quinta-feira, 10 de setembro de 2015
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
sábado, 5 de setembro de 2015
Ordem inversa
É mais interessante - quase romântico, no limite - ser-se classificado como um preso político. Mas é preciso não confundir com um simples político preso.
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Causalidade e moral hazard
«During one meeting in Manila early in the Asian crisis, when some of Europe’s financial bureaucrats were invoking Mexico and moral hazard to argue against a generous financial response, Stan Fischer, the excellent American economist who was the IMF’s deputy director (…) passed me a note pointing out that condoms don’t cause sex. Stan’s point was that the IMF loan program didn’t cause financial crises. It’s hard to believe that the existence of firehouses causes fires.»
Stress test, Timothy Geithner
Stress test, Timothy Geithner
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
95
«Eu não vou morrer nunca - disse uma vez a baronesa a Archimboldi. - Ou vou morrer aos noventa e cinco anos, que é a mesma coisa que nunca morrer.»
2666, Roberto Bolaño
2666, Roberto Bolaño
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
terça-feira, 1 de setembro de 2015
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Lento
As pessoas podem estar sonolentas mas nunca sonorápidas. São corpulentas e não corpurápidas. Não são quezirápidas. Não são macirápidas. Também não são nem flaturápidas nem (consequentemente?) pestirápidas. E, sobretudo, não são nunca turburápidas.
domingo, 30 de agosto de 2015
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Right off the bat
É interessante ter programas de culinária apresentados por ingleses. É como ter especialistas em ski alpino oriundos das Bahamas.
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
terça-feira, 25 de agosto de 2015
Os pontos nos is
«Hoensch disse que a morte em si só era uma miragem em constante construção, mas que a realidade não existia. O oficial das SS disse que a morte era uma necessidade: ninguém no seu perfeito juízo, disse, admitiria um mundo cheio de tartarugas ou cheio de girafas. A morte, concluiu, era reguladora. O jovem erudito Popescu disse que a morte, segundo a sabedoria oriental, era só uma passagem. O que não era claro, disse ele, ou pelo menos ele não achava claro, era para que lugar, para que realidade conduzia essa passagem.
- A pergunta – disse ele – é aonde. A resposta – respondeu a si mesmo – é para onde os meus méritos me levarem.
O general Entrescu achou que aquilo era o menos, que o importante era movimentarmo-nos, a dinâmica do movimento, o que equiparava os homens e todos os seres vivos, incluindo as baratas, às grandes estrelas. A baronesa Von Zumpe disse, e talvez fosse a única a ter falado com franqueza, que a morte era uma chatice.»
2666, Roberto Bolaño
- A pergunta – disse ele – é aonde. A resposta – respondeu a si mesmo – é para onde os meus méritos me levarem.
O general Entrescu achou que aquilo era o menos, que o importante era movimentarmo-nos, a dinâmica do movimento, o que equiparava os homens e todos os seres vivos, incluindo as baratas, às grandes estrelas. A baronesa Von Zumpe disse, e talvez fosse a única a ter falado com franqueza, que a morte era uma chatice.»
2666, Roberto Bolaño
domingo, 23 de agosto de 2015
sábado, 22 de agosto de 2015
Fadices do lar
O dia mais importante do ano não é o aniversário. Nem o Natal nem nada que se pareça. É o dia em que a empregada vem de férias.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
terça-feira, 18 de agosto de 2015
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
Macaquinho de imitação
Ajeita os óculos com dois dedos - polegar a parte inferior da haste em torno da lente e o indicador na parte superior. Às vezes, três dedos, com o dedo médio a ajudar o indicador. Dou por mim a fazer o mesmo automaticamente e ocorre-me que normalmente faço-o só com um dedo - o indicador - empurrando o pedaço que une os blocos redondos que envolvem as lentes contra o nariz sobre o qual se apoia. Monkey see monkey does. Incorporar um hábito alheio apenas pela observação inadvertida.
domingo, 16 de agosto de 2015
A outra face
Disse-lhe que aquela era uma conversa para ser tida face to face. E então ligaram o chat do facebook.
sábado, 15 de agosto de 2015
Younger self
Num episódio de Nip Tuck, uma senhora idosa faz uma operação plástica para parecer mais nova. Mas não pelas razões as quais este tipos de cirurgias são tipicamente associados. O marido ficou senil e não a reconhece. Sentada ao lado dele, diz-lhe que não sabe quem é. Acrescenta a tristeza que sente pelo facto de a sua mulher nunca o visitar no lar onde vive, ao mesmo tempo que exibe uma fotografia velha e amachucada dela quando mais nova. É com o aspecto que tinha nessa fotografia que ela quer voltar a ficar.
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Topologia
Disse que se desmanchou a rir e, às questões subsequentes acerca do que levaria alguém a rir numa situação daquelas, respondeu
O que queriam que fizesse? Chorasse?
Explico-lhe que não chorar não é forçosamente rir.
O que queriam que fizesse? Chorasse?
Explico-lhe que não chorar não é forçosamente rir.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Luhmann
"The type of communication theory I am trying to advise therefore starts from the premise that communication is improbable, despite the fact that we experience and practice it every day of our lives and would not exist without it."
terça-feira, 11 de agosto de 2015
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
É tudo uma questão de aceitar (ou não) o custo afundado.
Como quando nos forçamos a ler um livro até ao fim apenas porque já o começámos, e mesmo que a leitura esteja a ser penosa. Saber lidar com a desistência e aceitar o tempo entretanto perdido é, por vezes, mais do que arte e um saber viver: é um exercício de liberdade.
sexta-feira, 31 de julho de 2015
quarta-feira, 29 de julho de 2015
Belated
Quando aum amigo a roçar os quarenta anos lhe disse, preocupado, que sentia estar a passar por uma crise de meia-idade, respondeu: Só agora? Eu comecei na puberdade. Quando nem sequer tinha carta para poder comprar um descapotável.
terça-feira, 28 de julho de 2015
segunda-feira, 27 de julho de 2015
Bumper stickers quoting #2
No braço um relógio desajeitado, desengonçado. Plástico e feio. De um verde muito verde. A fazer lembrar os relógios que ofereciam com o shampoo - Vidal Sassoon, acho eu - quando era miúdo. O relógio vinha na parte superior do frasco - se calhar por isso a cor, para não se distinguir do frasco - e era igualmente horrível. Tive um professor de educação visual (ou trabalhos manuais?) que usava uma coisa dessas. E, naquele momento, em que desço a rua e vejo o homem que todos os dias fuma em frente à loja de colchões, que todos os dias vejo a fumar em frente àquela montra de coisas ortopédicas e almofadas em promoção, só naquele dia reparo no relógio que me faz pensar em aulas de educação visual (trabalhos manuais?) e num professor (Fernando?) por quem nunca tive qualquer tipo de empatia, que me era totalmente indiferente. Mas que nunca consegui esquecer que usava relógios que vinham em frascos de shampoo. Vidal Sassoon.
domingo, 26 de julho de 2015
sábado, 25 de julho de 2015
Queijo tinto e vinho da serra
É provável que não sejam muitos os que gostam de ser o centro das atenções mas os que efectivamente gostam, gostam mesmo.
quinta-feira, 23 de julho de 2015
Bumper stickers quoting
Sempre à mesma hora. À porta da loja de colchões, a fumar. Anda para trás e para a frente, o cigarro na ponta dos dedos sapudos. Magro, os óculos escuros de aspecto moderno contrastam com as rugas da cara, com o cabelo grisalho. A camisa aberta à frente, caminha para trás e para a frente, mas sempre sem ultrapassar a montra da loja de colchões. Sempre à mesma hora - quase poderia acertar o relógio por ele -, sempre a fumar.
quarta-feira, 22 de julho de 2015
Ser-se romano
«(...) mas é um tipo que faz a única coisa inteligente que se pode fazer para justificar o facto de viver na América: joga na bolsa. Passar as manhãs na sede local da Merryl Linch, Fenner, Pierce and Smith, a seguir na fita as contratações do Stock Exchange de New York, as variações no placards electrónicos, a estudar o momento certo para vender e para comprar, com o telex na sala a estender as últimas notícias sobre as quais se pode orientar as nossas operações, a acompanhar a vida de todas as grandes empresas americanas, a ler o Wall Street journal assim que chega, este é o único modo de não viver passivamente a vida de um grande país capitalista, é no fundo a verdadeira instância democrática da América, porque embora não dê nenhuma possibilidade de ter influência, senão no andamento do mercado especulativo, contudo mantém-nos imersos no mecanismo na sua parte mais avançada e activa, e exige uma atenção constante - neste país de interesses assustadoramente locais e provincianos - ao conjunto do sistema.»
Um eremita em Paris, Italo Calvino
Um eremita em Paris, Italo Calvino
segunda-feira, 20 de julho de 2015
domingo, 19 de julho de 2015
Fight or flight
Tea Leoni: You don't like crowds?
Ricky Gervais: It's not so much the crowds, it's the individuals in the crowds.
Ricky Gervais: It's not so much the crowds, it's the individuals in the crowds.
sábado, 18 de julho de 2015
A pé, atravessamos a rua com o semáforo vermelho quando não vem lá ninguém. De carro não o fazemos: podemos queimar um amarelo - rápido, rápido -, não parar totalmente num stop como manda a lei, mas não arrancar depois de parados num vermelho. E mesmo que não venha lá ninguém. Na primeira situação é mais improvável causar dano a alguém mas é mais provável sair aleijado; na segunda é o contrário. Causar dano alheio parece ser mais doloroso que ao próprio. Ou, alternativamente, que nos valorizamos menos. Uma espécie de altruísmo na versão código da estrada.
sexta-feira, 17 de julho de 2015
quinta-feira, 16 de julho de 2015
terça-feira, 14 de julho de 2015
Sinfonia
Em grego, "acordo" é designado por "sinfonia", a mesma palavra que usamos para designar a composição musical. Ironicamente, pressupõe "concórdia de sons" e "harmonia".
domingo, 12 de julho de 2015
25a hora
Da austeridade à humilhação, estende-se um convite (pontapé no rabo?) de saída.
sábado, 11 de julho de 2015
terça-feira, 7 de julho de 2015
How much difference does it make
À acusação de fleumático - blasé, foi o termo usado - respondeu que não conseguia deixar de se estar a cagar para o facto de se estar a cagar.
segunda-feira, 6 de julho de 2015
domingo, 5 de julho de 2015
sábado, 4 de julho de 2015
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Letter to my younger self - Pete Sampras
quinta-feira, 2 de julho de 2015
A cruz que se descarrega
Meses de campanha, a correr o país de comício em comício. Entrevistas atrás de entrevistas, debates com os rivais, preparados ao milímetro, na defesa e no ataque. Acompanhamento quase maníaco das sondagens, reuniões com o director de campanha e a entourage, gestores de imagem. Tudo isto lhe veio à cabeça enquanto escrevinhava no boletim de voto uma cruz convicta no seu principal adversário. Quem pensa que é o melhor candidato, tinham-lhe perguntado na recta final da campanha; deu a resposta óbvia que todos os que se vêem naquela posição dão: eu. E agora pensava na brutal ironia de tudo aquilo. Dobrou o papel em quatro e regressou à urna para a fotografia da praxe e para prestar declarações aos jornalistas, reiterando a sua confiança na vitória.
terça-feira, 30 de junho de 2015
Terra à vista
Ou, neste caso, uncharted territory. Um tratado sobre brinkmanship.
domingo, 28 de junho de 2015
Eólio.
Há quem sinta que a sua vida faz parte de algo maior, muitas vezes associado a algo religioso. Apetece-me dizer-lhes que, quando muito, fazem parte de uma coisa menor.
sexta-feira, 26 de junho de 2015
Shark Tank
No Shark Tank português, os "concorrentes" têm que convencer os investidores. No Shark Tank americano, a concorrência entre as propostas dos investidores é ponto alto. No português, por vezes os investidores não avançam a partir do momento em que outro já avançou para garantir que alguém entra; no americano, quando o negócio é bom, degladiam-se para serem escolhidos, criticam ofertas alheias.
quinta-feira, 25 de junho de 2015
Dissimetria
Pode-se chorar a rir mas não rir a chorar.
quarta-feira, 24 de junho de 2015
Tapar a peneira com um sol
Cabeça baixa, respirou fundo, como se estivesse a encarar um exercício duro, a máquina mais difícil do ginásio. Depois de expirar ruidosamente, colocou-se em cima da balança num ímpeto. Pouco depois voltou a colocar os pés no chão, desta feita com movimentos menos bruscos. Ou satisfeito e, por isso, relaxado ou deprimido com o resultado.
segunda-feira, 22 de junho de 2015
domingo, 21 de junho de 2015
Sample
Não são bem noites em branco: o tom é mais cinzento. Um cinzento claro, macilento. Quando devia ser bem escuro, preto até.
sábado, 13 de junho de 2015
quinta-feira, 11 de junho de 2015
quarta-feira, 10 de junho de 2015
terça-feira, 9 de junho de 2015
segunda-feira, 8 de junho de 2015
domingo, 7 de junho de 2015
sábado, 6 de junho de 2015
Carrego muito mais frustrações do que arrependimentos.
Em alguns casos até aquilo que poderia ser um arrependimento é, no fundo, uma frustração: a da saber que, caso fosse possível voltar atrás, faria tudo (inexplicavelmente?) da mesma forma.
quinta-feira, 4 de junho de 2015
29 anos, 2 derrotas
Perto do final do primeiro set, depois dos vários set points que Djokovic não conseguiu aproveitar , confesso que ainda pensei que o Nadal conseguisse tirar um coelho gigantesco da cartola e perpetuar a lenda. Mas a brecha abriu ali mesmo antes do tie break - se Djokovic não tivesse levado aquele set teria seguramente ficado de cabeça perdida (a imagem do sérvio a levar as mãos à cabeça). Mesmo assim não era líquido como o segundo set ia acabar. E, quando o break surge ao oitavo jogo e deixa tudo em aberto para ser fechado no jogo de serviço de Djokovic, aí sim, a areia começou a escorrer por entre os dedos. Seguramente a primeira vez que se viu dois sets abaixo na terra francesa. E aí foi Nadal quem deixou de acreditar: o terceiro set é capaz de ter sido o pior que alguma vez vi o espanhol jogar. A dupla falta com que entregou o último ponto é uma capitulação confrangedora.
É um lugar-comum dizer que o jogo de ontem foi uma final antecipada. Mas é verdade. E Nadal merecia ter ido à final. Mesmo que o desfecho fosse igual. Mas seria num palco condizente com a categoria de jogador - sem par em terra batida, sem par sobretudo no Philippe Chatrier.
É um lugar-comum dizer que o jogo de ontem foi uma final antecipada. Mas é verdade. E Nadal merecia ter ido à final. Mesmo que o desfecho fosse igual. Mas seria num palco condizente com a categoria de jogador - sem par em terra batida, sem par sobretudo no Philippe Chatrier.
terça-feira, 2 de junho de 2015
Quase uma semana sem beber café.
Nem nenhuma outra coisa que pudesse substituir e compensar a falta da cafeína. Chá, chocolate, doces. Até Coca-Cola. Cold turkey. O primeiro dia terminou com uma senhora dor de cabeça. O segundo foi menos mau e assim progressivamente. Em traços gerais, alguma dificuldade de concentração e, aqui e ali, embora decrescentemente, alguma sonolência. Tinha alguma curiosidade para saber como iriam terminar estes (quase, por escassas 4-5 horas) sete dias. Desde que comecei a beber café regularmente, algures na adolescência, nunca tinha estado sob tamanha lei seca. Será que o primeiro depois deste hiato iria saber de forma diferente, um efeito potenciado? Frustrantemente não. Soube como qualquer outro café. Aliás, até eventualmente pior do que um mediano.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Ver as horas por 775 mil dólares
domingo, 31 de maio de 2015
Back and forth
E de todas as vezes que te perguntaste porquê - com alguma incredulidade, não havia nenhuma razão (aparente) - e pensaste que não conseguias juntar a coragem suficiente para me perguntar (ou não quiseste). Digo-te que não teria feito nenhuma diferença - também eu pergunto porquê. E também não tenho a coragem suficiente para me perguntar (ou não quis).
sábado, 30 de maio de 2015
Abono
O conceito de testemunha abonatória é algo que me parece curioso. Alguém que fornece a sua opinião pessoal sobre o carácter e a conduta de uma dada pessoa. Nas minhas palavras, atesta a porreirice alheia. Se quiser uma opinião sobre um problema de saúde falo com um médico e não com um advogado, um pedreiro ou um mecânico. Mas se o meu carro estiver avariado procuro um mecânico. No caso da testemunha abonatória, não há nenhuma característica técnica que seja necessária para exercer essa função - em princípio, ninguém se formou em reconhecimento da porreirice alheia. Donde, qualquer médico, advogado, pedreiro, mecânico ou mesmo, desempregado, reune as competências técnicas e está igualmente habilitado a exercer tal função. E, no entanto, em alguns casos, este atestado de porreirice parece depender da profissão ou estatuto daquele que atesta - como se os galões da testemunha fizessem automaticamente aumentar a qualidade do testemunho e, por sua vez, do testemunhado. E isso, sim, é interessante. E isso, sim, diz muito sobre nós e o nosso carácter. Embora, eventualmente, de uma forma não muito abonatória.
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Ainda se se tratasse de pedofilia
segunda-feira, 25 de maio de 2015
domingo, 24 de maio de 2015
Is working against me
(interessante pormenor do teleponto com a letra)
sábado, 23 de maio de 2015
quinta-feira, 21 de maio de 2015
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Odd
As pessoas nunca se comparam face aos ímpares. Assim como a pressão de ímpares não incomoda ninguém.
terça-feira, 19 de maio de 2015
Dupont e Dupond
segunda-feira, 18 de maio de 2015
Um post sobre ténis
Na recta final daquela que é talvez a época de terra batida que vai acabar com um resultado diferente das dos últimos dez anos (ou praticamente todas). E, ainda assim, não se pode dizer que seja aberta. Pelo menos da forma como costumava ser, de como me lembro - longe vão os tempos em que a terra de Roland Garros gerava surpresas e coroava os campeões mais improváveis.
Nadal foi batido (sumariamente, diga-se) em todos os torneios de terra batida (e todos os outros antes destes) que antecedem o Grand Slam, algo que julgo acontecer pela primeira vez na sua carreira. A falta de surpresa: o caminho está trilhado para Djokovic, que não está a conseguir perder praticamente todos os torneios em que participa. Há alturas em que gostava que me provassem errado.
Nadal foi batido (sumariamente, diga-se) em todos os torneios de terra batida (e todos os outros antes destes) que antecedem o Grand Slam, algo que julgo acontecer pela primeira vez na sua carreira. A falta de surpresa: o caminho está trilhado para Djokovic, que não está a conseguir perder praticamente todos os torneios em que participa. Há alturas em que gostava que me provassem errado.
domingo, 17 de maio de 2015
sábado, 16 de maio de 2015
sexta-feira, 15 de maio de 2015
segunda-feira, 11 de maio de 2015
Sentido
Testou-se para a possibilidade de uma raiz unitária com receio de ter uma existência espúria.
domingo, 10 de maio de 2015
Certeza na dúvida
I could be wrong
Have you ever said that and actually meant it?
(pausa, olhos tecto)
No
Blue Bloods
Have you ever said that and actually meant it?
(pausa, olhos tecto)
No
Blue Bloods
sábado, 9 de maio de 2015
Purpose
Going through life without knowing whether you're actually taking credits or just auditing.
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Em nome do nome
Estive para me chamar Rui. Segundo consta. Acabou por não ser e honestamente não me imagino com outro nome. Sinto que não me pertenceria, que não me assentaria. E, no entanto, quão diferente poderia eu ter sido daquilo que sou hoje acaso me chamasse Rui? Quanto é que outro nome me poderia mudar? Quanto de mim, quanto daquilo que sou é o meu nome?
Uma parte de mim gosta de dizer rigorosamente nada: seria como mudar apenas a designação de algo, mais nada. O nome em si nem deveria fazer parte de mim, é só uma designação prática. Nomes são etiquetas que se põem às pessoas e nada mais do que isso. Mudar a etiqueta não tem impacto nenhum sobre a coisa: se a caneta se chamasse lápis continuaríamos a depreender o mesmo objecto mas chamar-lhe-íamos outra coisa.
Outra parte de mim compreende a energia investida pelos pais na escolha de nomes para crianças. E as discussões em que alguém tenta desencorajar os pais de uma criança a não lhe darem um dado nome. Quando era miúdo lembro-me de pensar que o pior nome que se podia ter era Diogo por causa do “baixa as cuecas que lá vai fogo”.
Várias partes de mim sabem que não somos nem objectos nem coisas. Ao contrário das canetas e dos lápis, o nosso nome é parte integrante da nossa identidade. Assim como o minha cara, a minha expressão, a cor do meu cabelo, a minha altura. Bem ou mal, crescemos com ele. Soa-me estranho quando o digo (não quando o oiço de outra pessoa), da mesma forma que a minha voz gravada não parece minha.
E, no entanto, já não poderia ter qualquer outro nome.
Uma parte de mim gosta de dizer rigorosamente nada: seria como mudar apenas a designação de algo, mais nada. O nome em si nem deveria fazer parte de mim, é só uma designação prática. Nomes são etiquetas que se põem às pessoas e nada mais do que isso. Mudar a etiqueta não tem impacto nenhum sobre a coisa: se a caneta se chamasse lápis continuaríamos a depreender o mesmo objecto mas chamar-lhe-íamos outra coisa.
Outra parte de mim compreende a energia investida pelos pais na escolha de nomes para crianças. E as discussões em que alguém tenta desencorajar os pais de uma criança a não lhe darem um dado nome. Quando era miúdo lembro-me de pensar que o pior nome que se podia ter era Diogo por causa do “baixa as cuecas que lá vai fogo”.
Várias partes de mim sabem que não somos nem objectos nem coisas. Ao contrário das canetas e dos lápis, o nosso nome é parte integrante da nossa identidade. Assim como o minha cara, a minha expressão, a cor do meu cabelo, a minha altura. Bem ou mal, crescemos com ele. Soa-me estranho quando o digo (não quando o oiço de outra pessoa), da mesma forma que a minha voz gravada não parece minha.
E, no entanto, já não poderia ter qualquer outro nome.
terça-feira, 5 de maio de 2015
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Montage of a heck
Entrevistas com familiares, gravações que dão uma ideia da juventude e adolescência de Kurt Cobain. Mas são os filmes caseiros que tornam o espectador num intruso, num voyeur da progressiva decadência. Não há nada de surpreendente na associação de Kurt Cobain com drogas. Mais difícil dizer o mesmo em relação à sua imagem esquálida e titubeante, magro e de aspecto débil, com Courtney Love às cavalitas.
O percurso dos Nirvana – como se juntaram? – e o salto vertiginoso do (quase-) anonimato para o estrelato é aparentemente um dado adquirido. E, no entanto, quando penso nisso, sei menos sobre o assunto do que aquilo que esperaria após sair da sala de cinema. Apenas que Kurt era surpreendentemente (?) ambicioso para quem se preocupava pouco (?) com a opinião alheia.
Num discurso no festival South by Southwest de 2013, Dave Grohl – a maior ausência do documentário, segundo consta estaria a promover o mais recente álbum – partilha com a audiência o seu espanto quando, numa reunião com uma grande produtora, Cobain responde à pergunta “So, what do you guys want?” com “we want to be the biggest band in the world”. Grohl riu-se, pensou que Cobain estava a brincar. Não estava.
É preciso relembrar onde estava o mundo da música naquela altura, diz Grohl, e percorre o Billboard top ten de 1990: Bon Jovi, Madonna, Phil Collins, Mariah Carey, Roxette, etc.. Foi neste contexto – “mainstream world of polished pop music” – que os Nirvana chegaram ao top.
O percurso dos Nirvana – como se juntaram? – e o salto vertiginoso do (quase-) anonimato para o estrelato é aparentemente um dado adquirido. E, no entanto, quando penso nisso, sei menos sobre o assunto do que aquilo que esperaria após sair da sala de cinema. Apenas que Kurt era surpreendentemente (?) ambicioso para quem se preocupava pouco (?) com a opinião alheia.
Num discurso no festival South by Southwest de 2013, Dave Grohl – a maior ausência do documentário, segundo consta estaria a promover o mais recente álbum – partilha com a audiência o seu espanto quando, numa reunião com uma grande produtora, Cobain responde à pergunta “So, what do you guys want?” com “we want to be the biggest band in the world”. Grohl riu-se, pensou que Cobain estava a brincar. Não estava.
É preciso relembrar onde estava o mundo da música naquela altura, diz Grohl, e percorre o Billboard top ten de 1990: Bon Jovi, Madonna, Phil Collins, Mariah Carey, Roxette, etc.. Foi neste contexto – “mainstream world of polished pop music” – que os Nirvana chegaram ao top.
domingo, 3 de maio de 2015
n e n-1
Em entrevista a Bill Maher, Sam Harris diz que crentes e ateístas não estão assim tão longe uns dos outros. Os primeiros acreditam num deus mas não acreditam em todos n-1 restantes; os segundos só estão a um deus de distância, não acreditam em n deuses.
sábado, 2 de maio de 2015
Focus
Não saber as respostas não é importante; o que interessa é saber quais as perguntas.
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Arriscado dormir com homens
terça-feira, 28 de abril de 2015
segunda-feira, 27 de abril de 2015
(andar aos) Papéis
« (…) while in the end the female in societies in which every woman marries is practically certain o resolving all the doubts about her own sex membership that were implanted in her in the natural course of her long infancy and childhood, the male needs to reassert, to reattempt, to redefine his maleness.
In every known human society, the male’s need for achievement can be recognized. Men may cook, or weave or dress dolls or hunt humming-birds, but if such activities are appropriate occupations of men, then the whole society, men and women alike, votes them important. When the same occupations are performed by women, they are regarded as less important. In a great number of human societies men’s sureness of their sex role is tied up with their right, or ability, to practice some activity that women are not allowed to practise. Their maleness, in fact, has to be underwritten by preventing women from entering some field of performing some feat. Here may be found the relationship between maleness and pride; that is, a need for prestige that will outstrip the prestige which is accorded to any woman. There seems no evidence that it is necessary for men to surpass women in any specific way, but rather that men do need to find reassurance in achievement, and because of this connection, cultures frequently phrase achievement as something that women do not or cannot do, rather than directly as something which men do well.
The recurrent problem of civilization is to define the male role satisfactorily enough – whether it will be to build gardens or raise cattle, kill game or kill enemies, build bridges or handle bankshares – so that the male may in the course of his life reach a solid sense of irreversible achievement, of which his childhood knowledge of the satisfactions of child-bearing have given him a glimpse. In the case of women, it is only necessary that they be permitted by the given social arrangements to fulfill their biological role, to attain this sense of irreversible achievement.
(…)
Each culture – in its own way – has developed forms that will make men satisfied in their constructive activities without distorting their sure sense of their masculinity. Fewer cultures have yet found ways in which to give women a divine discontent that will demand other satisfactions that those of child-bearing.»
Male and female, Margaret Mead
In every known human society, the male’s need for achievement can be recognized. Men may cook, or weave or dress dolls or hunt humming-birds, but if such activities are appropriate occupations of men, then the whole society, men and women alike, votes them important. When the same occupations are performed by women, they are regarded as less important. In a great number of human societies men’s sureness of their sex role is tied up with their right, or ability, to practice some activity that women are not allowed to practise. Their maleness, in fact, has to be underwritten by preventing women from entering some field of performing some feat. Here may be found the relationship between maleness and pride; that is, a need for prestige that will outstrip the prestige which is accorded to any woman. There seems no evidence that it is necessary for men to surpass women in any specific way, but rather that men do need to find reassurance in achievement, and because of this connection, cultures frequently phrase achievement as something that women do not or cannot do, rather than directly as something which men do well.
The recurrent problem of civilization is to define the male role satisfactorily enough – whether it will be to build gardens or raise cattle, kill game or kill enemies, build bridges or handle bankshares – so that the male may in the course of his life reach a solid sense of irreversible achievement, of which his childhood knowledge of the satisfactions of child-bearing have given him a glimpse. In the case of women, it is only necessary that they be permitted by the given social arrangements to fulfill their biological role, to attain this sense of irreversible achievement.
(…)
Each culture – in its own way – has developed forms that will make men satisfied in their constructive activities without distorting their sure sense of their masculinity. Fewer cultures have yet found ways in which to give women a divine discontent that will demand other satisfactions that those of child-bearing.»
Male and female, Margaret Mead
domingo, 26 de abril de 2015
Sweet and sour #2
A existência de batatas doces pressupõe (implica?) a existência de batatas salgadas (ensonas?). E qual a lógica de pôr sal em batatas doces?
sábado, 25 de abril de 2015
Sweet and sour
Há quem defenda as batatas doces face às convencionais por questões nutricionais. Para mim, a maior vantagem é não ganharem grelo.
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