segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Sobre ir ao ginásio

Ouvir música associada a noites de sexta e sábado às oito da manhã de um dia de semana.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Any given Sunday (afternoon)

A SIC tem um programa chamado "Portugal em festa". Começa às 14h e termina às 20h. A TVI tem um que se chama "Somos Portugal". Das 13h58 às 20h.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Nota-se logo quando alguém é filho único

diz em resposta à senhora que afirma a sua vontade de ter um segundo filho, de como isso é importante para o primogénito.

Quando alguém tem características tipicamente associadas a filhos únicos – é mimado, egocêntrico, etc. – e (por acaso) é filho único, então o facto de não ter irmãos torna-se óbvio. Já as mesmas características em filhos não únicos não são nada óbvias.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Uneasy lies the head that wears a crown

Gosto de definir português como a língua do meu telemóvel mas o computador tem que estar em inglês.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Auto-justificativo

«Human beings are more rationalizing than rational»

Lesson Plan – the story of the Third Wave

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Tot

« - Tens medo de morrer?
- Não é morrer que me dói. O que me dá tristeza é ficar morto.»

O outro pé da sereia, Mia Couto

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Competência(s)

O Público tem um artigo sobre a Janet Yellen que assumiu ontem a presidência da Fed. Um dos parágrafos do artigo descreve o seu percurso profissional, consensualmente considerado ímpar para desempenhar o cargo. Curiosamente, no meio dos cargos que ocupou ao longo do seu percurso, vem a seguinte frase "É casada com o prémio Nobel da economia de 2001, George Akerlof.".

Tino

Arranquei um dente do siso e tenho o maxilar direito inferior inflamado. O resultado foi a minha transformação num verdadeiro menino bem: só consigo cumprimentar com um beijinho do lado esquerdo.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Já o era

A expressão “bem esgalhado” é ela própria aquilo que descreve: bem esgalhada.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Warm up

O Louis CK confessa a influência decisiva que o George Carlin teve para ele. Refere a frase, a piada brutalmente politicamente incorrecta com que abre este sketch sobre pessoas anti-aborto. Aliás, como abre um espetáculo inteiro. O Carlin deu-lhe a coragem para subir ao palco e dizer tudo o que lhe passasse pela cabeça, por maior barbaridade que fosse.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Quatro elementos

«O espanhol a cada momento do dia faz uma eliminatória mental. É este o segredo da felicidade cultural dele. Pergunta-se quatro coisas – se tem fome, se tem sede, se tem sono e se tem tesão. Dessas quatro, elimina as três que angariam uma resposta que seja claramente não. Ou seja: se não tem fome, nem sono, nem tesão – é porque tem sede, mesmo que não saiba. E vai beber. E faz bem e sente-se feliz uma hora depois. Se, passada essa hora, já não tem sede, continua a não ter tesão nem sono – é porque tem fome. E vai comer. Hora a hora, interroga-se. E opta sempre pela menos negativa, partindo do princípio básico que, das quatro coisas que uma pessoa pode ter, há sempre uma que não apetece tão pouco como as outras três. E é sempre essa que uma pessoa deve seguir.»

Explicações de português explicadas outra vez, Miguel Esteves Cardoso

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Axis

O primeiro kick é igual à palavra que acompanha – contém e coincide com raiva. A inveja vem logo a seguir. A finalizar o refrão, o kick mais forte: bold as love. E no meio, uma enchente de cor:

metallic purple armour
fiery green gown
blue are the life giving waters
happy turquoise armies
my red is so confident
orange is young
my yellow in this case is no so mellow

É isso, um rainbow like you.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Hats off

"It's not the moment to talk about that. It's the moment to congratulate Stan. He's playing unbelievable. He really deserved to win that title.

Tenho um suíço preferido novo

A prova de que esquerdas a uma mão não têm forçosamente que perder quando expostas a top spin. Pena o que aconteceu nesta final - só podemos falar num jogo normal até ao início do segundo set. O único a tirar disto é ficar contente pelo Stan(imal) que, de acordo com o Rafa, merecia. Vamos ver agora se aguenta o peso da fasquia.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Quando o pobre é grande, a esmola desconfia

- Were you mad?
- Maybe a little now that I think of it. I was mostly sad.
(…)
- Well, mad, sad… probably the same thing in the end.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Epidemiologia

"O Facebook deverá conhecer um declínio rápido nos próximos anos, diminuindo 20% face ao seu tamanho máximo até Dezembro de 2014", escrevem os autores do estudo. Segundo os investigadores, a rede social deverá perder "80% da sua base de utilizadores máxima entre 2015 e 2017".

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Aus Open

A Milka está a preparar uma edição especial de chocolates caso a final deste ano seja entre dois suíços.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

domingo, 19 de janeiro de 2014

As boxes estragam a minha experiência de ver televisão.

Gravar, voltar atrás, rever, etc., tudo funcionalidades que não se coadunam com a minha definição de ver televisão. A surpresa, a adrenalina de ligar o aparelho e tanto poder apreciar a oferta de um bom programa como apanhar a maior lixarada possível é um elemento fundamental. A roleta russa - e aqui a bala é o programa bom porque a probabilidade é menor - é o que me faz ligar o televisor.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Coisa

Não sei se sabes, não sei se te apercebeste que foi este o momento em que tudo terminou
Não tens medo de ficar sozinho?
Perguntaste e nesse momento deixei de ser eu, vi-me como um instrumento teu, passei a ser
Já era, não tinha era ainda percebido
um instrumento ao serviço do teu medo de ficar sozinha. Foi como se me matasses, transformando-me de pessoa em coisa. E com isso mataste-nos.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Sexta alemã

Pior que perceber que não podia ter o que queria foi perceber que não queria o que tinha.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Elementar

Nomes que constam da tabela periódica: Hélio, Arsénio, Germânio. Alcunhas: Estrôncio e Crómio.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Frescura

Uma imperial servida em copo gelado. Uma água das pedras, uma cola-cola com gelo e limão. Vinho branco, vinho verde a acompanhar umas gambas. Um apfelsaftschorle a borbulhar. Sumo de laranja, um ice tea de manga. Uma caipirinha, um mojito cheio de hortelã. Tudo isto – e mais algumas coisas do género – excepto água: detesto água fria.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Bundles of joy

Diz
É sangue do meu sangue
Com uma força, com uma autoridade, com se reclamasse para si a posse, como se reclamasse para si o poder. E eu só queria dizer-lhe
não sou sangue de ninguém
Só tenho um sangue e é todo meu, independentemente de onde venho, para onde vou
Sangue do meu sangue
Uma conquista, como se me fosses marcar com um ferro em brasa, como se fosse o cume de uma montanha onde pôr uma bandeira e reclamar a escalada
Sangue

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Ombros

Tycho Brahe foi o primeiro a impor rigor científico a observações de astros. A base de dados que compilou ao longo de décadas a olhar o céu a partir da ilha de Hven foi a pedra basilar do trabalho de astrónomos subsequentes, foi um dos ombros sob os quais personalidades como Kepler se apoiaram para ver mais longe.

E, no entanto, Brahe é terrivelmente desconhecido. Há quem diga que foi vítima do “presentismo”, ou seja, da falha de julgarmos o passado com o disposto mental do tempo em que vivemos: Brahe não era adepto da teoria heliocêntrica de Copérnico. Algo que nos parece inconcebível a nós, que estamos em cima de muito ombros que nos foram postos à disposição por séculos de evolução do conhecimento científico: à altura de Brahe seriamos uma excepção, uma minoria que se podia contar com os dedos de duas mãos.

É este o drama do astrónomo dinamarquês: acertou em quase tudo, em tudo excepto no aspecto imperdoável em que não podia falhar e na base do qual a História (injustamente?) o julgou.

(Um abraço ao A.J. Barros Veloso)

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Nelson

Todos estes livros, filmes sobre o Mandela. Imensa gente só mesmo à espera que ele morresse.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Sona

Narcisista, seria preciso muito para dar a mão à palmatória: o tipo de pessoa que acha que está sempre certo, que arranja sempre justificações externas para erros que são manifestamente seus. Embora tenha tentado, não conseguiu naquele caso: um erro tão gritante que não teve outra hipótese senão fazer um pedido de desculpas. Arrancado bem lá do fundo, a muito custo, como se tivesse uma arma apontada à cabeça, como se as palavras lhe queimassem a boca, a língua. Curiosamente, tudo isto – que deveria ter tornado todo o processo mais forte – acabou por enfraquece-lo. Não era suficiente. E então
Desculpe-me mas o posso desculpar.
Saiu da sala deixando para trás a cara crispada e silêncio forçado.

sábado, 4 de janeiro de 2014

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Estar nem aí

Ser blasé não é uma forma de estar na vida, é uma consequência dela. A indiferença, a fleuma, são fruto de excessos: no meio de tanta coisa, da abundância, o original é escasso, um animal em vias de extinção.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Às vezes

Só às vezes, não mais do que isso. Só mesmo de vez em quando. É suficiente, não é preciso mais. Só isso e nada mais. Só mesmo isso.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Vínculo

Pede-me desculpa por estar a incomodar, tocou à porta porque não consegue tirar o carro e diz-me
Não tenho vínculo
sem perceber que está a fazer uma misturada com português e alemão – vive há uma série de anos na Alemanha, o português dela já está impregnado de fragmentos germânicos. Está a transformar Winkel na palavra portuguesa mais próxima mas que não tem nada a ver com o que quer dizer. Brinco com ela
Sprichst du Portugiesch oder Deutsch?
Fica a olhar para mim, pergunta-me com um sorriso
O que é que eu disse?
Explico-lhe
O que querias dizer era ângulo.
e ri-se.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Buzón

Discutíamos a velha questão do
Já ninguém escreve cartas, já ninguém envia postais
E que é triste e por aí fora. A internet, o e-mail vieram mudar isto tudo.
Dantes as pessoas abriam a caixa do correio com alguma emoção, a surpresa de receber uma carta de alguém. Agora, abrir a caixa do correio é um exercício desprovido de interesse, é meramente algo que temos que fazer. Lá dentro estão as contas, as cartas do banco, a publicidade da Telepizza.
É isso, só recebemos o que não queremos.

domingo, 22 de dezembro de 2013

You make a everything, groovy

O final apoteótico (pirómano?) da actuação em Monterey tornou-se uma das imagens de marca de Jimi Hendrix. Foi também a porta de entrada nos Estados Unidos: até então só Londres lhe prestava atenção.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Detesto quando as pessoas se referem ao tempo que passam com os filhos como quality time.

Quer dizer, percebo a dificuldade e preocupação em ter tempo para os filhos. Mas tempo de qualidade parece trazer associada uma noção de eficiência em relação àquelas horas que se dispensam para os filhos que torna o conceito de imediato intragável.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O todo; a soma

«Father said a man is the sum of his misfortunes. One day you’d think misfortune would get tired, but then time is your misfortune Father said.»

The sound and the fury, William Faulkner

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Maturidade

O tempo médio entre publicar um texto e deixar de me identificar com ele andava na casa de alguns anos. Agora, alguns minutos.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A fotografia em cima do móvel da sala.

Dizes-me que és tu com alguma surpresa, estranheza por eu não ter percebido logo.
Mas não pareces tu.
Tens uma expressão na cara que não estou habituado a ver, não costuma estar nem ficar na tua cara. Nem sequer é uma daquelas expressões fugidias que fazemos apenas por breves instantes sem dar por isso, expressões que são apenas transitórias entre outras duas e de que às vezes as fotografias se apercebem e imortalizam e nos deixam a pensar como pode aquela cara ser nossa, já que a não reconhecemos. Não é nada disso, é uma expressão que nunca te vi de todo na cara.
Será doutro tempo, será doutra altura?
Imagino-te mais nova – eras mais nova seguramente. Tento imaginar o que poderá ter despoletado a tua expressão. Pareces feliz.
Será isso, estavas feliz?
Tento imaginar-te feliz.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Fúria

«Any live man is better than any dead man but no live or dead man is very much better than any other live or dead man.»

The sound and the fury, William Faulkner

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Chá do deserto

Os polícias estão parados num cruzamento, no meio do nada. No deserto, vestidos de cima abaixo, a rigor. Não têm carro. Não têm nada senão duas pastas encostada a um placard com indicações e os dois casacos pendurados a duas barras de metal. Mandam-nos parar. Conversam, não percebemos uma palavra. Pedem documentos, veem uma série de documentos, papéis velhos com vincos marcados de passarem o tempo dobrados. No final pedem água. Ficam com as nossas duas garrafas de litro e meio. Toda a água que temos.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Apropriação

«Because Father said clocks slay time. He said time is dead as long as it is being clicked off by little wheels; only when the clock stops does time come to life.»

The sound and the fury, William Faulkner

sábado, 14 de dezembro de 2013

Dar Alfarah

O miúdo que trabalha no riad – simpático, muito solícito – vem avisar-nos que chegou o guia. Estamos a acabar de tomar o pequeno-almoço que ele improvisou
Café, salade de fruits, gâteau
porque ainda não é hora de servir pequeno-almoço. É demasiado cedo. O guia chegou antes – chegam todos antes da hora – já vamos, só precisamos de uns minutos. O miúdo abre-nos a porta e do outro lado está um tipo com um carrinho de mão, bata azul gasta, suja, com nódoas, que prontamente nos pega nas malas. O miúdo explica
Il va vous emmener jusqu’à votre guide.
Seguimos o homem que empurra o carrinho de mão com as nossas malas por entre o labirinto de ruelas estreitas e sujas, onde os gatos lutam no meio do lixo por entre restos de comida, o cheiro a mijo, as motos, lambretas passam disparatadamente rápido e perto de nós. Algumas direitas e esquerdas depois chegamos a uma rua maior, uma parte mais ampla da cidade. Gente, carros, motas, ninguém liga nenhuma, é difícil chegar ao outro lado da rua onde o tipo do carrinho de mão pára em frente a outro que fala ao telefone e então percebemos que é o nosso guia. Cumprimentamo-lo. Dou uma moeda de dois euros ao tipo do carrinho de mão, faz um sorriso e vai-se embora.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

For whom the bell tolls

Assim que surge a máquina fotográfica e fazemos a pose, os miúdos vêm a correr pôr-se à nossa frente, encostados às nossas pernas. Como se reagissem à máquina da mesma forma que o elefante do jardim zoológico reage à cenoura e toca o sino. Riem e sorriem para a foto, estão divertidos. Depois sentam-nos no tapete na tenda aberta, a mãe chega com o bule e os copos, preparam-nos para o ritual do chá. Os miúdos ficam à volta da mãe, têm na boca os rebuçados que lhes demos. Falam entre eles, não percebemos nada. Sentimo-nos a mais, sentimo-nos a mais. Não sabemos como agir, não sabemos o que fazer excepto que a certa altura é suposto darmos mais do que uns rebuçados, é suposto deixarmos algum dinheiro. Porque é tudo falso e artificial, uma forma de ganharem algum dinheiro. Falamos como podemos entre nós tentando não ser perceptíveis sobre quanto deixar – não sabemos. À primeira oportunidade, deixo uma moeda de 10 dirhams na mão de cada um dos três miúdos e saímos dali. A última imagem que guardo é de olhar para trás enquanto me afastava e ver a mãe de braço esticado e sem o sorriso com que nos recebeu a recolher as moedas das mãos dos filhos.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Unabhängigkeit

«(…) l’erreur est de penser que cette quantité d’expérience dépend des circonstances de notre vie quand elle ne dépend que de nous. Il faut ici être simpliste. A deux hommes vivant le même nombre d’années, le monde fournit toujours la même somme d’expériences. C’est à nous d’en être conscients.»

Le mythe de Sisyphe, Albert Camus

But I ain't losing sleep and I ain't counting sheep,

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O cúmulo da incompetência

é trabalhar para uma agência de informação, passar os dias a escutar conversas telefónicas alheias e não saber que se é traído.

domingo, 8 de dezembro de 2013

O mais difícil é convencer os outros de que não estamos à venda.

Que não temos preço. É preciso sinalizá-lo de uma forma muito forte e contundente, de uma forma que tenha uma credibilidade inquestionável. Que se sobreponha à estranheza, à incredulidade alheia. Porque no fundo, o que se espera de todos nós é o contrário: que sinalizemos (constantemente) o nosso preço.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Son muy listos

Comento com uma espanhola, amiga de circunstância de viagem. Têm resposta para tudo e um sentido de humor apurado. Dizem expressões como "bom dia, alegria", "verdade verdadinha" e "queres queres, não queres não queres" da forma correcta, no momento certo.

Terapia de substituição

Chá de menta como quem bebe café. Dor de cabeça.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Seis e meio

Numa banca de jornais – e não só, recordações, comida, etc. – do aeroporto de Dublin. Quero levar qualquer coisa comigo para ler, não me apetece o livro que levei trouxe para a viagem. Opto por uma solução típica, agora uma Economist – na capa a chamada para um artigo sobre a Google Glass e possíveis ataques à cada vez mais exígua privacidade. O funcionário pega na revista, aponta o leitor de código de barras, espero que me diga o preço de carteira na mão. E depois fico a pensar nos seis euros e meio, enquanto me dirijo para as cadeiras onde hei de esperar pelo embarque. De repente, as letrinhas pequenas na parte inferior da capa da revista. Só há dois preços nos países do euro: Áustria, Bélgica, Finlândia, Alemanha, Luxemburgo e Holanda pagam o mesmo que a Irlanda e todos os outros gozam de um desconto de vinte cêntimos. A política de preços da Economist parece uma fábula do centro e da periferia, tão em voga nos temas que enchem grande parte das páginas da revista. Quer dizer, quase, é imperfeita porque coloca a Irlanda no centro e a França na periferia. A própria Itália é capaz de ficar um bocado chateada por ir para casa com mais vinte cêntimos no bolso.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Pero que las hay

A Apple comprou uma empresa de tecnologia que é conhecida por ter criado o sistema de detecção de movimentos utilizado em consolas de jogos da Microsoft. Grosso modo, esta empresa desenvolveu um sistema inovador que permite que a consola se aperceba dos movimentos corporais sem ser necessário que os jogadores se equipem com sensores nos seus corpos. Especula-se agora o que a Apple terá em mente com a incorporação deste tipo de tecnologias nos seus equipamentos.

Depois desta introdução (que praticamente só tem interesse como contexto) há dois aspectos muito curiosos nesta notícia: i) a empresa foi fundada maioritariamente por pessoas com um passado ligado a defesa e ii) é israelita.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Foi mais ou menos assim

Fábio!
(silêncio)
Ó Fáá biioo!
(silêncio)
Eh pá, Fábio é um nome muito musical. Fábio. Solbio. Sibio.
Dóbio
Rébio.
(silêncio)
(olhares)
Eh pá, Rébio é um bocado mau.

domingo, 24 de novembro de 2013

Heads up

Se há profissão que eu diria que acarreta riscos é a dos tipos que fazem entregas de botijas de gás. E, no entanto, parece que as únicas pessoas que não se aperceberam desse risco são aqueles que efectivamente fazem as entregas. Lidam com as botijas como se fossem sacos de lixo, deixam-nas cair no chão, etc.. Há dias vi uma carrinha ser conduzida lunaticamente, as botijas atrás a chocalhar umas contra as outras.

Às vezes tenho vontade de me dirigir a um desses profissionais e alertá-lo para o facto de que aquele recipiente pesado e feio e sujo contém uma coisa chamada gás, coisa essa que é conhecida por ser combustível e que é capaz de explodir se a aborrecermos demasiado. A esperança reside no gás canalizado, que é provável vir a salvar-nos a vida a todos.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Wide awake

Há um certo travo agri-doce em relação a ir ao cabeleireiro. É simpático quando mexem no cabelo mas é terrível o esforço para manter acordado.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Semínima pontuada

O N. dá-me a melhor definição de tocar polirritmos: é como aqueles jogos de bebés em que é suposto pôr um objecto com uma dada figura no orifício correspondente - só que em vez de pôr o triângulo no orifício em forma de triângulo, tentas encaixá-lo no que tem forma de quadrado. Eu acrescento: quadratura do círculo.

domingo, 17 de novembro de 2013

Anti-pró

«Às vezes prefere-se o moderno anti, sufixo nacionalmente adorado com o qual os portugueses se definem: é-se anti-comunista e anti-nuclear e anti-aborto e anti-gamente ainda era pior. Pelo contrário, o sufixo oposto, pró é praticamente tabu. Não se ouve dizer que se é pró-comunista e, de um modo geral, só se é «pró» em relação ao menino e à menina, ex: «É pró menino e prá menina».

Pior ainda: pró é sobretudo usado para mandar pessoas de que não se gosta para um sítio malcriado, e as palavras que começam por ela são geralmente pejorativas: nenhum português quer ser proxeneta, prostituta ou professional. As palavras começadas por anti, em contrapartida, são autênticas coqueluches: tudo é antítese de tudo, e a anti-poesia e o anti-cinema suscitam o interesse geral.»

A causa das coisas, Miguel Esteves Cardoso

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Mas não cai

Talvez por ser um Continente de menor dimensão, o da Defensores de Chaves costumava ter um sistema em que os clientes pesavam eles próprios a fruta e os legumes – no Colombo há um funcionário dedicado exclusivamente a essa tarefa. Recentemente, resolveram abandonar este sistema e a pesagem passou a poder ser feita nas caixas, como nalguns estabelecimentos da concorrência. Retiraram a quase totalidade das balanças. A quase totalidade, digo e repito, porque deixaram ficar uma. Uma. Da primeira vez que presenciei a alteração, reparei na bicha interminável de pessoas que refilavam enquanto esperavam para pesar o conteúdo dos sacos de plástico fininhos e transparentes: a mesma fila que dantes se dividia em três, quatro balanças diferentes, serpenteava na direcção do agora único exemplar. Disse mal à minha vida mas suspirei logo que ouvi o funcionário a avisar que o processo podia ser protelado até à caixa.

Passadas umas semanas (um mês?) deste episódio ainda há quem (e não são assim tão poucos) continue a fazer fila e a refilar enquanto espera interminavelmente pela única balança disponível (estarão lá há um mês?). É que não é só uma coisa que não entendo, são duas: (i) que ainda não tenham interiorizado que não precisam de levar a cabo o ritual da pesagem (enfim, somos criaturas de hábitos) e (ii) que a gestão daquele Continente não tenha retirado a última balança que Mohicanicamente subsiste, muito concorrida. Não que me prejudique – pelo contrário, quanto mais as pessoas à minha frente já levarem as coisas delas pesadas, menos tempo tenho que esperar para pagar porque dispensa o trabalho do caixa. E eles – que deveriam ser os principais afectados pela mudança – ainda não se habituaram, consultar desenfreadamente tabelas com códigos enfiadas em capas de plástico.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Prospect of a deal

De repente, o gato salta-te para o colo, como me costumava fazer a mim. Aliás, a qualquer pessoa. Com um aviso casual, um miar fortuito emitido instantes antes de dar o impulso no chão e aterrar nas tuas pernas. Quer festas, roça-se em ti, ouve-se o ronrom. Encolhes-te toda, soltas um som ridículo. Tens pouca experiência com animais, as tuas mãos ficam perdidas sem saber o que fazer, sinto-te ficar tensa, quase hirta. Levanto-me e agarro o gato, tiro-o de cima de ti, ponho-o no meu colo.

Explico-te como funcionam os gatos. Como se tivessem um manual de instruções e eu te estivesse a pôr a par dos botões, onde e quando carregar. O que fazer. A certa altura estamos a falar da personalidade dos gatos – da independência, da fleuma. Dizes que os gatos são como as mulheres quando passam as mensagens por gestos e silêncios, intenções. O que eu te tentei explicar – sem sucesso, reconheço-o agora – é que não é só com as mulheres que eles são parecidos.

domingo, 10 de novembro de 2013

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Estica

Nunca saio do gabinete sem esperar uns quantos minutos após pôr um documento a imprimir: a impressora demora sempre um bom bocado a aquecer. Fico a pensar se não deverá fazer alongamentos no final.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Tilda

Ponho um til ao preencher um formulário online e de imediato surge uma caixa a dizer que “special characters” não são “allowed”. Como explicar a ingleses que acentos não têm nada de especial? Muito pelo contrário, são bastante comuns e banais.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O Cristiano Ronaldo não é o super-homem.

O futebolista lançou uma linha de roupa interior. Diz que está muito contente porque gosta muito de roupa interior e – atenção a esta parte – porque é a primeira coisa que veste de manhã.

domingo, 3 de novembro de 2013

12 fucking notes

Uma entrevista interessante em que o Brandford Marsalis fala sobre o nível de complexidade a que chegou o jazz e onde o descreve como um obstáculo à comunicação com o comum dos mortais que “don’t know shit about music”. O jazz está a tornar-se uma música fechada, tocada por músicos para músicos, os únicos com suposto arcaboiço para entender e apreciar o que está a acontecer – um argumento parecido àquele das senhoras que se aperaltam não para os senhores mas para as outras senhoras (não as criticarem). Dito de outra forma, aquele que deveria ser o público alvo está a ficar à margem, preterido por aquilo que supostamente ainda não foi feito com as “12 fucking notes”. E tudo isto em detrimento da componente emocional que, vistas as coisas, deveria ser o verdadeiro motivo. O mais curioso é isto tudo vir da boca de um virtuoso como o Marsalis.