quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Come undone
Tudo só por pensar que posso não chegar. Que posso não ser suficiente. Suficientemente bom. Para poder chegar para ti. Estar à altura, à tua altura. Lá bem no alto, inatingível. E por isso as mentiras. Não são bem mentiras, são antes fabulações. Projecções daquilo que aquilo que deveria ser, que queria ser para que chegasse. Para poder ser suficiente. Para te poder ser suficiente. Não te zangues comigo por te mostrar o que não sou. Não estarias seguramente à espera que te mostrasse a minha incapacidade para estar à tua altura? Uma insuficiência. E sobretudo não me fales em insegurança.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Tremoço
Esta cena de festejar os 69 anos do Eusébio - e não qualquer outra data, enfim, redonda - é mesmo muito saloia.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Tenho a sorte de ter um parsidente que acardita em mim
Aos americanos falta um presidente que não tenha que ser um homem religioso para poder ocupar o cargo. Que não tenha que tomar posse com uma mão na bíblia, so help me God. Que não tenha que fazer contas de cabeça para escolher a igreja que passará a frequentar aos domingos de manhã. Que não termine discursos com “God bless”’ isto e aquilo, a torto e a direito. Se o caminho percorrido até ter um negro na Casa Branca foi longo, árduo, tortuoso, este último não lhe fica nada a dever.
A nós falta-nos um presidente negro. Ou melhor, não-caucasiano. Ou uma presidenta.
A nós falta-nos um presidente negro. Ou melhor, não-caucasiano. Ou uma presidenta.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Sangue azul
Na sede da campanha de Fernando Nobre os apoiantes do candidato gritam estusiástica e ininterruptamente o seu apelido. Não sei se referem ao fiambre se às salsichas.
Grey out
Há semanas que a teimosia da neve foi vencida por uma chuva escorreita. O frio progressivamente deu ares de querer voltar e hoje a manhã amanheceu com geada no chão. E a cor cinzenta. Perguntam-me do que é que eu mais sinto a falta, usam a palavra “saudade” para fazer essa pergunta porque acrescenta aquele toque aportuguesado àquilo que dizemos. Claro que posso dizer que é das pessoas. Das minhas pessoas, não das pessoas em geral. E da comida: a comida é um desses chavões enormes. E depois o tempo, obviamente. Perguntam-me pelo frio. Comparam com aquilo que deveria ser – mas não é – a ausência do mesmo na nossa terra. E não é tanto pela temperatura. É pela cor. Pelo azul do céu face ao cinzento. Pelo dourado do sol que aqui passa semanas fechado no armário. Lisboa tem uma luz inexplicável, inqualificável. E é dela que tenho as tais saudades.
sábado, 22 de janeiro de 2011
Nem sai de cima
´Come, you are not drinking! I hate it when people take so long to drink a single glass. It is like putting on a condom to masturbate.’
Shantaram, Gregory David Roberts
Shantaram, Gregory David Roberts
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Olho para estas datas todas.
E não resisto. Penso sempre: onde é que eu estava quando? Ao mesmo tempo que isto estava a acontecer, estava a fazer qualquer coisa. Estéril e desinteressante.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Du wirst meine Liebe nicht entgehen
Os estalidos. Graves. Secos e ásperos. Estala tudo e a frase ali. Todos os dias. Sempre a espreitar, sempre à coca. Este tempo todo sempre atrás de mim como uma sombra, uma companhia inesperada. Como os estalidos que não desaparecem, teimam em arrastar-se atrás de mim. Graves. Secos e ásperos. Não consegues fugir. Não vale a pena. Este tempo todo ali, mesmo à minha frente. E eu sem perceber. E eu sem conseguir perceber. E eu sem querer perceber. Os estalidos. Sempre a espreitar sempre à coca. Sempre à espera para ver quando. Finalmente. Quando é que eu noto. Percebo. Quero perceber. E sempre sem poder fugir. Está lá, há tanto tempo, este tempo todo. E não sai dali. Não vai a lado nenhum. Seco e áspero. Grave.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Outro brinquedo novo
Mas este não é meu. Embora esta imagem tenha sido capturada com um brinquedo igual ao meu. Mas não o meu. Créditos da foto ao Ricardo.

Meet Joana

Meet Joana
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Too old to know better
Too young to care
domingo, 9 de janeiro de 2011
Dois minutos.
E, no entanto, não sei explicar. Dois minutos de atraso no relógio do meu telemóvel. Que, ainda por cima, é esse que uso: detesto usar relógios de pulso. Passo os dias a tirar o telemóvel do bolso, a abrir a tampa para que a luz se acenda e eu consiga ver que horas são. Mas sempre com os dois minutos de atraso da tabela. De tal forma que, automaticamente, olho para aquelas horas que o visor indica com mais dois minutos somados. De imediato. Agora, porque carga de água nunca acertei o raio dos dois minutos, não faço ideia. Periodicamente tenho que entrar no menu e ir às definições para retirar ou avançar horas consoante os fusos horários ou as mudanças de horário anuais. E faço-o sempre. Mas nunca me ocorreu, já que estava a acertar as horas – neste caso, só mesmo a hora – aproveitar para acertar também a parte dos minutos. E somar aqueles dois que acabo por fazer de qualquer das formas.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
sábado, 1 de janeiro de 2011
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Pegas na pequena colher.
Aquela que usaste para mexer o líquido depois de teres adicionado açúcar. E, com uma delicadeza absurda, mergulhas o metal no interior da chávena. Um pouco de café naquela colher. Pequena colher. E dás-me à boca. Só essa colher. Porque ainda não tenho idade para mais.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
sábado, 25 de dezembro de 2010
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Auf gepacktem Koffer sitzen
Don´t wait up for me
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
domingo, 19 de dezembro de 2010
Home sweet home
Filas intermináveis. Drop-off manual da bagagem. Atraso do voo. Filas na porta de embarque para waiting lists. Embarque demorado. Pista bloqueado por veículo que deveria remover neve. Limpeza da fuselagem do avião para remover o gelo. Nova limpeza da pista. Finalmente descolagem.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Dizem que o Elvis ainda está vivo mas ia jurar que ontem dei de caras com a Billie Holiday.
E tudo a propósito de uma balalaika. Não digam que são as cervejas a falar, ainda antes de tocar na primeira já estava com essa impressão. Tocámos um pouco, cantámos um pouco, trocámos umas impressões. How do you know these songs? Ainda me pediu fado assim que lhe disse a minha nacionalidade mas esse é um terreno demasiado resvaladiço para mim. I like your chords. Prometi-lhe que voltava, para a próxima com a minha menina e com auxiliares de memória. À saída: are you sure you know your way back here? Disse-lhe que sim, of course. E então ela, pelo sim pelo não, o seguro morreu de velho, enfiou-me um cartão na mão.
I’ll be waiting.
I’ll be waiting.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
In a friday night mood
Estou a ouvir o Sweet Child o´Mine em repeat. Where do we go now? E que ninguém me pare.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
You look tired.
E estava. Noite mal dormida. Desviei o assunto e a certa altura falei-lhe de café, que ainda me faltava a minha segunda dose matinal e que, após esse ritual, imediatamente pareceria mais desperto. Devias largar esse vício. Eu larguei o tabaco. Cinco anos de fumadora, respondeu-me pouco depois. Nicotine pads? Respondeu negativamente com a cabeça. E eu: just like that? Cold turquey. Entretanto as portas, a saída, as escadas rolantes e, depois de pensar um pouco, soltei um sorriso. Já sei o que quero para o Natal, vou dizer à minha mãe que este ano é cold turquey.
That´s funny, disse praticamente sem sorrir.
That´s funny, disse praticamente sem sorrir.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Quando for grande quero escrever como este gajo
«As mulheres – mas também os homens – perdem boa parte dos seus anos 30 com pena de não terem 20. Nos 40, já aceitariam ter os 30 mas sofrem por não terem. Nos anos 50, continuam a perder tempo a chorar que já não têm 30 – ou 20 – há 20 ou 30 anos. Nos anos 60, pena de não terem 40. Só nos anos 70 começam a dar valor a ter apenas 50. E, nos anos 80, até 60, mas não 65 – parece uma idade desejável, pela qual vale a pena queixarem-se. Só nos anos 90 é que descansam e folgam que ninguém lhes dá a idade que têm, embora gostassem mais de ter 40 anos. Ou 30. Ou 28.
A comédia – porque é mais um desperdício do que uma tragédia – é que perdem os 30 por causa dos 20, os 40 e 50 por causa dos 30 (já de si perdidos por causa dos 20); os 60 por causa dos 40 e os 70 por causa dos 50: duas décadas perdidas, a lamentar duas décadas passadas mas nem por isso menos bem-vindas ou mais desamadas. Não há maneira de ganharem juízo. Só na década dos 20 – dos 15 anos 25 anos, para sermos mais precisos, já que são desilusões que obedecem mais aos lustros do que às décadas – é que existe uma aparência de harmonia. É um equilíbrio ranhoso – mas assoa-se e dá-se o passo seguinte.
Mal nascemos, começamos a envelhecer. Só há duas idades: a idade em que, estupidamente, queremos ser mais velhos e a idade em que, não menos estupidamente, queremos ser mais novos. Apenas nascemos, mudamos e sobrevivemos, até morrermos. Nascer e morrer não contam. Só mudar e sobreviver.»
MEC no Público
A comédia – porque é mais um desperdício do que uma tragédia – é que perdem os 30 por causa dos 20, os 40 e 50 por causa dos 30 (já de si perdidos por causa dos 20); os 60 por causa dos 40 e os 70 por causa dos 50: duas décadas perdidas, a lamentar duas décadas passadas mas nem por isso menos bem-vindas ou mais desamadas. Não há maneira de ganharem juízo. Só na década dos 20 – dos 15 anos 25 anos, para sermos mais precisos, já que são desilusões que obedecem mais aos lustros do que às décadas – é que existe uma aparência de harmonia. É um equilíbrio ranhoso – mas assoa-se e dá-se o passo seguinte.
Mal nascemos, começamos a envelhecer. Só há duas idades: a idade em que, estupidamente, queremos ser mais velhos e a idade em que, não menos estupidamente, queremos ser mais novos. Apenas nascemos, mudamos e sobrevivemos, até morrermos. Nascer e morrer não contam. Só mudar e sobreviver.»
MEC no Público
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
I’m the best girlfriend there is; I travel a lot
Acabei de saber que o Fernando Nobre esteve em Beirute em 82. Vou já a correr votar no gajo.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
sábado, 11 de dezembro de 2010
Sobre vir a Lisboa
Sopa. Feijoada. Com muita couve e molho. Vinho tinto com quase 30 anos. Queijo. Pasteis de nata. E café. Muito café.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Os 90 anos do Dave Brubeck
Que, por acaso, acho que foram na 2a, mas isso agora não interessa. E esta cerimónia é de Dezembro do ano passado, isso também pouco importa. Importa sim que até o Obama lá estava e isso não aconteceu por acaso.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Estou aqui.
Para quando precisares. Estou aqui, bate-me à porta e juro que te abro com a maior das boas vontades. Estou aqui para o que precisares, a sério que estou. Estou aqui. Acredita.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
De repente saiu-te a frase.
Assim, sem mais nem menos. Estamos sentados à mesa com todos os outros e tu, ao meu lado, olhaste para o telemóvel e achaste por bem contares-me algo tão íntimo. É claro que fiquei atrapalhado, que raio de reacção querias que tivesse? Logo eu que sou uma espécie de elefante numa loja de porcelana. A custo consegui segurar a situação – usei a velha técnica do irmão mais velho – e dizer minimamente inteligente e com sentido e aos poucos senti a poeira assentar. E o assunto ficou por ali, pelo menos pensei que tinha ficado até, horas depois, sem eu estar outra vez à espera – raios, juro que me estavas a testar – voltaste a puxá-lo. O papel de irmão mais velho, outra vez, safou-me e consegui uma vez mais ver o pó fino progressivamente a aterrar no chão. O sofá, deitada no sofá, apanhaste-os a todos de costas para me pores outra vez à prova. Testar-me. Aproveitaste a língua mais solta do que o habitual e tentaste espremer-me. Juro que não me apetecessem jogos, ficas a saber que estou cansado e farto dessas merdas. A próxima vez que me quiseres pôr à prova prepara-te para ir até às últimas consequências. E aí vamos ver que quem cede primeiro.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Down memory lane
Estes pacotes de sumo levam-me até à minha infância. Há anos que não os via e, de repente, ali estavam numa prateleira do supermercado. Não resisti a comprar uns quantos. Mudaram o modo de abertura, que era chato como a potassa, e puseram uma daquelas coisas com rosca. Mas, ainda assim, devo dizer que o conteúdo deixou a desejar.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Com o berro que o gato deu
Soltas o cabelo, escorre-te pela cabeça que sacodes ligeiramente. As tuas mãos ainda no ar e eu
Desculpa
As tuas mãos finalmente a pousarem, o cabelo liso escorrido pela cabeça a baixo. Tens um boné, verde seco. Daqueles que parecem da tropa. Contrasta com o loiro agressivo do teu cabelo.
Blondie
Dá-te um ar rebelde. Se não fosse pelos dois ou três pins e crachás muito coloridos que puseste no lado esquerdo, quase te poderia confundir com um guerrilheiro revolucionário.
Desculpa
As tuas mãos finalmente a pousarem, o cabelo liso escorrido pela cabeça a baixo. Tens um boné, verde seco. Daqueles que parecem da tropa. Contrasta com o loiro agressivo do teu cabelo.
Blondie
Dá-te um ar rebelde. Se não fosse pelos dois ou três pins e crachás muito coloridos que puseste no lado esquerdo, quase te poderia confundir com um guerrilheiro revolucionário.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Era um rei muito poderoso.
Tinha ao seu cargo milhares de súbditos, possuía terrenos a perder de vista, tinha castelos, palácios, palacetes, repletos de empregados. Um dia entrou em guerra e perdeu uma parte significativa das suas posses para um rival. Perdeu alguns dos seus súbditos em guerras e outros tantos abandonaram-no.
E então tanto a Fitch como a Moody´s reviram o “reiting” do seu reinado em baixa.
E então tanto a Fitch como a Moody´s reviram o “reiting” do seu reinado em baixa.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
What are the odds
Há cerca de ano e meio atrás, fartei-me do Millennium BCP e fechei a minha conta. Tinha sido aberta pelos meus pais quando era miúdo, na altura no BPA, se não estou em erro. Um ano e meio de pois e ainda continuam, religiosamente, a enviar-me por e-mail a newsletter deles. Este ano, foram ao cúmulo de me enviar um SMS de parabéns no meu dia de anos, algo que nunca fizeram em todo o tempo que efectivamente fui cliente deles.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
A esquerda que cria o break point no primeiro set devia estar na parede de todas as salas de aula, por cima do quadro, mesmo ao lado do crucifixo
Isso e o ponto que começa aos 0m47s
sábado, 27 de novembro de 2010
Festarolas
«Uma parte essencial da saloiice indígena é a mania do prestígio. Ontem o DN falava da cimeira da NATO, notando com grande satisfação que ela nos trazia grande prestígio. E porquê? Porque Portugal recebia os "chefes" (e que "chefes") dos 28 Estados membros, mais duas dezenas de "representantes" de outros desgraçados países, desde o afegão Karzai ao russo Medvedev. Esta festarola já tornou Lisboa num inferno e provocou o governo a dar o presente do costume ao grosso do funcionalismo: a sempre abençoada e nunca verdadeiramente merecida "tolerância de ponto". Mas parece - dizem os peritos - que o mundo pasma com a nossa "capacidade" de organização, ainda por cima de um "evento" que "mudará o futuro próximo da humanidade". Para dona-de-casa não estamos mal.
A Expo-98 e o Europeu de Futebol de 2004, embora sem "mudar o futuro próximo da humanidade", o que foi uma pena, tinham a seu tempo mostrado essa nossa extraordinária vocação. E mesmo hoje Portugal continua ardorosamente à procura de um espectáculo qualquer que reforce e alargue a sua enorme fama de "receber bem", necessária como pão para a boca a um país que se preze. Consta, por exemplo, que vem aí o Mundial de Futebol e até, suponho que em homenagem à Comporta, a Ryder Cup (uma espécie de campeonato de golfe). Só falta agora o pingue-pongue e o ténis, que se escondeu, talvez por modéstia, no Estoril. A única coisa que espanta neste fulgurante currículo é que Portugal não use a sua "capacidade de organização" para se organizar a si próprio, uma coisa por que ninguém certamente o criticaria.
De resto, há por aí gente, como a sra. Merkel, que é muitíssimo capaz de preferir Portugal com uma dívida externa mais pequena, um défice razoável e uma economia em crescimento. Sabemos que essa gente é mesquinha e má. E que nada paga a íntima alegria de ver Obama e os seus duzentos guarda-costas nas ruas de Lisboa. O brilho de uma boa "cimeira" não substitui a mediocridade de uma vida honesta e de uma sociedade um pouco menos miserável e caótica. Os pobres - é uma velha verdade - gostam de se roçar (figurativamente) pelos ricos. Como a insignificância gosta de se roçar pela grandeza e discutir a sério o "futuro próximo da humanidade", em especial do Afeganistão em que o interesse de Portugal é óbvio. Mas, de quando em quando, convinha que o governo descesse à realidade de que teoricamente se devia ocupar.»
Vasco Pulido Valente
A Expo-98 e o Europeu de Futebol de 2004, embora sem "mudar o futuro próximo da humanidade", o que foi uma pena, tinham a seu tempo mostrado essa nossa extraordinária vocação. E mesmo hoje Portugal continua ardorosamente à procura de um espectáculo qualquer que reforce e alargue a sua enorme fama de "receber bem", necessária como pão para a boca a um país que se preze. Consta, por exemplo, que vem aí o Mundial de Futebol e até, suponho que em homenagem à Comporta, a Ryder Cup (uma espécie de campeonato de golfe). Só falta agora o pingue-pongue e o ténis, que se escondeu, talvez por modéstia, no Estoril. A única coisa que espanta neste fulgurante currículo é que Portugal não use a sua "capacidade de organização" para se organizar a si próprio, uma coisa por que ninguém certamente o criticaria.
De resto, há por aí gente, como a sra. Merkel, que é muitíssimo capaz de preferir Portugal com uma dívida externa mais pequena, um défice razoável e uma economia em crescimento. Sabemos que essa gente é mesquinha e má. E que nada paga a íntima alegria de ver Obama e os seus duzentos guarda-costas nas ruas de Lisboa. O brilho de uma boa "cimeira" não substitui a mediocridade de uma vida honesta e de uma sociedade um pouco menos miserável e caótica. Os pobres - é uma velha verdade - gostam de se roçar (figurativamente) pelos ricos. Como a insignificância gosta de se roçar pela grandeza e discutir a sério o "futuro próximo da humanidade", em especial do Afeganistão em que o interesse de Portugal é óbvio. Mas, de quando em quando, convinha que o governo descesse à realidade de que teoricamente se devia ocupar.»
Vasco Pulido Valente
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
P. diz que já não me ama.
Ou melhor, que afinal já não me ama. Assim, meio de rompante, embora se note que andou a remoer a frase durante algum tempo. O que é estranho: com tanto tempo para ensaiar, devia ter-lhe saído melhor. Depois fica chateada com a ausência de uma reacção minha. Ou melhor, uma reacção efusiva. Ou seja, queria que eu tivesse ficado lixado. Não fiquei. E expliquei-lhe: não me estava a dizer nada de novo. Aí é que ela ia trepando pelas paredes. Como era possível que eu soubesse? Estava armado em parvo. Eu e o meu cinismo.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Sei que a P. não está interessada em sexo mas acede à minha incursão.
Também não me apetece muito mas apetece-me ainda menos o fuzilamento de que seria alvo caso não manifestasse nenhuma vontade.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
P. está numa daquelas fases insuportáveis em que me pergunta vezes sem conta o que eu acho disto ou daquilo.
É incapaz de tomar uma decisão. Pergunta-me tudo desde se há-de deixar o trabalho actual até que sapatos deverá calçar, o que é que eu acho disto e daquilo. Pior, larga-me constantemente aquele “não é?” no final de cada frase, parece que não tem segurança naquilo que diz e precisa que constantemente vá anuindo. Até que perco a paciência. Discuto com ela e digo-lhe que está a exagerar, que a insegurança dela é disparate, não faz sentido nenhum. Quando os ânimos começam a acalmar e consigo que me vá dando alguma razão, não consigo evitar e estrago tudo quando sou eu próprio que digo “não é?”.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
P. diz-me que quer ter um filho comigo.
E pergunta-me se quero ter um filho com ela. Eu faço um sorriso. Verdadeiro. Gostava mesmo de ter um filho. Abraço-a. Beijo-a. E digo-lhe que sim. Claro que sim. Acrescento mais qualquer coisa, mais ou menos como este é um bom momento. E, após a parte séria, aproveito para brincar: até podemos começar já a tratar disso enquanto a dispo. A P. fica com uma cara linda. Contente. Preenchida. Satisfeita. Adoro vê-la assim. Mas sei perfeitamente que não deixou de tomar a pílula.
domingo, 21 de novembro de 2010
P. seria a melhor pessoa para fazer uma campanha a favor do sexo virtual.
Até estou a ver o slogan: orgasmo sim, mas não me toques. Assim do género da “cena de sexo” do filme do Woody Allen, o Herói do Ano 2000 em que os tipos usam uns capacetes que estimulam ondas cerebrais.
sábado, 20 de novembro de 2010
P. não gosta assim tanto de sexo.
Quer dizer, P. gosta de sexo, do que ela não gosta é de se expor a outra pessoa. Nem a mim nem a ninguém. E não é meramente por causa do corpo, acho que não a incomoda que eu conheça a nudez dela. O que a incomoda é que eu lhe conheça a cara quando se vem.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
P. diz uma coisa uns dias, outros dias diz outra.
Sei perfeitamente que depende sempre do lado para o qual o vento sopra. Já não é nada de novo. Talvez de início me irritasse. Com o tempo, acabei por me habituar. E, para ser sincero, nem sequer me incomoda. Aprendi a apreciar e achar graça, quase como se fosse uma virtude. Porque, no fundo, a incoerência não é um defeito.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
P. diz que é capaz de me amar.
Não tem a mínima dúvida disso. Deve ter-se apercebido recentemente. Eu digo-lhe que não tenho a mínima dúvida que a amo já. Ela gosta da minha resposta. Aninha-se no meu braço, com um suspiro e um sorriso.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
terça-feira, 16 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
O ponto a partir do qual tudo muda.
A partir do qual tudo é diferente. Costumas dizer “no turning back” e tens razão. Dou-te razão porque percebo (finalmente) a força desses pontos, dessas rupturas que rasgam com tudo. Buracos negros que distorcem tudo à volta. A partir desses acontecimentos, todos os caminhos são novos e diferentes.
domingo, 14 de novembro de 2010
All things considered
Já não sei muito bem como chegámos ali, falávamos de publicidade e de psicologia e, a certa altura, estávamos na Apple e no Jobs. Foi algures por aí que me disse que em breve teria que comprar um computador novo e esperava que esse processo não fosse fácil. Isto porque estava muito contente com o actual. Quatro anos e meio constantemente ligado – ok, de vez em quando fazia um reboot – e nunca tinha dado um único problema de hardware! Fiz uma cara de espantado. É claro que provoquei um pouco: mas porque carga de água queres ter o PC constantemente ligado? E já ouviste falar na pegada ecológica? Enfim, de qualquer das formas, havia que dar o braço a torcer, isso é que é uma máquina da guerra, resistente e duradoura. Eu próprio estou ligado também há quatro anos e meio (um pouco mais, para ser mais preciso) e já dei vários problemas de hardware. Riu-se. I won´t buy your brand then. Ora toma e embrulha.
sábado, 13 de novembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
C'um caneco
«Levar com uma caneca de cerveja na cabeça não é brincadeira nenhuma. A medicina legal alemã analisa agora o perigo que representam as canecas utilizadas da Oktoberfest, a festa da cerveja, que, cada vez mais, servem de arma em cenas de pugilato entre bebedores. Uma destas canecas de cerveja matou um homem de 29 anos, atingido na cabeça, vítima de comoção cerebral.
As canecas utilizadas na festa da cerveja pesam, vazias, 1.3kg. Levam um litro. A asa torna-as muito maneáveis e, de facto, podem ser uma arma terrível. Basta uma força de 4 mil newtons para fraturar um crânio e um golpe violento representa uma força superior a 8500 newtons (…).»
Revista Courier
As canecas utilizadas na festa da cerveja pesam, vazias, 1.3kg. Levam um litro. A asa torna-as muito maneáveis e, de facto, podem ser uma arma terrível. Basta uma força de 4 mil newtons para fraturar um crânio e um golpe violento representa uma força superior a 8500 newtons (…).»
Revista Courier
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Yipe-ki-yay
«Bebop was a high-frequency music that shot forward, then suddenly went mute in the middle of a melody chorus; it was highly aware of its own weight and shape. It didn’t have the conversational quality of swing playing, of Lester Young and the daddy of them all, Coleman Hawkins, unless you mean a conversation under the influence of amphetamines. Amphetamines properly accompanied bebop, as gin accompanied stride piano.»
Coltrane - the story of a sound, Ben Ratliff
Coltrane - the story of a sound, Ben Ratliff
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Polka dot
O céu começa a escurecer e os pontinhos de luz surgem, um a um, formas geométricas perfeitas das janelas dos edifícios altos. Parecem pequenos favos de colmeias, somos abelhas que habitamos a luz destes gabinetes que irradiam para o exterior. E que preenchemos a escuridão da noite.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
O saudoso Solnado tinha uma rábula em que fazia uma chamada para Váchingueton.
domingo, 7 de novembro de 2010
Constant state of crisis
A ideia de se separar dela era insuportável. Nem que fosse só por umas horas. Por exemplo, as horas em que saia de casa para trabalhar. Sofria o dia todo. Até não aguentar mais e se despedir.
sábado, 6 de novembro de 2010
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Ar na canalização
Se há coisa que me irrita nos computadores é demorarem séculos a abrir. No local de trabalho então a espera é particularmente penosa. De tal forma que me esforço por optimizar o tempo perdido. A primeira coisa que faço assim que entro no gabinete é carregar no botão para ligar o aparelho; só depois tiro o casaco e o penduro. Mais: tenho todo o tempo do mundo para me deslocar à máquina do café, tirar a minha dose matinal, regressar à cadeira e, mesmo assim, ainda não é o suficiente para que apareça a janela que solicita o ctrl+alt+del, seguido do username e da password. Insiro as minhas credenciais e, enquanto as definições de segurança são carregadas, assim como as minhas definições pessoais, dou uma saltada ao gabinete do colega do lado só para fazer aquela conversa da chacha. Passado uns minutos regresso, mesmo a tempo de ver a janela do Explorer com a página da intranet a abrir. É finalmente o final do processo que, na totalidade, não demora menos de 6 a 7 minutos, num bom dia.
Agora, o que me deixa mais lixado é que, para fechar, quando um tipo se vai embora e não está minimamente preocupado com o tempo, bastam apenas alguns segundos. É uma provocação, só pode.
Agora, o que me deixa mais lixado é que, para fechar, quando um tipo se vai embora e não está minimamente preocupado com o tempo, bastam apenas alguns segundos. É uma provocação, só pode.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
terça-feira, 2 de novembro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Pay up
Acabei de ver uma tipa num supermercado pagar sessenta e picos euros de compras com uma nota de quinhentos.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Causalidade
Deve haver muitos doentes nesta cidade: passo a vida a ouvir ambulâncias. Quer dizer, também pode ser porque fazem imenso barulho, nunca vi nada assim. Tudo bem que precisam assinalar a marcha de emergência mas tanta chinfrineira era dispensável. Só para verem, ao ponto das pessoas na rua levarem as mãos aos ouvidos em sofrimento quando uma passa. É insuportável. Talvez por isso tenham tantos doentes. Na especialidade de otorrinolaringologia. Ou, claro, cardiologia que, se uma começa o tinonim de um momento para o outro, um gajo assusta-se e não é pouco.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Baleável
Uma parte significativa dos germânicos – tal como os nortenhos – tem um pequeno problema com a letra “v”, embora não quando estão a falar na sua própria língua. A confusão gera-se porque o som que atribuímos a essa letra é, para eles o som da letra “w”, enquanto “v” é lido como o nosso “f”. Em inglês, a baralhação fica por vezes muito engraçada. Um dos casos mais giros que já presenciei é o da palavra “available” que, na boca dalguns alemães se transforma em “awailable”. Ora, dito desta forma, faz-me pensar em baleias e numa escrita alternativa: “awaleable”. Ou seja, quando me disseram que tal pessoa estava disponível, pareceu-me que estavam a insinuar qualquer coisa em relação à sua massa corporal.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Quoi d’autre?
O Simon e o Garfunkel estavam num bar quando, de repente, se começa a ouvir o Bridge Over Troubled Water. O Simon olha para o Garfunkel com olhos ternurentos e diz: “they’re playing our song”.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
domingo, 24 de outubro de 2010
A dor é mais urgente que o prazer
A sensação de perda que sentimos quando perdemos algo que foi nosso é maior que a sensação de ganho quando a recebemos. Um tipo chamado Thaler resolveu chamar a este fenómeno o efeito de dotação (tradução manhosa minha). Até o raio do título deste post é uma frase da autoria dele (e do co-autor Kahneman). Aparentemente, o valor das coisas muda quando as enfiamos no saco daquilo que é nosso.
sábado, 23 de outubro de 2010
Ziel
Saio de casa sem saber porquê. Visto o casaco e bato a porta atrás de mim e é só quando chego à rua que me apercebo que não sei para onde vou. Não sei para onde é suposto ir. Só pensei que ia sair, não pensei para onde ia. E agora aqui estou, na rua, parado ao frio à porta, uma rua à minha frente e nada. Penso em voltar a entrar, tirar o casaco e depositá-lo em cima da cadeira que só serve para ser depósito de casacos. Penso mesmo em dar meia volta e esquecer tudo, que se dane, voltar a entrar em casa e ficar no sofá de comando de televisão em riste. Quem me mandou sair sem pensar? Quem me mandou atravessar o raio da porta de casaco vestido, como quem efectivamente se dirige a algum mas não faz ideia qual. Só quando ponho o pé na rua percebo, vejo, sinto que não sei para onde vou. Que não tenho para onde ir.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Uma questão de sotaque
Quando era miúdo gostava de ler os livros de banda desenhada do Tio Patinhas. A minha mãe torcia o nariz: dizia que aquilo não era português e achava que podia comprometer a minha aprendizagem da língua. Pese embora a validade desse argumento, secretamente, acho que era também a vontade de que lesse qualquer coisa mais pedagógica do que aquelas aventuras de patos falantes. Para mim, claro, a questão da linguagem não representava nenhum problema. Bastava usar um sotaque abrasileirado de cada vez que passava os olhos pelos balões das falas dos personagens. Aliás, se não o fizesse então aí sim, não me parecia que aquilo que estava escrito fizesse grande sentido.
Até que surgiram as versões traduzidas. Português de Portugal, lembro-me de ouvir nos anúncios que davam na televisão, certamente dirigidos a mães como a minha. Os livros passavam a ter uma risca com as nacionais cores do verde e do vermelho no canto superior direito para distinguir das antigas versões. E aí o argumento transatlântico caiu por terra e a leitura mental deixou de ser feita com sotaque brasuca. E devorei ainda mais livros do que os já devorava. Lembro-me de comprar um livro sempre que passava num quiosque perto das Palmeiras a caminho das aulas de ténis em Oeiras.
Esta história ocorre-me agora sempre que leio jornais que já adoptaram o novo acordo ortográfico, como o Expresso, por exemplo. Não consigo ler o Expresso com o meu sotaque nasalado de português lisboeta, tenho que o ler usando uma imitação de sotaque brasileiro porque faltam lá uma série de letras como o “c” numa série de palavras. Não é tão gritante como eram os livros originais do Patinhas em que toda a gente se tratava por “você” e os pronomes reflexivos dos verbos vinham sempre no sítio errado, claro. Mas também não traduz em letras a forma como oiço as pessoas falar ali para os lados do Marquês ou de Benfica. Assim como, para o mesmo, qualquer sítio entre Bragança e Faro.
Porque, por muito que o vendam de outra forma, parece-me sempre uma abrasileiração do português.
Até que surgiram as versões traduzidas. Português de Portugal, lembro-me de ouvir nos anúncios que davam na televisão, certamente dirigidos a mães como a minha. Os livros passavam a ter uma risca com as nacionais cores do verde e do vermelho no canto superior direito para distinguir das antigas versões. E aí o argumento transatlântico caiu por terra e a leitura mental deixou de ser feita com sotaque brasuca. E devorei ainda mais livros do que os já devorava. Lembro-me de comprar um livro sempre que passava num quiosque perto das Palmeiras a caminho das aulas de ténis em Oeiras.
Esta história ocorre-me agora sempre que leio jornais que já adoptaram o novo acordo ortográfico, como o Expresso, por exemplo. Não consigo ler o Expresso com o meu sotaque nasalado de português lisboeta, tenho que o ler usando uma imitação de sotaque brasileiro porque faltam lá uma série de letras como o “c” numa série de palavras. Não é tão gritante como eram os livros originais do Patinhas em que toda a gente se tratava por “você” e os pronomes reflexivos dos verbos vinham sempre no sítio errado, claro. Mas também não traduz em letras a forma como oiço as pessoas falar ali para os lados do Marquês ou de Benfica. Assim como, para o mesmo, qualquer sítio entre Bragança e Faro.
Porque, por muito que o vendam de outra forma, parece-me sempre uma abrasileiração do português.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Maintenance
Mesmo que quisesse não consigo deixar de pensar nisso. Por muito que queira. Esforço-me, tento pensar noutras coisas, abstrair-me. Mas, quando dou por mim, já estou com a cabeça aí outra vez. Como se fosse um íman e a minha cabeça um pedaço de metal frio. Acéfalo. A atracção é inevitável, tem uma força descomunal, incontornável. Talvez por isso tenha verdadeiramente deixado de lutar, deixado de tentar redireccionar os meus pensamentos – como se isso fosse minimamente possível, como se tivesse a destreza suficiente para os condicionar. Acabei por desistir, claro. Agora faço o mais fácil e, convenhamos, o mais lógico: espero que passe. E não me tenho saído mal.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Tudo tem um preço
«(…) os países que integram, temporariamente, o Conselho de Segurança recebem 59% mais ajuda dos EUA e têm 20% mais de possibilidades de receber apoio do FMI.»
Revista Visão
Revista Visão
domingo, 17 de outubro de 2010
sábado, 16 de outubro de 2010
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Escrevo-te nestas linhas.
Escrevo-te e ficas melhor escrita nestas linhas do que verdadeiramente és. Escrevo-te da forma a que fiques melhor do que verdadeiramente és. Escrevo-te nestas linhas como gostava que fosses. E então já és verdadeiramente tu nestas linhas.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
De início ainda é possível dar algumas respostas.
Uma ou outra seja, mais ou menos esfarrapada. Mas à medida que as questões se avolumam, começam a escassear. Até ao ponto em que uma pergunta tem outra como resposta. E aí acabam-se as questões.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
A tua mão é certeira.
Pousa em cheio naquela zona dorida. Com uma convicção à prova de bala. É assertiva: mesmo quando me agito um pouco pela ponta de dor que sinto, não paras. E insistes naquele ponto doloroso, insistes até que a minha tolerância aumenta até não me ser sequer desconfortável. Dás-me instruções. Sobre como colocar a cabeça ou as costas. E eu obedeço cegamente, de olhos fechados, tentando concentrar-me o melhor que posso. Tentando concentrar-me para relaxar, para não me retesar ou defender. A fazer um esforço para te deixar o meu corpo inerte quando as tuas mãos assertivas me percorrem uma vez mais. Algo que, por esta altura, já deves ter percebido que não me deixa confortável, já deves ter percebido que não me sinto à vontade com o toque. Mas também já deves ter percebido que não é com o teu toque em especial, é com qualquer toque. Talvez por isso me fales com uma voz suave, estupidamente suave. Como se eu fosse um miúdo no dentista a precisar de um bocadinho de atenção para deixar que me façam uma maldade num dente. É isso, a tua voz é-me maternal. Infantiliza-me. E resulta: o ruído das pessoas desaparece porque eu estou a focar-me apenas na tua voz. Suave. E chegamos à parte das mãos. Deslizas as tuas mãos pelas minhas, uma de cada vez. E essa é talvez a parte que mais me relaxa. Curioso. Não são incursões pelas costas tensas, não são os movimentos no cabelo que normalmente me derretem. São as tuas mãos a passar pelas minhas mãos inertes.
domingo, 10 de outubro de 2010
sábado, 9 de outubro de 2010
A partir do momento em que a discussão começou a aquecer, ela começou a perder o controlo.
Que é como quem diz, o pudor de dizer aquilo que verdadeiramente achava. Pressionada um pouco, lá teve que admitir umas quantas coisas que não queria mas que estavam mesmo na cara. Encostada contra a parede, eis senão quando, sai daquela boca a grande pièce de resistance: “I don’t love you”. Sob a forma de um quasi-grito mas que, ao mesmo tempo, parecia um suspiro por finalmente conseguir pôr aquilo cá fora. Ora, isto deveria ser mais do que suficiente para ficar todo chateado. Porra, um gajo entrega o coração numa bandeja a uma miúda e ainda ouve isto? Mas não. Curiosamente, a única coisa que me passou pela cabeça – e quase tive que refrear um risinho parvo – foi responder-lhe “gostas pouco, gostas…”. O problema é que ela não iria perceber.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
É quem sequer olho para trás.
Nem sequer penso duas vezes. Sigo e nada mais. Não me passam pela cabeça as implicações, não me passam pela cabeça as consequências. Tudo isso está fora da equação. Desconsiderado. Tudo isso me parece irrelevante naquele momento. Aliás, tudo isso me é irrelevante naquele momento, não interessa rigorosamente nada. E isso é estranho. Estranho como, de repente, nada tem o valor que deveria ter.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Se lhe perguntassem não saberia responder.
Percebeu-o de repente. Não saberia dar uma resposta minimamente coerente. Ainda se fosse uma pergunta elaborada e rebuscada. Mas não. Muito pelo contrário. Porra, era a pergunta mais óbvia e natural. E isso deixou-a assustada. Petrificada E então pôs-se rapidamente a tentar inventar qualquer coisa, burilar qualquer coisa em cima do joelho, que soasse relativamente bem. E assim ficava preparada, sentia-se mais segura porque sabia que era só uma questão de cuspir aquelas palavras quando o momento certo surgisse – momento esse que seguramente iria surgir, toda a gente sabe que os momentos certos surgem sempre. Mas nem isso a deixava totalmente confortável. Tinha receio que não funcionasse, que não conseguisse imprimir a convicção necessária.
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