sábado, 8 de junho de 2013
sexta-feira, 7 de junho de 2013
quinta-feira, 6 de junho de 2013
References
Adoro que me digam que não posso, que isso não dá, que nunca vou conseguir. É que normalmente é esse o empurrão que me falta para que efectivamente consiga.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
terça-feira, 4 de junho de 2013
segunda-feira, 3 de junho de 2013
domingo, 2 de junho de 2013
Gosto de pensar que essa coisa da inspiração existe.
Sobretudo, quando, de um momento para o outro, interrompo um período prolongado de menor produtividade com uma bolsa enorme de posts para ir colocando. E depois páro um bocado para pensar – às vezes acontece. Da mesma forma que recomecei a ler (à bruta) recomecei a escrever – (cor)relacionado? Por outro lado, o reflexo de Pavlov: estar novamente num determinado sítio faz-me repegar hábitos que a ele associo. Não sei porquê mas sempre li mais em Portugal. Por muito pouco romântico que possa ser – e logo eu que gostaria tanto de acreditar que há um lado romântico nestas coisas – estou mais inclinado em aceitar a segunda explicação – coadjuvada pela primeira, nem que seja apenas porque alguns posts são citações.
sábado, 1 de junho de 2013
Realeza
Sempre que oiço falar em palitinhos de la reine penso que o rei andou a fazer coisas que não devia.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
PDI
A única vez que fui ao Sudoeste foi à edição de há dez anos atrás e conhecia praticamente todas as bandas do cartaz. Hoje vi o cartaz do Sudoeste deste ano num outdoor duma paragem de autocarro e não reconheci nenhum dos nomes.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
quarta-feira, 29 de maio de 2013
terça-feira, 28 de maio de 2013
Transcend
Peguei no telefone, marquei o número e comecei a andar em direcção à cozinha: lembrei-me que tinha deixado a máquina de lavar roupa a trabalhar e que ainda não tinha tirado a roupa e posto a estender. A luz azul no botão que de imediato giro para que se apague e abro o tambor. À minha frente está a roupa e, sobre o plástico cinzento da abertura da máquina, uma coisa preta. Estico de imediato a mão em direcção ao objecto molhado e, no preciso momento em que o reconheço, atendem-me do outro lado da linha. O primeiro som que sai da minha boca é um “eeeehhh” profundo e longo e é assim que começo a conversa telefónica.
Esqueci-me de tirar a flash disk do bolso das calças e enfiei-as na máquina. Está aqui na minha mão, encharcado.
Caminho – sempre de telefone na mão – passo uma toalha sobre o pequeno disco. Penso em secar um pouco com o secador de cabelo. Desisto da ideia e vou directo à prova dos nove, a entrada USB do meu computador. Uma curta longa espera, o computador na está a reconhecer o objecto ligado à porta USB. Fecho o explorer, volto a abrir e desta vez surge qualquer coisa na drive G. Porém, a designação que costumava aparecer – “transcend”, vá-se lá saber porquê – não surge desta vez. Clico no icon da drive, não surge nada. Mas a barra azul em cima está avançar, alguma coisa está a acontecer e, uns momentos depois, o conteúdo da drive está à minha frente. Como seria de esperar – embora nunca o esperamos quando pensamos que tudo está perdido – não estava ali nada cuja perda fosse irrecuperável. Copio tudo para o disco do computador por descargo de consciência. E deito-me.
Hoje ligo a drive noutro computador. O Windows avisa que houve um problema com a drive e pergunta-me se quer que ele repare, o processo que recomenda. E eu, feito parvo, digo que sim. Passados uns minutos avisa-me que o processo de recuperação está feito e, quando o explorer abre, não há rigorosamente nada na memória. A pen está totalmente vazia. Mais, não consigo gravar nada nela.
Esqueci-me de tirar a flash disk do bolso das calças e enfiei-as na máquina. Está aqui na minha mão, encharcado.
Caminho – sempre de telefone na mão – passo uma toalha sobre o pequeno disco. Penso em secar um pouco com o secador de cabelo. Desisto da ideia e vou directo à prova dos nove, a entrada USB do meu computador. Uma curta longa espera, o computador na está a reconhecer o objecto ligado à porta USB. Fecho o explorer, volto a abrir e desta vez surge qualquer coisa na drive G. Porém, a designação que costumava aparecer – “transcend”, vá-se lá saber porquê – não surge desta vez. Clico no icon da drive, não surge nada. Mas a barra azul em cima está avançar, alguma coisa está a acontecer e, uns momentos depois, o conteúdo da drive está à minha frente. Como seria de esperar – embora nunca o esperamos quando pensamos que tudo está perdido – não estava ali nada cuja perda fosse irrecuperável. Copio tudo para o disco do computador por descargo de consciência. E deito-me.
Hoje ligo a drive noutro computador. O Windows avisa que houve um problema com a drive e pergunta-me se quer que ele repare, o processo que recomenda. E eu, feito parvo, digo que sim. Passados uns minutos avisa-me que o processo de recuperação está feito e, quando o explorer abre, não há rigorosamente nada na memória. A pen está totalmente vazia. Mais, não consigo gravar nada nela.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Liebe meines Lebens
Quando pensamos em línguas românticas, o alemão não é de todo a primeira opção que nos vem à cabeça. No entanto, ocorreu-me no outro dia que “leben” (“viver” ou “vida” com maiúscula) e “lieben” (“amar”) são tão parecidos. Quase como se não houvesse uma distinção, como se fossem a mesma coisa.
domingo, 26 de maio de 2013
C'est parti!
O Chatrier este ano está um bocado diferente. O verde dos placards de publicidade é diferente, mais escuro. Este ano começaram a jogar ao domingo. Pese embora estas diferenças, honestamente não espero um fecho que não aquele a que nos habituámos nos últimos tempos. A única questão que se poderá colocar aqui é se, na hipotética meia-final que poderá ter lugar entre o Djokovic e o Nadal, o sérvio pode fazer uma surpresa. Mas lá está, será uma surpresa porque o resultado expectável é que não o faça. Não consigo evitar uma certa tristeza quando associo previsibilidade ao Roland Garros: se havia Grand Slam onde há 10, 15 anos tudo poderia acontecer era este. Mas aceito, enquanto me sento mais um ano em frente ao televisor a torcer pelos underdogs.
"I like a woman built for confort, not for speed"
Num filme qualquer - daqueles que se vão vendo enquanto se faz outra coisa qualquer - com o Richard Gere, a J Lo e a Susan Sarandon.
sábado, 25 de maio de 2013
Diferencas entre a Europa e os Estados Unidos.
As relacões entre o centro e periferia e o Leste e o Oeste estão invertidas.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
O dicionário do word do meu computador foi actualizado para a nova ortografia.
Dou por mim a escrever e a ver uma série de linhas onduladas vermelhas por debaixo das palavras. O word a dizer-me que não sei escrever irrita-me um bocadito. Eu sei que ele está só a fazer o papel dele, mas é ridículo que me diga que o “actualizado” que escrevi lá em cima não está correcto. Assim como este “correcto”, aparentemente, também está errado.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Cartão Continente
Apercebi-me que tenho duas reacções ao uso de descontos do meu cartão do Continente que não fazem muito sentido. Uma é sentir que não vale a pena descontar o dinheiro do cartão quando não tenho muito acumulado; qual é a diferença entre esta estratégia ou descontar menos vezes mas um valor mais elevado? A outra é quando faço uma compra pequena: também me dá para achar que não vale a pena descontar nada porque não vou pagar muito de qualquer das formas.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Tac
Lembro-me de ter lido uma entrevista feita pelo MEC já há uns quantos anos atrás. Ao Ricardo Araújo Pereira se não me falha a memória. A certa altura, a pergunta do MEC foi “já percebeste que não vais ter tempo para fazer tudo?”. Bateu-me forte, talvez ainda não tivesse percebido isso.
terça-feira, 21 de maio de 2013
Ir pro maneta
«President Truman famously asked for a “one-armed economist” who would take a clear stand; he was sick and tired of economists who kept saying “on the other hand…”»
Thinking fast and slow, Daniel Kahneman
Thinking fast and slow, Daniel Kahneman
segunda-feira, 20 de maio de 2013
domingo, 19 de maio de 2013
Com "p"
«Optimism is normal, but some fortunate people are more optimistic than the rest of us. If you are genetically endowed with an optimistic bias, you hardly need to be told that you are a lucky person – you already feel fortunate. An optimistic attitude is largely inherited, and it is part of a general disposition for well-being, which may also include a preference for seeing the bright side of everything. If you were allowed one wish for your child, seriously consider wishing him or her optimism. Optimists are normally cheerful and happy, and therefore popular; they are resilient in adapting to failures and hardships, their chances of clinical depression are reduced, their immune system is stronger, they take better care of their health, they feel healthier than others and are in fact likely to live longer.»
Thinking fast and slow, Daniel Kahneman
Thinking fast and slow, Daniel Kahneman
sábado, 18 de maio de 2013
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Eleven
Não é um tic tac
É mais tac
Apenas tac tac
Os ponteiros de plástico do relógio preto.
Tac tac
A noite toda a passar-me em frente aos olhos, o som metronómico dos ponteiros de plástico não me deixa dormir, não me sai da cabeça dos ouvidos. Não é uma questão de volume – sou capaz de dormir com ruídos mais elevados. É a cadência, o facto de ser um som tão disciplinado, tão arrumado
Tac tac
Sem parar, sem atrasar, sem perder a cadência. Um avanço inexorável que torna o retrocesso impossível. Um avanço inquebrável, totalmente fora do controlo.
Curiosamente, o relógio digital não me incomoda. Não tem barulho, é certo, mas projecta as horas no tecto branco do quarto. Ou seja, a mesma marcha obcecada a passar em frente aos meus olhos. Mas sem me tirar o sono.
É mais tac
Apenas tac tac
Os ponteiros de plástico do relógio preto.
Tac tac
A noite toda a passar-me em frente aos olhos, o som metronómico dos ponteiros de plástico não me deixa dormir, não me sai da cabeça dos ouvidos. Não é uma questão de volume – sou capaz de dormir com ruídos mais elevados. É a cadência, o facto de ser um som tão disciplinado, tão arrumado
Tac tac
Sem parar, sem atrasar, sem perder a cadência. Um avanço inexorável que torna o retrocesso impossível. Um avanço inquebrável, totalmente fora do controlo.
Curiosamente, o relógio digital não me incomoda. Não tem barulho, é certo, mas projecta as horas no tecto branco do quarto. Ou seja, a mesma marcha obcecada a passar em frente aos meus olhos. Mas sem me tirar o sono.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Gelatina
Os alemães usam o trema, um acento que nós já deixámos cair há muito tempo. Mas, muitas vezes, para facilitar – e como o trema prolonga a vogal que acentua – escrevem à frente um “e”. Por exemplo, o nome “Jörg” surge muitas vezes na forma simplificada “Joerg”. Agora o que não faz sentido é aquilo que vi num rodapé da SIC há dias: “Jöerg Asmussen”.
terça-feira, 14 de maio de 2013
Beacon of light
O Presidente da República partilhou partilhou hoje a solução para crise proposta pela sua esposa: uma intervenção da Nossa Senhora de Fátima. Divina, claro.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
domingo, 12 de maio de 2013
sábado, 11 de maio de 2013
"Aquilo não é um cabelo, aquilo é um cavelo"
Uma amiga partilha a sua definição do cabelo (cavelo) do Jorge Jesus.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Look back
Deste-me as costas. Não te apercebeste mas deste-me as costas. E eu queria voltar a pôr-nos naquela lugar, naquela situação, naquele momento e explicar-te. Mostrar-te. Não te apercebeste. Mas não posso. Não posso voltar atrás e mostrar-te onde, quando, como o fizeste.
Estaria a dar-te as costas.
Estaria a dar-te as costas.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
My first
Pela primeira vez na minha vida deixei meia dúzia de cervejas passarem o respectivo prazo de validade.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Mayday
Era piloto. Sentava-se atrás dos comandos de um Airbus e sentia-se confortável. Nascera para aquilo. Nada o intimidava no meio daqueles botões e indicadores. Tudo nos aviões o fascinava. Mas depois, nas folgas, era incapaz de conduzir um carro.
terça-feira, 7 de maio de 2013
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Carapauzinhos com açorda
Um pedaço de terra a meio da rua da Estefânia. Umas plantas, umas coisas a fingir de jardim. Bancos, caminhos. E muitos tubos de rega, toda uma rede de tubagem castanho escura. Mais tubagem castanho escura que vegetação verde. Não há um metro quadrado daquele terreno que não esteja cortado pelos canos. Jardim é que nem vê-lo.
domingo, 5 de maio de 2013
"Pode-se dizer que o Governo está com problemas de balneário?"
Perguntou Carlos Vaz Marques ao João Miguel Tavares no Governo Sombra. Já agora, a resposta foi afirmativa.
sábado, 4 de maio de 2013
(Cúmulo da) senilidade
Ver um CD clássico à venda a um preço promocional. Comprar de imediato. Chegar a casa, abrir o armário para guardar. Constatar que já existia um igual na prateleira.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Erfrischend
Ronnie O'Sullivan admite que o regresso à competição foi motivado pela carteira. Precisava de dinheiro. Uma excelente causa, ainda assim, devo dizer: pagar as propinas dos filhos. Aqui.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
quarta-feira, 1 de maio de 2013
terça-feira, 30 de abril de 2013
«As you become skilled in a task, its demand for energy diminishes. Studies of the brain have shown that the pattern of activity associated with an action changes as skill increases, with fewer brain regions involved. Talent has similar effects. Highly intelligent individuals need less effort to solve the same problems, as indicated by both pupil size and brain activity. A general “law of least effort” applies to cognitive as well as physical exertion. The law asserts that if there are several ways of achieving the same goal, people will eventually gravitate to the least demanding course of action. In the economy of action, effort is a cost, and the acquisition of skill is driven by the balance of benefits and costs. Laziness is built deep into our nature.»
Thinking fast and slow, Daniel Kahneman
Thinking fast and slow, Daniel Kahneman
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Os semáforos da Avenida da República.
Quatro troços para atravessar: os dois mais pequenos das laterais e os dois maiores dos dois sentidos da parte central. Assim que fica verde, começo a andar. E já sei que, antes que tenha tempo de chegar ao outro lado, invariavelmente fica vermelho. Ou seja, dito de outra forma, o tempo previsto para atravessar a avenida não chega para um adulto sem problemas de mobilidade.
domingo, 28 de abril de 2013
Sangacho de atum
No armário despenseiro tinha duas latas. Olhei de imediato para a data de validade – final deste ano. Cozi duas batatas, temperei-as – mesmo destino teve a salada – com o azeite que conserva o peixe. Escuro, não tem nada a ver com o atum branco, o único que se vê lá fora. Mas depois não resisti: apeteceu-me um apfelsaftschorle.
sábado, 27 de abril de 2013
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Little respect
Respeitinho. Portugal é o país do respeitinho. E que não tem nada a ver com respeito. Senhor isto, Doutor aquilo. Vem-me à cabeça a chegada de Vancouver do Ministro da Economia que queria ser tratado pelo nome próprio. Mais do que isso, lembra-me a reacção que gerou. Acharam ridículo. Quando ridículo é terem achado ridículo.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Tenho net em casa
Finalmente. Quatro horas do Jerônimo e outro cara aí. No finau, deixô ficá uma bóxe que eu num tinha pedido não. Aí sô Daniéu tem qui falá com o comerciaú, num é comigo. E eles vão ofertar para o sinhô os canais premium durante treis mesis. Pôxa vida.
domingo, 21 de abril de 2013
sábado, 20 de abril de 2013
sexta-feira, 19 de abril de 2013
"Devias ter trazido a pullover"
Disse para a filha enquanto subiam a rua da Estefânia, quase a chegar à Rovisco Pais. E eu que sempre assumi que pullover é coisa masculina. Virá de "camisola pullover"? Uma rápida busca na internet não desfez o mistério.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
To "c" or not to "c"
Se há palavra que me deixa ainda menos convicto em relação ao novo acordo ortográfico é "convição". Porque se o argumento para retirar o "c" que costumava lá estar - para mim ainda está - é o facto de não ser utilizado na oral, então esta é a palavra errada para servir de exemplo. Porque se há palavra onde ele é mesmo pronunciado é esta. Ora digam lá digam "convição" e depois digam (e correctamente) convicção.
E convençam-se. Sem o primeiro "c".
E convençam-se. Sem o primeiro "c".
domingo, 14 de abril de 2013
Vale mais um mês aqui do que um ano inteiro lá
Na agenda de uma reunião de cafeinómanos anónimos incluir um tea-break a meio da manhã.
sábado, 13 de abril de 2013
terça-feira, 26 de março de 2013
Discursos
Um dia deviam chamar o assessor (ou assessores) que efectivamente escrevem os discursos ao palanque e ouvir qualquer coisa na primeira pessoa.
segunda-feira, 25 de março de 2013
O guarda-redes chegou tarde
Foi forçado a uma manobra complicada que acabou com a sua expulsão por tocar na bola fora da área. Comentário imediato: outside of the box solutions.
sábado, 23 de março de 2013
terça-feira, 19 de março de 2013
At your own pace
Estamos em frente ao Centra à espera para apanhar um táxi. Tenho na mão um pint meio bebido num copo de plástico. Estamos à conversa quando sinto agarrarem-me a mão por detrás. Olho de imediato e vejo que a mãe é de um Garda com um daqueles coletes super de cor gritante. Diz-me que não posso andar com álcool na rua e antes de eu ter tempo de dizer seja o que for - estava a preparar-me para soltar dois ou três wait up - gira-me o pulso e força-me a entornar o conteúdo na estrada. Acabo por lhe largar o copo na mão. Sem sucesso:
Here's your glass back.
Here's your glass back.
segunda-feira, 18 de março de 2013
domingo, 17 de março de 2013
O São Pedro resolveu dar as boas-vindas ao São Patrício com neve
Começaram agora mesmo a surgir uns flocos por entre a chuva pesada que já tinha começado a cair há uma hora. A parada arranca dentro de sensivelmente três horas. Vejo as grades ao longo do passeio da O'Connell da minha janela e nem vivalma lá. Estou a rezar para que isto pare, gostava de ir lá para baixo e ver. Mas não tem cara disso. Nada mesmo.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Ressurge
Nevou. E não foi pouco. Fiquei branco, calças encharcadas após uma curta caminhada. Um grau de máxima. E eu a pensar que o Inverno já era - tecnicamente é aliás quase primavera. Segundo a BBC temos mais cinco graus amanhã
domingo, 10 de março de 2013
Diz-me enfaticamente que o domingo é o melhor dia
Música aos pontapés. Dixieland no Sweeney's bem tocado por uns tipos cheios de pinta e com idade para serem meus avós. E depois ska - mal tocado por uns gajos novos - do outro lado da Dame Street. E tudo mais calmo, menos confusão. E é capaz de ter razão, vai para a terceira vez seguida que repito a dose.
quarta-feira, 6 de março de 2013
Sim
O som das pedras soltas na borracha grossa do pneu embala, o carro segue e desliza sobre o pó, sobre o chão castanho claro. A poeira escorre pelo metal da carroçaria do carro, cola-se ao verde metalizado. A estrada – se é que lhe podemos chamar assim, um amontoado de poeira sinuoso – segue a perder-se de vista, curvas atrás de curvas.
segunda-feira, 4 de março de 2013
domingo, 3 de março de 2013
Cara, coroa
O mesmo gesto – dois beijos na cara. Um cumprimento. Convenção social. O mesmo gesto é um convite. Inesperado. Não chega a ser um tapete vermelho mas é uma porta aberta. Uma nesga à espera de ser mais do que isso. O mesmo gesto é também um adeus. Esperado. Não chega a ser um empurrão mas é um travão, um empurrão. A porta lentamente a fechar-se, a fechadura a rodar.
Um desconvite.
Um desconvite.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Ali
A tua vontade não chega para que as coisas aconteçam. Nunca chegou.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Fica sempre até mais tarde do que eu.
Quando percebe que estou a arrumar as tralhas para sair – e mesmo assim não é propriamente cedo, não costumo sair antes das sete – retira os auscultadores enormes da cabeça e sorri. Depois desculpa-se. Diz-me que já não deve ficar muito mais tempo. Digo-lhe que não tem que se justificar mas como já não é a primeira vez que me meto com ela por fazer noitadas, justifica-se sempre.
You’re lucky you don’t have to give tutorials.
Ao que eu respondi instintivamente “but I have other shit!”. Ri-se e só percebo que é da minha falta de polidez quando repete as duas últimas palavras da minha frase. Repito-a corrigindo-me e perco a graça que não antevi que ia ter. Acrescento: dentro de pouco tempo estarei outra vez a trabalhar a tempo inteiro. A fazer babysitting de chefes. E foi aí que me ocorreu:
Bosssitting!
You’re lucky you don’t have to give tutorials.
Ao que eu respondi instintivamente “but I have other shit!”. Ri-se e só percebo que é da minha falta de polidez quando repete as duas últimas palavras da minha frase. Repito-a corrigindo-me e perco a graça que não antevi que ia ter. Acrescento: dentro de pouco tempo estarei outra vez a trabalhar a tempo inteiro. A fazer babysitting de chefes. E foi aí que me ocorreu:
Bosssitting!
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Life is a cabaret
Vinte e um bocado páginas cheias de expressões feiosas, um molho de resultados de um paper para sintetizar numa curta apresentação, um resumo de proposta de investigação para outro paper. Guerras abertas com programação dinâmica, ARDL e agregados monetários. Para além disso, acho que o meu nariz está a tentar dizer-me que estou a ficar constipado.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Inscreveu-se em aulas de pole dancing.
Estava a explicar-nos como é difícil, é preciso ter muita força . Mas está a gostar. Há dias, em conversa com os pais – que por sinal são mais velhos do que eu esperava dada a idade dela – resolveu dizer-lhes. Fiquei a olhar para ela: why would you do that? Riu-se efusivamente. Perguntei-lhe pela reacção deles. Nada de especial, respondeu, a mãe perguntou-lhe se o varão era vertical ou horizontal. Fiquei a olhar para ela sem perceber. Acrescentou:
A minha mãe fez ballet.
A minha mãe fez ballet.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Talvez seja o momento de parar de procurar as respostas.
Aceitar. Que não surgem que teimam em aparecer. Parar e aceitar. Deixar as perguntas cair em saco roto. Ignorar os pontos de interrogação. Altos e redondos. Curvos. Deixar as perguntas sem resposta.
Ou talvez seja o momento de parar de fazer as perguntas.
Ou talvez seja o momento de parar de fazer as perguntas.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Domingar
Lutou com a chuva e com a bicicleta - a corrente saltou a meio caminho e teve que sujar as mãos. Chegou atrasada e encharcada. Explicou-nos a história, a razão pela qual não queria regressar a casa a pedalar, preferia deixar ficar a bicicleta para trás e apanhá-la no dia seguinte. Gozámos um bocadito. Palavra puxa palavra e inventámos isto: sunday biker.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Mais sobre a senhora desdentada do bar da faculdade
Tenho o café na minha mão e estou a dirigir-me para pagar quando vejo o bolo de banana na prateleira a sorrir para mim. Não resisto: pego num dos pratos de papel para o efeito e pego na pinça. Reparo que as fatias são mesmo finas – não costuma ser assim – mas, que se lixe, levo à mesma. Na caixa está a minha amiga. Diz-me quanto lhe devo e depois acrescenta “go ahead a take another slice, love”. Sorri e comentei que estavam particularmente fininhas. Agradeci umas três vezes.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Rubgy is a game of thugs played by gentlemen and football is a game of gentlemen played by thugs.
Surpreendentemente, as intervenções médicas são menos frequentes no rugby do que no futebol.
domingo, 10 de fevereiro de 2013
So ist es
Irlanda contra Inglaterra na Six Nations e chove desalmadamente. Não percebo nada de rugby mas antevejo muita lama. Disseram-me que não posso perder o espectáculo: o que vai ter lugar no Aviva Stadium - pela televisão - e o que vai ter lugar no pub - um qualquer, é irrelevante qual.
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Meias palavras
Meias verdades são meias mentiras.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Licht
Fecha a porta quando saires. Fecha a porta e apaga a luz. Se faz favor. Sai. Sai como se nunca tivesses estado cá dentro, sai como se nunca tivesses posto um pé cá dentro. Vamos fingir que nunca entraste aqui. Vamos fingir que isto nunca aconteceu. Nada disto. Desde que saias e feches a porta, desde que saias lentamente e deixes tudo às escuras, tal e qual como encontraste quando entraste. Mas vamos esquecer isso. Vamos evitar falar disso, vamos deixar tudo cair no esquecimento e não mais referir que, a certa altura, alguém mexeu no interruptor. Já sabes. Fecha a porta atrás de ti.
E não te esqueças de apagar a luz.
E não te esqueças de apagar a luz.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Tell me it's not true
Não sei como te dizer que não gosto de ti. Quer dizer, não é bem não gostar de ti, claro que gosto de ti, seria impossível a quem quer que fosse não gostar de ti. Só não gosto de ti a esse ponto. Convenceste-te
e tentaste convencer-me
que gostava de ti a esse ponto. E não é verdade. Nunca foi verdade e é estranho que alguma vez pudesses ter tido, eu pudesse ter tido dúvidas em relação a isso. Sei-o agora.
Sempre soube, para ser honesto
E agora não sei como te dizer que sei que não gosto de ti. Embora às vezes pense que já percebeste, que já sabes que não sei como te dizer. Mas preferes não pensar nisso, preferes pensar que gosto de ti
A esse ponto
E por isso censuras-me quando não to digo – deveria dizer-to – quando na verdade o que não te digo é exactamente o oposto daquilo que te deveria dizer.
e tentaste convencer-me
que gostava de ti a esse ponto. E não é verdade. Nunca foi verdade e é estranho que alguma vez pudesses ter tido, eu pudesse ter tido dúvidas em relação a isso. Sei-o agora.
Sempre soube, para ser honesto
E agora não sei como te dizer que sei que não gosto de ti. Embora às vezes pense que já percebeste, que já sabes que não sei como te dizer. Mas preferes não pensar nisso, preferes pensar que gosto de ti
A esse ponto
E por isso censuras-me quando não to digo – deveria dizer-to – quando na verdade o que não te digo é exactamente o oposto daquilo que te deveria dizer.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Combustão interna
O drogado foi a correr tirar a carta de condução porque ouviu falar em road tripping. De pesados.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Was geht ab?
O café fica no piso térreo do edifício, perto da porta que abre o relvado sempre verde. No meio, um Lavazza point, uma espécie de joia da coroa para os amantes de suposto café premium – porque também é possível tirar outros mais baratos numa daquelas máquinas duvidosas. Escusado será de dizer que sou um habitué. Para pessoas como eu, há um cartão com seis chávenas pequenas e uma sétima maior: ao fim de meia dúzia de bebidas, a sétima é por conta da casa. O registo é feito com um carimbo pequenino que esborrata o nome da faculdade.
Há uma das senhoras que lá trabalha a quem acho particular graça. Incrivelmente feia, magra, gasta, os poucos dentes que lhe sobram estão completamente espalhados e são castanhos. A fazer lembrar desenhos-animados ou caricaturas (demasiadamente) exageradas, estilo Ren and Stimpy. Mas chama-me “my love”. Por exemplo: “so what’s it going to be, my love?” e estas coisas a mim caem-me (demasiadamente) bem, mesmo sabendo que não é tratamento especial, faz o mesmo a toda a gente. Leva-me até Cuba e às senhoras que vendiam tretas aos turistas: “hola mi amor”, “te queda muy bien, mi amor”.
Sexta-feira a seguir ao (meu) almoço (tardio) o bar estava estranhamente deserto. No Lavazza Point, havia apenas uma rapariga alta à minha frente. Pediu o que queria e aparentemente não conhecia o cartão da meia dúzia e sétimo café à pala. A senhora desdentada explicou-lhe rapidamente e, quando chegou à altura do carimbo, em vez de um, foram uns três ou quatro em catadupa, depois de olhar para ver se ninguém a estava a controlar. A rapariga olhou para mim, riu-se, eu olhei para ela com a cara de espanto que consegui improvisar. Quando chegou a minha vez e coloquei o meu cartão – que por acaso só ainda tinha um carimbo – em cima do balcão para o registo do double espresso que acabara de pedir, olhou para lá de mim, disse-me “move just a little bit to your left, love” e depois de assegurar que eu estava a bloquear o campo de visão da colega que também trabalha ali, carimbou desenfreadamente.
Há uma das senhoras que lá trabalha a quem acho particular graça. Incrivelmente feia, magra, gasta, os poucos dentes que lhe sobram estão completamente espalhados e são castanhos. A fazer lembrar desenhos-animados ou caricaturas (demasiadamente) exageradas, estilo Ren and Stimpy. Mas chama-me “my love”. Por exemplo: “so what’s it going to be, my love?” e estas coisas a mim caem-me (demasiadamente) bem, mesmo sabendo que não é tratamento especial, faz o mesmo a toda a gente. Leva-me até Cuba e às senhoras que vendiam tretas aos turistas: “hola mi amor”, “te queda muy bien, mi amor”.
Sexta-feira a seguir ao (meu) almoço (tardio) o bar estava estranhamente deserto. No Lavazza Point, havia apenas uma rapariga alta à minha frente. Pediu o que queria e aparentemente não conhecia o cartão da meia dúzia e sétimo café à pala. A senhora desdentada explicou-lhe rapidamente e, quando chegou à altura do carimbo, em vez de um, foram uns três ou quatro em catadupa, depois de olhar para ver se ninguém a estava a controlar. A rapariga olhou para mim, riu-se, eu olhei para ela com a cara de espanto que consegui improvisar. Quando chegou a minha vez e coloquei o meu cartão – que por acaso só ainda tinha um carimbo – em cima do balcão para o registo do double espresso que acabara de pedir, olhou para lá de mim, disse-me “move just a little bit to your left, love” e depois de assegurar que eu estava a bloquear o campo de visão da colega que também trabalha ali, carimbou desenfreadamente.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Sobre penugem
O Xabi Alonso tem o cabelo mais escuro do que a barba. Já eu tenho a barba mais escura do que o cabelo.
So tell me
Um dia tinha que acontecer. Estava na cara, não havia volta a dar. Escrito nas estrelas, só não vê quem não quer ver.
Mais cedo do que mais tarde
E mesmo assim foi bastante mais tarde do que deveria ter sido, bastante mais tarde do que alguma esperaste, demorou, foi um parto complicado. A sabedoria de quem tem o dom da antecipação, de quem a distância para ver objectivamente de fora.
Eu bem te disse
uma espécie de falso paternalismo que vem arrastado à lembrança de uma aviso ignorado. Há erros que têm que ser feitos. Há erros que seria um erro não os fazer. E é aí que o falso paternalismo, a vontade de chatear esbarram ao comprido.
A não ser que eles próprios sejam erros dos que têm que ser feitos.
Mais cedo do que mais tarde
E mesmo assim foi bastante mais tarde do que deveria ter sido, bastante mais tarde do que alguma esperaste, demorou, foi um parto complicado. A sabedoria de quem tem o dom da antecipação, de quem a distância para ver objectivamente de fora.
Eu bem te disse
uma espécie de falso paternalismo que vem arrastado à lembrança de uma aviso ignorado. Há erros que têm que ser feitos. Há erros que seria um erro não os fazer. E é aí que o falso paternalismo, a vontade de chatear esbarram ao comprido.
A não ser que eles próprios sejam erros dos que têm que ser feitos.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Enquanto bebiamos um café
Expectativas racionais não fazem sentido nenhum. Podemos todos ter opiniões diferentes sobre qual o melhor modelo para descrever a realidade. Encerra uma contradicção: é preciso racionalidade limitada para ter expectativas racionais. Podias escrever um paper sobre isso: I’m smarter because I’m stupider.
domingo, 27 de janeiro de 2013
Flesh
Garrafas e copos no chão, vidros, o som pegajoso de cerveja entornada no chão. Amigos que amparam amigos cambaleantes e de voz arrastada, outros que gritam “faster, faster” ao rapaz do riquexó que os pedala rua acima. Amigas que correm atabalhoadamente em saltos altos para se proteger da chuva miudinha que molha os braços nus dos vestidos de verão. Na entrada de uma loja fechada, um tipo de gorro e uma guitarra na mão canta o Creep dos Radiohead. Mais à frente, um mendigo pede “change” a quem passa.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Tudo o que sempre quis saber sobre cozinha irlandesa e nunca teve coragem de perguntar
Juntar puré de batata a tudo. Mesmo a sério: tudo. Hoje, na cantina, pedi lasanha. A funcionário pôs uma dose no prato e depois perguntou-me "mashed potates and vegetables?" ao que lhe respondi que só queria os brócolos. Juro que ficou decepcionada.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
És como os gatos
Quase não fazes barulho quando andas. E ainda assim a sala toda pára para te ver passar, como se fosse um desfile de moda e tu estivesses a desfilar a tua saia justa para uma casa famosa de alta costura. Sempre elegante. Passeias classe.
Como uma princesa. Melhor, uma rainha.
Sentas-te, com o sorriso pequeno enigmático da praxe nos lábios e voltas para o teu trabalho. Discreta, silenciosa, falas muito pouco o que é mau perto de mim, não ajuda nada porque eu também só falo se puxarem por mim.
Como uma princesa. Melhor, uma rainha.
Sentas-te, com o sorriso pequeno enigmático da praxe nos lábios e voltas para o teu trabalho. Discreta, silenciosa, falas muito pouco o que é mau perto de mim, não ajuda nada porque eu também só falo se puxarem por mim.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Rebentar a bolha
O dia chegou em que percebeu que não tinha mais nada para escrever. Nada, uma única palavra sequer. E foi então que resolveu começar a falar.
domingo, 20 de janeiro de 2013
Delfim
Há uma vontade de arranjar raiva, a raiva é boa companheira nestas alturas, é um quase mecanismo de protecção, põe-nos contra o mundo mas apenas porque o mundo se virou contra nós há muito tempo. Eu a querer detestar e a não conseguir, a raiva mal chegava para um grito meio abafado, talvez um murro na mesa que nem chegava para entornar um copo.
Detestar-te
Juro que tentei, juro que fiz o que pude para sentir a raiva que teimou em nunca aparecer, seria tudo mais fácil se tivesse sentido uma vontade incontrolável de gritar contigo, dar um murro na mesa que te calasse mas não e
A detestar-me por não conseguir detestar-te
Seria tudo mais fácil se te detestasse, tudo tão mais fácil se me detestasse por não conseguir arranjar uma razão, uma justificação, atribuir-te a culpa, colar um letreiro na tua testa a dizer tudo, canalizar a raiva - qual raiva? – na tua direcção, mas é que nem isso, nem isso consigo, uma razão, uma justificação, seria tudo mais fácil, pretexto desculpa, tu o bode expiatório, o alvo, é perfeito, e, no final não te detesto, não me detesto, não me detesto por não te conseguir detestar e no final
Detesto-nos
Detestar-te
Juro que tentei, juro que fiz o que pude para sentir a raiva que teimou em nunca aparecer, seria tudo mais fácil se tivesse sentido uma vontade incontrolável de gritar contigo, dar um murro na mesa que te calasse mas não e
A detestar-me por não conseguir detestar-te
Seria tudo mais fácil se te detestasse, tudo tão mais fácil se me detestasse por não conseguir arranjar uma razão, uma justificação, atribuir-te a culpa, colar um letreiro na tua testa a dizer tudo, canalizar a raiva - qual raiva? – na tua direcção, mas é que nem isso, nem isso consigo, uma razão, uma justificação, seria tudo mais fácil, pretexto desculpa, tu o bode expiatório, o alvo, é perfeito, e, no final não te detesto, não me detesto, não me detesto por não te conseguir detestar e no final
Detesto-nos
sábado, 19 de janeiro de 2013
Mais coisas sobre andar de avião
Parece a escola primária: aperta o cinto; endireita a cadeira; põe o tabuleiro para cima; desliga o telefone, já brincas mais logo; não vais agora à casa-de-banho, vais mais logo quando o capitão disser que se pode ir; façam uma fila para entrar no avião; não podes entrar já; não podes sair já; todos sentadinhos, não se levantem; etc.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
domingo, 13 de janeiro de 2013
O ofício e os ossos
No triângulo invertido que sinaliza a perda de prioridade está escrita a palavra "yield", seguramente para reforçar a cedência de passagem. E eu só consigo pensar em rendibilidades implícitas.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
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Muitas vezes desperto a meio de sonhos. Normalmente, ou quando são bons sonhos – e fico chateado porque quero saber como acabam – ou quando terrivelmente maus e, nesses casos, é a agitação que me faz acordar sobressaltado. Pois hoje acordei com a tua falta. Não sei porquê. Como se esperasse que estivesses aqui e a desilusão da tua ausência me tivesse forçado a sair da moleza morna dos lençóis. Como se me tivesse obrigado a abrir os olhos.
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