segunda-feira, 21 de julho de 2014
domingo, 20 de julho de 2014
Matar moscas com uma carabina
«Section 232 stipulates that each regulatory agency must establish ‘an Office of Minority and Women Inclusion’ to ensure, among other things ‘increased participation of minority-owned and women-owned businesses in the programs and contracts of the agency’. Unless you believe, with the head of the International Monetary Fund, Christine Lagarde, that there would have been no crisis if the best-known bank to fail had been called ‘Lehman Sisters’ rather than Lehman Brothers, you may well wonder what exactly this particular section of Dodd-Frank will do to ‘promote the financial stability of the United States’.»
The Great Degeneration, Niall Ferguson
The Great Degeneration, Niall Ferguson
sábado, 19 de julho de 2014
À medida que o tempo passa, tudo é uma questão de zoom e velocidade do obturador.
Zoom para evitar o lugar-comum da perspectiva mas também pela imagem: quanto maior o trilho, maior o zoom out; quanto maior o zoom out, mais existe para avaliar, até quantificar. E é nessa passagem da fotografia macro – a única possível na juventude – para a grande grande-angular – só possível depois de soprar mais umas quantas velas – que está verdadeiramente o segredo. Em relação à velocidade do obturador, uma fotografia com uma velocidade muito elevada capta minuciosamente um momento de tempo muito preciso. A velocidade mais lenta – no limite o bulb – regista as deslocações, os movimentos arrastados entre os vários momentos.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Something else não é forçosamente something more
O Facebook gosta de facilitar a vida a pessoas como eu que não têm muita pachorra para fornecer informações pessoais. Sugere e palpita hipóteses com base em perfis alheios: aparece à esquerda uma lista e a ligação que deu origem a essa sugestão. O mais giro é, no entanto, o pluralismo: as respostas em branco são admissíveis. Por exemplo, o último item da lista do local de origem é “I don’t have a hometown”. É com a não-resposta que o Facebook lida mal.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
domingo, 13 de julho de 2014
terça-feira, 8 de julho de 2014
Isto só podia ser pior para o Brasil...
... se a Argentina fosse à final e ganhasse assim tipo por 3 ou 4 a zero à Alemanha.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Rotunda do Saldanha.
Paro na passadeira: uma velhota curvada, de bengala, com nítida dificuldade em se deslocar aproxima-se. Aliás, paro ligeiramente em antecipação da aproximação dela à passadeira. Ela pára também, olha para a estrada e vê que estou à espera dela – devagar, todos os gestos são feitos devagar. Começa a descer do passeio para o asfalto, faz-me sinal com a mão a agradecer. O tipo atrás de mim, visivelmente irritado, arranca rapidamente, ultrapassa-me e passa pela faixa da esquerda antes da velha ter tempo para chegar à segunda metade da passadeira.
domingo, 6 de julho de 2014
Targeted long-term
Há uma altura em que todos os caminhos parecem convergir para exactamente o mesmo ponto focal. E caminhos que seguem direcções aparentemente distintas. Totalmente distintas. E o pior é que, sem a percepção do verdadeiro destino, nem sequer passa pela cabeça ajustar o trajecto, rever as coordenadas, traçar outro rumo.
sábado, 5 de julho de 2014
Entregar a alma ao criador
Adulterar recordações. Dourar a pílula. Nunca nada é exactamente como nos lembramos (ou pensamos) que foi. Nunca nada é tão bom como a sensação que nos dá ao revermos na nossa cabeça aquilo (que pensamos) que nos aconteceu. Daí a saudade, daí o
dantes é que era
ou
nos bons velhos tempos.
Um passado que teima constantemente em competir com um futuro que teima em ficar sempre aquém das expectativas (enviesadas).
Um erro auto-inflingido. Um erro doce.
dantes é que era
ou
nos bons velhos tempos.
Um passado que teima constantemente em competir com um futuro que teima em ficar sempre aquém das expectativas (enviesadas).
Um erro auto-inflingido. Um erro doce.
quinta-feira, 3 de julho de 2014
terça-feira, 1 de julho de 2014
Parede esburacada
O comentador da RTP, aludindo à dificuldade de ultrapassar o guarda-redes dos EUA, Tim Howard, que finalmente sofre um golo da Bélgica depois de inúmeras defesas, refere a alcunha pela qual é conhecido: "the wall". O problema é que a pronuncia como "the hole".
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Dislexia
Ainda não me tinha apercebido - pelo menos não tanto como nos últimos dias - o quanto baralho o nome (português) da Argélia: sai-me Algéria de vez em quando. O que faz algum sentido, é um estrangeirismo do inglês Algeria ou do francês Algérie ou do etc. Aliás, segundo a Wikipedia, é assim também na versão autóctone. Agora por que carga de água teríamos nós (os espanhóis também?) de trocar a ordem das consoantes e passar o "l" lá para trás e "r" cá para frente é difícil de entender. É mais ou menos como a história do nosso bacalhau versus o cabalhau dos outros. Já neste último caso não me engano.
domingo, 29 de junho de 2014
Infância
«When I first heard jazz, it wasn’t “jazz”. It was music. I grew up in a household where you could hear Ornette Coleman right next to Otis Reading, where A Love Supreme and Sergeant Peppers were both in heavy rotation, where Old and New Dreams and a Balinese Gamelan Orchestra often shared the same bill. When I was young, I didn’t recognize “jazz” as being categorically separate or substantively different from “blues,” “rock,” “funk,” ”soul,” “classical,” “indian,” “African,” “Indonesian,” or any other of the countless musical genres I heard pipping over the public airwaves or crackling out of my mom’s old reel-to-reel tape recorder. I wasn’t yet conscious of musical styles as well-defined, easily-labeled, intellectually-specific entities. For the most part, I didn’t even know their names.»
Freedom in the groove, Joshua Redman
Freedom in the groove, Joshua Redman
sábado, 28 de junho de 2014
quinta-feira, 26 de junho de 2014
quarta-feira, 25 de junho de 2014
terça-feira, 24 de junho de 2014
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Há de haver um dia em que vais parar de procurar.
De buscar, como uma criança perdida. De olhar para os lados, a varrer todo o campo visual. O dia. Há de chegar. Mais tarde ou mais cedo, é uma questão de tempo, vais deixar de procurar, vais deixar de sentir a vontade de continuar à busca, a necessidade de continuar à busca. Vais olhar só para o que tens à tua frente – e não para todos os lados, a varrer todo o campo visual. Como uma criança que se perdeu. E só então vais finalmente ver o que está à tua frente.
domingo, 22 de junho de 2014
Semear o futuro
«It is important to understand that these very large net positions in foreign assets allowed Britain and France to run structural trade deficits in the late nineteenth and early twentieth century. (…) This posed no problem, because their income from foreign assets totaled more than 5 percent of national income. Their balance of payments was thus strongly positive, which enabled them to increase their holdings of foreign assets year after year. In other words, the rest of the world worked to increase consumption by the colonial powers and that the same time became more and more indebted to those same powers. This may seem shocking. But it is essential to realize that the goal of accumulating assets abroad by way of commercial surpluses and colonial appropriations was precisely to be in a position later to run trade deficits. There would be no interest in running trade surpluses forever. The advantage of owning things is that one can continue to consume and accumulate without having to work, or at any rate continue to consume and accumulate more than one could produce on one’s own. The same was true on an external scale in the age of colonialism.»
Capital in the twenty-first century, Thomas Piketty
Capital in the twenty-first century, Thomas Piketty
sábado, 21 de junho de 2014
sexta-feira, 20 de junho de 2014
O jargão do politicamente correcto em matéria de recursos humanos é sui generis.
Dantes as pessoas eram funcionários, trabalhadores. Agora são colaboradores, uma espécie de promoção designativa que é suposto atentar à sensibilidade dos funcionários e trabalhadores – perdão, colaboradores. É, no fundo, uma questão de tacto. Já não trabalhamos, nem sequer funcionamos: colaboramos. Do ponto de vista linguístico, nem sequer são equivalentes: podemos ser funcionários de uma instituição e não trabalhar puto nem colaborar um boi. Provavelmente a mesma corrente que decidiu rever as tabuletas que se põem ao pescoço dos funcionários – perdão, colaboradores – também reviu a forma como nos devemos referir a elas na terceira pessoa. Do ponto de vista da gestão, calculo eu. Nesse campo, os trabalhadores – perdão, colaboradores – transformam-se em recursos. Às vezes chegam a ser activos. Assets, em estrangeiro, soa mais sofisticado e dá menos azo a piadas de cariz duvidoso.
Aos poucos tenho vindo a aperceber-me que sou isto tudo sem, no entanto, e francamente, sentir que sou rigorosamente alguma destas coisas. Até trabalho, logo devo ser trabalhador. Também tenho um número mecanográfico, logo devo ser funcionário. Costumo colaborar, vai daí sou colaborador. Mas a todos os que me chamam isto tudo ou parte do cardápio (também eles certamente funcionários, trabalhadores e colaboradores, assim como recursos ou activos, em diferentes doses) apetece-me dizer-lhes: sou o Daniel, caso não tenhamos ainda sido apresentados.
Antigamente chamava-se genericamente serviço de pessoal aos actuais recursos humanos. Soa-me estranho e, lá está, antiquado. Mas, ainda assim, sou capaz de me sentir mais representado. Porque os segundos, passe o trocadilho, são impessoais.
Aos poucos tenho vindo a aperceber-me que sou isto tudo sem, no entanto, e francamente, sentir que sou rigorosamente alguma destas coisas. Até trabalho, logo devo ser trabalhador. Também tenho um número mecanográfico, logo devo ser funcionário. Costumo colaborar, vai daí sou colaborador. Mas a todos os que me chamam isto tudo ou parte do cardápio (também eles certamente funcionários, trabalhadores e colaboradores, assim como recursos ou activos, em diferentes doses) apetece-me dizer-lhes: sou o Daniel, caso não tenhamos ainda sido apresentados.
Antigamente chamava-se genericamente serviço de pessoal aos actuais recursos humanos. Soa-me estranho e, lá está, antiquado. Mas, ainda assim, sou capaz de me sentir mais representado. Porque os segundos, passe o trocadilho, são impessoais.
quarta-feira, 18 de junho de 2014
terça-feira, 17 de junho de 2014
Os hinos parecem-me sempre coisas muito desengraçadas.
Pindéricas até. Pensando bem nas coisas, o espanhol é dos meus preferidos porque tem uma grande virtude, seguramente, acidental: não tem letra. Ao menos só sofremos com a música e não levamos com "o meu país é melhor que o teu toma toma".
segunda-feira, 16 de junho de 2014
domingo, 15 de junho de 2014
sábado, 14 de junho de 2014
sexta-feira, 13 de junho de 2014
quinta-feira, 12 de junho de 2014
Paralaxe
A distância entre aquilo que se percepciona como uma bênção e como uma maldição pode ser muito curta.
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Cut the mustard
Já foi há uns quantos anos que Jimmy Connors deixou temporariamente a reforma para assistir aos treinos do Andy Roddick. Foi com a ajuda de Connors que o Roddick voltou a estar em alguns finais de Slams.
Entretanto, Magnus Norman fez uma parceria sueca com Robin Soderling e levou-o à final de Roland Garros duas vezes mas não conseguiu fazê-lo levantar o troféu, tal como ele que perdeu com o Guga no mesmo palco. Parece que agora Norman é treinador do Stan Wawrinka.
Mais recentemente, duas contratações bombásticas: Boris Becker para a box do Djokovic, Stefan Edberg para o do Federer. Outras interessantes: Goran Ivanisevic e Marin Cilic, Ivan Ljubicic do Milos Raonic e Sergi Bruguera e Richard Gasquet.
Uma joint venture que deu que falar foi a de Ivan Lendl e o Andy Murray: o checo/americano parecia ser o ideal para o escocês porque também sofreu até conseguir ganhar o seu primeiro Slam (4,5 finais perdidas?). Agora, poucas semanas depois de ter sido anunciado o fim da relação profissional, chega a notícia mais interessante de todas: a Amèlie Mauresmo como treinadora do Andy Murray, a substituir o Lendl.
Entretanto, Magnus Norman fez uma parceria sueca com Robin Soderling e levou-o à final de Roland Garros duas vezes mas não conseguiu fazê-lo levantar o troféu, tal como ele que perdeu com o Guga no mesmo palco. Parece que agora Norman é treinador do Stan Wawrinka.
Mais recentemente, duas contratações bombásticas: Boris Becker para a box do Djokovic, Stefan Edberg para o do Federer. Outras interessantes: Goran Ivanisevic e Marin Cilic, Ivan Ljubicic do Milos Raonic e Sergi Bruguera e Richard Gasquet.
Uma joint venture que deu que falar foi a de Ivan Lendl e o Andy Murray: o checo/americano parecia ser o ideal para o escocês porque também sofreu até conseguir ganhar o seu primeiro Slam (4,5 finais perdidas?). Agora, poucas semanas depois de ter sido anunciado o fim da relação profissional, chega a notícia mais interessante de todas: a Amèlie Mauresmo como treinadora do Andy Murray, a substituir o Lendl.
terça-feira, 10 de junho de 2014
É curioso que se escolha usar cadeados como símbolos de amor.
Se, por um lado, podem significar uma união forte e inquebrantável – sobretudo depois de fechados e de a chave ser atirada ao fundo do rio –, por outro lado parecem ser vistos como uma prisão: um cadeado fecha, por exemplo, portas; e essas portas, por sua vez, podem fechar pessoas. De qualquer das formas, não é só como símbolos que têm um peso assinalável.
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Canalha
«(…) other Westerns and I are struck by the emotional security, self-confidence, curiosity, and autonomy of members of small-scale societies, not only as adults but already as children. We see that people in small-scale societies spend far more time talking to each other than we do, and they spend no time at all on passive entertainment supplied by outsiders, such as television, video games and books. We are struck by the precocious development of social skills in their children. These are qualities that most of us admire, and would like to see in our own children, but we discourage development of those qualities by ranking and grading our children and constantly telling them what to do. The adolescent identity crises that plague American teen-agers aren’t an issue for hunter-gatherer children. The Westerns who have lived with hunter-gatherers and other small-scale societies speculate that these admirable qualities develop because of the way in which their children are brought up: namely, with constant security and stimulation, as a result of the long nursing period, sleeping near parents for several years, far more social models available to children through allo-parenting, far more social stimulation through constant physical contact and proximity of caretakers, instant caretaker responses to a child’s crying, and the minimal amount of physical punishment.»
The world until yesterday, Jared Diamond
The world until yesterday, Jared Diamond
domingo, 8 de junho de 2014
sábado, 7 de junho de 2014
quinta-feira, 5 de junho de 2014
Heute wär ich mir lieber nicht begegnet
A tua cara ilumina-se quando me vês. Sorriso rasgado. O brilho dos olhos. Mesmo sem me (re)conheceres
Quem é este menino?
E não sabes. Eu sei que não sabes. Mesmo quando por vezes tentas dar a volta à pergunta, fugir à resposta, és uma mestre a disfarçar. Mas não faz mal. Não me importo. Porque mesmo assim a tua cara, o teu sorriso. Rasgado. Os olhos. O brilho. E aí, nesse momento, sei que sabes quem sou. Mesmo sem me conheceres (reconheceres?).
Então não sabe?
Deixaste o menos importante para trás. Ficaste com o mais importante. Guardaste o que interessa: a tua cara, o teu sorriso. Os olhos. E nisso, para lá de tudo o resto que, bem vistas as coisas, pouco me importa – troco isso tudo pela cara, o sorriso, os olhos. E mesmo quando não conheces, reconheces, sabes
Diga lá quem é este menino
sei que sabes quem efectivamente sou.
Quem é este menino?
E não sabes. Eu sei que não sabes. Mesmo quando por vezes tentas dar a volta à pergunta, fugir à resposta, és uma mestre a disfarçar. Mas não faz mal. Não me importo. Porque mesmo assim a tua cara, o teu sorriso. Rasgado. Os olhos. O brilho. E aí, nesse momento, sei que sabes quem sou. Mesmo sem me conheceres (reconheceres?).
Então não sabe?
Deixaste o menos importante para trás. Ficaste com o mais importante. Guardaste o que interessa: a tua cara, o teu sorriso. Os olhos. E nisso, para lá de tudo o resto que, bem vistas as coisas, pouco me importa – troco isso tudo pela cara, o sorriso, os olhos. E mesmo quando não conheces, reconheces, sabes
Diga lá quem é este menino
sei que sabes quem efectivamente sou.
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Sorge
«(…) food is a major and almost constant subject of conversation. I was initially surprised that my Fore friends spent so much time talking about sweet potatoes, even after they had just eaten to satiation. For the Siriono Indians of Bolivia, the overwhelming preoccupation is with food, such that two of the commonest Siriono expressions are “My stomach is empty” and “Give me some food.” The significance of sex and food is reversed between the Siriono and us Westerners: the Sirionos’ strongest anxieties are about food, they have sex virtually whenever they want, and sex compensates for food hunger, while our strongest anxieties are about sex, we have food virtually whenever we want, and eating compensates for sexual frustration.»
The world until yesterday, Jared Diamond
The world until yesterday, Jared Diamond
terça-feira, 3 de junho de 2014
Gaspiller
Gostava de ter de volta toda a energia que gasto em coisas que não interessam para nada mas que, ainda assim, tenho que as fazer. E tenho que as fazer para poder (finalmente) fazer as que verdadeiramente interessam. Do total de esforço envolvido com uma determinada tarefa, uma grande parte não é efectivamente empregue nessa tarefa mas sim em actividades acessórias de necessidade duvidosa mas de utilidade comprovada: levar a cabo as de necessidade e utilidade comprovadas. Não é tanto ou só pela quantidade em si – e ainda assim gasta-se muito. É pela dificuldade de aceitar: cansa sempre mais aquilo que não entendemos e dificilmente aceitamos.
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Stickiness
«Anecdotally, there is certainly evidence of a high degree of stickiness in the demand for retail financial services. Statistically, an adult is more likely to leave their spouse than their bank.»
What is the contribution of the financial sector: Miracle or mirage?, Andrew Haldane, Simon Brennan e Vasileios Madouros
What is the contribution of the financial sector: Miracle or mirage?, Andrew Haldane, Simon Brennan e Vasileios Madouros
domingo, 1 de junho de 2014
A propósito dos resultados das europeias
e da proliferação de eurocépticos em Bruxelas, ocorre-me ter um monarca como Presidente da República: D. Duarte em Belém, a Isabelinha primeira-dama. Ou um ateu como Papa, a discursar da varanda do Vaticano, vestido de branco. Um benfiquista como Presidente do Sporting e um sportinguista como presidente do Benfica. Carecas a gerir cabeleireiros, sei lá.
sábado, 31 de maio de 2014
"Eu não digo convictamente, eu tenho a certeza"
ouvi eu Jorge Jesus dizer (convictamente) em entrevista à Benfica TV.
sexta-feira, 30 de maio de 2014
quarta-feira, 28 de maio de 2014
Memo
Em vez de colocar a folha vertical, deitou-a. Lentamente, escreveu o assunto mesmo no centro. Letras grandes, bem vincadas, carregadas. Desenhou uma bola à volta. Oval. Depois assistiu. E desenhou setas. Setas a sair do bola - oval - e até aos extremos da olha de papel: primeiro até ao canto superior esquerdo, depois verticalmente, depois até ao canto superior direito. E em cada uma dessas zonas tirou notas. Pontos, alíneas, travessões. E assim sucessivamente até encher a folha, até ficar com uma espécie de roda de bicicleta com um centro e os raios, uma espécie de constelação.
terça-feira, 27 de maio de 2014
A arte posta numa esquina
«Por mais brutal que seja dizer isto, com a arte do nosso meio e época aconteceu o mesmo que acontece com uma mulher que vende os seus atractivos femininos, destinados à maternidade, para o prazer dos que se sentem tentados por tais atributos.
A arte do nosso tempo e do nosso meio tornou-se uma prostituta. E esta comparação é certeira até aos mais ínfimos pormenores.
(...)
A arte verdadeira não necessita de enfeites, como a mulher amada pelo marido. A arte falsa, como a prostituta, deve ser sempre enfeitada.
A causa do aparecimento da arte genuína é a necessidade interior de expressar o sentimento acumulado, como para uma mãe a causa da concepção sexual é o amor. A causa da arte falsificada é o negocio, assim como da prostituição.»
O que é a arte?, Lev Tolstói
A arte do nosso tempo e do nosso meio tornou-se uma prostituta. E esta comparação é certeira até aos mais ínfimos pormenores.
(...)
A arte verdadeira não necessita de enfeites, como a mulher amada pelo marido. A arte falsa, como a prostituta, deve ser sempre enfeitada.
A causa do aparecimento da arte genuína é a necessidade interior de expressar o sentimento acumulado, como para uma mãe a causa da concepção sexual é o amor. A causa da arte falsificada é o negocio, assim como da prostituição.»
O que é a arte?, Lev Tolstói
segunda-feira, 26 de maio de 2014
Música celestial
À porta do Minipreço, parada, procura qualquer coisa com a mão dentro da mala Luois Vuitton.
domingo, 25 de maio de 2014
sábado, 24 de maio de 2014
sexta-feira, 23 de maio de 2014
Due dilligence
Chris O’Donnell: Are you currently in good health?
Liam Neeson: I suppose so.
Chris O’Donnell: What makes you doubtful?
Liam Neeson: Every doctor I’ve ever seen.
Kinsey
Liam Neeson: I suppose so.
Chris O’Donnell: What makes you doubtful?
Liam Neeson: Every doctor I’ve ever seen.
Kinsey
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Sich rar machen
O Truman nunca dava a cara quando as coisas corriam mal, sacudia sempre a água do Capote.
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Mir
«Thus, it could not be claimed that some societies are inherently or genetically peaceful, while others are inherently warlike. Instead, it appears that societies do or don’t resort to war, depending on whether it might be profitable to them to initiate war and/or necessary for them to defend themselves against wars initiated by others. (…) It is equally fruitless to debate whether humans are intrinsically violent or else intrinsically cooperative. All human societies practice both violence and cooperation; which trait appears to predominate depends on the circumstances.»
The world until yesterday, Jared Diamond
The world until yesterday, Jared Diamond
Eu tenho três motores
terça-feira, 20 de maio de 2014
Não vi nada desta temporada de terra batida até agora mas, mesmo assim, comento.
Nem que seja para dizer que, em matéria de resultados, esta é a pior temporada dos últimos 7, 8 anos do Nadal. Conseguiu apenas ganhar em Madrid, torneio ao qual faltaram uns quantos nomes, e contra um Nishikori aleijado na final. Pelo que me contaram – lá está, não vi – em condições normais nem essa taça teria levantado.
A somar à má temporada (para os seus próprios padrões) do Nadal, o Djokovic está às escuras este ano, não ganhou na Austrália onde parecia ter um lugar cativo no pódio. A vontade de ganhar em Paris – que já existia porque é o Slam que lhe falta, pese embora o discurso da não obcecação – fica ainda mais espicaçada. E com o maior rival abaixo de par, Nole já deve ter feito todas as contas de cabeça possíveis e imaginárias e deve ter percebido que esta parece ser uma excelente oportunidade – a melhor dos últimos 7, 8 anos – para finalmente levar para casa a Taça dos Mosqueteiros.
Esta pode ser uma mudança de ciclo, um virar de página. Pode também ser uma das edições do Roland Garros mais interessantes dos últimos anos porque parece mais aberta, sem vencedores quasi-pré-determinados.
A somar à má temporada (para os seus próprios padrões) do Nadal, o Djokovic está às escuras este ano, não ganhou na Austrália onde parecia ter um lugar cativo no pódio. A vontade de ganhar em Paris – que já existia porque é o Slam que lhe falta, pese embora o discurso da não obcecação – fica ainda mais espicaçada. E com o maior rival abaixo de par, Nole já deve ter feito todas as contas de cabeça possíveis e imaginárias e deve ter percebido que esta parece ser uma excelente oportunidade – a melhor dos últimos 7, 8 anos – para finalmente levar para casa a Taça dos Mosqueteiros.
Esta pode ser uma mudança de ciclo, um virar de página. Pode também ser uma das edições do Roland Garros mais interessantes dos últimos anos porque parece mais aberta, sem vencedores quasi-pré-determinados.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Molas ou espuma?
Mostro à funcionária qual é a cama em que estou interessado. Discutimos dimensões, preços, condições de entrega e desconto de pronto pagamento. Escreve-me num papel as informações todas, inclui também as relativas à pequena mesa-de-cabeceira ao lado. E depois pergunta-me
E colchões?
ao que eu respondo que sim, também quero saber sobre colchões e quero levar comigo os elementos para depois tomar uma decisão. E é aqui que diz pela primeira vez
Vamos então ver colchões para esta situação.
Há-de repetir esta frase
(ou parecida, por exemplo)
(Temos também este colchão para esta situação.)
umas duas, três vezes mais no decurso da nossa conversa e, em todas elas, consegui - não sem algum esforço - reprimir a minha vontade de explorar o assunto em detalhe. Por exemplo
Olhe que eu ia jurar que não se trata de uma situação, mas sim de uma cama
Ou
Esta situação é complicada/bicuda
A ciência foi a grande prejudicada.
E colchões?
ao que eu respondo que sim, também quero saber sobre colchões e quero levar comigo os elementos para depois tomar uma decisão. E é aqui que diz pela primeira vez
Vamos então ver colchões para esta situação.
Há-de repetir esta frase
(ou parecida, por exemplo)
(Temos também este colchão para esta situação.)
umas duas, três vezes mais no decurso da nossa conversa e, em todas elas, consegui - não sem algum esforço - reprimir a minha vontade de explorar o assunto em detalhe. Por exemplo
Olhe que eu ia jurar que não se trata de uma situação, mas sim de uma cama
Ou
Esta situação é complicada/bicuda
A ciência foi a grande prejudicada.
domingo, 18 de maio de 2014
sábado, 17 de maio de 2014
Ainda estou à espera que chegue à minha caixa de correio
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Frame
A quantidade de vezes que dei por mim a olhar para algo que me apetecia imenso fotografar e não tinha como é ridícula. E, ainda assim, nunca me consegui convencer a andar constantemente acompanhado de uma máquina fotográfica, como as pessoas que tiram fotos a sério. As máquina reflex são pesadas, desconfortáveis, chatas de transportar.
O mais estranho é nunca me ter ocorrido que um smartphone pudesse, em larga medida, solucionar esta lacuna. Talvez por ter um dumbphone, não tinha noção de como um telefone decente ajuda imenso nessas circunstâncias. Os recursos e as possibilidades não serão tantos como os de uma máquina a sério, a qualidade não é a mesma. Mas o sentido de oportunidade é irreprimível: o telefone está sempre connosco, quase nunca nos larga. E, por isso, deu-me (incutiu-me?) a disciplina que não tinha.
O mais estranho é nunca me ter ocorrido que um smartphone pudesse, em larga medida, solucionar esta lacuna. Talvez por ter um dumbphone, não tinha noção de como um telefone decente ajuda imenso nessas circunstâncias. Os recursos e as possibilidades não serão tantos como os de uma máquina a sério, a qualidade não é a mesma. Mas o sentido de oportunidade é irreprimível: o telefone está sempre connosco, quase nunca nos larga. E, por isso, deu-me (incutiu-me?) a disciplina que não tinha.
quarta-feira, 14 de maio de 2014
terça-feira, 13 de maio de 2014
Don't talk shop
«One of the major difficulties Trillian experienced in her relationship with Zaphod was learning to distinguish between him pretending to be stupid just to get people off their guar, pretending to be stupid because he couldn’t be bothered to think and wanted someone else to do it for him, pretending to be outrageously stupid to hide the fact that he actually didn’t understand what was going on, and really being genuinely stupid. He was renowned for being amazingly clever and quite clearly so – but not all the time, which obviously worried him, hence the act. He preferred people to be puzzled rather than contemptuous. This above all appeared to Trillian to be genuinely stupid, but she could no longer be bothered to argue about it.»
The hitchhikers’ guide to the galaxy, Douglas Adams
The hitchhikers’ guide to the galaxy, Douglas Adams
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Tenho uma dificuldade enorme em interpretar números de telefone quando estão arrumados em grupos de três.
Não que não faça sentido: é lógico agrupar em três, fica perfeitinho porque são nove no total. O problema, como na maior dos traumas, vem de infância. Ainda antes de os números necessitarem do 21 inicial (e similares de rede fixa), ou o 91, 96 ou 93, os três primeiros algarismos tinham um significado para mim. Na zona do Estoril – Estoril Estoril, São João e São Pedro – havia os 466, 467 ou 468. Os meus pais ainda hoje têm um 468. Uma namorada do liceu – ou melhor, os pais dela – tinha um 466. E havia uma daquelas brincadeirinhas de recreio prontas a ser ditas quando alguém dizia que o seu número começava por 467: 467 tira tira mete mete. Já os 486, por exemplo, eram números de Cascais. Os 476 eram da Parede. A minha avó, que morava em Lisboa, tinha um número que começava por 849. Era como se os três primeiros algarismos parcialmente apresentassem ou dissessem qualquer coisa sobre a pessoa com quem íamos falar.
De maneiras que me habituei a estar forma. A minha cabeça ficou formatada assim. Quando hoje em dia me dizem 218 XXX XXX, confesso que ainda fico um pouco baralhado: fico instintivamente à espera dos dois primeiros algarismos do segundo bloco para os juntar ao último do primeiro bloco e tentar tirar algum significado da sua junção. Normalmente em vão.
De maneiras que me habituei a estar forma. A minha cabeça ficou formatada assim. Quando hoje em dia me dizem 218 XXX XXX, confesso que ainda fico um pouco baralhado: fico instintivamente à espera dos dois primeiros algarismos do segundo bloco para os juntar ao último do primeiro bloco e tentar tirar algum significado da sua junção. Normalmente em vão.
domingo, 11 de maio de 2014
sábado, 10 de maio de 2014
sexta-feira, 9 de maio de 2014
Blooper
Disse-lhe que esquecesse tudo. Pediu-lhe que esquecesse tudo. Que não pensasse mais no assunto, ignorasse tudo, apagasse tudo, como se nada fosse, como se nunca tivesse existido.
Não podia: só se pode esquecer o que se conhece.
Não podia: só se pode esquecer o que se conhece.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
terça-feira, 6 de maio de 2014
segunda-feira, 5 de maio de 2014
domingo, 4 de maio de 2014
Lachate mi ballare
As expressões baby steps, giant steps, step by step e stepwise approach atingem o seu expoente no contexto da dança.
sábado, 3 de maio de 2014
Dumbster
«One of the major difficulties Trillian experienced in her relationship with Zaphod was learning to distinguish between him pretending to be stupid just to get people off their guar, pretending to be stupid because he couldn’t be bothered to think and wanted someone else to do it for him, pretending to be outrageously stupid to hide the fact that he actually didn’t understand what was going on, and really being genuinely stupid. He was renowned for being amazingly clever and quite clearly so – but not all the time, which obviously worried him, hence the act. He preferred people to be puzzled rather than contemptuous. This above all appeared to Trillian to be genuinely stupid, but she could no longer be bothered to argue about it.»
The hitchhikers’ guide to the galaxy, Douglas Adams
The hitchhikers’ guide to the galaxy, Douglas Adams
sexta-feira, 2 de maio de 2014
I have days
Põe-me o computador à frente da cara, a homepage do facebook aberta e antes que me desse tempo para terminar o que estava a fazer, começa a falar, a dizer qualquer coisa sobre uma frase e sobre “gostos”. Demoro uns instantes a processar até que
Ah, precisas que te façam likes, é isso?
Responde-me um sim, tímido, com um sorriso a aparecer. Acedo e dá-me duas hipóteses: ou faço login no computador dele ou ele envia-me uma mensagem com o link. Escolho a segunda opção e enquanto me procura pela lista enorme de pessoas com o nome igual ou parecido ao meu, pergunto-lhe qual o objectivo.
É para ser apanha-bolas na final da Liga dos Campeões.
Fico com ainda mais vontade de ajudar o miúdo que entretanto já me encontrou e já está a preparar a mensagem. Mas quantos likes é que precisas? Cerca de quatrocentos responde-me ele.
Então mas os teus amigos não chegam para isso?
Aparentemente não, ainda não tem os que precisa e daí esta abordagem. Necessidade a quanto obrigas. Agradece-me enquanto se afasta. Daí a alguns minutos, quando pego no telefone para responder ao pedido, verifico que não tenho nenhuma mensagem.
Ah, precisas que te façam likes, é isso?
Responde-me um sim, tímido, com um sorriso a aparecer. Acedo e dá-me duas hipóteses: ou faço login no computador dele ou ele envia-me uma mensagem com o link. Escolho a segunda opção e enquanto me procura pela lista enorme de pessoas com o nome igual ou parecido ao meu, pergunto-lhe qual o objectivo.
É para ser apanha-bolas na final da Liga dos Campeões.
Fico com ainda mais vontade de ajudar o miúdo que entretanto já me encontrou e já está a preparar a mensagem. Mas quantos likes é que precisas? Cerca de quatrocentos responde-me ele.
Então mas os teus amigos não chegam para isso?
Aparentemente não, ainda não tem os que precisa e daí esta abordagem. Necessidade a quanto obrigas. Agradece-me enquanto se afasta. Daí a alguns minutos, quando pego no telefone para responder ao pedido, verifico que não tenho nenhuma mensagem.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
É fazer as contas
Não somos os únicos a ter problemas com a matemática. Os italianos também não aparentam ser uns barras. Senão veja-se a política de preços da Panini para a colecção do mundial do Brasil. Uma caderneta nova é vendida juntamente com dez saquetas de cinco cromos por 4 euros e 90 cêntimos. As mesmas dez saquetas sem a caderneta saem a 60 cêntimos cada.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
terça-feira, 29 de abril de 2014
Da série dicas úteis para Pedro Proença arbitrar a meia-final da Liga dos Campeões
Espanhol: (mi) cariño. Alemão: mein Schatz
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Canarinho
Um francês de meia-idade apaixonou-se e casou-se com uma jovem chinesa. E então dizia aos amigos que a mulher dele era uma jaune fille.
domingo, 27 de abril de 2014
sábado, 26 de abril de 2014
By all means
O que é que eu te digo?
Não sei, a sério que não sei. Não tenho palavras. Ter até tenho mas não são as que procuro, não são as que quero, não são as que vão funcionar fazer a diferença. Não sou capaz de dizer aquilo que não é. Por muito perto que possa estar daquilo que é, a uma distância curta, mesmo lá ao lado, marginal. Mas se não é, não te o posso dizer e
A sério, o que é que eu te digo?
Nada de isto me ajuda. Nada de isto me esclarece. Nada de isto vai dar qualquer resultado que seja, que se veja, que se sinta. Que se queira. No final, depois de tudo esgotado, depois da falta de alternativas, da poeira assentada, o vazio. E, no meio desse nada todo
Afinal, o que é que eu te digo?
Não sei, a sério que não sei. Não tenho palavras. Ter até tenho mas não são as que procuro, não são as que quero, não são as que vão funcionar fazer a diferença. Não sou capaz de dizer aquilo que não é. Por muito perto que possa estar daquilo que é, a uma distância curta, mesmo lá ao lado, marginal. Mas se não é, não te o posso dizer e
A sério, o que é que eu te digo?
Nada de isto me ajuda. Nada de isto me esclarece. Nada de isto vai dar qualquer resultado que seja, que se veja, que se sinta. Que se queira. No final, depois de tudo esgotado, depois da falta de alternativas, da poeira assentada, o vazio. E, no meio desse nada todo
Afinal, o que é que eu te digo?
sexta-feira, 25 de abril de 2014
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Em frente à Alfredo da Costa, bastante apropriado.
Enquanto espero em frente ao semáforo, o movimento à minha direita faz-me despertar o olhar. Uma mãe passeia com o filho. Com uma particularidade: segura na mão a ponta de uma trela. A fita amarelada vai da mão dela até às costas do miúdo, presa a uma estrutura que lhe cobre o torso, passando por debaixo dos braços. Como as trelas dos cães, daqueles de maior porte ou mais irrequietos, para os quais não chega apenas uma coleira à volta do pescoço, não vá o animal estrafegar-se.
Melhor: a mãe não passeia com o filho, a mãe passeia o filho.
Melhor: a mãe não passeia com o filho, a mãe passeia o filho.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Posição
Ao contrário de outras áreas, dizer que se é um zero à esquerda em política é uma afirmação de posicionamento.
terça-feira, 22 de abril de 2014
Lais de guia
Os parceiros ideais para praticantes de bondage são marinheiros, seguidos de muito perto por escoteiros.
segunda-feira, 21 de abril de 2014
domingo, 20 de abril de 2014
Construção fantasma
Sou fã do Top Gear, o programa de automóveis da BBC. Gosto particularmente do sentido de humor e da irreverência: o programa é bastante divertido e os veículos são apenas um elemento ao serviço da paródia. Entre outras rubricas, os episódios têm normalmente uma reportagem num qualquer lugar do mundo. Do Vietname ao deserto do Kalahari, do Japão ao Pólo Norte, meio mundo já foi palco das inúmeras aventuras e desventuras.
Uma destas reportagens mais curiosas tem lugar relativamente perto de nós, já aqui ao lado em Espanha: munidos de brutos carrões, os três apresentadores partem de Gibraltar com o objectivo de chegar a Madrid. Muito do que se passa neste percurso é um retrato interessante dos anos de construção desenfreada e da febre do imobiliário em Espanha.
O primeiro contacto com essa realidade acontece quando resolvem entrar numa povoação à procura de um café para fazer uma pausa. O que vislumbram deixa-os de boca aberta: a povoação está completamente deserta. Blocos de apartamentos novos sucedem-se, casas umas atrás das outras e não se vê vivalma. As infraestruturas públicas necessárias – ruas, iluminação, passadeiras – estão todas preparadas e, no entanto, não há rigorosamente ninguém nas ruas. Um dos apresentadores siderado diz: «quando ouvimos falar destas cidades fantasma pensamos que não existem realmente».
A viagem prossegue numa auto-estrada praticamente deserta. Mais perto de Madrid, surge uma indicação de um aeroporto e seguem-na. Novamente são confrontados com uma imagem desoladora. Os parques de estacionamento, os terminais, tudo vazio. Entram no edifício, brincam com os monitores dos balcões de check-in, com as casinhotas dos seguranças, fazem corridas com cadeiras de rodas. E depois fazem-se à pista, em pulgas, como miúdos de volta das prendas na véspera de Natal. O objectivo é atingir a velocidade máxima dos seus carros na longa faixa de alcatrão em linha recta que têm à sua total disposição.
Com vontade de saber mais qualquer coisa por detrás deste verdadeiro elefante branco fiz uma busca na internet. O aeroporto em causa fica em Ciudad Real, localizada a cerca de 160 quilómetros de Madrid e com uma população a rondar os 70 mil habitantes. Foi nesta localidade que foi decidido construir um aeroporto projectado para dez milhões de passageiros por ano. Tem uma pista de quatro quilómetros, comprimento suficiente para aterrar o enorme Airbus A380. Abriu em 2009 e fechou em 2011. Está neste momento a ser leiloado por cerca de 100 milhões de euro. A construção rondou os 1000 milhões. Pior: este não é o único aeroporto espanhol em condições semelhantes.
Ao acabar o dia, com os três apresentadores de volta aos respectivos carros, surge a maior caricatura de todas: um deles sugere que, ao invés de procurar um hotel onde passar a noite, porque não pura e simplesmente usar uma das casas vazias? A sugestão é aceite. Percorrem novamente as ruas completamente desertas em busca daquela que gostam mais. A reportagem termina com uma paella ao lume num fogão improvisado e uma discussão acesa sobre qual dos carros é o melhor.
Uma destas reportagens mais curiosas tem lugar relativamente perto de nós, já aqui ao lado em Espanha: munidos de brutos carrões, os três apresentadores partem de Gibraltar com o objectivo de chegar a Madrid. Muito do que se passa neste percurso é um retrato interessante dos anos de construção desenfreada e da febre do imobiliário em Espanha.
O primeiro contacto com essa realidade acontece quando resolvem entrar numa povoação à procura de um café para fazer uma pausa. O que vislumbram deixa-os de boca aberta: a povoação está completamente deserta. Blocos de apartamentos novos sucedem-se, casas umas atrás das outras e não se vê vivalma. As infraestruturas públicas necessárias – ruas, iluminação, passadeiras – estão todas preparadas e, no entanto, não há rigorosamente ninguém nas ruas. Um dos apresentadores siderado diz: «quando ouvimos falar destas cidades fantasma pensamos que não existem realmente».
A viagem prossegue numa auto-estrada praticamente deserta. Mais perto de Madrid, surge uma indicação de um aeroporto e seguem-na. Novamente são confrontados com uma imagem desoladora. Os parques de estacionamento, os terminais, tudo vazio. Entram no edifício, brincam com os monitores dos balcões de check-in, com as casinhotas dos seguranças, fazem corridas com cadeiras de rodas. E depois fazem-se à pista, em pulgas, como miúdos de volta das prendas na véspera de Natal. O objectivo é atingir a velocidade máxima dos seus carros na longa faixa de alcatrão em linha recta que têm à sua total disposição.
Com vontade de saber mais qualquer coisa por detrás deste verdadeiro elefante branco fiz uma busca na internet. O aeroporto em causa fica em Ciudad Real, localizada a cerca de 160 quilómetros de Madrid e com uma população a rondar os 70 mil habitantes. Foi nesta localidade que foi decidido construir um aeroporto projectado para dez milhões de passageiros por ano. Tem uma pista de quatro quilómetros, comprimento suficiente para aterrar o enorme Airbus A380. Abriu em 2009 e fechou em 2011. Está neste momento a ser leiloado por cerca de 100 milhões de euro. A construção rondou os 1000 milhões. Pior: este não é o único aeroporto espanhol em condições semelhantes.
Ao acabar o dia, com os três apresentadores de volta aos respectivos carros, surge a maior caricatura de todas: um deles sugere que, ao invés de procurar um hotel onde passar a noite, porque não pura e simplesmente usar uma das casas vazias? A sugestão é aceite. Percorrem novamente as ruas completamente desertas em busca daquela que gostam mais. A reportagem termina com uma paella ao lume num fogão improvisado e uma discussão acesa sobre qual dos carros é o melhor.
sábado, 19 de abril de 2014
sexta-feira, 18 de abril de 2014
quinta-feira, 17 de abril de 2014
Ihre Meinung ist uns wichtig
«E a angústia que se palpava por baixo da alegria. Isto, de criar, palavra de honra que é muito difícil, mas é a única forma de as dores secretas abrandarem. E então fingimos que não há nada e continua-se. O que custa um livro, o que deve custar um desenho, um simples traço até. Porém é um tormento que equilibra e igualmente, em certas alturas, um júbilo indizível. Felizmente que ando com um livro, numa altura em que a minha relação comigo me tem feito sofrer, por razões que não interessam aos outros. A minha mãe era eu pequeno
- Nasceste com tudo e nunca estás satisfeito
e tem razão senhora: a minha sede é inextinguível. Pergunto-me se alguma vez descobri, dentro de mim, um oásis de paz. Acho que sim e todavia a inquietação.
(sei lá definir o que é)
esporeia-me sempre. Não se preocupem
(quem não se preocuparia, de resto?)
cá vou.»
Quinto livro de crónicas, António Lobo Antunes
- Nasceste com tudo e nunca estás satisfeito
e tem razão senhora: a minha sede é inextinguível. Pergunto-me se alguma vez descobri, dentro de mim, um oásis de paz. Acho que sim e todavia a inquietação.
(sei lá definir o que é)
esporeia-me sempre. Não se preocupem
(quem não se preocuparia, de resto?)
cá vou.»
Quinto livro de crónicas, António Lobo Antunes
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Spring joy
Pode-se avisar alguém mas não se pode sobreavisar. No entanto, é possível ficar de sobreaviso, mesmo sem ter sido sobreavisado. Já ficar de subaviso é, aparentemente, impossível.
terça-feira, 15 de abril de 2014
Balouço
Pede-nos para tocar de uma forma mais solta, com menos apoios, menos referências. Arriscando mais. A probabilidade de correr mal é maior: é preciso muito controle, noção de tempo, estrutura. E comunicação. Perceber quando não estamos todos no mesmo sítio, perceber qual a melhor forma de nos voltarmos a encontrar. Não podemos concentrar-nos apenas no que estamos a fazer, é um exemplo de como ser um bom ouvinte é importante. E depois chama a isto tudo que acabou de nos explicar swing aberto. Olhamos uns para os outros com um sorriso nos lábios: como será o swing fechado?
segunda-feira, 14 de abril de 2014
domingo, 13 de abril de 2014
Acima da linha
Considerava-se mais inteligente que os demais mas também modesto. E então não achava que os outros eram atrasados mentais: ele é que era um avançado mental.
sábado, 12 de abril de 2014
Escafedeu
Há Vila Nova e Vila Velha. Há Vila Pouca mas não há Vila Muita. Também há Vila Seca mas Molhada não.
sexta-feira, 11 de abril de 2014
Bengala
Explico-lhe a diferença das cordas flat wound nos sons graves, fica mais cheio, o feel é diferente, com menos ataque das cordas normais, fica mais cool. Parece quase um baixo. Isso deve ser bom para o walking bass. O único problema é que o meu é mais limping bass.
Subscrever:
Mensagens (Atom)









