segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A funcionária do aeroporto de Viena pede-me para ver o cartão de embarque e a minha identificação enquanto aguardamos.

Mostro-lhe o meu cartão de cidadão e o visor do telefone mas ela quer em papel para poder rabiscar e, desta forma, poupar-me a ter de mostrar novamente quando for o momento de entrar para o ambiente. E diz-me
I think you wouldn’t be lucky when I wrote on your phone

Duas coisas que não fazem sentido. Começo pela segunda: “when” é claramente “if” e está relacionado com o facto de o “wenn” alemão significar as duas coisas, apenas o contexto da frase os distingue. Mas concentremo-nos na segunda, outro falso amigo com o qual ainda não me tinha deparado a falar inglês com nativos da língua alemã. O “lucky” não é “lucky”, é “happy”. Acontece que “glücklich”, de “Glück”, que significa sorte ou felicidade, tanto pode, por isso, ser “sortudo” como “feliz” ou “contente”.

Esta coincidência dos dois significados na mesma palavra é interessante. Porque parece que a felicidade ou o contentamento germânicos são fenómenos de sorte, como se fossem exogenamente determinados por um acaso favorável, e não algo decorrente de uma acção levada a cabo por aquele que se sente feliz ou contente.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Os cartazes eleitorais

O processo de escrutínio e avaliação do grau de comicidade dos cartazes eleitorais é um clássico das autárquicas. Mensagens e emails, redes sociais, programas de televisão em que os casos mais caricatos são dissecados ao pormenor. Mas há outro prazer, um assumido guilty pleasure que associo a estes cartazes - em bom rigor, também é possível de realizar noutras eleições, embora com muito menos escolha do que nas locais: a adulteração das imagens dos candidatos, através de dentes pintados, verrugas acrescentadas com canetas, rugas e demais características físicas pronunciadas. É altamente infantil e, admito, parvo. Eu próprio não me dedico a este tipo de intervenção pouco cívica. Mas não resisto a um sorriso e, nas melhores manifestações de criatividade, mesmo até um pequeno riso, quando observo, na via pública, algumas verdadeiras obras de arte.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Fala-se de tendências a propósito da moda.

Não faz muito sentido: a ser alguma coisa, a moda é altamente cíclica. Com alguma componente irregular, aqui e ali.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

domingo, 17 de setembro de 2017

Se isto não chega para um gajo ficar informado

Para além dos habituais cadernos e revista, o Expresso deste fim-de-semana trazia também: uma revista Portugal em destaque, o jornal Vanguarda sobre actualidade em Angola, o jornal Mercado, o jornal da região de Cascais, publicidade ao Masters de Padel que está a decorrer no Estádio Nacional, publicidade do Teatro Municipal Joaquim Benite em Almada e o guia de Outono do Corte Inglês.

sábado, 16 de setembro de 2017

Não te consigo dizer que foi esperado.

Porque a verdade é que não estava à espera. Mas também não te consigo dizer que foi inesperado. De certa forma, contava com isso. Para lá da sensação de óbvio associada à retrospectiva. Se não tivesse acontecido não teria sido uma surpresa. Mas ter acontecido, lá bem no fundo, tão-pouco é surpreendente. Um inesperado esperado. Ou um esperado inesperado.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Sleep on it

Nos momentos em que a noite mais poderia ser boa conselheira é quando ela, na prática, menos consegue ser.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

sábado, 2 de setembro de 2017

Serradura

«A minha vida sentou-se
E não há quem a levante,
Que desde o Poente ao Levante
A minha vida fartou-se.

E ei-la, a mona, lá está,
Estendida, de perna traçada,
No infindável sofá
Da minha Alma estofada.»

Mario de Sá Carneiro