quinta-feira, 23 de julho de 2020

A marca

Segundo o que foi noticiado pela revista Sábado, o que terá suscitado a indicação (ordem?) para os professores da casa não referirem a sua afiliação quando emitem a sua opinião terá sido a defesa da marca Nova SBE. Resta saber se o custo reputacional de vir a público que uma faculdade prefere que os seus professores não indiquem onde trabalham para não incomodar as instituições filantrópicas não será ainda maior.  

terça-feira, 21 de julho de 2020

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Chega pra lá

A recomendação para evitar os cumprimentos com apertos de mão são como música para os ouvidos do Paulinho Santos 

domingo, 19 de julho de 2020

Gouailleuse

« - (...) Tout le monde n'aime pas être pleuré de la même manière, chacun a ses préférences.
- Enfim, il lui a voué un vrai culte depuis sa mort. Il est vrai qu'on fait quelquefois pour les morts des choses qu'on n'aurait pas faites pour les vivants.
- D'abord », répondit Mme de Guermantes sur un ton rêveur qui contrastait avec son intention gouailleuse, «on va à leur enterrement, ce qu'on ne fait jamais pour les vivants!»»

Le côté de Guermantes, Marcel Proust

quinta-feira, 16 de julho de 2020

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Reconversão

One child nation é um documentário sobre a política de filho único que vigorou durante décadas na China. Uma das pessoas entrevistadas pela realizadora é a parteira que a ajudou a nascer. À altura, essa senhora, como as demais colegas de profissão, acumulava um conjunto inusitado de tarefas: para além de realizar partos, levava a cabo abortos e esterilizações (forçadas) de mulheres. Hoje em dia, como forma de (auto-) penitência, ajuda casais com problemas de fertilidade. 

domingo, 12 de julho de 2020

Uma questão de asteriscos

Aquando da designação de significant other, de imediato perguntou qual o respectivo p-value. 

sábado, 11 de julho de 2020

Começo a invejar as malas de senhora

Há um momento a partir do qual não se sai de casa sem carteira e chaves. No meu caso, a carteira terá vindo pelos 10 anos, aquando da passagem da escola primária para o ciclo, onde andar com dinheiro passou a ser necessário. As chaves vieram mais tarde: havia sempre alguém em casa. Depois inventaram o telemóvel e, algures lá para o final da minha adolescência, passou a somar-se ao conjunto de coisas que automaticamente coloco nos bolsos antes de sair de casa. Agora passámos também a ter a máscara, que que coloco no móvel de entrada no sítio dos objectos indispensáveis, para evitar esquecimentos pela falta de automatização de hábitos e gestos. 

domingo, 5 de julho de 2020

At arm's length

A distância passou, nos dias que correm, a ser um tópico incontornável por uma razão bastante palpável. Distância física, neste caso. Para além desta, há também uma distância, não necessariamente física, entre pessoas. O relacionamento entre pessoas é, entre outros, função dessa distância, que tem um determinado nível óptimo: há aqueles que funcionam bem aos mesmos 2 metros recomendados pelas autoridades de saúde, como outros a 2 centímetros, e mesmo outros a 2 milhas. No limite, a 2 mil milhas, que começa a ser o equivalente a dizer que o melhor relacionamento é a sua ausência. 

Determinar essa distância não é pêra doce, não é fácil calcular essa função quadrática e maximizá-la. É um equilíbrio, como quase tudo. E como quase todos, difícil de manter, como diz o cliché. O problema é a assimetria do erro por defeito ou por excesso. É perfeitamente possível lidar com o primeiro, quase ad eternum; já o último é, normalmente, irreversível: depois da constatação da falta de adequação, por excesso, de um determinado nível de proximidade, é virtualmente impossível voltar atrás. Pelo que os erros de julgamento tendem a só ser feitos uma vez: a última.   

sábado, 4 de julho de 2020

Prisão domiciliária - 116º dia

É possível que tenha deixado de ser uma prisão. Agora que penso nisso. Em primeiro lugar, pelo regresso a casa, que claramente foi uma considerável melhoria de qualidade de vida. Depois pela habituação, pela normalização, à bruta, de uma circunstância que deveria ser altamente anormal. O eventual regresso ao escritório, seja lá quando isso for, tem o potencial (crescente no número de dias que ficamos em casa) de vir a ser sentido como a prisão que foi a ida para casa. Agora que penso nisso.  

sexta-feira, 3 de julho de 2020

A localidade chama-se Galiza.

Fica no topo (chamemos-lhe assim) de São João do Estoril e tem uma ligação familiar especial. Para além disso, foi na escola desta localidade que andei nos 5º e 6º anos. Lembro-me, naquela altura, quando alguém exclamava perante o curioso toponímico, a piada que mais se fazia nome era dizer que ficava em Espanha. Há uns tempos, ao sair da auto-estrada, passei pela antiga estrada (agora há uma nova que evita passar pela localidade a caminho de São João) e reparei na placa com a indicação do nome: um maduro qualquer acrescentou um "le" no início da palavra. Apeteceu-me voltar atrás e actualizar a piada, substituindo Espanha por Jamaica. 

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Cedo erguer

Costumamos dizer de alguém que respeitamos e a quem reconhecemos mérito, que merece que lhe ergam uma estátua. No actual contexto, o homenageado é capaz de recusar.  

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Alouette

Aqueles que dizem não se arrepender de nada deviam começar por se arrepender exactamente por dizerem que não se arrependem de nada. Das duas uma: ou não é verdade, ou é altamente irresponsável.