque ela não está contente e aparentemente preferiria ficar naquela loja onde já está há quatro anos e não ir para outra, como lhe mandaram. Despede-se da senhora, passa os restantes artigos e diz-me
São dezasseis euros e vinte e seis cêntimos por favor.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A minha avó não gostava de Fórmula 1.

Nunca a censurei por isso, nunca morri de amores por desportos motorizados. Mas tínhamos razões diferentes: enquanto eu, pura e simplesmente, os acho monótonos, ela escandalizava-se. Que era um desperdício de gasolina, que está tão cara e qualquer dia não há mais.

Deviam acabar com estas corridas, era com isso e com as missões espaciais, a NASA, essas coisas. Há pessoas a morrer à fome.
E depois rematava com uma cara indignadíssima
Resolvam primeiro os problemas na terra.

Tentei explicar-lhe que, por exemplo, ir de férias para o Algarve de carro também gasta combustível e não é nada que se possa considerar verdadeiramente fundamental para a Humanidade. Que ir ao cabeleireiro ou encher-se de laca todos os dias de manhã pode ser algo extremamente irritante para quem morre à fome em África (para além de que o ozono não gosta).

Perdi. Nunca lhe consegui explicar que há coisas mais importantes que o discurso do “há coisas mais importantes”.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

28 dias

O mês de Fevereiro em convalescença: na primeira metade sem conseguir mastigar; na segunda a assoar-me.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Por lo tanto

«Quem não tem passado não pode ser responsabilizado. O que se perde em amnésia ganha-se em amnistia.»

O outro pé da sereia, Mia Couto

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Does Phil feel lucky?

Já vi imensas vezes o Groundhog Day, conheço uma data de cenas e falas de cor (today is tomorrow). Ainda assim, sempre que tropeço nele, não resisto a mais um déjà vu (all the time).

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Este Papa é uma espécie de Obama do Vaticano.

O problema dos Obamas desta vida é duplo: (i) a quantidade de expectativas que lhes são depositadas vs (ii) a possibilidade de efectivamente operar mudanças significativas. Entre as palavras dos discursos e os actos está toda uma estrutura, cultura, etc., e remar contra a maré, para além de cansativo, é ingrato. Na prática, podem acabar por fazer pouco mais do que faria uma figura menos forte e cativante. A diferença é que o resultado parecerá ficar sempre aquém na medida de (i).

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Global campfire

Os franceses falam muito em chiffres d’affaires. Faz sentido, os chifres normalmente estão associados a affaires.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Recalibrar

O meu outono/inverno imediatamente antes deste foi passado maior latitude, num sítio onde chove imenso. Não faz muito frio, praticamente não neva, mas a humidade é sempre elevada. Habituei-me à ideia de que a chuva e o vento são dois fenómenos quase sempre presentes e que não há muito que se possa fazer. Nem sequer vale a pena usar um chapéu-de-chuva porque a estrutura não sobrevive ao vento.

Curiosamente, vivi bem. Adaptei-me sem nenhum problema. Não passei os dias a suspirar por um bocadinho de sol embora, sempre que ele timidamente surgia, tentasse aproveitar.

Algumas semanas chuvosas em Lisboa e estou saturado. Queixo-me. Abro o site do IPMA praticamente todos os dias para ver quando os bonequinhos das nuvens (finalmente!) desaparecem (ainda não foi hoje). Esta cidade torna-nos muito exigentes: o sol é um direito adquirido dos lisboetas e ai de quem os tente privar dos raios.