domingo, 28 de fevereiro de 2021

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Macht

«Power, let us not forget, is not just about being able to buy whatever you want; that is mere wealth. Power is about being able to get whatever you want at below the market price. It is about being able to get people to perform services or part with goods that they would not ordinarily offer to sell at any price.»

Colossus, Niall Ferguson

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Em círculos

Leio um artigo sobre um livro que aborda o papel de domínio da Amazon. Resolvo procurar o livro online e vou dar à Amazon. 

sábado, 6 de fevereiro de 2021

O filme é do final da década de 80 e chama-se Blind Date.

Walter - um Bruce Willis novo e com mais cabelo do que agora nos lembramos que alguma vez teve - algo reticente deixa-se, ainda assim convencer, por um amigo, a ir a um encontro às cegas. She is a really nice girl. Do outro lado do encontro está Nadia, uma Kim Basinger estonteantemente vestida de vermelho, de cima a baixo, incluindo a mala e o verniz das unhas.  

O encontro corre bem e Walter resolve arriscar e levar Nadia a um estúdio de música, munido de uma garrafa de champagne, comprada numa loja de conveniência. Lá dentro, a gravar enquanto bebem champagne com copos de plástico e trocam o primeiro beijo, está Stanley Jordan a fazer um cameo.



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Longing

«There is plainly much more longing than can be realised legitimately in the age of freedom and entrepreneurship; more desires for objects of consumption than can be fulfilled by actual income; more dreams than can be fused with stable society by redistribution an greater opportunity; more discontents than can be allayed by politics or traditional therapies; more demand for status symbols and brand names than can be met by non-criminal means; more claims made on celebrity than can be met by increasingly divided attention spans; more stimulus from the news media than can be converted into action; and more outrage than can be expressed by social media.

Simply defined, the energy and ambition released by the individual will to power far exceed the capacity of existing political, social and economic institutions. Thus, the trolls of Twitter as much as the dupes of ISIS lurch between feelings of impotence and fantasies of violent revenge.»


Age of Anger, Pankaj Mishra 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

A pluviosidade tem destas coisas.

As recentes notícias relativas à apropriação indevida de vacinas para a Covid-19 têm um certo travo a inevitabilidade, a estava-se-mesmo-a-ver que tem tanto de indignação como de resignação. Pior: permitem fazer uma extrapolação - já tão vastamente badalada como, rapidamente, rebatida - da possibilidade de um comportamento análogo aquando da recepção de fundos europeus, que choverão fortemente nos próximos tempos.     

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

sábado, 23 de janeiro de 2021

Retrocesso

A realização de testes de antigénio em escolas vai piorar o resultado das avaliações às competências dos alunos. 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Arranjava sempre forma de levar a melhor sobre quem se atravessava na sua frente.

Qual craque, adorava driblar, fintar os seus adversários, fazer slalom com os argumentos que esgrimia como ninguém. Dava-lhes autênticos nós-cegos, verdadeiros golpes de rim, manobras acrobáticas e pontapés de bicicleta, que os deixavam feitos num oito, sem combustível, a precisar de ir à box.

Até que, um dia, encontrou alguém à sua altura. Entraram em ringue e começaram a bater bolas. Primeiro com alguma suavidade, estudando-se mutuamente. Aos poucos, depois de algumas piscinas a intensidade foi aumentando. Taco-a-taco, muito equilibrado, fazia antever uma maratona com um final em sprint e com recurso ao photo-finish.

Até que, confiante, sentiu que tinha surgido uma oportunidade para um ataque que o faria cruzar a meta em primeiro. E, então, sem cerimónia, já a antever a bandeira axadrezada, fez uma verdadeira entrada a pés juntos, de é em riste. “Bem jogado!”, pensou.

Para sua surpresa, no entanto, foi apanhado em contra-pé: o adversário desencadeou um contra-ataque feroz. Como se tivesse recebido uma assistência para uma desmarcação perfeita, tirou um verdadeiro ás na manga, que acertou, em cheio, na mouche. Um autêntico afundanço.

Tentou, sem sucesso, ripostar, virar o marcador: chutar para canto, cortar as vazas. O estrago estava feito, estava destrunfado. Antecipava o KO. Teria que pedalar muito, em contra-relógio, se quisesse ter qualquer hipótese de inverter o resultado até ao apito final. Sentiu-se fora-de-jogo, posto em xeque. Nunca havia sido vítima de uma tal placagem, um verdadeiro ensaio de porrada. O mundo todo desabava à sua volta.

Então, resignado, limitou-se a passar o testemunho.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Nem na tomada de posse

Sonia Sotomayor: "Repeat after me: I, Kamála David Harris, do solemnly swear..."

Kamala Harris: "I, Kámala David Harris, do solemnly swear..."

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Little 6655321

«It may not be nice to be good, little 6655321. It may be horrible to be good. And when I say that to you I realise how self-contradictory that sounds. I know I shall have many sleepless nights about this. What does God want? Does God want goodness or the choice of goodness? Is a man who chooses the bad perhaps in some way better than a man who has the good imposed upon him?»


A clockwork orange, Anthony Burgess

domingo, 17 de janeiro de 2021

Slooshying

«I don't mind about the ultra-violence and all that cal. I can put up with that. But it's not fair on the music. It's not fair I should feel ill when I'm slooshying lovely Ludwig van and G. F. Handel and others. All that shows you're and evil lot of bastards and I shall never forgive you, sods.»

A clockwork orange, Anthony Burgess

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Shotgun blues IV

No especial da Netflix, Dave Chapelle fala sobre os "shooting drills" que, segundo conta com algum espanto, começam a existir nas escolas americanas para treinar os alunos e professores, à semelhança de incêndios ou tremores de terra, a reagir e evacuar as instalações, mas numa situação de tiroteio.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Shotgun blues III

Só num país com a cultura de armas dos EUA existem expressões como "shotgun wedding", para designar um casamento forçado devido a uma gravidez não-planeada.   

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Carlos Daniel em modo paternalista:

ventila a possibilidade de cortar o som dos microfones caso os candidatos falem por cima ou interrompam os outros. 

Shotgun blues II

Só num país com a cultura de armas dos EUA existem expressões como "riding shotgun". Usada para designar quem ocupa o lugar do pendura, na génese referia-se ao guarda-costas do condutor de carruagens, que o protegia de potenciais ataques por parte de bandidos ou nativos-americanos. Tem a variante "call shotgun", para invocar a prerrogativa de ir no lugar da frente.  

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Shotgun blues I

Só num país com a cultura de armas dos EUA existem expressões como "shotgun houses". Tratam-se de casas nas quais a porta da frente dá para directamente para a porta de trás, através de um corredor, ao longo do qual as divisões se situam lateralmente.

domingo, 10 de janeiro de 2021

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Claramente uma tentativa de varrer a totalidade do espectro político.

Mayan Gonçalves tem (no mínimo) um tique: assim que acaba de dar uma resposta mais aguerrida (de acordo com o seu standard, claro), olhando para a sua direita, onde está a pivot da TVI, vira a cara rapidamente para a esquerda, antes de voltar a recentrar o olhar no oponente à sua frente. 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Acção reacção

O dia (europeu) começa com a Georgia a dar maioria democrata no Senado e termina com uma invasão do Capitólio.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Fila

A fila à porta do Instituto do Emprego e Formação Profissional, na 5 de Outubro, prolonga-se até à Rua de Picoas.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

A ingratidão de ser argumentista

Assumi que não chegaria a ver. Enganei-me. Num processo de zapping catatónico, o pequeno ícone apareceu-me à frente e resolvi espreitar. O menor número de episódios desta última temporada também fez o seu papel: afinal, o investimento seria menor. Convicto da pouca convicção, carreguei no play. 

A minha conjectura era que a ausência de Kevin Spacey, por força pelas razões conhecidas, tiraria muita da força de House of Cards. Não me enganei. O vácuo criado pelo desaparecimento do casal presidencial não chega nunca a ser preenchido, pese embora a tentativa de introduzir conflitos e intrigas palacianas com outras personagens, assim como, e sobretudo, pela dupla de irmãos protagonizada por Diane Lane e Greg Kinnear. O resultado é uma amálgama, uma tentativa falhada de terminar uma história, de lhe dar um final sem, no entanto, ter todos os recursos e instrumentos à disposição. 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Quando me apercebi já só havia bilhetes para a data extra, adicionada ao calendário da Culturgest para tentar acomodar a avalanche de interesse.

IV. "Psalm" E às 11h, qual missa matinal, para tentar acomodar as restrições sanitárias. O habitual quarteto entra em palco em forma alargada: há um segundo baterista, assim como um saxofonista barítono e um trompetista. 

III "Pursuance" O formato é tão simples como, naturalmente, arriscado: pegar no Love Supreme e tocá-lo de fio a pavio. Os títulos dos andamentos (chamemos-lhes andamentos, como nas peças clássicas) são projectados no início de cada, com a respectiva numeração romana. 

II "Resolution" A duração é algo alargada face ao original, com a introdução em solo de baterias (interessante chamar solo à performance de dois instrumentistas) e outras artimanhas usadas como uma espécie de cola entre os diversos momentos. De resto, Toscano mergulha de cabeça no som, na voz, no saxofone de Coltrane. Sem medo. Eventualmente também sem olhar para trás e sem pensar duas vezes. 

I. Acknowledgement O resultado está à vista: com uma maturidade musical pouco característica e natural na idade, Toscano é, merecidamente, um dos nomes mais relevantes da actualidade.  

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Des

Não faz sentido que «desfalecer» signifique perder as forças ou desmaiar; como o próprio nome indica, deveria ser algo como ressuscitar.

domingo, 27 de dezembro de 2020

Sentir e pensar

«Seremos criaturas pensantes que também sentem ou criaturas dotadas de sentimento que também conseguem pensar? A resposta é clara. Vivemos a vida a sentir, ou a raciocinar, ou ambas as coisas, dependendo daquilo que nos é exigido pelas circunstâncias. A natureza humana serve-se de toda esta gama de tipos de inteligência, explícita e não-explícita, bem como do uso do sentimento e da razão, quer sozinhos, quer a par.» 

Sentir & saber, António Damásio

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Platonismo

A impossibilidade de transposição para o plano físico custava-lhe menos no amor do que no ódio platónico. 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Durante semanas, as portadas abriam, de par em par, para o amarelo outonal das folhas.

Uma invasão de cor em dias de céu maioritariamente cinzento que, aos poucos, foi desaparecendo. Começou na manhã em os "sopradores" de folhas acordaram toda a vizinhança: de aparelhos barulhentos em riste, amontoaram as folhas caídas a um canto para depois as varrer do chão. Nesse período, casais de namorados aproveitaram a o mesmo amarelo outonal, agora no passeio, para tirar retratos, daqueles que acabam nas redes sociais, com esse pano de fundo. O processo de queda das folhas pareceu obedecer a uma coreografia ensaiada, começando numa das árvores e só passando para as seguintes depois de totalmente terminado na anterior. Consequentemente, árvores completamente nuas coabitaram com árvores ainda completamente vestidas. Neste momento, apenas uma ainda tem folhas, todas as outras têm os ramos magros totalmente expostos. E, praticamente, não se vê uma folha no chão.  

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Senti

Disse-lhe que ouvia religiosamente tudo o que lhe dizia. O problema é que tinha tendência para, em seguida, se esquecer. 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

domingo, 13 de dezembro de 2020

Superior à média

Na conferência de imprensa em que falou do plano de restruturação da TAP, o ministro Pedro Nuno Santos despejou alguns números que comparam a empresa negativamente com as congéneres europeias e que, na sua perspectiva, justificam as medidas de redução de pessoal. Não fixei as percentagens mas, segundo o que referiu, a empresa portuguesa terá rácios de pilotos e pessoal de cabine por avião da frota superiores aos da concorrência. 

Ficou-me na tímpano (expressão que me apetece cunhar, em analogia com ficar na retina): a única vez que me aconteceu receber, na manga no decurso do embarque, um saco de papel pardo com uma sandes mal-amanhada e uma garrafa de água, foi num voo da TAP. A razão para esta solução de recurso, tal como nos foi explicado, foi a falta de um número mínimo de membros da tripulação de cabine para que a "refeição" pudesse ser servida, de forma normal, durante o voo.

sábado, 5 de dezembro de 2020

Confiança

«Trust obviates the need for money, and money without trust has no value. Perhaps it is trust that makes the world go round.»

The end of alchemy, Mervyn King

sábado, 28 de novembro de 2020

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Last dance

Não são as jogadas, os cestos, os afundanços, os passes, as assistências, as vitórias, o sucesso. Nem sequer as tricas, as intrigas, as jogadas de bastidores, os conflitos. O que mais me chamou a atenção no documentário da Netflix foi mesmo a quantidade incrível de charutos que os jogadores dos Chicago Bulls fumavam, a começar pelo Michael Jordan

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

terça-feira, 10 de novembro de 2020

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Fartar-se

«O carpinteiro exala impassível o seu fumo:«Simplesmente: que seja pobre quem tiver gosto nisso. Ah, sim, cá por mim os outros que sejam pobres à vontade. Agora eu cá é que precisamente não tenho gosto nenhum nisso. É que realmente co'o tempo um tipo acaba por se fartar.»»

Berlim Alexander-Platz, Alfred Doeblin  

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Brisa do mar

O mapa eleitoral dos EUA mostra o quão importante são os ares do mar para a saúde das pessoas.  

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Azedou

Alguns jornalistas ainda se referem à Covid como o "novo corona vírus". Aí está um adjectivo cujo prazo de validade parece ter expirado. Ou, dito de outra forma, o novo já está velho. 

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Da roupa ao lençol

Usamos roupa com diferentes capacidades térmicas e até camadas em diferentes zonas do corpo: nesta altura do ano, é normal uma t-shirt/camisa, seguida de uma camisola e, nas idas à rua, um casaco; no entanto, nas pernas temos as mesmas calças de ganga, e camada única. Mas na cama usamos uma estrutura que não diferencia as diferentes zonas do corpo em matéria de capacidade térmica (embora possamos ter camadas diferentes). Por uma questão de consistência, o cobertor ou edredon que cobre o tronco deveria ser diferente daquele que cobre as pernas e os pés.  

terça-feira, 27 de outubro de 2020

Tânia e Cátia são nomes próprios como tantos outros.

No entanto, na génese, nas línguas eslavas, Tânia é o diminutivo de Tatiana, Cátia o de Catarina. Ou seja, são diminutivos que foram importados e assimilados por outras línguas que, ao longo do tempo, os promoveram a nomes próprios por si só, distintos dos nomes que lhes deram origem. 

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Seguir

Na vida virtual, as pessoas amiúde (dizem que) seguem outras nas redes sociais. Querem com isto dizer que acompanham as partilhas de conteúdos e notícias que outros vão colocando e, desta forma, mantêm-se a par do que vai acontecendo. Na vida não virtual (real?), seguir outrem parece, de imediato, coisa de stalker. Sendo certo que o stalking digital também existe, na vida não real é mais difícil falar em seguir uma pessoa sem ser com o pendor negativo da perseguição persistente.  

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Filantropia

Comprar jornais, seja em papel ou na versão digital, cada vez mais parece uma forma de filantropia. Só falta dar descontos sem sede de IRS.

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Tonnerre de Brest

Quando ouço falar tempestade, que actualmente assola o território nacional, nunca sei se "bárbara" é nome ou adjectivo.

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

A ilação de Costa

A culpa é nossa, conclui o Primeiro-ministro, depois de constatar o preocupante aumento de casos de infecção por Covid-19 dos últimos dias. Porque este aumento é claramente devido (só pode) a um relaxamento dos comportamentos e das medidas individuais de protecção, própria e alheia. Impossível haver mais justificação que seja para este aumento. Aliás, o facto de que o número de infecções está a aumentar noutros países europeus, também de forma que causa preocupação - e, em algumas casos, medidas duras de suspensão de actividade e/ou confinamento, a fazer lembrar os idos de Março -, é uma manifestação adicional que consubstancia a ilação de Costa. Não há cá sazonalidade nenhuma, não houve nenhum alerta de que uma segunda vaga poderia despontar com a chegada do Outono, às cavalitas da gripe (quê? quê?) sazonal (sazo-quê?) 

Costa constata ainda outra coisa, que consubstancia ainda mais o seu desapontamento com a população portuguesa: não há maneira de perceberem que têm de instalar a aplicação StayAway Covid, um valioso instrumento no combate à pandemia. Aplicação essa cuja instalação ele só tentará tornar obrigatória se a mesma população portuguesa não decidir voluntariamente, por livre e espontânea vontade, descarregar do espaço etéreo para o seu telemóvel (esperto). Uma aplicação de fácil utilização, uma vez que apenas requer que, aquele que testou positivo, solicite (rapidamente) um código às entidades de saúde e o introduza (rapidamente) no StayAway Covid.

Um amigo testou positivo há dias. Entre as várias aventuras e peripécias que o processo acarretou, destaco que as três tentativas que levou a cabo para obter o código e o poder inserir na aplicação, que tem instalada no seu telemóvel, foram totalmente infrutíferas. O que está em linha com esta notícia, que também reporta a dificuldade na obtenção dos necessários códigos. O que corrobora a pouca utilidade da aplicação que, sem códigos introduzidos, não serve para nada. O que corrobora que a insistência na obrigatoriedade da sua instalação é pouco avisada e, mais, é uma tentativa de sacudir a água do capote e tentar lançar a culpa do alastramento recente sobre a generalidade da população, esse bode expiatório. o que corrobora que se trata de uma tentativa de alijar responsabilidades. 

Stay away, StayAway Covid.      

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Igualdade no meio de desigualdade

Para evitar a desigualdade de tratamento entre quem tem e quem não tem telemóvel, implícita na proposta de tornar obrigatória a instalação da aplicação para a Covid, o governo só tem uma solução: distribuir telemóveis por toda a população, que não os poderá rejeitar. 

terça-feira, 13 de outubro de 2020

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

domingo, 11 de outubro de 2020

O outlook ainda não se adaptou ao novo dia-a-dia

Questiona-me sempre se tenho mesmo certeza quando envio um pedido de reunião sem especificar a localização.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

É uma rua que me aparece, de vez em quando, em sonhos e que não sei localizar.

De todo. Parece estreita, ladeada de casas velhas e carcomidas, janelas que abrem para estendais com roupa a secar ao céu cinzento. O pavimento de paralelepípedos é rasgado pela linha metálica do eléctrico e não se vê um carro. Do meu ponto de observação, algures no passeio do lado direito, vejo a ligeira inclinação que desce à frente dos meus olhos. Não sei onde termina: uma curva à direita impede-me de ver muito mais a partir do sítio onde estou, e donde parece que não vou sair.  

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Eddie

 Eddie Van Halen Recalls '1984' Battles With Producer

O Primeiro-ministro atou o Presidente da República à recente polémica relativa ao Presidente do Tribunal de Contas...

..., referindo a prática de não recondução dos detentores destes cargos. O argumento é atendível: a recondução pode dar azo a interpretações de favorecimento por parte do detentor do cargo, para fortalecer a probabilidade de vir a exercer um segundo mandato. Ou seja, quanto menos incómodo, melhor para as aspirações pessoais. Aliás, foi esta a argumentação utilizada para não atribuir um segundo mandato a Joana Marques Vidal como Procuradora Geral da República. É uma questão estrutural que poderia ser resolvida através da alteração das regras, por forma a que estes cargos tivessem mandatos únicos, potencialmente com uma duração mais longa (por exemplo, oito anos versus cinco). 

O problema é quando estas decisões são tomadas numa conjuntura que pode suscitar a aparência do problema oposto, i.e., que a não recondução é fruto do incómodo que o detentor do cargo efectivamente gera. Esta é uma interpretação mais do que justificada no caso de Marques Vidal: é (muito) difícil defender a ideia de que terá sido meiguinha para assegurar que o nome dela estivesse no topo da lista para mais uns anos à frente da Procuradoria Geral. Aliás, a haver uma percepção generalizada do seu papel é de que foi bastante incisivo e temerário, o que tende a andar de mãos dadas com o dito incómodo. Ora a mesma relevância conjuntural pode ser avançada para o actual caso do Presidente de Tribunal de Contas, numa altura em que o país vai ser inundado de fundos europeus, e dado o histórico de utilização dos mesmos ao longo das últimas décadas. 

Donde, em ambos os casos, a percepção do problema conjuntural parece claramente dominar o do estrutural, pelo que a opção pela recondução poderia ter gerado menos polémica. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

A recente crise não afectou o dia-a-dia dos presidentes americanos (e outros que tais)

É certo que terão condições bastante melhores que a maioria do comum dos mortais mas, no final de contas, já trabalhavam a partir de casa. 

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Trabalhar remotamente

 Os braços da cadeira do escritório doméstico ficaram consideravelmente mais gastos nos últimos meses. 

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Tenho sérias dúvidas que seja um ser humano:

parece-me mais um estar humano. Falta-lhe a centelha, a vontade. Existe, é certo. Mas parece estar aqui apenas de passagem, sem grande vontade, sem grande convicção. Como se não tivesse outra opção senão existir. 

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Pureza

Como medida para combater a descarbonização do planeta e, dessa forma, dar algum descanso à consciência ambiental, passou a beber gin puro. 

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

É uma permanente luta para pôr certos à frente dos pontos.

Ou não resistir à vontade de riscá-los, de torná-los totalmente ilegíveis, como se nunca tivessem estado naquele bocado de papel. Num misto de alívio e alguma raiva, descarregada nervosamente através da caneta. Isto até aos novos pontos fazerem o seu caminho até entrarem na lista, numa nova lista ou na mesma, agora com adições. Qual rol de compras de mercearia que parece nunca acabar: há sempre coisas para substituir no frigorífico e na despensa. Uma subjugação em pontos, uma ditadura em alíneas.  

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Era isso que não conseguia aceitar

(e não entender, entendia perfeitamente): que não fica mais fácil com o passar do tempo. Não interessa a experiência e o calo, os cabelos brancos e a mundividência. Podem ajudar conjunturalmente, em determinadas situações e casos. Mas não estruturalmente.  

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Ácido

No recente documentário sobre Miles Davis "Birth of the cool", Carlos Santana descreve o acid jazz, ao qual o músico do trompete a certa altura se dedicou, como música que tinha o condão de pôr sóbrios os que estavam a tripar em ácidos e pedrados os que estavam sóbrios.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Feel the need

Numa palestra na Google, um dos espectadores pergunta a Christopher Hitchens se não sente a necessidade de se juntar a outros ateus, como ele, para, de uma forma organizada, defender as suas ideias face às organizações religiosas que estão do outro lado da discussão, a defender posições contrárias. Ou seja, a organização como forma de nivelar a contenda. Hitchens começa por responder de uma forma surpreendentemente mais abrangente:

«I'm no longer a joiner up of groups. I don't feel the belonging need anymore. I used to when I was younger and more left that I am now feel that, the need to be involved in an organized way. Now I don't, and I think I probably have more influence as an individual than I ever did as a cogwheel in a so-called party.»

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Com algum atraso

Não é uma daquelas datas redondas, estilo 10, 15, 20 anos: são 29. E, ainda por cima, atrasei-me uns dias - devia ter posto um lembrete na agenda. 

30 de agosto 1991, Campeonato do Mundo de Atletismo em Tokyo. Carl Lewis e Mike Powell defrontam-se no salto em comprimento. Senão o melhor confronto de sempre da modalidade, seguramente um dos melhores. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Não tinha uma opinião nada original (como não costumo ter, verdade seja dita)

A minha aposta era a de tantos outros: que Djokovic iria vencer este Open dos Estados Unidos, o que lhe abriria a porta para definitivamente atingir as marcas de Nadal e Federer. 

E depois acontece um evento estranho e raro que culmina na desqualificação do sérvio, que atingiu, sem querer, uma juíza de linha, quando devolvia uma bola para trás, após o final de um ponto. O resultado não poderia ser outro, e os antecedentes são bastante claros: que o digam, por exemplo, Fernando Meligeni que, em 1999, foi desqualificado do Open do Estoril por ter acertado num espectador e David Nalbandian que foi pelo mesmo caminho no torneio de Queens de 2012, após ter dado um chuto numa placa de madeira perto da cadeira do árbitro de linha, que acabou por o mandar ao chão. 

A questão de ser voluntário ou não é de menor importância para esta sanção em concreto. Da mesma forma  que, se bater no carro que vai à minha frente, serei sempre culpado, independentemente da potencial condução errática e perigosa do outro condutor faça. A responsabilidade é mina de garantir que consigo sempre imobilizar o meu carro sem embater no da frente. Ora, qualquer jogador de ténis é responsável por não magoar ninguém - de uma acção que não resulte do próprio jogo, claro. 

A questão seguinte é a severidade da punição. Parece brutal excluir alguém por algo que é claramente não-intencional - não se trata de, voluntariamente, demorar muito tempo entre pontos, partir uma raquete ou ofender o árbitro, situações normalmente punidas com sanções de importância crescente, a partir de uma primeira advertência verbal sem nenhuma consequência material, até penalizações de um ponto, jogo, partida. Mas, verdade seja dita, mesmo involuntariamente, Djokovic pôs em risco a integridade física de uma pessoa. 

Pela positiva, fica a reacção de Djokovic que, embora tenha trocado palavras com a equipa de arbitragem e tentado contra-argumentar, nunca perdeu a compostura e, quando percebeu que não havia volta a dar, aceitou e abandonou o court. Mais, reconheceu publicamente o erro e pediu desculpas à juíza de linha. Contraponha-se esta reacção com a de Serena Williams, aquando do seu episódio na final do mesmo Open dos Estados Unidos, em 2018.

sábado, 5 de setembro de 2020

Ainda sobre Abe

O Japão é uma espécie de candeia que vai à frente e alumia duas vezes, um canary in the coal mine. Por alguma razão se fala na japanificação, uma ameaça do possível alastramento, às restantes economias avançadas, de uma performance económica anémica, caracterizada por estagnação, inflação baixa ou mesmo deflação, e taxas de juro muito baixas. 

Em 2013, Shinzo Abe tornou-se primeiro-ministro, e levou consigo para o trabalho a sua estratégia de 3 setas: política monetária audaz, política orçamental flexível e estratégia de crescimento. Embora objectivamente houve metas não atingidas (por exemplo, o objectivo de inflação) as opiniões dividem-se no que concerne à avaliação do legado de Abe. Seja como for, a Abenomics simbolizou uma viragem de página com determinação, uma pedrada no charco. Talvez por isso, o anúncio da sua saída da vida política activa, por motivo de doença, seja, em si, outra viragem de página.    

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Genuflexão virtual

No seu perfil de Facebook, reparou na secção relativa ao estado de relação, a seguir a outras informações, como morada ou local de trabalho. Relembrou-lhe do campo do estado civil do velhinho bilhete de identidade, morto e enterrado pelo prático cartão de cidadão, que já não divulga essa componente da vida das pessoas. Subitamente, apeteceu-lhe actualizar a informação, como se estivesse em falta para com qualquer entidade responsável por monitorar estes assuntos. Ao enviar o pedido à sua cara metade - que tem de o certificar e consentir, bem entendido - sentiu o momento como uma genuflexão virtual. E sentiu-o como se fosse complementar (e até necessário) ao momento em que, de joelhos e com uma caixa de anel na mão estendida, a pediu, de acordo com a tradição, em casamento. 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Da leitura de sorrisos

Os povos asiáticos são, amiúde, mal interpretados no que respeita a sorrisos: um sorriso genuíno pode facilmente ser interpretado por um amarelo (mas não vice-versa).