sexta-feira, 24 de abril de 2015
Cortar homens
Digo que quero cortar o cabelo - o que normalmente me parece uma constatação óbvia num cabeleireiro - e explica-me que, infelizmente, não pode prestar o serviço: "a minha colega que corta homens não está". A Whoopi Goldberg fez o filme "do cabaré para o convento"; esta colega aparentemente quer fazer um remake com o título "do cabeleireiro para a sala de operações (masculina)". Ou para o talho. Morgue.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
A cara é de quem espera algo
A cara de quem joga o jogo do devias saber sem nunca dar uma pista, sem nunca mostrar uma carta que seja. De quem aposta tudo na capacidade de leitura alheia - em retrospectiva, a capacidade de antecipação teria sido melhor. Não se pode ter tudo e, então, a alternativa é esperar. Esperar dando a entender que se espera, não é um esperar totalmente estático. Embora a intenção seja dar a entender que é embora, lá no fundo, possa não ser. E, quando não surge efeito, à medida que o tempo passa, é notório o desconforto. Crescente, vai-se agudizando com uma pergunta que não é colocada, um comentário que teima em não surgir. Aos poucos, a cara de falsa dissimulação vai transformando-se em desapontamento. Mais do que isso: é uma indignação, porque se trata da frustração de uma expectativa percepcionada como perfeitamente legítima. E isso só pode ser intolerável e caminhar no sentido da irritação. E é aí que o jogo do devias saber entra noutra fase. Quando essa cara já não é de dissimulação mas de uma agressividade latente. Que esbarra na naturalidade alheia de quem está perdido.
terça-feira, 21 de abril de 2015
Sechs Kartoffeln
Faltou uma para a Felipãozada.
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Nothing more than feelings
Às pessoas que dizem estar sentidas com algo apetece-me perguntar-lhes como se sentem. Só para ver se me respondem "sinto-me sentido(a)".
domingo, 19 de abril de 2015
Ser desempregado na Bielorússia
sábado, 18 de abril de 2015
O site das finanças tem um separador com a designação "serviços tributários".
Pagar impostos é um mal necessário - ao menos chamemos os bois pelos nomes.
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Conhecimentos de MS Office na óptica do forjador
Reset
A info-inclusão como forma de exclusão.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Implicações de dizer uma nata em vez de pastel de nata
(para além de aparente preguiça)
Ir aos pasteis de Belém ir pedir uma meia-dúzia de Beléns. Comprar uma caixa de feijões. Comer um Tentúgal ou um Chaves.
Ir aos pasteis de Belém ir pedir uma meia-dúzia de Beléns. Comprar uma caixa de feijões. Comer um Tentúgal ou um Chaves.
quarta-feira, 15 de abril de 2015
Muito se torce a falar português
Torcer o nariz
Torcer a orelha
Torcer o caminho
Torcer o pepino
Torcer o gasganete
Torcer a orelha
Torcer o caminho
Torcer o pepino
Torcer o gasganete
terça-feira, 14 de abril de 2015
segunda-feira, 13 de abril de 2015
domingo, 12 de abril de 2015
Anunciar uma candidatura tweetando
Uma eventual vitória da Hillary Clinton teria a interessante característica de, não só sentar uma mulher pela primeira vez na Casa Branca, mas também sucedendo ao primeiro negro a tê-lo feito.
Há uma componente religiosa no running
1) as corridas são maioritariamente ao domingo de manhã e, ocasionalmente, ao sábado à tarde
2) a prática exige indumentária específica, tal como o fato da missa
2) a prática exige indumentária específica, tal como o fato da missa
sábado, 11 de abril de 2015
Resumir tudo em tão poucas palavras, numa página. Ridículo: tanta coisa, anos. Avanços recuos. Positivo negativo. Sobe desce. Confiança desmotivação. E, ao chegar ao fim, na maior dos casos, o momento em que tudo se encerra é tão pequeno. É totalmente desproporcionado face a tudo o que representa. De repente, já tudo está para trás das costas uma vez mais.
quarta-feira, 8 de abril de 2015
terça-feira, 7 de abril de 2015
Lavar a roupa envolve segregação com base na cor
Clara para um lado, escura para o outro. E o receio é que a escura possa tingir es estragar a clara; mas não o contrário.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Não dói tudo 2
Há dias tentaram - por delicadeza, calculo - dizer-me não sem efectivamente o dizer. O resultado foi uma formulação dúbia, qualquer coisa como
(...) preferível não se concretizar, nesta fase (...)
Quem escreveu não queria dizer nesta fase, queria dizer em todas as fases, aquilo que também se costuma designar por nunca. Porque não era totalmente claro, tive que perguntar para esclarecer. E aqui fui eu que tive que optar por uma formulação alternativa para não obrigar a pessoa a dizer o não que não queria dizer porque pensava que era o mesmo não que eu não queria ouvir (era-me indiferente). E então dei-lhe uma possibilidade de responder afirmativamente a uma pergunta, de tal forma que fosse totalmente incompatível com qualquer interpretação da resposta inicial que não fosse um não redondo e, assim, dar-me a entender que a resposta à pergunta inicial era negativa.
Mas sendo assim posso (...)?
E com este sim percebi, sem margem para dúvidas, que o outro era um não.
(...) preferível não se concretizar, nesta fase (...)
Quem escreveu não queria dizer nesta fase, queria dizer em todas as fases, aquilo que também se costuma designar por nunca. Porque não era totalmente claro, tive que perguntar para esclarecer. E aqui fui eu que tive que optar por uma formulação alternativa para não obrigar a pessoa a dizer o não que não queria dizer porque pensava que era o mesmo não que eu não queria ouvir (era-me indiferente). E então dei-lhe uma possibilidade de responder afirmativamente a uma pergunta, de tal forma que fosse totalmente incompatível com qualquer interpretação da resposta inicial que não fosse um não redondo e, assim, dar-me a entender que a resposta à pergunta inicial era negativa.
Mas sendo assim posso (...)?
E com este sim percebi, sem margem para dúvidas, que o outro era um não.
domingo, 5 de abril de 2015
Não dói tudo
Na série The Good Wife, Eli ensina Alicia que não se pode dar ao luxo de dizer não às pessoas. E ensina-lhe formas de tornear a questão, de dizer não sem dizer não.
Thank you for your advice. All opinions are open at this stage. I will decide in the next 48 hours.
Ainda que, no momento em que diga estas palavras, saiba perfeitamente que a decisão é o mesmo não que não se pode proferir. Alicia não fica convencida: e depois quando tiver efectivamente que lhes dizer que a minha decisão não é a que querem ouvir?
Eli desdramatiza: as pessoas só querem sentir a opinião delas valorizada, não se interessam pelo resultado final.
Thank you for your advice. All opinions are open at this stage. I will decide in the next 48 hours.
Ainda que, no momento em que diga estas palavras, saiba perfeitamente que a decisão é o mesmo não que não se pode proferir. Alicia não fica convencida: e depois quando tiver efectivamente que lhes dizer que a minha decisão não é a que querem ouvir?
Eli desdramatiza: as pessoas só querem sentir a opinião delas valorizada, não se interessam pelo resultado final.
sábado, 4 de abril de 2015
sexta-feira, 3 de abril de 2015
quinta-feira, 2 de abril de 2015
quarta-feira, 1 de abril de 2015
terça-feira, 31 de março de 2015
sábado, 28 de março de 2015
Marques Mendes partilhou um segredo connosco.
Mais outro. Desta vez parece que os líderes parlamentares se puseram de acordo e o Eusébio vai para o panteão. Do alto do seu púlpito de sábado à noite, é curioso como Marques Mendes comunica estas coisas como se tivesse sido nomeado porta-voz para todos os assuntos importantes e não tão importantes dos portugueses - às vezes não são mais do que fait divers ou cusquices. Mais interessante ainda é a forma como nos conta estes até então segredos: exactamente como se fossem segredos. Começa a frase com "isto ainda não é público". E, ao tornar pública uma coisa que até há dois segundos não era, consegue fazê-lo com uma cara de quem está a falar com um amigo, quase fazendo simultaneamente uma advertência "eh pá, vê lá, agora não vás pra aí a contar isto a toda a gente, 'tá bem?". Marques Mendes é uma espécie de rádio-corredor.
quinta-feira, 26 de março de 2015
But then again
Um dos parâmetros de avaliação no exame de condução devia ser a qualidade técnica da manobra de exibição do passarinho.
quarta-feira, 25 de março de 2015
Much as I think he's a knob, I quite like working with Jeremy
segunda-feira, 23 de março de 2015
sexta-feira, 20 de março de 2015
E isto nos anos 60
«We have gone a long way in keeping alive infants who should once have died, in giving glasses to those with poor eyesight, hearing devices to the hard of hearing, prostheses to the crippled. We have gone a long way in insisting on a common style of marriage regardless of temperament or idiosyncratic preference. We have rebelled against and economic order in which men could afford to marry or to have children. We have been committed to an egalitarianism which attempts to iron out the most gross discrepancies among human beings and between sexes, and which, in the process, disallows individuality. In trying to give each young couple a full biological life from puberty on, we necessarily neglect individual differences in courtship and in mating. The more young people we succeed in marrying off and keeping married – to someone – the more alike all marriages become. It may well be that a necessary next step may be the exploration of difference and provision for many different styles of self-realization and sex behavior.»
Male and female, Margaret Mead
Male and female, Margaret Mead
quinta-feira, 19 de março de 2015
Condicional
E então disse-lhe que era uma condição necessária mas não suficiente: preciso de ti mas não me chegas.
quarta-feira, 18 de março de 2015
Janet e jogos de palavras
"Just because we removed the word 'patient' doesn't mean we're going to be impatient."
segunda-feira, 16 de março de 2015
Desarme
«Mafalda: Estás a brincar?
Pai: Estou a falar a sério!
Mafalda: Não faz sentido falar a sério com alguém que está a brincar; por outro lado, se estivesses a brincar, eu não te levava a sério. É uma situação complicada... não queria estar na tua pele.»
Pai: Estou a falar a sério!
Mafalda: Não faz sentido falar a sério com alguém que está a brincar; por outro lado, se estivesses a brincar, eu não te levava a sério. É uma situação complicada... não queria estar na tua pele.»
domingo, 15 de março de 2015
Agulha num palheiro
Acupunctura é uma espécie de voodoo mais directo, sem o boneco a servir de intermediário.
sexta-feira, 13 de março de 2015
quinta-feira, 12 de março de 2015
It's all about the money
O Top Gear - não me canso de o dizer - não é apenas um programa de carros, caso contrário não teria o sucesso que tem. É muito mais arrojado do que isso e é exactamente isso que se espera dele. Donde Conforme notou alguém, não faz sentido pagar a alguém como ele para praticar associação mental livre e a seguir castigá-lo exatamente por isso.. É o mesmo que convidar o Ricky Gervais para apresentar os Golden Globes e ficar escandalizado com as piadas brutais e ad hominem - como o próprio diz, não pode não confrontar o elefante dentro da sala. É certo que agressão física é um campeonato completamente diferente, e aí a defesa da irreverência não pode fazer nada pelo Clarkson. Resta esperar que a relevância financeira que o Top Gear tem para a BBC nos salve.
quarta-feira, 11 de março de 2015
terça-feira, 10 de março de 2015
segunda-feira, 9 de março de 2015
domingo, 8 de março de 2015
sexta-feira, 6 de março de 2015
A eira e o nabal
Muitas vezes não é um questão de perseguir o sol na eira simultaneamente com a chuva no nabal - conseguir uma das combinações individuais já seria ouro sobre azul. O problema surge verdadeiramente, na sua maior expressão, quando somos deparados com uma surpreendente conjugação de chuva na eira e sol no nabal.
quinta-feira, 5 de março de 2015
«Don't assume. It makes an "ass" out of "u" and "me".»
O PC ideal é aquele que, quando se abre uma aplicação do Office, sai uma série com o Gervais
quarta-feira, 4 de março de 2015
Não simetria
«Porém, urge acrescentar que a mulher de Schiller, apesar da sua graciosidade, era extremamente estúpida. No entanto, a estupidez constitui-se num especial atributo nas mulheres atraentes. Pelo menos, tenho conhecido muitos maridos que se regozijam com a estupidez das respectivas mulheres e conseguem ver nisso todos os predicados da inocência pueril. A beleza consegue verdadeiros prodígios. Numa beldade, todas as imperfeições interiores, ao invés de causarem repugnância, tornam-se de algum modo desmesuradamente sedutoras. Numa mulher bela, o próprio vício assume contornos fascinantes, mas se não fosse pela beleza, a mulher teria de ser vinte vezes mais inteligente do que o homem para infundir, se não o amor, pelo menos o respeito. »
Contos de S. Petersburgo, Nikolai Gogol
Contos de S. Petersburgo, Nikolai Gogol
domingo, 1 de março de 2015
Above and beyond
Era vítima de assombrações que considerava de fraca qualidade. E então dizia que vinham do aquém em vez de vir do além.
sábado, 28 de fevereiro de 2015
Quando os últimos são os primeiros
Lembro-me de ter tido uma conversa com a minha avó quando estava perto de me licenciar. Rebuscou na memória dela e contou-me como sentiu um vazio no momento em que percebeu que tinha terminado o seu curso. É provável que também tenha tido a mesma sensação quando me apercebi que tinha os créditos todos que precisava ou quando me dei conta de que não precisava de ir fazer mais exames. Eventualmente porque ainda não era claro para mim o que ia fazer a seguir e, aí sim, o vazio atingiu-me – como se, de repente, não houvesse mais nada para fazer. Ou então apenas por causa da sugestão dela.
Nos últimos anos tenho coleccionado um número relativamente simpático de últimos dias. Mas estes últimos dias são diferentes dos das últimas aulas das últimas cadeiras da licenciatura. Porque estão associados não àquilo que termina mas àquilo que vai começar. E, nesse sentido, não sinto vazio nenhum – sinto, quando muito, o oposto. Como se não fossem últimos dias mas efectivamente primeiros dias. E, desta forma, estão muito mais próximos do longínquo primeiro dia de escola na primária do que último dia de faculdade.
Nos últimos anos tenho coleccionado um número relativamente simpático de últimos dias. Mas estes últimos dias são diferentes dos das últimas aulas das últimas cadeiras da licenciatura. Porque estão associados não àquilo que termina mas àquilo que vai começar. E, nesse sentido, não sinto vazio nenhum – sinto, quando muito, o oposto. Como se não fossem últimos dias mas efectivamente primeiros dias. E, desta forma, estão muito mais próximos do longínquo primeiro dia de escola na primária do que último dia de faculdade.
Democracia à moda russa
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Back to the future
21 de Outubro de 2015 é a data para a qual Marty (Hello, hello, anybody home? Think McFly!) e o Doc viajam no segundo filme da trilogia. Passaram 30 anos sobre o filme e estamos a sensivelmente seis meses da data - 1985 é o ano de origem, é o presente da história. Não há carros voadores nem skates magnéticos sem rodas. Não há roupas que se ajustam automaticamente às dimensões de cada um. Claro que, pelo meio, o mundo também não acabou uma série de vezes, num dos inúmeros acontecimentos em que era suposto tê-lo feito. Por exemplo aquando da profecia maia. Ainda assim, sinto que as minhas expectativas de miúdo saíram defraudadas. Enfim, pode ser que nos seis meses que restam seja surpreendido.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Sugiro que não me sugiram
O youtube, para além do conjunto de sugestões que já oferecia na sua barra lateral, agora resolve saltar mesmo para um qualquer vídeo logo após o final daquele que acabámos de ver. Quer dizer, não é logo logo, aparece uma não muito longa contagem decrescente com o título, normalmente não muito preciso, por debaixo. Ou seja, é como se os links com mix de vídeos subordinados a um dado tema fossem generalizados a todos os conteúdos. Com a agravante de a associação não ser, de todo óbvia: o algoritmo que escolhe o vídeo seguinte seguramente é baseado no histórico de visualizações, donde qualquer coisa pode suceder a qualquer coisa. E é isto que é particularmente irritante. É esta suposta aleatoriedade orientada para o meu perfil de utilizador. Por exemplo, ver um excerto do programa do Jon Stewart e em seguida ser presenteado com o Winton Marsalis ao vivo. Já não bastava o paternalismo de oferecer sugestões, agora é uma quase sobranceria de - a não ser mediante um click num curto espaço de tempo - ter que gramar algo que não pedi e, frequentemente, mal direccionado para aquilo que me apetece ver naquele momento, pese embora o meu interesse pelo tópico.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Notas para a Grécia
Will Butler dos Arcade Fire dedica esta música à Grécia. Segundo o próprio, estava a ler o blog do Guardian quando a inspiração surgiu.
Agressividade passiva
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Oh la vache ou (um)a diferença entre mim e o David Duchovny
I had an idle idea while driving one day that if I were a cow I’d probably do my best to get to India. I thought that was funny.
Em tempos idos, o mesmo também me ocorreu e, vai daí, até escrevi um post sobre isso. Great minds think alike. Há tanto tempo que imediatamente afastei a ideia de o procurar no arquivo. Diga-se que não continuei a explorar o mesmo raciocínio aplicado a outros animais - tenho alguma dificuldade em classificar esta última parte como algo negativo (preguiça, a imaginação a ir-se) ou positivo (não estou tão queimado quanto o Duchovny).
Em tempos idos, o mesmo também me ocorreu e, vai daí, até escrevi um post sobre isso. Great minds think alike. Há tanto tempo que imediatamente afastei a ideia de o procurar no arquivo. Diga-se que não continuei a explorar o mesmo raciocínio aplicado a outros animais - tenho alguma dificuldade em classificar esta última parte como algo negativo (preguiça, a imaginação a ir-se) ou positivo (não estou tão queimado quanto o Duchovny).
domingo, 22 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
É isto
Estragon: Well, shall we go?
Vladimir: Yes, let's go.
[They do not move.]
Waiting for Godot, Samuel Beckett
Vladimir: Yes, let's go.
[They do not move.]
Waiting for Godot, Samuel Beckett
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Nichts
Estragon: Nothing happens, nobody comes, nobody goes, it's awful!
Waiting for Godot, Samuel Beckett
Waiting for Godot, Samuel Beckett
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Marcação à zona de desconforto
Não tenho preconceitos em relação à mudança. Mais até, em procurar a mudança. Arriscar. Mas tenho algo contra paternalismo de vão de escada que se instalou em torno da suposto falta de proactividade alheia: causa algum desconforto a questão de instigar os outros (ou recriminar os que não o fazem) a sair da respectiva zona de conforto. Como se tudo na vida se resumisse (confortavelmente) a um certo nível (ou ausência) de atitude. Sem querer cair num (desconfortável) argumento circular, a essas vozes (desconfortáveis) apetece-me dizer para sairem da própria zona de conforto. Que, aparentemente, é (confortavelmente) instruir os outros para sairem da deles.
sábado, 14 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Where to draw the line
A diferença entre bom dia e boa tarde é vincada. Sou normalmente corrigido (e corrijo!) se alguém me disser bom dia às três da tarde. No entanto, hoje desejaram-me um resto de bom dia às três da tarde. Fiquei a pensar se deveria corrigir para um mais apropriado resto de boa tarde.
domingo, 8 de fevereiro de 2015
É uma experiência relativamente comum
Sentado na bicicleta, pedalar e lutar para atingir equilíbrio à medida que se adquire velocidade, incentivado pela voz progenitora que corre segurando a traseira da bicicleta. A sensação de excitação misturada com algum medo surge quando se olha para trás e apercebe que o apoio já lá não está - ficou para trás, curvado, mãos agarradas aos joelhos, a arfar.
Hoje vi um pai a ensinar um filho a andar de skate.
(empurra com a perna esquerda!)
Hoje vi um pai a ensinar um filho a andar de skate.
(empurra com a perna esquerda!)
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Embracing the shallow
Num dos episódios de Dr. House, o seu (único?) amigo Wilson descobre que tem cancro. Um oncologista com cancro, a ironia. A partir daí e durante alguns episódios, assistimos à reacção do feiticeiro revirado pelo feitiço.
Wilson não quer ser tratado no hospital, Wilson não quer fazer os tratamentos convencionais que tantas vezes prescreveu aos seus doentes com base em taxas elevadas de sucesso da terapia. Que dizer àqueles a quem estas terapias ainda assim, desafiando as probabilidades, não funcionaram? Prefere uma solução experimental, arriscada, que caso não resulte pode significar a sua morte. Não morre mas também não consegue a cura.
Como muitos dos que passam por situações graves de saúde que (im)põem um prazo de validade - assim como aqueles de quem se diz terem enganado a morte por pouco - qual lugar-comum, sentiu que tinha que mudar a sua vida. Aproveitar os cinco meses que lhe faltam. Sugar o tutano de cada dia, carpe diem.
Resolve cortar totalmente com a sua vida de até àquele momento. Tinha arriscado pouco, feito poucas loucuras. Ao contrário do (não único?) amigo House, é o tipo de pessoa que se preocupa com os outros, que tem consideração pelo sofrimento dos seus doentes.
E então, ao contrário da maioria dos que executam o lugar-comum, não tentou uma mudança para uma vida com mais sentido mas sim para vida superficial, imatura. Embracing the shallow. Cria inclusivamente um alter ego, Kyle Calloway, personagem cujo papel vai tentar desempenhar para satisfazer essa vontade de vazio.
Wilson não quer ser tratado no hospital, Wilson não quer fazer os tratamentos convencionais que tantas vezes prescreveu aos seus doentes com base em taxas elevadas de sucesso da terapia. Que dizer àqueles a quem estas terapias ainda assim, desafiando as probabilidades, não funcionaram? Prefere uma solução experimental, arriscada, que caso não resulte pode significar a sua morte. Não morre mas também não consegue a cura.
Como muitos dos que passam por situações graves de saúde que (im)põem um prazo de validade - assim como aqueles de quem se diz terem enganado a morte por pouco - qual lugar-comum, sentiu que tinha que mudar a sua vida. Aproveitar os cinco meses que lhe faltam. Sugar o tutano de cada dia, carpe diem.
Resolve cortar totalmente com a sua vida de até àquele momento. Tinha arriscado pouco, feito poucas loucuras. Ao contrário do (não único?) amigo House, é o tipo de pessoa que se preocupa com os outros, que tem consideração pelo sofrimento dos seus doentes.
E então, ao contrário da maioria dos que executam o lugar-comum, não tentou uma mudança para uma vida com mais sentido mas sim para vida superficial, imatura. Embracing the shallow. Cria inclusivamente um alter ego, Kyle Calloway, personagem cujo papel vai tentar desempenhar para satisfazer essa vontade de vazio.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Souffrance
Fala-se muito dos problemas das pessoas que sofrem em silêncio. Ninguém se preocupa com as que sofrem em ruído.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Bateria
Dois filmes ligados por baterias.
O primeiro pela razão mais óbvia: a história de um aluno de uma escola de jazz de topo e de um professor tirânico. Whiplash, o título e tema central do filme, mas também Caravan, Buddy Rich, Donna Lee, rudimentos e double time feel a 300bpms. O segundo pela razão menos óbvia: a banda sonora de Birdman é, na sua maioria, uma bateria que vai acompanhando a dinâmica do filme. Uma ou outra vez, o baterista é filmado - Brian Blade aparece curvado sobre os pratos e os timbales.
O primeiro a não perder para quem gosta de música e, em especial, teve aulas de música e só faltou chegar a vias de facto com professores execráveis. O segundo, por imensas (todas?) razões, a não perder para quem gosta de cinema.
O primeiro pela razão mais óbvia: a história de um aluno de uma escola de jazz de topo e de um professor tirânico. Whiplash, o título e tema central do filme, mas também Caravan, Buddy Rich, Donna Lee, rudimentos e double time feel a 300bpms. O segundo pela razão menos óbvia: a banda sonora de Birdman é, na sua maioria, uma bateria que vai acompanhando a dinâmica do filme. Uma ou outra vez, o baterista é filmado - Brian Blade aparece curvado sobre os pratos e os timbales.
O primeiro a não perder para quem gosta de música e, em especial, teve aulas de música e só faltou chegar a vias de facto com professores execráveis. O segundo, por imensas (todas?) razões, a não perder para quem gosta de cinema.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
domingo, 1 de fevereiro de 2015
Deflated
Comprar um pão de Mafra fatiado quentinho, acabadinho de fazer. Chegar a casa, arrumar as compras a correr e, depois de tudo no devido sítio, tirar uma faca da gaveta e a manteiga do frigorífico. Abrir a embalagem da manteiga e reparar que está cheia de bolor.
sábado, 31 de janeiro de 2015
The hand that feeds
«This is the Catch-22 of the fossil fuel economy: precisely because these activities are so dirty and disruptive, they tend to weaken or even destroy other economic drivers: fish stocks are hurt by pollution, the scarred landscape becomes less attractive to tourists, and farmland becomes unhealthy. But rather than spark a popular backlash, this slow poisoning can end up strengthening the power of the fossil fuel companies because they end up being virtually the only game in town.»
This changes everything, Naomi Klein
This changes everything, Naomi Klein
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Inconclusivo
Nunca diria que a caligrafia é uma aptidão fundamental mas não seria capaz de dizer que a tua não me impressiona. E, no limite, que também gostaria de conseguir escrever assim. Letras, palavras tão bem escritas. Tão bem desenhadas. Um traço fino, a proporcionalidade. Elegância.
E logo eu que sempre detestei escrever. Quer dizer, fisicamente escrever, pegar numa caneta ou num lápis e desenhar as letras e as palavras.
E daí que faça um esforço por escrever o menos possível. É desconfortável e desgastante. É um castigo. E, quando tenho mesmo que o fazer, tento abreviar as palavras e as frases ao máximo. De tal forma que o resultado, por vezes, é uma algaraviada de palavras cortadas ao meio por pontos e traços, uma espécie de código morse que resume uma ideia a uns quantos sinais quase ininteligíveis.
E logo eu que sempre detestei escrever. Quer dizer, fisicamente escrever, pegar numa caneta ou num lápis e desenhar as letras e as palavras.
E daí que faça um esforço por escrever o menos possível. É desconfortável e desgastante. É um castigo. E, quando tenho mesmo que o fazer, tento abreviar as palavras e as frases ao máximo. De tal forma que o resultado, por vezes, é uma algaraviada de palavras cortadas ao meio por pontos e traços, uma espécie de código morse que resume uma ideia a uns quantos sinais quase ininteligíveis.
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Abaixo do par
Observação do comentador da Eurosport: em qualquer desporto, estar abaixo do par significa estar a fazer uma exibição aquém do potencial e, por isso, inferior e negativa; a excepção é o golfe, onde estar abaixo do par é positivo.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
domingo, 25 de janeiro de 2015
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Os extremos atraem-se
«Authoritarian socialism and capitalism share strong tendencies toward centralizing (one in the hands of the state, the other in the hands of corporations). They also both keep their respective systems going through ruthless expansion – whether through production for production’s sake, in the case of Soviet-era socialism, or consumption for consumption’s sake, in the case of consumer capitalism.»
This changes everything, Naomi Klein
This changes everything, Naomi Klein
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Secessão
Costuma dizer-se que no norte é que se trabalha mas a expressão é trabalhar que nem um mouro.
domingo, 18 de janeiro de 2015
Dois sistemas que diferem nos resultados ex ante e ex post.
O comunismo, para qualquer ponto de partida ex-ante, pretende gerar uma igualdade ex-post. O capitalismo pretende gerar uma igualdade ex-ante, para qualquer ponto de chegada ex-post.
sábado, 17 de janeiro de 2015
1000
This past weekend, the Swiss reached an extraordinary milestone of 1,000 wins on the ATP World Tour. But more than another celebration of a career that, to many observers, makes him the greatest player to ever pick up a racket, his victory over Milos Raonic to take the title in Brisbane reinforced the feeling that he will be a serious factor to land the big prize in Melbourne. Federer has maintained his confidence about his chances in the event that starts next Monday.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Conteúdo explícito
Acho que foi num álbum dos Guns N' Roses (Use your illusion?) que vi pela primeira vez o aviso, em letras brancas e pretas a alternar com o fundo, dirigido aos pais, naquele caso americanos, preocupados com a linguagem menos própria para os ouvidos de crianças: parental advisory, explicit content (ou lyrics em vez de content).
Sempre achei curiosa esta indicação. Porque não se refere verdadeiramente àquilo que pretende censurar, i.e., o uso explícito de palavrões. E desta forma parece adulterar o intuito, já que alegar (apenas) conteúdo explícito quando palavrões são usados significa que o mesmo conteúdo é menos explícito quando os mesmo palavrões não são usados. Ou seja, os palavrões tornam a linguagem e a mensagem mais clara. E com alguma (muita) razão. Por exemplo "isto é muito claro" e "isto é claro como o caralho" - o segundo é claramente mais explícito que o primeiro.
Sempre achei curiosa esta indicação. Porque não se refere verdadeiramente àquilo que pretende censurar, i.e., o uso explícito de palavrões. E desta forma parece adulterar o intuito, já que alegar (apenas) conteúdo explícito quando palavrões são usados significa que o mesmo conteúdo é menos explícito quando os mesmo palavrões não são usados. Ou seja, os palavrões tornam a linguagem e a mensagem mais clara. E com alguma (muita) razão. Por exemplo "isto é muito claro" e "isto é claro como o caralho" - o segundo é claramente mais explícito que o primeiro.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Fácil
Os anglófonos dizem "piece of cake" quando se querem referir a algo que é fácil. Os francófonos também podem dizer "c'est du gâteau" embora aparentemente não o façam correntemente. Os germanófonos, para além de "Kinderspiel", dizem "nur ein Klacks": apenas uma porção, dose de uma substância mole e meio líquida, como as colheradas de puré na cantina da escola. E nós os lusófonos? Canja.
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Nem sequer se trata de roubar as palavras dos outros.
Não tem nada a ver com roubar. É aproveitar. Um aproveitar que tem a vantagem de servir não só quem rediz mas também quem diz. Mutuamente benéfico. Uma espécie de relação simbiótica.
Quem diz vê a mensagem reforçada e a lealdade (canina?) reafirmada, uma forma de separar o trigo do joio. Quem rediz esconde-se no conforto da afirmação alheia, e insere-se cada vez mais na engrenagem da qual comodamente faz parte.
Quem rediz fá-lo com convicção. Com força, como se as palavras fossem mesmo suas, da sua laia. E, de início, parecem mesmo sair da sua cabeça, tudo parece genuíno, autêntico, credível; só mais tarde as palavras começam a soar gastas, usadas, em segunda mão, requentadas.
Quem rediz serve-se numa bandeja que é prontamente abocanhada. Na solidão, dirá ao seu próprio ouvido que não tinha outra opção, que o faz apenas por auto-preservação, instinto de sobrevivência. E sente-se melhor.
Mas sobrevive, nisso tem toda a razão, ele que sabe que chegou onde chegou justamente por esse comportamento. Bom comportamento. Bom comportamento que é premiado. E é assim que vai avançado. E se vai aguentando e aguentando. Sobrevive porque é exactamente essa subserviência que é recompensada ao fim do dia, uma recompensa entregue conjuntamente com a exigência de mais e mais entrega.
E vai continuando a entregar. Ao mesmo tempo que suspira pelo dia em que não exista mais quem diz e que não tenha que redizer mais. O dia em que passe a ditar aquilo que os outros vão repetir. O dia em que deixe de redizer para passar a dizer.
Quem diz vê a mensagem reforçada e a lealdade (canina?) reafirmada, uma forma de separar o trigo do joio. Quem rediz esconde-se no conforto da afirmação alheia, e insere-se cada vez mais na engrenagem da qual comodamente faz parte.
Quem rediz fá-lo com convicção. Com força, como se as palavras fossem mesmo suas, da sua laia. E, de início, parecem mesmo sair da sua cabeça, tudo parece genuíno, autêntico, credível; só mais tarde as palavras começam a soar gastas, usadas, em segunda mão, requentadas.
Quem rediz serve-se numa bandeja que é prontamente abocanhada. Na solidão, dirá ao seu próprio ouvido que não tinha outra opção, que o faz apenas por auto-preservação, instinto de sobrevivência. E sente-se melhor.
Mas sobrevive, nisso tem toda a razão, ele que sabe que chegou onde chegou justamente por esse comportamento. Bom comportamento. Bom comportamento que é premiado. E é assim que vai avançado. E se vai aguentando e aguentando. Sobrevive porque é exactamente essa subserviência que é recompensada ao fim do dia, uma recompensa entregue conjuntamente com a exigência de mais e mais entrega.
E vai continuando a entregar. Ao mesmo tempo que suspira pelo dia em que não exista mais quem diz e que não tenha que redizer mais. O dia em que passe a ditar aquilo que os outros vão repetir. O dia em que deixe de redizer para passar a dizer.
domingo, 11 de janeiro de 2015
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
Sucked in
Wilson: So you don't want to just avoid the issue; you want to avoid avoiding the issue.
House: Nothing is either as bad or as good as you think it is in the time.
Dr House
House: Nothing is either as bad or as good as you think it is in the time.
Dr House
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
«Segundo as estatísticas, e pelo que [...] lera numa revista ou num jornal qualquer, aproximadamente metade da população mundial não está satisfeita com o nome que tem. Ele pertencia ao grupo dos eleitos. Pelo menos, não tinha razão de queixa. Ou talvez fosse mais correto dizer que não se estava a ver com um nome diferente, nem imaginava que vida poderia ter levado com outra designação.»
A peregrinação do rapaz sem cor, Haruki Murakami
A peregrinação do rapaz sem cor, Haruki Murakami
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Cuba autêntica
domingo, 4 de janeiro de 2015
Bitola
Dois dedos são uma espécie de medida universalmente aceite daquilo que é q.b. – nem a mais, nem a menos. Por exemplo, uma pessoa sensata é uma pessoa com dois dedos de testa. Se tivesse apenas um dedo não teria, aparentemente, toda a sensatez e maturidade necessárias. Mas e com três dedos de testa? Seria tanta sensatez junta ao ponto de ser demasiada? Tornar-se-ia aborrecida pelo dedo adicional ou teria apenas uma testa muito grande qual monstro do Frankenstein?
Curioso é também a questão dos dois dedos de conversa. O que acontecerá se apenas tivermos um dedo de conversa? Ficará a meio e a saber a pouco porque muita coisa ficou por contar e discutir? E será que com três dedos de conversa estaremos a raiar o fala-baratismo? Muito interessante é que, nestes casos, este terceiro dedo (ou quarto, ou quinto, etc.) parece sofrer uma mutação para outra referência anatómica: falar pelos cotovelos.
A questão é se também se pode escrever pelos cotovelos. Dois (?) dedos de testa sugerem-me que talvez seja este o momento para um ponto final.
Curioso é também a questão dos dois dedos de conversa. O que acontecerá se apenas tivermos um dedo de conversa? Ficará a meio e a saber a pouco porque muita coisa ficou por contar e discutir? E será que com três dedos de conversa estaremos a raiar o fala-baratismo? Muito interessante é que, nestes casos, este terceiro dedo (ou quarto, ou quinto, etc.) parece sofrer uma mutação para outra referência anatómica: falar pelos cotovelos.
A questão é se também se pode escrever pelos cotovelos. Dois (?) dedos de testa sugerem-me que talvez seja este o momento para um ponto final.
sábado, 3 de janeiro de 2015
Desço a avenida.
Distraído, distante, a pensar na morte da bezerra. Mas há qualquer coisa do lado esquerdo - um vulto, um movimento - que me chama a atenção e olho instintivamente - um tipo com uma câmara e uma haste com um microfone na ponta. Olhar é sempre o pior que se pode fazer nestas circunstâncias: quando vê os meus olhos em cima dos dele, resolve vir meter conversa comigo (caso contrário quase juraria que não me teria abordado). Pergunta-me se me pode fazer umas perguntas sobre uma pessoa, cujo nome me diz e eu não retive de todo (como se nota). E digo-lhe exactamente isso, que não faço ideia quem seja e, portanto, não o posso ajudar. Insiste, diz que não há problema, que me dá três hipóteses de resposta e eu só tenho que escolher uma e eu digo-lhe que não quero aparecer na televisão, ao mesmo que começo a afastar-me dele. Responde-me: Mas isto é para a RTP International, não dá cá, ninguém vai ver.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
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