terça-feira, 26 de abril de 2011

Redundância

«O homem não sabe mais que os outros animais; sabe menos. Eles sabem o que precisam saber. Nós não.»

Citações e pensamentos de Fernando Pessoa, organização de Paulo Neves da Silva

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Quem Weimar perde o l'gar

Talvez seja mais conhecida pelo facto de ter sido aqui que se juntaram uma data de carolas para escrever a Constituição alemã no período imediatamente a seguir à Primeira Guerra Mundial – e daí ter surgido o termo “República de Weimar”. Mas Weimar é bem mais do que isso, é literalmente um poço de cultura. A começar pelos dois monstros da cultura alemã, Goethe e Schiller, que aqui viveram, passando pelo Liszt e terminando na Bauhaus (e todos os artistas que a ela estão associados).

domingo, 24 de abril de 2011

Vou no comboio, algures depois de Kassel.

Vou de livro na mão há já algum tempo e resolvo pousá-lo um bocado para descansar os olhos. Ao meu lado, do outro lado do corredor, vai uma tipa grandalhona que entrou há pouco tempo no comboio. Traz uma mochila bem grande que pousou no banco ao lado dela e vai sentada à janela com o sol de final de dia a bater-lhe na cara. De repente, quando olho em redor, vejo que tem um raminho de qualquer coisa que parece salsa na mão. Debica com a mão direita e retira um pouco das ervas verdes e leva à boca. Mastiga e engole aquela porcaria e volta a tirar mais um bocado do ramo e volta novamente a levar à boca e a comer. Depois abre o recipiente de metal para o lixo ao seu lado e despeja para lá o remanescente. Ajeita-se na cadeira, refastelada e prepara-se para dormir um bocado.

sábado, 23 de abril de 2011

Dou por mim a pensar coisas estúpidas.

Mesmo estúpidas. Quer dizer, de início não parecem estúpidas. Depois, crescem elas ou cresce o meu sentido de auto-crítica e ficam imediatamente catalogadas. Coisas estúpidas. Mesmo estúpidas. O único problema é que, por vezes, o hiato entre começar a pensar nelas e finalmente perceber que são estúpidas é estupidamente grande. Uma estupidez.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Às voltas e o sono não surge.

Os passos pesados do vizinho de cima. Pesados porque fazem barulho, não são passos de velho arrastados. Na rua, passa um grupo de pessoas um bocado mais barulhento, apanho-lhes as palavras enquanto passam divertidos pela minha janela. Dou mais uma volta, estou demasiado desperto. Disperso por entre sonhos que não são sonhos, são imagens soltas, dispersas. Estou demasiado desperto e então levanto-me. Levanto-me e sento-me a escrever isto.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Até à ponte ferroviária.

Zona este. Desde a pedonal – aquela que, atravessando, vai aterrar mesmo lá no centro – até lá ao fundo. Que não é tão fundo, nem sequer até fundo, dez minutos de passada rápida e cabeça vazia são o suficiente. Só dez minutos, os vinte ir e vir parecem muito – por causa da passada rápida – parecem mais do que os seis meses que estive sem ir correr. A mudança de horário tem destas coisas. O sol dos últimos dias, semanas, mês também ajuda, convida a vir para a rua, passo rápido por entre os que se passeiam, pedalam, patinam. Bandos de putos na relva das margens, garrafas de cerveja, cigarros e guitarras desafinadas, mantas no chão e óculos escuros da moda.

E tudo isto em dez minutos, vinte ir e vir.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Einmal ist keinmal

No momento em que vou a sair, já atrasado para o meu encontro das 18h15, dou pela falta das chaves de casa. Tenho tudo. A carteira, o telefone – aliás, os dois telefones – o raio do badge. Excepto as chaves de casa. Procuro em todo o lado. Dou a volta a tudo. Gavetas, bolsos das calças, casaco, gabardine. A mochila! Trouxe a mochila de manhã e nada lá dentro senão o raio de um saco de plástico. O meu colega de gabinete olha para mim preocupado “what’s wrong?”. Explico-me ele dá-me nas orelhas por ainda não ter feito uma cópia das chaves para o que der e vier.

Desisto. Telefono à minha senhoria: “Hi Anna”. Meio envergonhado, claro, é uma situação estúpida. O que vale é que ela é uma porreira. Não posso ir já aí mas já te ligo dentro de uma hora ou assim. Combinado. Vou para o tal encontro – aquele das 18h15 para o qual já estou pornograficamente atrasado. Uma cerveja à beira rio. Mais do que à beira rio, literalmente no rio numa espécie de jangada ou plataforma com umas mesas e uma senhora que é um atraso de vida a atender às mesas. O telefone ao meu lado, ao lado da caneca de cerveja. Toca mais ou menos quando estou a chegar ao fim. Despejo o que falta da caneca e despeço-me. Levo nas orelhas – pela segunda vez no mesmo dia, raios parta – porque estou “deserting my friends”. Explico o que se passa – porra, já lhes tido dito – e ainda digo que ligo depois para ver se ainda ali estão.

Subo os degraus de três em três, galgo os metros até casa num instante e chego dez, quinze segundos antes do carro dela – um Ka muito velhinho – entrar na esquina da rua e estacionar. Sai do carro apressadamente e já me estou a desculpar pelo incómodo e ela “macht nix”. É uma querida. Abre-me a porta da rua e passa-me para a mão as chaves para abrir a porta do apartamento. O pior dos meus receios concretiza-se. Dou duas voltas à chave até abrir a porta, o que significa que ela estava fechada, o que significa que as chaves não estão dentro de casa e que saí com elas de manhã, o pior cenário possível. A minha cara deve ter ficado com mau aspecto porque eu percebi que ela não percebeu a minha dedução lógica e, mesmo assim, está preocupada. Depois lá faz click e solta uma das únicas três expressões que verdadeiramente interessam em alemão: “ach so” (as outras duas são “genau” (com ou sem “ganz”) e “jawohl” (“doch” também é giro)). E continua “bist du sicher?”. Onde é que puseste, lembras-te? E eu conto o raio da história, que verifiquei aqui, ali e acoli e não estou nada a ver onde possa ter enfiado a porcaria das chaves, normalmente ponho no bolso das calças e o meu receio é que as tenha deixado cair daí sabe Deus onde. Digo-lhe que das qualquer das formas amanhã vou “nochmal gucken” e lhe digo qualquer coisa.

Depois, a pièce de résistance. Aproveito, já que ela está ali, para lhe mostrar os dois buracos que o gajo da Unitymedia fez na semana passada quando estava a instalar uma tomada para o cabo da televisão. Foram direitinhos de encontro a qualquer coisa demasiado rija e ele teve que chegar para a esquerda e deixar dois lindos orifícios escarrapachados no meio da parede. E eu pior que estragado. E achei que mais valia mostrar-lhe. Entra-me na sala e nem sequer olha para a parede, olha para o sofá onde a minha guitarra repousa ao comprido, qual imperador romano de cacho de uvas na mão. “Spielst du?”. Claro, até já me tinhas visto de guitarra na mão, no mínimo no dia em que ajudaste a carregar as tralhas cá para casa [já vos disse que é uma querida, não disse? Trouxe-me de armas e bagagens até cá a casa para facilitar a mudança]. Lá se apercebe que já deveria saber. “Bist du single?”. E em seguida diz que me vai apresentar a Laura, a filha dela. Eu rio-me e ela acrescenta que ela própria não pode, mas a filha pode. Eu rio-me mais, que raio havia de fazer. E que não preocupe com a porcaria dos buracos na parede. Um bocadinho de “gibs” e resolve-se. É mesmo uma querida.

Dirige-se à porta e olha para mim. “Bist du verliebt?” e eu respondo muito rápido “alle Tagen” e agora é ela quem se ri. E acrescenta que quando as pessoas estão apaixonadas perdem as coisas e dou mais uma achega que é porque têm a cabeça noutro sítio. Vê lá outra vez amanhã se não encontras as chaves, pensa, “uberlegt mal” onde as podes ter posto e depois diz-me qualquer coisa. Claro, está combinado.

E obrigado uma vez mais.

domingo, 17 de abril de 2011

How to improvise

A louça amontoa-se no lava-louças, empilha-se por entre pratos que se assentam uns em cima dos outros, copos que se encaixam uns nos outros, a bancada repleta de sacos com coisas que ficaram por arrumar, que ficam por arrumar, que provavelmente já não serão arrumadas. Garrafas de vinho e migalhas, uma embalagem de CIF e caixas de cereais, uma tábua e uma faca para cortar o pão, garrafas vazias à espera do vidrão, pequenos recipientes de molho de soja que acompanham take away the sushi. À espera. On the hold. En attendant. Warten. A imobilidade mental traduz-se nestas pequenas coisas do dia, a mais singela e ridícula tarefa caseira passa a ser insuportável e hercúlea.

sábado, 16 de abril de 2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Mais crónicas de fada do lar

Corto-me na mão esquerda a cortar pão. Dou um misto de grito de dor misturado com algumas palavras menos próprias e considerações sobre a actividade profissional da mãe da faca. O golpe não é muito fundo mas o suficiente para depressa ganhar a cor avermelhada do sangue. Ocorre-me que deveria desinfectar a ferida. Ocorre-me em seguida que não tenho álcool nesta casa. Aliás, não tenho rigorosamente nada de primeiros socorros. Olho em volta e rapidamente vejo a solução. Preparo e despejo um shot de tequilla na ferida – afinal, 38% do conteúdo da garrafa é álcool; já a de vodka, que estava mesmo ao lado, só tinha 37,5%. Pena não me ter lembrado do ritual do limão e do sal.

domingo, 10 de abril de 2011

A Musikmesse é a maior feira de instrumentos musicais do mundo.

Uma FIL só para instrumentos de sopro. Outra só para instrumentos de percussão. Outra só para instrumentos de corda. Outra – aliás, duas – só para instrumentos eléctricos. Outra só para literatura especializada. Mais umas quantas FILs para sistemas de som e luz profissionais. Na zona das cordas, imensos instrumentos dos quatro cantos do mundo. A guitarra espanhola com grande destaque, claro, mas a quantidade bancas chinesas de qualidade duvidosa foi o que mais me chamou a atenção. Para além disso, bancas de instrumentos eslavos, de origem cigana e até uma banca só de ukeleles coloridos como o Havai. As pulgas saltitantes de origem portuguesa fazem sucesso junto das crianças e dos pais das crianças que abrem os cordões das bolsas e oferecem aqueles instrumentos meio brincadeira aos filhos, juntamente com livritos pequeninos com uma espécie de método de aprendizagem. Agora, em relação aos instrumentos portugueses que deram origem ao ukelele – braguinha – não vi nada. Assim como não vi um cavaquinho. Nem sequer uma guitarra portuguesa, símbolo máximo da nossa expressão musical única e de projecção mundial.

sábado, 9 de abril de 2011

Spielzeug

«O homem digno desse nome apenas ama duas coisas: o perigo e o jogo. É por isso que ele deseja a mulher, o mais perigoso dos brinquedos.»

Assim falava Zaratustra, Friedrich Nietzsche

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sweet dreams are made of this

«Amor não se conjuga no passado, ou se ama para sempre ou nunca se amou verdadeiramente»

Fernando Pessoa

terça-feira, 5 de abril de 2011

Foram capazes de ter sido estes quadros. É possível, não nego.

Num deles o Armstrong. Sentado, o corpo ligeiramente cortado, o alto da cabeça também. Segura o trompete perto do bocal, o instrumento poisa no chão perto dos pés. Os sapatos pretos, as meias brancas, um laçarote. O olhar está concentrado em qualquer outra coisa, lá longe, fora daquilo que conseguimos ver. Não tem nada a ver com aquela expressão bonacheirona com que é associado, aquele sorriso enorme. Parece velho e cansado.

No outro quadro, o Ellington. Com uma pose de duque, claro, sentado de costas para o piano. Vemo-lo pelo reflexo do espelho de um camarim, na bancada uma série de frascos – um deles diz baby powder – e produtos, a gravata pendurada a um canto. Ao fundo, um armário, repleto de fatos pendurados. Impecáveis, exactamente como aquele que veste e o cabelo muito penteado para trás, com brilhantina.

No último, Sonny Stitt, desconhecido para mim. É uma daquelas imagens típicas de jazz: um saxofonista fotografado por entre fios espessos de fumo de um cigarro pousado num cinzeiro infecto: o cinzeiro, mais perto, desfocado, o músico, mais longe, focado. Um holofote projecta um feixe de luz por detrás, que faz disparar o brilho do metal do saxofone e dos dedos a pressionar as válvulas.

domingo, 3 de abril de 2011

Revisitei a minha amiga do final do ano passado.

Por um momento ia jurar que a minha cara lhe disse alguma coisa quando parou para me perguntar o que ia beber. Mas não. Ou então fingiu que não. No outro extremo da sala, um trio a tocar música cabo-verdiana. Demorei a perceber que era isso que ouvia, houve qualquer coisa que me fez pensar que deveria ser música brasileira – talvez o amarelo da t-shirt de um deles. Tive que explicar a uma tipa que não faço ideia quem seja que, lá por ser português, não significa que perceba um boi de crioulo. E é verdade, só consigo apanhar umas coisas. Lá cantaram aquela do caminho para “ess´ minha terra Sã Nicolau”, talvez para me contrariar e mostrar que afinal percebo umas raspas.

sábado, 2 de abril de 2011

Diga trinta e três

o botão. Enviar. São duas as perguntas mas as questões são muito mais. Imensas, inúmeras possibilidades e uma panóplia. As questões são muito piores que as perguntas. Às perguntas respondemos com sim ou não, ou talvez, logo se vê; no limite, nem sequer respondemos e dizemos apenas que não sabemos a resposta adequada. As questões são muito piores. Porque as questões são as perguntas que fazemos a nós próprios apenas porque sabemos que não possuímos a respostas. Não há sim nem não, nem talvez, muito menos logo se vê. Ficam a pairar no ar como o smog de uma cidade poluída, não desaparecem nem dão tréguas.

Off the hook

´(…) It’s bad, loving someone you can’t forgive.’
‘It´s not as bad as loving someone you can’t have,’

Shantaram, Gregory David Roberts

sexta-feira, 1 de abril de 2011

domingo, 27 de março de 2011

Fragezeichen

Esbarro constantemente nesta parede, neste muro de betão armado. Constantemente. Sempre que parece que estou a dar mais um passo em frente, de imediato sou empurrado de volta para o mesmo sítio. Encurralado. À minha frente, novamente, outro obstáculo. Igual a todos os outros, no fundo, é sempre o mesmo. O ponto de interrogação. Redondinho e com aquela pintinha lá em baixo.

Ebenso

Perguntas o que não deves. Quer dizer, não é bem o que não deves, é aquilo que devias saber
Já devias saber
Não tem propriamente resposta. Mesmo que eu te a quisesse dar – e afianço-te que te a daria sem segundas intenções. Mas não posso, juro que não posso, nem que quisesse, juro. Fazes as perguntas erradas, já te disse e, no fundo
Já devias saber a esta altura
É como se estivesses a perguntar a um bêbedo porque razão bebe, perguntas que, mesmo que tenham resposta, não te as posso dar, estou farto de te dizer, já devias ter percebido e, mesmo assim, insistes e voltas a insistir e perguntas e, por esta altura
Já devias saber
Que não gosto que insistas quando sabes perfeitamente que não tenho como te responder, não te posso responder, não sei como te responder, não tenho nada com que te responder. E, mesmo assim, perguntas.

sábado, 26 de março de 2011

I'm still alive

Passaram-se dias (semanas, a bem dizer) e, depois de perder as batalhas iniciais com o meu acesso à internet, finalmente consegui ganhar algum terreno: este post. A guerra, essa, está longe de estar ganha. Mas o importante, é que ainda estou vivo, mais ou menos o propósito deste post (novamente este post). Daqui até ao I'm still alive é um saltinho e, outro saltinho depois, esta coisa tirada do Youtube:

quarta-feira, 9 de março de 2011

Eine Leiche im Keller

Ginástica. É tudo uma ginástica. Conseguir passar pelos obstáculos todos. Contorcionismo. Manter todos os pratos a girar ao mesmo tempo e não deixar nenhum cair e partir-se. Jogo de cintura. Passar por entre os pingos da chuva. Estilo dançar o limbo.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Mais crónicas de uma fada do lar

É um pincel procurar os produtos de limpeza que pretendemos nas prateleiras estrangeiras. Isto porque memorizamos de acordo com as marcas. E os mesmos produtos têm nomes diferentes.

domingo, 6 de março de 2011

Crónicas de uma fada do lar

Aqueles botões que os aspiradores têm que servem para regulador a intensidade são uma parvoíce, um logro. Toda a gente sabe que são para pôr no máximo e usar sempre assim.

sábado, 5 de março de 2011

quarta-feira, 2 de março de 2011

Stille

Rodo a chave um bocado a medo, ainda não estou habituado a esta porta, a esta fechadura. Sigo o corredor parcialmente iluminado pela luz exterior que entra pela janela da cozinha. Paro. A ver, a olhar. A ambientar-me. E só depois que percebo que paro para tentar ouvir os sons. Ou a ausência deles, que é aquilo que verdadeiramente desejo. Nunca quis tanto o silêncio.

terça-feira, 1 de março de 2011

Vitinho

Hoje foi um dos dias mais despertos dos últimos tempos. E, no entanto, de repente tenho um sono inexplicável. Claramente um processo de reposição.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

No more bunny slope for me

Imensa papelada para arrumar, imensa coisa para limpar. Na CNN estão a cobrir a história de um jogador de cricket que saiu do armário; o Pedro Pinto até está a entrevistar a Navratilova e tudo. Passados meses, voltei a usar um forno. Num canal qualquer alemão (n-tv...?) estava a dar uma reportagem sobre a construção das pirâmides do Egipto. Egito, segundo a nova ortografia, que me causa arrepios e, há que dizê-lo, alguns vómitos. Esteve um dia de sol ridículo hoje, de manhã à noite com céu azul, algo que só poucas vezes vi e foi há muito tempo. A Navratilova continua a responder às perguntas do Pinto em directo do Colorado (na legenda diz que ganhou 59 Slams!! Grande parte deve ser em duplas...). O vizinho de cima caminha com pé pesado.

Vou para a cama. Até amanhã.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

All in

E passados estes anos todos, ali estavas tu. Outra vez. À minha frente. Nem queria acreditar. Quer dizer, não eras tu. Era ela. Mas ela era exactamente como tu há estes anos todos atrás. Ela eras tu. Com um único senão:

Ela não és tu.

Autopistas

O que ganham na redução de consumo, perdem a mudar os sinais de trânsito

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A arte da oratória

O Paulo Portas até em plena Festa do Avante era capaz de arrancar um bom discurso. E na volta ganhar um ou outro voto.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Nunca quiseste

Vejo-o agora. Entendo-o. Não fizeste o esforço. Nunca quiseste querer.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

En garde

Pára. Quieta, um bocadinho. Arreda lá para trás. Não sou muito bom a dizer que não mas dou-te as entrelinhas todas. Lê-as. Com calma, take your time. Desde que as leias, tudo bem. Sou paciente. Demasiado paciente, diga-se de passagem. Tão paciente que às vezes irrita. E, no entanto, farto-me logo; para isso não tenha paciência. Rigorosamente nenhuma. Por isso, olha bem. Melhor: vê bem. Está lá tudo, juro-te. Bem escarrapachado. Explícito. E pára. Quieta.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Volatilidade

Desde que surgiu o caso da velhota morta há nove anos em casa que todos os dias há mais um velhote qualquer que aparece morto há três quinze dias. Não há paciência para esta comunicação social.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Paciência.

Tens que ter paciência. Tudo gira em torno da minha capacidade de esperar. Que é como quem diz, suportar. Aturar. A pouca idade é normalmente associada à falta de paciência. Não sei o que é pior. Porque à medida que os anos avançam, deixamos de estar para isso.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A morte e os impostos

«Nos arredores de Lisboa, Augusta, que teria hoje 96 anos, morreu sem ninguém dar por nada. Nem família, nem amigos, nem serviços públicos. Uma vizinha, epenas ela, bateu a todas as portas que pôde, por estranhar a sua ausência. Da família, da GNR, de todos, apenas a indiferença. Nem a segurança social, nem os serviços de saúde. Ninguém. Era apenas uma velha num prédio de uns subúrbios. Passou oito anos a bater a portas. A burocracia impediu que alguém fizesse alguma coisa. A porta não podia ser arrombada. A GNR até gozou com a preocupação da vizinha. Coisas de velhos, terão pensado.

Mas Augusta, cidadã portuguesa, era também contribuinte. E aí deram por falta dela. Tinha uma dívida. Sem um único contato, a frieza da máquina leiloou o seu apartamento. Quando os novos donos chegaram, a porta foi finalmente arromada. E lá estava Augusta, morta no chão da cozinha. Tinha morrido há oito anos sem que ninguém tivesse dado ouvidos à vizinha.

O que impressiona, para além da solidão que permite que alguém morra sem que ninguém dê por nada, é que o mesmo Estado que dá pelo não pagamento de uma dívida ao fisco não dê, não queira dar, pelo desaparecimento de um ser humano. Que o contribuinte exista, mas ocidadão não. Que quem tinha a obrigação de pagar impostos tenha deixado de existir nos seus direitos. A metáfora é macabra. Mas é poderosa. Este Estado que não se esquece - não se deve esquecer - de nós quando é cobrador, mas para quem não existimos quando nos é devida alguma atenção.

Diz-se que só há duas coisas certas na vida: a morte e os impostos. Parece que para o Estado português só a segunda parte é verdadeira.»

Daniel Oliveira no Expresso

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Perfume

Há uma parte de ti que está cheia de vontade de me falar sobre aquilo que não deve. Não tenho nada a ver com aquilo que me queres contar e, no fundo, não deves. Será a tua forma de simpatia, a tua forma de chegares até mim, dando-me uma parte de ti. Que, pensando bem, até pode nem ser assim tão substancial quanto isso – se me estás a contar é porque seguramente não é. Não deixo de registar com piada o teu passo. Quase um salto de fé. Curiosamente, bastante seguro, demasiado seguro para um salto de fé, que pressupõe alguma insegurança. Ou, pelo menos, deveria. Talvez pela tua assertividade. És tão assertiva que o simples facto de puxares o tema sem que ele viesse minimamente a propósito nem sequer destoa. Nem sequer parece que foi retirado da cartola, puxado a saca-rolhas. Embora eu saiba que foi.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

I’ve been wrong before

Fitou-me muito seriamente. Eu só me casei aos 34 anos. E acrescentou sem mudar a expressão facial: e ainda fui a tempo de arranjar chatices.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

All over again

Nalgumas coisas somos todos iguais. Demasiadamente iguais. Nem tudo são desvantagens: a previsibilidade é uma espécie de garantia. Mas a desvantagem do all over again é grande demais.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Ixus

Os fans e adeptos achavam-no arrogante e de poucas maneiras porque nunca se dignava a dar autógrafos. O atleta não era nada disso: era simplesmente analfabeto.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Metropolitana

Entrei no metro e ela ficou para trás. Ainda pensei que fosse o facto de partir de uma linha que não era habitual mas se toda a gente se deslocava para ali. Sentou-se no banco da estação e tirou um saco de plástico de dentro da mala, o qual acondicionava sapatos de salto alto. E só então percebi. Tirou dos pés os sapatos rasos – e algo rafeiros – com que tinha descido a rua e trocou-os pelos elegantes. De facto, tinha achado estranho que fosse aquela a combinação de saia-casaco com sapatos rasos que fosse usar. Mas estaria à espera que fizesse a troca no escritório, não no banco da estação de metro.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Bermudas

Quando se apercebeu que estava envolvido num triângulo amoroso, a única coisa que lhe passou pela cabeça foi o quão injustas tinham sido as suas más notas a geometria no liceu.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Assim está bem

«A Igreja católica do México decidiu formar mais padres exorcistas para combater a crescente “influência de Satanás e do maligno” que, na sua opinião, está por trás da violência e criminalidade que causaram a morte de mais de 30 mil pessoas nos últimos quatro anos.

O objectivo é ter um sacerdote especializado em exorcismos em cada paróquia do país. Esse religioso não lidará directamente com as forças da autoridade, mas contribuirá para o combate ao narcotráfico, “oferecendo resgate aos que foram influenciados pelo mal”, explicou o coordenador do grupo de exorcistas da Cidade do México, Pedro Mendoza Pantoja, à BBC Mundo.

“O trabalho do demónio tornou-se demasiado fácil”, diz o sacerdote, referindo o recurso ao espiritismo, ocultimos, bruxaria e venerações semipagãs, como o culto da Santa Morte por parte dos cartéis da droga. “Há muita gente que se afasta de Deus e busca o mágico como saída fácil dos problemas”, lamenta.»

Notícia d´O Público

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Sazonalidade

Há a época da apanha da uva. A época da apanha da azeitona. A da batata. De tantas outras coisas. Cada vez estou mais convencido que também deveria existir a época da apanha do boné.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Come undone

Tudo só por pensar que posso não chegar. Que posso não ser suficiente. Suficientemente bom. Para poder chegar para ti. Estar à altura, à tua altura. Lá bem no alto, inatingível. E por isso as mentiras. Não são bem mentiras, são antes fabulações. Projecções daquilo que aquilo que deveria ser, que queria ser para que chegasse. Para poder ser suficiente. Para te poder ser suficiente. Não te zangues comigo por te mostrar o que não sou. Não estarias seguramente à espera que te mostrasse a minha incapacidade para estar à tua altura? Uma insuficiência. E sobretudo não me fales em insegurança.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Tremoço

Esta cena de festejar os 69 anos do Eusébio - e não qualquer outra data, enfim, redonda - é mesmo muito saloia.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Tenho a sorte de ter um parsidente que acardita em mim

Aos americanos falta um presidente que não tenha que ser um homem religioso para poder ocupar o cargo. Que não tenha que tomar posse com uma mão na bíblia, so help me God. Que não tenha que fazer contas de cabeça para escolher a igreja que passará a frequentar aos domingos de manhã. Que não termine discursos com “God bless”’ isto e aquilo, a torto e a direito. Se o caminho percorrido até ter um negro na Casa Branca foi longo, árduo, tortuoso, este último não lhe fica nada a dever.

A nós falta-nos um presidente negro. Ou melhor, não-caucasiano. Ou uma presidenta.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Sangue azul

Na sede da campanha de Fernando Nobre os apoiantes do candidato gritam estusiástica e ininterruptamente o seu apelido. Não sei se referem ao fiambre se às salsichas.

Grey out

Há semanas que a teimosia da neve foi vencida por uma chuva escorreita. O frio progressivamente deu ares de querer voltar e hoje a manhã amanheceu com geada no chão. E a cor cinzenta. Perguntam-me do que é que eu mais sinto a falta, usam a palavra “saudade” para fazer essa pergunta porque acrescenta aquele toque aportuguesado àquilo que dizemos. Claro que posso dizer que é das pessoas. Das minhas pessoas, não das pessoas em geral. E da comida: a comida é um desses chavões enormes. E depois o tempo, obviamente. Perguntam-me pelo frio. Comparam com aquilo que deveria ser – mas não é – a ausência do mesmo na nossa terra. E não é tanto pela temperatura. É pela cor. Pelo azul do céu face ao cinzento. Pelo dourado do sol que aqui passa semanas fechado no armário. Lisboa tem uma luz inexplicável, inqualificável. E é dela que tenho as tais saudades.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Nem sai de cima

´Come, you are not drinking! I hate it when people take so long to drink a single glass. It is like putting on a condom to masturbate.’

Shantaram, Gregory David Roberts

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Olho para estas datas todas.

E não resisto. Penso sempre: onde é que eu estava quando? Ao mesmo tempo que isto estava a acontecer, estava a fazer qualquer coisa. Estéril e desinteressante.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Du wirst meine Liebe nicht entgehen

Os estalidos. Graves. Secos e ásperos. Estala tudo e a frase ali. Todos os dias. Sempre a espreitar, sempre à coca. Este tempo todo sempre atrás de mim como uma sombra, uma companhia inesperada. Como os estalidos que não desaparecem, teimam em arrastar-se atrás de mim. Graves. Secos e ásperos. Não consegues fugir. Não vale a pena. Este tempo todo ali, mesmo à minha frente. E eu sem perceber. E eu sem conseguir perceber. E eu sem querer perceber. Os estalidos. Sempre a espreitar sempre à coca. Sempre à espera para ver quando. Finalmente. Quando é que eu noto. Percebo. Quero perceber. E sempre sem poder fugir. Está lá, há tanto tempo, este tempo todo. E não sai dali. Não vai a lado nenhum. Seco e áspero. Grave.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Outro brinquedo novo

Mas este não é meu. Embora esta imagem tenha sido capturada com um brinquedo igual ao meu. Mas não o meu. Créditos da foto ao Ricardo.


Meet Joana

domingo, 9 de janeiro de 2011

Dois minutos.

E, no entanto, não sei explicar. Dois minutos de atraso no relógio do meu telemóvel. Que, ainda por cima, é esse que uso: detesto usar relógios de pulso. Passo os dias a tirar o telemóvel do bolso, a abrir a tampa para que a luz se acenda e eu consiga ver que horas são. Mas sempre com os dois minutos de atraso da tabela. De tal forma que, automaticamente, olho para aquelas horas que o visor indica com mais dois minutos somados. De imediato. Agora, porque carga de água nunca acertei o raio dos dois minutos, não faço ideia. Periodicamente tenho que entrar no menu e ir às definições para retirar ou avançar horas consoante os fusos horários ou as mudanças de horário anuais. E faço-o sempre. Mas nunca me ocorreu, já que estava a acertar as horas – neste caso, só mesmo a hora – aproveitar para acertar também a parte dos minutos. E somar aqueles dois que acabo por fazer de qualquer das formas.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

...

«You need to relax
I’m more confortable tense»

The International

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Pegas na pequena colher.

Aquela que usaste para mexer o líquido depois de teres adicionado açúcar. E, com uma delicadeza absurda, mergulhas o metal no interior da chávena. Um pouco de café naquela colher. Pequena colher. E dás-me à boca. Só essa colher. Porque ainda não tenho idade para mais.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

domingo, 19 de dezembro de 2010

Home sweet home

Filas intermináveis. Drop-off manual da bagagem. Atraso do voo. Filas na porta de embarque para waiting lists. Embarque demorado. Pista bloqueado por veículo que deveria remover neve. Limpeza da fuselagem do avião para remover o gelo. Nova limpeza da pista. Finalmente descolagem.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Dizem que o Elvis ainda está vivo mas ia jurar que ontem dei de caras com a Billie Holiday.

E tudo a propósito de uma balalaika. Não digam que são as cervejas a falar, ainda antes de tocar na primeira já estava com essa impressão. Tocámos um pouco, cantámos um pouco, trocámos umas impressões. How do you know these songs? Ainda me pediu fado assim que lhe disse a minha nacionalidade mas esse é um terreno demasiado resvaladiço para mim. I like your chords. Prometi-lhe que voltava, para a próxima com a minha menina e com auxiliares de memória. À saída: are you sure you know your way back here? Disse-lhe que sim, of course. E então ela, pelo sim pelo não, o seguro morreu de velho, enfiou-me um cartão na mão.

I’ll be waiting.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

In a friday night mood

Estou a ouvir o Sweet Child o´Mine em repeat. Where do we go now? E que ninguém me pare.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

You look tired.

E estava. Noite mal dormida. Desviei o assunto e a certa altura falei-lhe de café, que ainda me faltava a minha segunda dose matinal e que, após esse ritual, imediatamente pareceria mais desperto. Devias largar esse vício. Eu larguei o tabaco. Cinco anos de fumadora, respondeu-me pouco depois. Nicotine pads? Respondeu negativamente com a cabeça. E eu: just like that? Cold turquey. Entretanto as portas, a saída, as escadas rolantes e, depois de pensar um pouco, soltei um sorriso. Já sei o que quero para o Natal, vou dizer à minha mãe que este ano é cold turquey.

That´s funny, disse praticamente sem sorrir.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Quando for grande quero escrever como este gajo

«As mulheres – mas também os homens – perdem boa parte dos seus anos 30 com pena de não terem 20. Nos 40, já aceitariam ter os 30 mas sofrem por não terem. Nos anos 50, continuam a perder tempo a chorar que já não têm 30 – ou 20 – há 20 ou 30 anos. Nos anos 60, pena de não terem 40. Só nos anos 70 começam a dar valor a ter apenas 50. E, nos anos 80, até 60, mas não 65 – parece uma idade desejável, pela qual vale a pena queixarem-se. Só nos anos 90 é que descansam e folgam que ninguém lhes dá a idade que têm, embora gostassem mais de ter 40 anos. Ou 30. Ou 28.

A comédia – porque é mais um desperdício do que uma tragédia – é que perdem os 30 por causa dos 20, os 40 e 50 por causa dos 30 (já de si perdidos por causa dos 20); os 60 por causa dos 40 e os 70 por causa dos 50: duas décadas perdidas, a lamentar duas décadas passadas mas nem por isso menos bem-vindas ou mais desamadas. Não há maneira de ganharem juízo. Só na década dos 20 – dos 15 anos 25 anos, para sermos mais precisos, já que são desilusões que obedecem mais aos lustros do que às décadas – é que existe uma aparência de harmonia. É um equilíbrio ranhoso – mas assoa-se e dá-se o passo seguinte.

Mal nascemos, começamos a envelhecer. Só há duas idades: a idade em que, estupidamente, queremos ser mais velhos e a idade em que, não menos estupidamente, queremos ser mais novos. Apenas nascemos, mudamos e sobrevivemos, até morrermos. Nascer e morrer não contam. Só mudar e sobreviver.»

MEC no Público

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

I’m the best girlfriend there is; I travel a lot

Acabei de saber que o Fernando Nobre esteve em Beirute em 82. Vou já a correr votar no gajo.

Banzai

Já só falta finalmente sabermos o que aconteceu em Camarate a partir do Wikileaks

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Os 90 anos do Dave Brubeck

Que, por acaso, acho que foram na 2a, mas isso agora não interessa. E esta cerimónia é de Dezembro do ano passado, isso também pouco importa. Importa sim que até o Obama lá estava e isso não aconteceu por acaso.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Estou aqui.

Para quando precisares. Estou aqui, bate-me à porta e juro que te abro com a maior das boas vontades. Estou aqui para o que precisares, a sério que estou. Estou aqui. Acredita.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

De repente saiu-te a frase.

Assim, sem mais nem menos. Estamos sentados à mesa com todos os outros e tu, ao meu lado, olhaste para o telemóvel e achaste por bem contares-me algo tão íntimo. É claro que fiquei atrapalhado, que raio de reacção querias que tivesse? Logo eu que sou uma espécie de elefante numa loja de porcelana. A custo consegui segurar a situação – usei a velha técnica do irmão mais velho – e dizer minimamente inteligente e com sentido e aos poucos senti a poeira assentar. E o assunto ficou por ali, pelo menos pensei que tinha ficado até, horas depois, sem eu estar outra vez à espera – raios, juro que me estavas a testar – voltaste a puxá-lo. O papel de irmão mais velho, outra vez, safou-me e consegui uma vez mais ver o pó fino progressivamente a aterrar no chão. O sofá, deitada no sofá, apanhaste-os a todos de costas para me pores outra vez à prova. Testar-me. Aproveitaste a língua mais solta do que o habitual e tentaste espremer-me. Juro que não me apetecessem jogos, ficas a saber que estou cansado e farto dessas merdas. A próxima vez que me quiseres pôr à prova prepara-te para ir até às últimas consequências. E aí vamos ver que quem cede primeiro.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Down memory lane

Estes pacotes de sumo levam-me até à minha infância. Há anos que não os via e, de repente, ali estavam numa prateleira do supermercado. Não resisti a comprar uns quantos. Mudaram o modo de abertura, que era chato como a potassa, e puseram uma daquelas coisas com rosca. Mas, ainda assim, devo dizer que o conteúdo deixou a desejar.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Com o berro que o gato deu

Soltas o cabelo, escorre-te pela cabeça que sacodes ligeiramente. As tuas mãos ainda no ar e eu
Desculpa
As tuas mãos finalmente a pousarem, o cabelo liso escorrido pela cabeça a baixo. Tens um boné, verde seco. Daqueles que parecem da tropa. Contrasta com o loiro agressivo do teu cabelo.
Blondie
Dá-te um ar rebelde. Se não fosse pelos dois ou três pins e crachás muito coloridos que puseste no lado esquerdo, quase te poderia confundir com um guerrilheiro revolucionário.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Era um rei muito poderoso.

Tinha ao seu cargo milhares de súbditos, possuía terrenos a perder de vista, tinha castelos, palácios, palacetes, repletos de empregados. Um dia entrou em guerra e perdeu uma parte significativa das suas posses para um rival. Perdeu alguns dos seus súbditos em guerras e outros tantos abandonaram-no.

E então tanto a Fitch como a Moody´s reviram o “reiting” do seu reinado em baixa.