quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Ferramenta de trabalho

No areal da Caparica, intercalada entre os vendedores de pregão abrasileirado - Olha bola de Berlim! 2 euros 2 bolas, promoção de verão! Com creme, sem creme, de chocolate, nutella, alfarroba para a mamãe não ficar gorda - ouve-se uma vendedora, de lenga-lenga bem menos elaborada, mas que recorre a um megafone.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Selecção adversa

As pessoas que gostam de partilhar música com terceiros - seja na rua ou nos transportes públicos, usando o telemóvel ou uma pequena coluna portátil, seja com o volume máximo do carro parado no semáforo de vidros abertos - são, normalmente, aquelas que têm o gosto musical mais duvidoso. Partilhar é tido como um sinal de consciência colectiva e solidariedade (sharing is love). No entanto, tida per se e sem considerações adicionais, esta máxima intemporal pode, como este exemplo ilustra, pecar pela falta de especificação.

sábado, 31 de agosto de 2019

Significado

«Thus it can be seen that mental health is based on a certain degree of tension, the tension between what one has already achieved and what one still ought to accomplish, or the gap between what one is and what one should become. Such a tension is inherent in the human being and therefore is indispensable to mental well-being. We should not, then, be hesitant about challenging man with a potential meaning for him to fulfill. It is only thus that we evoke his will to meaning from its state of latency. I consider it a dangerous misconception of mental hygiene to assume that what man needs in the first place is equilibrium or, as it is called in biology, "homeostasis," i.e., a tensionless state. What man actually needs is not a tensionless state but rather the striving and struggling for a worthwhile goal, a freely chosen task. What he needs is not the discharge of tension at any cost but the call of a potential meaning waiting to be fulfilled by him.»

Man's search for meaning, Victor Frankl

sábado, 17 de agosto de 2019

Costuma estar à boca do metro do Saldanha.

Sentado numa cadeira sem costas, um apoio para o pé esquerdo, toca uma guitarra acústica amplificada, virado para o patamar onde desembocam as escadas. À frente, no chão, está o saco da guitarra, que é utilizado para recolher as moedas que alguns transeuntes vão deixando. De manhã, para apanhar a hora de ponta. E em qualquer altura do ano. No inverno, por vezes usa luvas com os dedos cortados, faz-me confusão como consegue tocar com o frio.

O repertório é variado, já lhe ouvi tocar um pouco de tudo. Vai desde os temas clássicos para guitarra espanhola (uma vez pareceu-me ouvir o concerto de Aranjuez), até ao (incontornável?) Romance, banda sonora do filme Jeux Interdits, passando por uma versão do Yesterday dos Beatles.

Os músicos de rua costumam escolher locais onde as pessoas possam parar para os ver e ouvir. Mesmo os que tocam no interior do túnel do metro, por vezes, acabam envoltos num semicírculo de melómanos. Mas nunca à boca do metro Saldanha: ninguém ali pára para o ouvir tocar. Passam por ele como eu, que ouço um pouco enquanto me aproximo e, depois, me afasto. Mesmo a pequena fracção que abranda ligeiramente para lhe deixar uma moeda - e, às vezes, até mesmo para dizer bom dia - no saco da guitarra não chega a parar.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Serra comum

«Perdi as pernas... Foram-me cortadas... Salvavam-me aí mesmo, na floresta... Fui operada nas condições mais primitivas. Puseram-me na mesa para me operar, e não havia iodo sequer, serraram-me as pernas com uma serra comum, as duas pernas... Puseram-me na mesa, faltava iodo. Foram buscá-lo a outro destacamento, a seis quilómetros, deixando-me sobre a mesa. Sem anestesia. Sem... Em vez de anestesia, uma garrafa de aguardente caseira. Não havia nada, a não ser uma serra comum... De carpinteiro...
(...)
Mais tarde, em Ivanovo e em Tachkent, fizeram quatro reamputações, a gangrena reapareceu quatro vezes. De cada vez, cortavam mais um bocado, e acabou por resultar numa amputação muito alta.»

A guerra não tem rosto de mulher, Svetlana Alexievich

domingo, 11 de agosto de 2019

Descia a Almirante Reis uns quantos passos à minha frente.

Do outro lado da avenida em relação à Igreja dos Anjos. Magro, as calças de ganga velhas ficavam-lhe largas nas pernas e no rabo. Tinha o cabelo escuro e ralo, puxado para trás. Levava um saco de plástico na mão esquerda. De repente, parou e agachou-se perto de uma poça de água, formada no pequena depressão na calçada do passeio. Água da chuva que tinha caído de manhã, escura e suja. Enfiou o braço esquerdo pelas alças do saco para libertar aquela mão e enfiou as duas dentro da poça. Esfregou-as, uma contra a outra. Depois de molhadas, passou-as pela cara. Levantou-se, sacudiu as duas mãos e continuou a descer a avenida.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

A chama purificadora dos Burning Ghosts e os fantasmas que se ouvem a arder

(Publicado originalmente aqui)

Ao meu lado está um grupo de três senhoras de terceira idade, uma observação que poderá, à primeira vista, parecer um trava-línguas mas que, no fundo, apenas pretende retratar a força gravitacional do jazz: aquelas três senhoras, que a um par de olhos mais estereotipados pareceriam (exclusivamente) pertencer ao público-alvo dos concertos do Grande Auditório e não a este anfiteatro ao ar livre, olham para o panfleto com o programa completo do Jazz em Agosto para decidir a que outros concertos assistir. Lá à frente, um casal jovem passa em frente ao palco à procura de um lugar: ela veste um casaco preto com a inscrição “we not me”, em letras garrafais brancas nas mangas, e só me apetece corrigir para “we not I”.

A intensidade das luzes diminui, a voz-off feminina, dá-nos as boas-vindas, pede-nos para desligar o telemóvel e alerta-nos para a interdição de registos áudio e vídeo. Primeiro em português e depois em inglês. E os Burning Ghosts surgem das escadas lá ao fundo, atrás do palco, entre o verde da relva e das folhas das árvores que dançam ao sabor do vento irrequieto da noite. Não perdem tempo, vão directos ao assunto, ainda o público não acabou a salva de palmas inicial, repleta de excitação, e já o baterista martela furiosamente nos instrumentos à sua frente, enquanto os restantes se instalam. Pouco depois, guitarra, baixo e trompete juntam-se, tocam uma linha melódica frenética em uníssono.

Findo o primeiro tema, Daniel Rosenboom, o trompetista, agradece ao público e à Fundação Calouste Gulbenkian pelo convite para estar presente no Jazz em Agosto e apresenta os restantes membros da banda: Jake Vossler na guitarra, Richard Giddens no contrabaixo e Aaron McLendon na bateria. De seguida, faz uma breve alusão (um aviso?) ao “theme of resistance” subjacente à música deste quarteto, que pretende ser simultaneamente um veículo de protesto e de unidade, em particular no actual momento da “American political arena” – esta vertente de carga política é, aliás, frisada na badana de cartão que acompanha o CD que comprei à saída: “a politically motivated quartet at the forefront of the jazz-metal underground”. A intervenção oral termina com anúncio de que o próximo tema se chama “Drowning on the high ground” e é dedicado ao contrabaixista Charlie Haden, falecido em 2014, e que é uma referência dos quatro.

“Revolution” é um dos temas mais marcantes da noite. Junta na perfeição dos elementos-chave deste quarteto: por um lado, o recurso à música como forma de expressão e, no limite, arma política (ou mesmo guerriha), resistência e contestação, uma característica que, de imediato, remete para bandas como os Rage Against the Machine; por outro lado, a fusão dos elementos de jazz com o heavy metal. Por esta altura, Vossler já pegou e colocou às costas a Flying V que figurava proeminentemente no suporte ainda os músicos não tinha subido ao palco, impacientemente à espera do seu momento para intervir. A guitarra parece afinada num registo mais grave (barítono, talvez), tem um som cru e saturado, envolvente e cheio. A própria linguagem corporal de Vossler remete para o metal: a páginas tantas, coloca o pé em cima do monitor enquanto rasga power chords na guitarra com formato em V, pelo meio ouvem-se os harmónicos que soltam quando abafa ligeiramente as cordas com a mão que palheta. Termina o tema virado para o amplificador, gerando um feedback controlado, tal como Giddens no contrabaixo.

É assim que os Burning Ghosts exorcizam os seus demónios, numa espécie de sessão psicanalítica, na qual os fantasmas que os mantêm acordados à noite são evidenciados, expostos, colocados a nu e confrontados. Partilhados com outros que têm, senão os mesmos fantasmas, outros bastante parecidos e que não poupam a ferida aos dedos que impiedosamente perscrutam o sítio onde dói. Em conjunto, submetem esses mesmos fantasmas às chamas purificadoras da música, até que sejam totalmente devorados e carbonizados.

O set termina após uma hora de música. Temos ainda direito a dois encores: primeiro “Free fall” e, depois, “Harbinger”. No final, as minhas três vizinhas de vetusta idade levantam-se, de um salto, e oferecem uma incisiva salva de palmas aos quatro.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Sir

«The permanent Deputy-Governor must be a director and a man of fair position. He must not have to say «Sir» to the Governor. There is no fair argument between an inferior who has to exhibit respect and a superior who has to receive respect. The superior can always, and does mostly, refute te bad argument of his inferior; but the inferior rarely ventures to try to refute the bad arguments of his superior. And he still more rarely states his case effectually; he pauses, hesitates, does not use the best word or the most apt illustration, perhaps he uses a faulty illustration or a wrong word, and so fails because the superior immediately exposes him. Important business can only be sufficiently discussed by persons who can say very much what they like very much as they like to another. The thought of the speaker should come out as it was in his mind, and not be hidden in respectful expressions or enfeebled by affected doubt.»

Lombard Street, Walter Bagehot

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Prestige

«A permanent Governor of the Bank of England would be one of the greatest men in England. He would be a little "monarch" in the City; he would be far greater than the "Lord Mayor". He would be the personal embodiment of the Bank of England; he would be constantly clothed with an almost indefinite prestige. Everybody in business would bow down before him and try to stand well with him, for he might in a panic be able to ave almost anyone he liked, and to ruin almost anyone he liked. A day might come when his favour might mean prosperity, and his distrust might mean ruin. A position with so much real power and so much apparent dignity would be intensely coveted. Practical men would be apt to say that it was better than the Prime Ministership, for it would last much longer, and would have a greater jurisdiction over that which practical men would most value - over money

Lombard Street, Walter Bagehot

quarta-feira, 24 de julho de 2019

O nome diz tudo

Chamada de atenção às pessoas que, no balneário, se secam, de uma ponta à outra, com o secador de cabelo: chama-se secador de cabelo porque serve para secar o cabelo.

sábado, 20 de julho de 2019

Opacidade

«At the end of 1996, Greenspan began to think about proposing. At a birthday dinner for Mitchell with a dozen of close friends at Galileo, one of Washington's best Italian restaurants, Greenspan gave a glowing toast to her. A number of guests felt it was as near to a proposal of marriage as possible, with the expected next sentence to be a request that she marry him. But it never came.

He later confided to one person that he actually proposed to Mitchell twice before she accepted, but either she had not understood what he was saying or it had failed to register. His verbal obscurity and caution were so ingrained that Mitchell didn't even know that he had asked her to marry him. She found it difficult to understand the depth of his emotional commitment to her.

On Christmas Day, Greenspan finally asked, flat out, "Do you want a big wedding or a small wedding?" It as a message no one could miss.

Mitchell was taken by surprise but accepted at once.»

Maestro, Bob Woodward

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Exuberância

«He began work on his speech while taking his ritual early morning soak in the bathtub. His tub was deep and narrow, with armrests so he could comfortably read and write. He decided to voice his concerns about the stock market in a long historical discussion of the notion of prices. He would carefully pose those concerns in the form of a question. How do we know, he wrote, when - and the phrase just popped into his head - "irrational exuberance" has unduly escalated the value of stocks?»

Maestro, Bob Woodward

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Cascais abana a cauda ao som de Snarky Puppy

(Publicado originalmente aqui)

O dicionário da universidade de Cambridge não tem uma entrada para o termo “snarky”. Felizmente, o dicionário urbano vem prontamente em auxílio, oferecendo uma definição da palavra como uma forma de discurso com um tom emocional, que possui sarcasmo envolto em atrevimento e descaramento, com um toque de irreverência. Trata-se de uma definição que se depreende imediatamente: quem nunca esteve em presença daquele tipo de cão espertinho, armado em carapau de corrida, que nos olha de soslaio enquanto ladra?

Para além de contribuir decisivamente para o título ao estilo do Correio da Manhã, a definição deste primeiro parágrafo acaba por ajudar a catalogar, com surpreendente facilidade, a música. Nasce de uma mistura de elementos de jazz, funk, world music e pop-rock, e tem um carácter e uma personalidade muito próprios, com boa disposição e, lá está, irreverência.

Mas já lá vamos porque, antes deste cão sarcástico/atrevido/irreverente, temos de dar conta do que lhe antecedeu, no Hipódromo Manueal Possolo em Cascais, nesta noite ventosa e pouca típica do mês de Julho. Já no início deste ano tivemos oportunidade de ver o jovem britânico Jacob Collier no Teatro Capitólio: aqui está o relato desse concerto.

Pois bem, o moço regressou a terras lusas e, desta feita, esteve a abrir o concerto desta noite, para gáudio das hordas de adolescentes, que gritaram, de forma adolescentemente histérica, a cada cinco segundos da sua prestação. O formato foi muito parecido ao que vimos – da setlist, aos saltos e até às calças de harém (exactamente iguais) – pelo que, sem desprimor para o jovem (ele que me perdoe), vamos avançar sem mais delonga para os cabeça de cartaz.

Voltemos aos senhores do cão que ladra de forma atrevida. Não se trata propriamente de uma banda mas sim de um colectivo de músicos, liderado pelo baixista Michael League. Com cerca de 15 anos de existência, este colectivo normalmente faz-se representar, ao vivo, com quase tantos músicos quantas as velas no bolo de aniversário. Isto embora os últimos álbuns de estúdio (Culcha Vulcha e Immigrance) tenham sido feitos com dezanove músicos. Ao longo dos anos foram vários os nomes sonantes que passaram temporariamente por esta formação, tais como Stanley Clarke, Roy Hargrove, e até mesmo Snoop Dog e Justin Timberlake. E, claro, mais recentemente, o nosso moço imberbe de seu nome Jacob Collier.

O set arranca com “Even us”, um tema mais calmo e introspectivo, que parece servir para tentar enganar o público ou, pelo menos, os mais incautos. A ordem natural das coisas é rapidamente restituída logo a seguir, quando começamos a ouvir o ritmo e a dinâmica de “Semente” e entramos no registo que nos leva até “Bad kids to the back” e a um rico solo do saxofonista.

Michael League dirige-se ao público sensivelmente a meio do espectáculo. Para além da apresentação dos oito elementos que o acompanham, e de uma palavra a Jacob Collier, conta-nos a razão pela qual não esqueceu a primeira vez que estiveram em Portugal: o baterista Larnell Lewis teve uma reacção alérgica, em pleno concerto, ao marisco que comeu ao jantar. “He almost died but still sounded great”. Com amigos destes…

Passamos por “Thing of gold” e, chegados à ponta final do set, League pede a intervenção do público. Divide a audiência em duas metades: a primeira terá a tarefa de bater palmas em tercinas (“the three side”) e a segunda em colcheias (“the four side”). A sobreposição destas duas figuras rítmicas tem muito groove mas não é fácil de executar, nota-se alguma luta das várias mãos dos dois lados da barricada rítmica durante o treino. Treino esse que serve para, a indicação de League, o público participar em “Xavi” – tema dedicado ao povo marroquino – executando a coreografia delicada e ajudando a encerrar o concerto.

Como é normal nestas coisas, o concerto raramente termina quando deve terminar. O primeiro encore é o clássico Shofukan, amplamente aguardado. E digo isto de forma ainda mais veemente porque, atrás de mim, um grupo de jovens espanhóis entoou (com surpreendente precisão) o tema várias vezes enquanto aguardávamos pelo início do espectáculo. Nesta fase, são já vários os espectadores que abandonam as cadeiras e dançam (abanam a cauda?) ao som e ao ritmo.

Escusado será de dizer que, chegados ao momento em que há uma melodia cantada (das poucas em temas deste colectivo), o público canta entusiasticamente:

Ah ah ááááááh áh ah aaaaah
Ah ah ããããããh ãh âh âââââh

Os snarkies puxam pelas gargantas afinadas do relvado, como se fosse preciso qualquer tipo de incentivo. O resultado é uma cantoria que dura não só até à última nota do tema, como também depois da saída de palco. Naquele hiato de tempo em que ainda não se sabe ainda cabalmente se vamos ter mais música, a linha melódica de Shofukan continua a ouvir-se a plenos pulmões.

E, de repente, assim que se vislumbra o regresso dos puppies, a melodia é, de imediato, substituída por uma ovação, gritos e assobios. Gritos e assobios esses que se acentuam e voltam a atingir um certo nível de histeria, no momento em que League anuncia que Collier se vai juntar e o moço entra a correr freneticamente pelo lado direito do palco. O tema é “What about me?” e o fantástico solo em despique de Collier, ao teclado, com o baterista, num longo crescendo, quase me levam a mim (confesso) à histeria. Antes isso que choque anafilático.

Tal como os outros músicos que, ocasionalmente, se juntam ao um núcleo duro estável dos Snarky Puppy, Collier pega, como se costuma dizer, de estaca. Inserido naquele colectivo, Collier cresce, parece ganhar uma maturidade que lhe acrescenta uns quantos anos no seu cartão de cidadão musical. Não que se trate de um espartilho, algo que corte as asas ao petiz e o impeça de voar os altos voos que muitos lhe vaticinam. É, ao invés, parecido a uma bicicleta com rodinhas pequeninas ou aquelas barreiras metálicas que se colocam nas pistas de bowling para evitar que as bolas vão parar às calhas. Há uma certa ingenuidade que desaparece, um copo de leite com chocolate que se transforma num tinto encorpado. Atrevo-me a dizer que aquilo que mais gostei dele nesta noite não foi a actuação com a sua banda, mas sim esta colaboração num único tema.

No final, os mais resistentes ficaram, sem sucesso, a ganir e a latir por mais. Numa palavra: eléctrico. Ou não fosse este um evento patrocinado pela EDP.

sábado, 6 de julho de 2019